Destino.
60 Só assim para me notar.
Notas iniciais
Daniel narrando:
Já haviam se passado três dias, eu tentava esquecer o que aconteceu entre mim e a Julie, e continuar com o meu profissionalismo. Era difícil, eu sei. Mas eu precisava tentar.
Eu até estava conseguindo, mas infelizmente o ''Daniel monstro'' voltou. Eu voltei a ser frio, insensivél, e fingia que mal a conhecia. Parece que eu sou assim sem você, Julie.
Ahh, eu também já dei '' a boa noticia '' para Demétrius, que eu terminei tudo com Juliana. Ele ficou um pouco mais mancinho, desde então deixou a garota em paz. Isso me fez feliz, afinal, percebi que o meu sacrifício não estava sendo em vão, e que ela não estava sofrendo tanto.
- Ei, Daniel. — Ouvi uma voz pelo meu rádio.
- Oi Nicolas. — Falei um pouco desanimado, não estava nem um pouco afim de conversar com ele.
- Está sabendo da última? O Max vai voltar pra cá. — Ele disse, entusiasmado.
Me animei um pouco, Max era um dos meus colegas e melhores amigos do trabalho, até que ele se mudou, foi para outra cidade e foi trabalhar em outra prisão.
- Quando ele volta?
- Não sei Daniel, mas sei que ele vai voltar.
- Poxa, que bacana.
Aquela notícia fez o meu dia: Finalmente meu amigo irá voltar. Assim eu também não sofro tanto com isso, e talvez até esqueço a Julie, quando ela for solta.
Me despedi de Nicolas no rádio, e voltei a vigiar o corredor do banheiro. Julie estava lá dentro, se arrumando para um novo dia.
- AHHHHHHH! — Ouvi um grito desesperado vindo do local. Na hora me assustei, mas não sabia ao certo se era a voz de Julie.
Ouvi novamente, isso me deixava cada vez mais inquieto.
- O que está acontecendo ai? — Dei umas batidinhas na porta. Ninguém me respondeu, apenas ouvi um pedido de socorro saindo de lá. Isso me deixou ainda mais nervoso. — Olha, e-eu... eu vou entrar hein, posso? — Perguntei, sabia que aquilo era um banheiro feminino, e talvez eu veja coisas que nem quero ver.
Sem nenhuma resposta, resolvi arrombar a porta do banheiro, e então eu vi algo que me chocou.
Vanda e Julie, ambas brigavam, porém, Vanda não era a agressora, era ela que gritava pedindo por socorro.
Julie estava em cima da garota, puxava seus cabelos e dava socos fortes na detenta, que apenas tentava se defender.
- Larga, Larga ela Julie! — Tentei segurar seu braço, mas a garota se soltou rapidamente.
- Me tratava mal não é? Eu não sou mais aquela menininha boba. — Julie falava para Vanda, ignorando minha presença. — Eu cresci, eu amadureci. Agora, quem é a vitima é você! — Ela chutou e socou a detenta, que ainda estava caida no chão.
'' Faça alguma coisa policial! '' Vanda pedia, enquanto Julie não deixava a violência de lado.
Eu ainda olhava chocado para as duas, quando resolvi por ordem.
- Para! Julie! Para! — Eu gritava, mas não adiantava.
Me agachei, e a abraçei por trás.
- Me solta! — Ela se rebatia, ainda nos meus braços. Foi ai que eu percebi que Juliana estava apenas semi-nua.
'' Profissionalismo Daniel, esqueça o corpo divino que ela tem... ''
- Você ficou louca? Eu disse que te deixaria em paz! — Gritou Vanda, se levantando.
- Depois de me maltratar tanto! — Rebateu Julie, ainda tentando se soltar de mim. — Me larga! ME LARGA!
- Vanda, pode ir. — Falei. Olhando para ela.
- Ué, e você não vai dar uma lição nessa ai não? Assim como você fez comigo.
- Isso não vem ao caso. Vá.
- Não, é claro que vem. Você é o policial aqui, tem que por ordem!
Vanda estava certa, mas eu amo essa garota. Amo. Não sei se posso fazer algum mal à ela.
- Não encoste em mim. — Ela pedia, eu ainda a segurava por trás. — Me larga seu idiota, monstro! — Eu tentava ignorar aquelas palavras, tentava mesmo.
Até que algo me fez subir a raiva, ela me deu um chute forte, bem naquele lugar. Gemi de dor, mas não deixei de solta-lá, Vanda viu toda a cena. '' E agora, não vai fazer nada? Ela acabou de bater em um policial.'' perguntou a mulher, erguendo uma de suas sobrancelhas.
Julie se virou, então vi aquele rosto cheio de lágrimas, porém, percebi que ela não estava arrependida de me bater.
Meu profissionalismo falou mais alto do que meus próprios sentimentos.
Fechei os punho e dei um soco em seu rosto, fazendo a garota cair no chão.
- É, apanha mesmo. — Vanda implicava.
Juliana começou a chorar.
- Saia daqui Vanda. — Pedi, sem olhar diretamente para a detenta, eu apenas encarava a garota, ainda caida no chão. Eu estava arrependido, mas doeu em mim saber que mesmo depois que tudo o que passamos, ela ainda tem a coragem de me machucar.
Vanda obedeceu e saiu. Nos deixando à sós.
- Porque brigou com ela? — Perguntei.
Ela se levantou aos poucos, e fixou o olhar em mim. Admito que aquilo me assustou um pouco.
- Não sou mais a boazinha. — Ela disse se levantandando, iria me socar, mas segurei suas duas mãos.
Ela se rebateu um pouco, ainda me olhando nos olhos. A emprenssei na parede, e coloquei a algema.
- Ela fez algo para merecer aquela surra?
- Está defendendo ela?
- Estou. Porque fez isso?
- Me deixa sair, eu quero me vestir. — Mudou de assunto, sua voz estava um pouco mais calma do que antes.
- E porque bateu em mim?
- Já falei pra me deixar sair. — Sua voz mudou, novamente estava grossa e raivosa. Mas não me entimidei.
- Não vou deixar. — Falei, a emprenssando ainda mais na parede.
Ela deu uma joelhada na minha barriga, me fazendo soltar seus punhos, ela os fechou e deu um soco no meu rosto. Que doeu ainda mais do que um soco normal, afinal, a algema bateu na minha face com força.
- SABE QUEM EU SOU? — Gritei, assim que me recuperei do soco, me aproximei da garota, que agora estava sentada no chão do banheiro.
- Um idiota. — Rosnou.
- Olha, esses insultos e socos podem te causar problemas, sou um policial. Sou autoridade aqui. Eu posso muito bem te colocar na solitária agora mesmo. — A ameçei.
- Faria isso? — Ela perguntou, com a voz doce. Seus olhinhos amêndoados me fitavam.
- Huh... isso não vem ao caso. — Eu nunca faria isso. — Porque bateu na Vanda? O que ela te fez agora?
- Nada. — Aquela resposta me assustou, já ouvi muitos casos de detentas boas, que começaram a virar verdadeiras criminosas enquanto estavam presas.
- Não quero que você seja uma pessoa má. — Comentei. — Eu quero você boazinha. De novo.
- Hum... — Ela virou o rosto, deixando de me fitar. — Já pensou que esse pode ser o único jeito de... — Ela parou e olhou para o chão.
- O unico jeito de...?
Levantou a cabeça e me fitou.
- De chamar a sua atenção.
Fiquei chocado com aquilo, então aquela briga, os socos e as ofensas eram apenas um teatro da parte dela, apenas para me chamar a atenção.
- Porque queria chamar minha atenção?
- Pra você perceber o quanto é ruim... gostar de uma pessoa má, fria e sem coração. — Ela se levantou. Parecia jogar um verde para mim, afinal, era assim que eu estava agindo com ela. Estava sendo mal, frio e sem coração, mas essa não era a escolha que o meu verdadeiro eu queria fazer.
Mas era necessário, então tenho que continuar assim.
- Olha garota, eu estou fazendo o meu trabalho, você está apenas complicando as coisas. — Eu falei, soltando sua algema e passando pelo banheiro. — Te dou dois minutos para se vestir, garota. — E então eu sumi.
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