Destino.

34 Somos apenas amigos?


Notas iniciais
Espero que gostem, não re-li o capitulo.

Julie narrando:


Já se passaram alguns dias desde que Daniel voltou para o seu cargo anterior — Sendo meu guarda costas. — Desde então não nos falamos muito, bom... ele tentava falar comigo, mas eu ainda estava o desprezando assim como ele fazia comigo.

Era de manhã, já tinha feito minha higiene diária, e estava sentada no chão da cela, estava estediada então resolvi pegar uma revistinha de passa tempos que Daniel me emprestou, ele está tentando ao máximo ser bonzinho comigo, mas eu ainda o desprezo.

Ouvi vozes, e olhei para o lado, era Nicolas. Ele havia sussurrado algo no ouvido de Daniel, o mesmo parecia estar desinteressado no que Nicolas dizia.

Nicolas desapareceu, Daniel levantou, abrindo a cela, eu ainda tentava entender o porque disto, nem era hora do almoço.

– Garota, tem um telefonema para você. — Ele disse, com aquela voz encantadora.

Me levantei,'' quem será que estava me ligando? '' – Eu pensava, já que nunca recebi nenhum telefonema aqui na prisão, bom... apenas naquele dia, quando Beatriz me ligou.

Daniel segurou o meu braço, sem dizer mais nada, foi me levando para uma sala que eu nem sabia que existia... lá tinha vários telefones. O policial apontou para um telefone preto que já estava sobre a mesa, como se a outra pessoa na linha estivesse me aguardando.

O rapaz permaneceu do meu lado, com aquela postura reta e o jeito frio de sempre.

– Alô? — Atendi.

– Julie. — Uma voz rouca e triste disse, e eu a reconhecia.

– Fernando? — Estranhei.

Daniel bufou.

– Vamos logo garota, não tenho o dia todo. — O policial reclamou, resolvi ignorar e voltar a dar atenção ao Nando.

– Oi? Tudo bem? — Perguntei.

– Tenho uma péssima noticia para você Julie. — Ele disse. Começei a me preocupar, lembrando que sua voz estava triste.

– O que aconteceu?

Ele engoliu em seco, e se engasgou com as palavras, isso me deixava ainda mais ansiosa.

– Sua mãe. — Ele simplismente disse. Meu lábio começou a ficar frio, e minha mão estava tremendo. — Ela... se acidentou, quando voltava de viagem... — Nando dizia.

Eu não tinha forças para falar, apenas ouvia atentamente.

– A Bia tentou ligar para o seu celular, queria te dar a noticia, mas ninguém atendia. Julie você está ai?

– E-eu... E-estou. — Disse com dificuldade.

– Infelizmente sua mãe faleceu. — Soltou tudo de uma vez. Engoli em seco, minha mão tremia nitidamente. Deixei o cancho do telefone cair, e sai correndo daquela sala, fui seguida por Daniel.

##

– Abre! Abre essa cela agora! — Gritei para o policial enquanto balançava as grades, eu apenas queria entrar ali e me esconder debaixo da cama, para chorar sossegada.

Ele obedeceu, abrindo a porta. Entrei desesperada e me joguei no chão.

– Juliana. O que houve?

– Me deixa sozinha. — Respondi, fria.

– O que aquele idiota falou para você?

Virei meu rosto.

– Por favor Daniel, me deixa sozinha. — Pedi, agora um pouco mais carinhosa.

Ele bufou. — Preciso te vigiar, não posso te deixar sozinha.

Suspirei, e tentei me acalmar, eu não queria chorar na frente dele, então tentei me distrair com aquela revistinha de novo, mas nada me fazia parar de pensar na minha mamãe. Daniel não parava de me encarar, sentado no banco, isso me deixava mais inquieta.

– O que tanto olha hein? — Perguntei sem paciência.

– Não vai me contar o que aconteceu? — Ele ignorou minha pergunta anterior.

Ele estava certo, eu precisava falar com alguém, fazia dias que isso não acontecia, e eu estava enlouquecendo com isso. Sou o tipo de pessoa que não aguenta ficar sozinha...

– Eu posso falar com a Mariana? Por favor.

O rapaz fez uma careta e se levantou, abriu a cela, eu pensei que fosse para eu sair e proucurar a minha amiga, mas não. Ele se sentou no chão, do meu lado.

– Não sei como eu vou te falar isso... mas... a Mariana... é... huh... ela já cumpriu a sua pena e foi solta ontem. — Daniel disse.

– Mas que droga! — Gritei, uma lágrima caiu. — Posso ver o Nicolas? — Agora ele é o meu único amigo aqui.

– Não. — Respondeu frio. — Não quero ver vocês se beijando de novo. — Bufou.

– Isso foi há dias, será que não dá para esquecer?!

– Hum... onde já se viu comprimentar os outros com selinho. — Revirou os olhos. Suspirei.

– Pensei que isso fosse cultura dos fantasmas.

– Você é muito ingênua, ele queria se aproveitar de você e do seu jeitinho ''sem maldade''...

– Hum... E porque ele queria se aproveitar de mim?

– H-huh... bom, por que... porque sim ué. — Daniel respondeu com dificuldade, o encarei, aquela resposta fraca não me convenceu. — Você é nova... Bonitinha... e o seu corpo... huh... — Derrepente parou de falar. E olhou para o teto. — O que aquele Nando queria falar com você? — Mudou completamente o assunto.

Eu realmente não queria falar sobre a morte da minha mãe, só não estava sofrendo muito com isso porque eu mal à via.

– O que tem o meu corpo? — Voltei ao assunto anterior.

– Deixa isso pra lá...

– O que tem o meu corpo? — Repiti.

Daniel sabia que eu era teimosa, vencido, ele suspirou.

– É B-bem... bem bonito. — Comentou, sem olhar muito para mim, mas percebi que seu rosto estava vermelho. — Chama a atenção de qualquer um... — Sussurrou.

Eu adorava receber elogios, e fiquei surpressa em ouvir aquilo de Daniel.

– Que parte é bonita? — Tentei ir mais longe.

– Huh... O... o... — engoliu em seco, nervoso. — o bumbum.

Eu ri do seu elogio, ele disse de um modo tão fofo, não me pareceu vulgar. '' É, parece que ele está mesmo mudando... Na ultima vez em que eu vi a Mariana, ela disse comigo que o Daniel estava mesmo ficando bonzinho, acho que ele não merece o meu desprezo, afinal, vou ver esse rostinho bonito pelos últimos meses. '' — Pensava.

Percebi que o silêncio prevaleceu na cela, Daniel ainda estava levemente corado. E eu pensava em um jeito de o agradecer por me fazer sorrir hoje. Me aproximei, e lhe dei um beijo no rosto. Deitei minha cabeça em seu ombro, e ele se virou para mim.

– Desculpa. — Foi a única palavra que eu consegui dizer. Eu estava triste, triste comigo mesma por ter desprezado o garoto que eu estou apaixonada, eu não sou de desprezar ninguém, mesmo sendo o Daniel.

O policial se virou para mim.

– Olha garota, Estou tentando ser bonzinho com você. Eu sei que você me pediu isso várias vezes, e eu apenas neguei. Mas... me dê outra chance. — Ele dizia, eu ouvia atentamente, agora olhando para ele. — Posso ser o seu amigo?

Sorri novamente.

– Pode.


Notas finais
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