Destino.
68 Tudo por Você.
Notas iniciais
Espero que gostem.
Daniel narrando:
Eu estava pintando a parede, porém, tudo mecanicamente. Como um rôbo. Continuava preocupado com a Julie, agora ela deve estar apanhando muito do meu chefe.
Enquanto fazia o meu serviço, também me questionava.
'' Porque eu o obedeço tanto? '' — É, acho que as vezes eu preciso quebrar algumas regras.
- Oi mano. — Max se aproximou. — Ué, virou pintor? — Riu o mesmo.
Me virei para ele, soltando o pincel no chão. Puxei sua gola com violência, o trazendo até a mim.
- Era com você mesmo que eu queria falar. — Respondi, ríspido.
- Qual é, quer me soltar? — Pediu, mas ignorei.
- Por sua culpa ela está lá, apanhando do Demétrius! Por sua culpa! — Gritei.
- O que, como assim? — Ele ficou confuso. E um pouco preocupado com as minhas palavras.
- Mas é um idiota! Porque foi incentiva-lá a se vingar dele! PORQUE?! Agora ela está apanhando de chicote!
- Pera aí... a Julie está apanhando? Isso não é contra as regras? — Eu realmente odiava o jeito de Max, ele sempre leva tudo na brincadeira, na esportiva e no deboche.
Sem pensar duas vezes, pulei em cima do Max, fazendo com que o mesmo caisse no chão. Ele bateu levemente com a cabeça. Ele se sentou no chão, tentando escapar de mim, afinal, Max sabia que eu era do tipo nervossinho, e me alterava por qualquer coisa.
Dei uns socos em seu rosto. Chutei sua barriga, ele me deu um soco fraco no rosto.
- Qual é! Saia de cima de mi...- Não deixei ele terminar a frase, continuei o agredindo.
E então... derrepente, ele sacou a arma e apontou para mim. Respirei fundo, sabendo que não poderia machuca-lo, afinal, ele estava na vantagem.
Max podia ser um brincalhão, mas também era policial, assim como eu.
Me levantei dele. E então ele colocou a arma no bolso, se levantando também.
- Ganhou alguma coisa me batendo? — Ele fez uma pergunta retória, passou a mão por seu uniforme, tirando a poeira.
- Você debochou de mim. — Respondi. E voltei a pintar o restante da parede, na verdade a última letra que faltava.
- Quando eu debochei? — Ele franziu o cenho, em dúvida.
- Quando perguntou ''Isso não é contra as regras?'', só fez essa pergunta ridicula porque eu sou um bom profissional e cumpro com as regras.
- Não foi deboche. — Se defendeu, pela primeira vez em um tom de voz sério.
'' Ele realmente me fez essa pergunta? Mas...não é contra as regras chicotear uma detenta, ou é? '' - Deixei esses pensamentos inúteis para trás, afinal, meu chefe não faria nada que não estivesse escrito no 'livro de ordens, regras e diciplina' que tem em seu escritório.
- Agora me explica. O que o velho quer fazer com a Julie?
- É Juliana para você. — O cortei. — Não quero que você tenha intimidade com ela.
- Aff... tanto faz. Agora me diz.
- Ele tá lá, torturando ela. — Fiz uma careta.
- E você não vai fazer nada para detê-lo?
- Eu? Claro que não... bom... eu não posso. Ele é o meu chefe, e se eu for demitido? Não, de jeito algum. Eu queria dete-lo, mas não.
- Você é um idiota.
- O que? Repete isso! — Pedi com grosseiria, acho que ele não terá a coragem de repitir.
- Daniel, você é um idiota. A garota te ama, e você ainda prefere ser o queridinho?
- Huh... acho que ela não me ama mais... Afinal... eu... vi vocês dois... — Abaixei a cabeça, não era só por isso que cheguei a essa conclusão, como também pelo 'não' que recebi quando a queria de volta.
- Cara, nós só iamos ficar por curtição, eu nem gosto dela. E também, ela gosta de você. Mas quer te esquecer.
Torci o canto da boca, chateado com a última frase de Max. Acho que ela está conseguindo me esquecer.
- Espera ai, então você só estava usando ela?! — Eu o conheço muito bem, ele era bem mulherengo, e se... ela... começasse a gostar dele, e ele nem iria retribuir.
- Não cara. Não é nada disso.
- Sabe como eu me senti quando vi os dois juntos? — Senti meus olhos levemente marejados.
- Sei, enciumado. — Ele riu.
- Seu idiota, me senti muito pior do que isso.
Percebi que uma pessoa se aproximava de nós, bufei ao ver quem era: Nicolas.
- Nossa, eu estou ouvindo a gritaria de vocês lá do corredor.
- Hum... foi o Max que veio aqui me chatear.
- Cadê a Julie? — Nicolas perguntou.
- Está lá na sala de tortura. — Abaixei a cabeça ao lembrar disso.
- Meu Deus... — Nicolas ficou perplexo por alguns segundos. — Então era ela. — Concluiu.
- Ela quem? — Max perguntou.
- Eu passei pelo corredor do terceiro andar, ouvi gritos altos. Bem que eram parecidos com os gritos dela.
Eu fiquei apavorado com a revelação de Nicolas, Demétrius estava mesmo bem nervoso. '' E se... ele a matou? '' - Eu nem queria pensar nisso.
- Vamos lá. — Max puxou o meu braço. Me arrastando.
- Ir à onde? — Perguntei, me soltando. Nicolas apenas observava.
- Salvar a Julie, não é isso que você queria?
- É, é sim... mas e as reg... — Ele me puxou sem me deixar terminar.
Corremos pelos corredores, algumas detentas até se assustaram com a nossa velocidade. Admito que eu corria mais do que o Max.
Finalmente chegamos no terceiro andar, ambos arfando. Paramos um pouco para descansar. Não ouvimos mais gritos, isso me deixou ainda mais preocupado.
- Cara... — Max falava, respirando com dificuldade. — Ago-ora é c-com v-você. — Ele deu umas batidinhas nas minhas costas, me incentivando.
- Mas e se o De-emétri-ius ain-nda estiv-ver lá de-entro?
- Daniel, você a ama?
Suspirei.
- Eu a amo.
Ele deu o último tapinha nas minhas costas, e me encarou com um sorriso torto.
- Então vai lá.
Quando eu ia responder, Max já havia sumido. Respirei fundo e tomei fôlego. Corri mais um pouco já que o corredore era longo. Finalmente cheguei na porta da sala em que ela estava. Arrombei a porta, e então ela estava lá, amarrada. De costas para mim. A olhei com dó, suas costas estavam vermelhas, algumas partes levemente cortadas.
Me aproximei dela, e vi que a mesma estava de olhos fechados. Desamarrei seus pulsos. E então, lentamente ela abriu os olhos.
A segurei, a colocando deitada em meus braços.
- Daniel... O que está fazendo aqui? — Perguntou de um modo doce, e sorriu, mas senti que ela estava com dores fortes pelo castigo.
- Às vezes é preciso quebrar umas regras. — A abraçei.
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