Destino.
69 Tentando salvar o Amor
Daniel narrando:
A abraçei com força, ainda sentados no chão daquela sala. Ela retribuia o abraço, mas fazia uma carinha de dor, a soltei lentamente, afrouxando-a de meus braços.
– Eu... — Toquei em seu rosto. — Eu disse que iria em seu lugar, porque negou Julie? Porque? — Perguntei desesperado, vendo o seu estado fraco, suas costas machucadas e seus olhos cobertos por lágrimas.
– Porque seria injusto.
– E te chicotear não é injusto? Você é uma mulher! — A abraçei um pouco mais forte, queria fechar os olhos e pensar que ela era minha, mesmo por alguns segundos.
Ficamos uns minutos calados.
– Daniel. Lembra quando eu disse não para o seu pedido? — Ela perguntou, assenti um pouco confuso. — Desculpe.
– Não precisa se desculpar. Você estava certa.
– M-mas... eu... — Ela parou de falar, nós nos encaramos. — Ainda gosto de você.
Na mesma hora puxei sua nuca, ela segurou meus cachos, e então nos beijamos, um beijo desesperado e rápido. Nossas linguas estavam enfurecidas. A coloquei em meu colo, sem acabar com o beijo, ela apertou meus cachos, e continuamos assim por um tempinho. Fechei os olhos, e deixei minhas emoções me levarem.
Julie ficou de joelhos, se levantando e abrindo lentamente as duas pernas. Segurei sua cintura. Ela suspirava em meio ao beijo, e então tudo foi se acalmando.
Nós abrimos os olhos ao mesmo tempo, ainda com os lábios colados. Fomos nos separando.
– Desculpe. — Ela falou, suas bochechas estavam levemente rosadas. — Não devia ter te bei... — Lhe dei um selinho demorado. Timidamente, ela depositou sua mão em meu peito. — O que isso quis dizer? — Sussurrou, assim que afastei nosso lábios.
Ignorei aquela pergunta, afinal, nem eu mesmo sabia o que significava. Eu queria ela, mas ao mesmo tempo, não queria. Já que se ficarmos juntos, ela sofrerá ainda mais.
Ela se levantou, peguei sua blusa que ainda estava jogada no chão e a entreguei, ela a vestiu. Ainda corada.
– Vou te levar para a enfermária. — Afirmei. Ela assentiu.
A levantei, e a carreguei em meus braços. Ela insistia que poderia andar sozinha, mas eu queria leva-lá. Queria sentir o gostinho de ser um herói, pelo menos por alguns minutos.
Enquanto a carregava, eu estava pensativo: Ela quer me esquecer... não sei se depois desses beijos, ela vai conseguir. Mas, preciso arrumar um jeito de lutar por esse amor.
##
Bati na porta da enfermária, Lucy nos atendeu. Ela ficou um pouco preocupada ao ver eu carregando a detenta.
– Pode deixar, eu consigo sozinha. — Disse Juliana, olhando para mim. A fitei, eu realmente não queria tira-lá de meus braços. — Por favor. — Sorriu, aquele sorriso quente e lindo que sempre está estampado em seu rosto. Continuei insistindo, e então ela me deu um beijo no rosto.
A coloquei no chão. Ela segurou minha mão enquanto a enfermeira tentava entender aquela cena.
Julie se sentou na cama.
– O Demétrius a castigou. — Contei, Lucy assentiu, ainda estranhando.
– Coitada. Foi à onde? — Ela perguntou, Julie levantou a blusa e se virou de costas, mostrando as marcas nas costas. — Mas aquele homem é um selvagem. Pobre Juliana, ela é apenas uma moçinha. — Reclamava enquanto umedecia o algodão em um remédio. Aliviando sua dor.
– Obrigada. — Ela sorriu.
– De nada minha linda. — Sorriu também, mas logo fez uma careta. Parecia estar confusa. — Vem cá, me diz uma coisa Daniel. — Olhou para mim. — Não sei se é imprensão minha, mas acho que vocês dois estão mais carinhosos um com o outro.
Acho que essa é a oportunidade perfeita, afinal, há 25 anos atrás, quando vim trabalhar aqui. A enfermeira Lucy já era empregada daqui, sempre trabalhou nesse presidio. Preciso dizer a verdade para ela, talvez ela ajude a recuperarmos o amor, o amor que está se perdendo aos poucos.
– Na verdade, nós... Somos namorados. — Juliana arregalou os olhos com a minha revelação. Lucy também não estava diferente dela, ambas estavam surpresas. Mas Julie sorriu, e corou.
– Eramos. — Julie me corrigiu, assenti.
– Eramos, namorados. Mas o Demétrius disse que não poderiamos continuar... e então eu terminei para a proteção dela. — Eu dizia, a enfermeira estava atenta a cada palavra.
– Acho que você fez a decisão certa Daniel. — Ela abaixou a cabeça. — Sabe, eu trabalho aqui há muitos anos... — Suspirou. — Acho que não devo contar essa história para vocês.
Fiquei curioso.
– Não, nos conte. — Insisti.
– Há 50 anos atrás, um policial se apaixonou por uma detenta. Ele sempre obedeceu as ordens de Demétrius, mas não era de agredir. Como você. — Ela olhou feio para mim, Lucy não gostava muito do meu jeito. — Então... ele resolveu contar para Demétrius, que estava apaixonado pela mulher, e ela também estava por ele. Eles começaram a namorar, sem a aprovação do chefe. Então, Demétrius acabou prendendo os dois em um objeto inanimado. Até hoje.
Julie estava assustada com a estória, eu nem estava tanto, afinal, Demétrius era capaz de fazer qualquer coisa.
– Olha, aqui está uma foto dele. — Ela pegou um livro grande em cima do armário, e abriu, apontando para a foto do policial. — O nome dele é JP.
– E... até hoje ele está preso no objeto inanimado? — Julie perguntou, trêmula.
– Sim. Até hoje. E pelo resto da eternidade.
Engoli em seco, agora eu estava com medo.
– Mas... o Demétrius já sabe o que aconteceu entre nós Dani, ele não nos fez nada. — Ela sorriu fraco. — Acho que podemos continuar. — Sussurrou Julie. Ainda sorrindo.
– Não, não mesmo. — Falei de imediato. — Vamos deixar como está. Para a sua proteção. — Ela abaixou a cabeça.
– Deixar como está? Você vai continuar sendo frio e arrogante com ela Daniel? Será que não aprende o que é amar! — Lucy se intrometeu.
– M-mas... tenho que continuar sendo assim. — A cortei.
– Não. Você pode ser amigo dela. Sei que pode. — A enfermeira sorriu.
Julie suspirou, não sei se ela gostou da proposta. Mas... acho que a enfermeira está certa, é melhor sermos amigos do que continuarmos como cães e gatos.
– É. Vou ser mais amigo dela. — Dei um sorriso, Julie continuou calada.
Notas finais
~Logo voltará os capitulos Juliel. ^^
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