Destino.
83 Uma noite nada romântica.
Daniel narrando:
Se passaram alguns dias depois do acampamento. Julie me contou que aquilo que fizeram comigo não passava de um ''vingança'' pela minha ''traição''. Eu acabei entendendo e depois até rimos da situação, estamos muito bem desde então.
Eu me encontrava no escritório do meu chefe
– Eu já falei que não; — Demétrius me respondeu, ríspido.
– Senhor, por favor. Eu sei que ela é uma detenta, e está presa. Mas eu quero fazer uma surpresa para ela.
– Daniel, vá embora logo. Eu já disse que não vou deixar vocês sairem.
Eu detestava o jeito dele em abusar do seu poder, eu ainda tive a boa vontade de vir pedir permissão à ele.
– Eu faço qualquer coisa. — Afinal, agora que eu e ela estavamos namorando, ele me fez trabalhar dobrado, eu tomava conta dela, e de mais algumas detentas... ele ainda me irritava com aquele seu jeitinho, sempre que podia gritava '' CALADO '' ou então '' Não recebo suas ordens ''.
– Hm. — Pausou, parecia gostar da proposta. — Ok, vou deixar vocês dois sairem. Mas cuide bem da garota, se ela vir ferida ou machucada, você irá se arrepender.
Engoli em seco, mas concordei, afinal, eu era o melhor guarda costas do mundo, mosdéstia à parte.
– Tá bom, obrigado senhor.
Sai de seu escritório mais animado, fui para a minha casa, e me arrumei, coloquei um terno bem bonito.
Eu estava passando no corredor, apressado, até que Max me parou.
– Ei, Daniel, olha o que eu...
– Você conseguiu um vestido bonito para a Julie? — O interrompi.
– Huh. Consegui, é vermelho, com um decote sexy... ahh... mas que decote. Hum... — Ele fazia caras e bocas. Imaginando a Julie de decote.
– Quer parar com os comentários?! Ela é minha.
– Tá, calma.
– Hum.
Percebi que Max segurava o notebook. Fiquei um pouco curioso, até que ele começou a falar.
– Olha o que eu encontrei sobre as regras espectrais. — Virou o aparelho para mim.
– Tá, tá... não me importa, estou cansado de regras. — Respondi, desinteressado.
Começei a andar. Enquanto ouvia Max gritar de longe.
– Daniel! Espera! Tem uma coisa que você não sabe... — Eu ignorava.
Passei pelos corredores, era meiado da tarde, aparentava ser umas seis e pouca. Julie estava deitada na cama, emprestei meu rádio para ela, e ela estava ouvindo um pouco de música.
Abri a cela, ela me viu, não entendeu o motivo de eu estar usando um terno.
– Amor, levanta. — Pedi animado, ela levantou, mas ainda estava confusa. — Nós vamos jantar!
– Jantar? Mas Dani, eu não tenho roupa...
– É claro que tem, corre pro banheiro. — Tem um vestido lindo lá. — Se arruma, eu vou estar no corredor.
Ela ainda estava um pouco confusa quando correu para o banheiro, segundos depois surgi no corredor, só aguardando a sua chegada.
Ela demorou um pouco, as mulheres adoram um espelho e um bom vestido. Além de um salto também, que Max trouxe.
– Como eu estou? — Ela sorriu, abrindo a porta, já arrumada.
O vestido fazia um decote tipo 'V', não era tão curto, e nem tão longo, e era incrivelmente sexy.
– Está perfeita. — Me aproximei, sem tirar os olhos do decote. — Mas, não vou deixar você andar com esse decote. — Peguei meu terno, e coloquei sobre ela, aproveitando que a temperatura do meu mundo era fria. Isso servia como um casaco, e também escondia o decote. Só mesmo o Max para me arrumar esse vestido.
##
– Precisamos mesmo ir de carro? — Ela perguntou.
– Claro, é um pouco longe.
– Mas... carro da polícia?
– Qual é o problema?
– Sei lá. Acho que você deveria parar um pouco de ser tão focado no trabalho. Por isso que o Demétrius pisa em você.
– Mas eu vou continuar aqui pelo resto da eternidade, ele vai sempre pisar em mim.
Continuei dirigindo, ela se calou entretida com as diversas ruas.
– Promete que hoje você vai esquecer que é um policial?
– Claro.
– Hum... — Parece que ela não acreditou na miha promessa. — Acho que não.
– Porque?
– Você está armado.
– É para a sua segurança.
– Sério amor, deixa a arma no carro.
– Não posso. Isso é contra as regras.
Ela bufou.
– Daniel. Tem um livro com todas as regras espectrais, não é?
– Hum. É sim.
– Faz quanto tempo que você não lê ele?
– Sei lá... anos. Eu já decorei todas as regras.
– Hum.
– Olha Juh, eu prometo que vou esquecer que sou um policial, pelo menos essa noite.
Mesmo sem a fitar diretamente, percebi que a mesma sorriu. Continuei dirigindo mais um pouco, até que finalmente chegamos. Era um restaurante bem bonito, fino e caro, mas o meu amor não merece passar todas as noites comendo angu.
Sai do carro e abri a porta para que ela saisse também, logo alguns fantasmas olharam para nós, talvez por causa do carro da policia.
– Daniel, estamos chamando muito a atenção. — Comentou ela, encolhida.
– Relaxa, aqui só tem gente boa, esse é um restaurante caro. Mas costumam assaltar esse lugar. — Sussurrei a ultima frase, enquanto puxava uma cadeira para Julie se sentar.
Finalmente ela relaxou mais um pouco.
– O que vai fazer? — Perguntei assim que vi a mesma tirar meu terno que estava sobre seu ombro.
– Estou com calor.
Dei um sorriso torto.
– Amor, já viu quantos homens estão nesse lugar?
Ela olhou em sua volta.
– Bastantes. — Respondeu, sem maldade alguma.
– Não mostre esse decote.
Foi ai que ela se ligou.
– Não seja ciumento. — Reclamou, mas concordou em esconder o vestido.
Fiz o meu pedido para o garçon que não tirava os olhos da Julie, a mesma olhava para o cardápio, indecisa.
– Hunf. — Fingi tossir, o garçon ainda estava presente. — Com licença senhor. — Falei para o garçon, o mesmo encarava a garota. Me debrucei na mesa. — Amor, coloque o cardápio mais na sua frente. — Pedi, já empurrando o cardápio, ela concordou sem entender. — Assim não mostra o decote. — Falei ríspido e alto para o homem que ainda estava em pé.
– Ahh.. huh.. oi? Desculpe.
Continuei olhando feio para ele.
– Senhora, o que vai querer? — Ele perguntou, um pouco corado.
Ela olhou para ele.
– Uma salada. — Respondeu, timida.
– Julie, só uma salada? Você não é coelho.
– Daniel, deixa eu comer o que eu quero.
– Não. Você não vai passar a noite comendo folhas. — Fiz uma careta. — SERÁ QUE DÁ PARA PARAR DE OLHAR O VESTIDO DELA! — Berrei para o garçon, deixando ele um pouco nervoso.
– Daniel não grita. — Ela abaixou a cabeça. — Mas que vergonha...
– Que vergonha, ele é que tinha que ter vergonha! — Olhei para o homem que tentava continuar com a postura ''fina''. Me levantei. — Ohh, será que não tem um outro garçon para atender a gente? — Gritei de novo, todos os olhares do restaurante foram para nós.
Julie me puxou, me fazendo sentar de novo.
– Desculpe o meu namorado, ele é um pouco arrogante. — Juliana estava corada.
– Tudo bem. — O garçon assentiu. — O que vai querer? — Perguntou à ela.
– O mesmo que eu. — Respondi para Julie.
Ela bufou.
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