Destino.
84 Tudo Errado.
Julie narrando:
Depois de alguns minutos esperando, finalmente nossa janta chegou. Foi muito fofo da parte do Dani não me deixar comer apenas salada, eu só iria comer isso porque não queria gastar o dinheiro dele com essa comida cara. Também, esse foi o único ato 'fofo' dele nessa noite, afinal, não gostei nadinha do modo que ele tratou o garçon, o jeito que ele gritou, fazendo todos olharem para nós.
Eu ia dar a minha primeira mordida, eu estava calada, um pouco chateada com o Daniel, mas fora isso a noite estava perfeita.
Senti sua mão em cima da minha, levantei a cabeça, deixando de olhar para o prato, então eu vi o rapaz sorrir.
– Não está com raiva de mim, não é?
– Não precisava ser tão grosso com o garçon.
– Só estava te protegendo meu amor.
– Não, você estava é com cíumes. — Toquei em sua ferida: Ele logo fechou a cara. Mas Daniel sabia que era verdade. — Não vem me olhar assim, nós dois sabemos que essa é a verdade.
Ele beijou minha mão, me fazendo esconder o sorriso.
– Eu te amo. — Ele disse de um modo tão intenso. — Eu sempre te amei, desde o começo.
– Sério? — Admito que sorri. — Sempre pareceu que você me detestava, me tratava mal, me batia.
– É, mas eu sempre cuidei de você, é que no inicio eu negava a minha paixão, foi muito dificil para mim. Nunca me apaixonei por ninguém antes. Hum... Agora começe a comer, não quero que a janta esfrie. — Ele recomendou.
– Sabe, não precisava gastar o seu dinheiro comigo. Você se esforça tanto para ganhar o seu salário.
– Não tem problema meu amor, o meu salário é curto, sempre foi curto... eu não me importo. — ele abaixou a cabeça. Estranho... o salário de um policial não devia ser curto.
'' Rock é bem mais do que moda,
Rock é meu jeito de ser,
Eu amo rock, respiro rock... ♪ '' — O celular da mulher começou a tocar, ela atendeu antes mesmo de completar o refrão da música.
Não pude deixar de notar aquela música, era bonita e animada. Mas o que mais me chamou a atenção era outra coisa.
– Nossa Daniel, parece a sua voz.
– Huh? Quê? Onde?
– No toque do celular daquela mulher, parecia a sua voz.
– Tsc, nada a ver Julie.
– Poxa, no meu mundo, eu tenho uma banda. — Comentei. — Eu, e os meus dois amigos: Martim e Félix.
Daniel ficou calado, olhando para o nada, parecia pensativo.
– Martim? E Félix? — Pausou, ainda pensando.
– É, conhece eles? — Perguntei estranhando, mas até que podia fazer um pouco de sentido, afinal, os três são fantasmas.
Ele balançou a cabeça e franziu o cenho, negando.
– Não conheço.
– Hum. — Porque ele ficou tão calado quando eu disse sobre os meus amigos? Que coisa.
Voltamos a jantar normalmente, até que dois caras entraram no restaurante, Daniel não deixava de fita-los, eu achava aquilo tudo muito estranho.
– Não vai comer? — Perguntei, enquanto o rapaz ainda olhava torto para os homens que entraram.
– Suspeitos... — Sussurrou.
– Oi?
– Aqueles caras. — Apontou com a cabeça para os dois rapazes que estavam no balcão. — São suspeitos.
– Não julgue os outros pela aparência, que coisa. — Só porque eles não estão vestindo terno não significa que são maus.
Ele ignorou minha resposta, e continuou a fitar — desfarçadamente — os dois caras, que continuavam no balcão do restaurante.
Percebi que Daniel tirou sua arma do cinto, isso me deixou um pouco nervosa.
– O que vai fazer? — Sussurrei para ele.
– Não sei, mas dois caras mal vestidos não entrariam aqui para jantar. — Continuou olhando.
– Você prometeu que não seria policial essa noite.
E então, os caras olharam para o Daniel. O mesmo virou a mesa, fazendo tudo cair no chão, me assustei e acabei me levantando.
– Julie, se esconde ai na mesa. — Falou ele, se levantando também.
Percebi que ele só havia virado a mesa para me esconder ali, assim, me protegendo. Me escondi apenas porque estava com um pouco de medo, porém, eu estava chateada.
Não é que Daniel estava certo? Aqueles caras eram mesmo suspeitos. Um deles tirou a arma do bolso e apontou ao policial.
Todos no restaurante ficaram tensos. Mas eu estava mais chateada do que tensa.
– Vamos, jogue a arma no chão e levante as mãos. — Ordenou ele, um dos caras já havia levantado a mão, enquanto outro ainda apontava a arma para o meu namorado.
Se passaram alguns segundos, Daniel não deixava de apontar a arma para o bandido, e o bandido fazia o mesmo com ele.
Eu já estava cansada de toda aquela situação. Me levantei, deixando a minha proteção — a mesa virada — para trás.
– Julie, se protege. — Daniel pediu, se virando para mim.
No momento de distração dele, o bandido agiu, ele apertou o gatilho, e então a bala voou. Iria acertar no policial, mas com o nervossismo do bandido, acabou acertando em mim.
Cai no chão, me assustei ao ver meu braço sangrar. Daniel veio até a mim, sem deixar de apontar a arma para ele.
– Foi só raspão. — Ele anunciou ao ver meu braço, ambos mais aliviados por não ter sido algo mais intenso. — Eu te ajudo a levantar. — Se ofereceu, mas me soltei bruscamente dele.
– Pode continuar fazendo o seu trabalho. — Reclamei, me levantando.
– Juh, espera! Ei! — Ele não sabia se ia atrás de mim, ou prendia os dois bandidinhos.
Ele optou em ligar para a policia, e então saiu do restaurante. Eu estava no estacionamento, apoiada no carro do Daniel, estava chateada. E meu braço doia um pouco.
Vi ele se aproximar de mim, preocupado.
– Deixe-me ver o seu braço. — Ele me puxou. — Nossa, não chegou a acerta-lo, só foi um corte, nem está profundo.
Me soltei dele.
– Me leva pra prisão de novo.
– Ué, mas porque?
– Você fez o favor de estragar tudo. — Fui andando para o nada, com os olhos cheios de lágrimas.
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