Destino.

61 Castigo.


Notas iniciais
Eu não postei de manhã pois pensei que ainda iria ganhar mais um ou dois comentários, mas não ganhei nem um. ú-u
Bom, aqui está, espero que goste, mas eu ganhei mais uma leitora, e queria review dela, e das leitoras fantasmas, e as que sempre comentam também, isso é importante. ;)

Julie narrando:


Sim, eu estava triste. Além de passar mais ou menos um mês e meio nesse inferno, eu ainda tenho que aturar o Daniel, coisa que não estava nada fácil, afinal, ele me tratava cada vez pior. Bem que ele disse naquele dia: Eu sou assim sem você Julie. Sou frio sem você...

Eu vou mostrar para ele que também posso ser fria. E vou arrumar essa mesma desculpa '' Eu sou assim sem você Daniel. ''

Já tinha acabado de almoçar. Daniel olhava fixamente para a minha cela, não para mim.

Admito que não estava sendo má apenas para chamar a sua atenção, mas como também para deixa seu trabalho ainda mais complicado, ele pensa que será fácil cuidar de mim? Não vou deixar barato. Afinal, ele gosta tanto de se dedicar ao trabalho. Então dedique-se mais um pouco.

– Policial. — O chamei, arrastando a colher na minha grade, fazendo um barulho infernal. — Já acabei de comer. — Falei, ainda me divertindo com o barulho.

– Será que dá para me devolver o prato e a colher? — Ele perguntou, um pouco impaciente.

– Tome. — Entreguei o prato, mas joguei a colher no chão. — Pega cachorro, te dou um osso. — Eu ri.

Ele me olhou feio, mas decidiu se abaixar e pegar a colher, parecia que não queria discutir.

– Olha Julie, eu não contei para o meu chefe sobre a sua briga. — Ele disse, se virando para mim. — Mas estou a ponto de contar.

O encarei, sem mostrar nenhum medo.

– Conta, não me importo. — Menti. No fundo... mas bem no fundinho mesmo ainda existia aquela menininha inocente.

– Não, não vou contar porque vou ter muita dó de você. Meu chefe pode te matar.

– Ele me ama.

Ele discordou com a cabeça.

– Ele está apaixonado por você, mas não te ama.

– Hum... e como você sabe? — Perguntei, um pouco seca.

Daniel se aproximou da grade, e sem tirar os olhos de mim, respondeu.

– Quem ama cuida.

– Hum... que bom. — Fingi não ligar para aquelas palavras, mas admito que eu estava encantada com aquilo, só não vou demonstrar. — Quero sair. Ir para o pátio. Agora.

– Você não vai causar encrenca, vai?

– Abre logo essa cela! — Respondi sem paciência, ele suspirou, mas aceitou em abri-lá.

– Eu vou com você até o pátio.

– Ahh, é claro que vai. Não desgruda de mim.

– É o meu trabalho.

– Hum... — Decidi não discutir, e continuei andando pelos corredores.

Cheguei no pátio, e finalmente respirei o ar puro de lá. Estava um dia ensolarado, bonito. Eu queria me sentar e fitar o céu o dia inteiro, mas vi algo que me chamou mais a atenção.

– Fica ai. — Falei autoritária para Daniel, enquanto atravessei o pátio. — Olha quem está aqui. — Sorri.

– Será que pode me deixar em paz? — Pediu Vanda, um pouco amedrontada.

– Porque eu faria isso?

– Sabe, você era mais legal quando era boazinha.

– Pensei que você não gostasse das boas.

– Garota, é melhor me deixar quieta. — Ela se levantou, lembrei que ela tinha quase o dobro do meu tamanho, fiquei um pouco assustada com o seu tom de voz, mas mantive a pose. — Ou se não, vai se arrepender.

Cruzei os braços.

– Não me ameaçe.

E então Vanda começou a ficar vermelha, e derrepente... sem ao menos eu esperar, sua mão voou para o meu rosto, me acertando com um soco forte.

– Sua... s-sua... puta! — Pulei em cima dela, e então começou outra briga, talvez pior do que a primeira já que agora tinha plateia. Várias detentas formaram uma rodinha em nossa volta, todas gritavam. Como se aquilo fosse uma luta de MMA.

– Dá licença, preciso passar... — Ouvi uma voz fraca, no meio de toda a gritaria, mas eu e Vanda continuavamos a brigar. — AHHH, de novo? — Me virei, e vi Daniel parado nos encarando.

Algumas detentas separaram a briga, enquanto nós duas nos debatiamos.

– Foi ela que começou. — Acusou Vanda para Daniel.

– Eu? — Perguntei perplexa. — Foi ela que me socou!

– Quem socou primeiro? — Ele perguntou, nervoso.

– Ela! — Vanda apontou para mim.

– É é... m-ment-tira. — Eu tentava me defender.

Daniel olhou para mim de um jeito meio estranho. Tá, eu posso estar sendo má, mas não foi eu que começei.

– Já passou dos limites Juliana. — Ele falou.

– M-mas... mas ela é uma mentirosa! — Ele puxou meu braço, sem me deixar explicar. Foi me arrastando para fora da roda. — Me solta Daniel, eu juro que não começei aquela briga, ela me socou primeiro.

– Hum... sei. Agora vou te levar para cela, antes que mais alguém veja isso, e conte para o meu chefe.

– Me solta! Não quero voltar para a cela! Eu vou ficar queta, não vou mexer com mais ninguém.

– Então admite que estava mexendo com a Vanda, de novo?

– Nã-ão, hum... Acredite em mim Dani. — O fiz parar no corredor vazio, ele me encarou. Fitei aqueles olhos cor de noite. E toquei em seu rosto. — Por favor. — Sussurrei.

– Eu gostaria de acreditar, mas realmente está dificil. — Ele me cortou, e voltou a andar, ainda me segurando com força.

Fiz um pequeno esforço e consegui parar no corredor, fazendo o meu corpo ficar pesado para Daniel não me arrastar.

– Já estou perdendo a paciência. — Ele disse, frio.

Umas lágrimas escorreram do meu rosto.

– Isso é uma injustiça, eu não fiz nada!

– Eu vi o que você fez no banheiro, e agora não duvido que você venha brigar com ela novamente! Vamos, anda.

Continuei parada.

– Será que eu vou precisar te carregar?

Não o respondi, ele bufou e se aproximou de mim, me abraçando.

– Me solta se não ou eu não respondo por mim. — Ele continuou me abraçando, mas não conseguia me tirar do chão.

– Droga Julie. — Ele me soltou, e tentou me abraçar por trás, passando a sua mão por minha barriga.

– Que agarramento é esse? — Demétrius surgiu.

– Nada senhor. Ela só está me dando um pouquinho de trabalho, mas vai se comportar. — Ele disse, ainda me segurando por trás. — Por favor, se comporte. — Daniel sussurrou essa frase no meu ouvido, me deixando arrepiada.

– É, eu fiquei sabendo sobre a briga. Me contaram agora pouco.

– Essas detentas são um bando de fofoqueiras. — Reclamei.

– Hum... Daniel, leve a garota para a solitária e tire ela amanhã de manhã.

– Não! Porque eu? Porque não levam a Vanda! Ela começou! — Me desesperei. Tentava me soltar de Daniel.

Demétrius se foi.

– Vamos... — Ele me levantou, ainda me abraçando por trás.

– Não me coloque lá, eu suplico. — Lágrimas começaram a contornar o meu rosto.

– São ordens dele. Preciso obdecer.

##

Daniel me levou até o segundo andar, lá tinha umas salas grandes, sem janelas.

– Não, eu não quero entrar ai, tem ratos lá dentro. — Eu estava desesperada, Daniel me olhava com pena.

– Não queria te colocar ai, mas é preciso.

Ele foi abrindo a porta, olhei lá dentro, e tinha dois ratos nogentos. Pelo jeito que o rapaz me olhava, parecia mesmo que ele não queria me por lá. Mas acho que a culpada disso tudo foi eu mesma.

– Daniel... — Falei, com a voz fraca. O abraçei pela nuca, ele retribuiu desesperadamente. Como se ele dependesse desse abraço.

– É só por hoje. — Ele sussurrou, acidentalmente nossos narizes se encostaram. — Você vai sobreviver.

Trocamos olhares no corredor, ainda próximos. Era como se nós dependessemos um do outro para sobreviver. Não aguentariamos ficar nem um segundo sem estarmos juntos. Mesmo um agindo pior do que o outro.

Passei o dedo no seu lábio, enquanto ele ainda me fitava, agora, secando minhas lágrimas. Ele se aproximou um pouco. Mas parou. E então eu começei a acabar com o espaço entre nós, nossos lábios estavam se encostando levemente, fechei os olhos, quando...

– Não, não pode. — Ele se afastou. — Entre ai. — Daniel disse, um pouco triste, me levando até a solitária.

Ele fechou a porta, me deixando lá dentro. Agora, meus unicos amigos nesse lugar seria um casal de ratos.


Notas finais
Reviews? s2