Destino.
49 Será que ele realmente mudou?
Notas iniciais
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Ganhei mais duas novas leitoras, quero reviews de vocês !
Julie narrando:
Senti os raios solares baterem sobre meu rosto, fui abrindo os olhos aos poucos, ameaçando fecha-los novamente quando me lembrei da noite de ontem, sorri abobada. Eu estava feliz. Senti a mão de Daniel sobre a minha barriga, virei meu rosto, e vi o mesmo dormir calmamente ao meu lado.
Virei meu corpo, o abraçando. Eu estava apenas com um lençol fino e branco.
– Bom dia amor. — Falei sorridente, ele não havia nem se mexido.
O balançei um pouco até que ele abriu os olhos.
– Huh... S-só mais um pouqui-nho... — Falou, fechando os olhos em seguida.
Eu ri. Mexi em seus cachos, o carinhando.
– Gostou de ontem? — Perguntei docemente.
– Huh? Hã? Aham... Claro a-amor. — Ele mal abriu os olhos. — Estou cansado.
Eu ri maliciosamente, afinal, eu o cansei a noite inteira.
Me levantei um pouco corada e coloquei uma toalha no meu corpo nu, fui até o banheiro e tomei um banho quente. Lavei os cabelos, e me perfumei. Abri o armário de coisas do Daniel, e encontrei uma gilete de barbear, olhei atentada para a lamina.
'' Não... eu não preciso me cortar, eu estou bem... '' – Eu pensava, me incentivando, fehcei o armário, e fui para a cozinha.
Fiz panquecas, esquentei café e fiz um chocolate quente, peguei uns biscoitos, pão, manteiga, ovos mexidos... e coloquei tudo na mesa.
– Oi. — Daniel surgiu, me assustando um pouco, ele já estava vestido com o uniforme e parecia bem descansado.
– Oi amor. — Dei um selinho nele, enquanto o mesmo fitava a mesa, mordendo o lábio inferior. Ele sorriu para mim, seu olhar me perguntava '' Isso tudo é pra nós dois? ''
– Sente-se. — Pedi, e ele obedeceu.
Nos sentamos, e tomamos o nosso café de mãos dadas, não deixavamos de lado o sorriso e o carinho um com o outro.
– Daqui a pouco você vai ter que voltar para a sua cela... — Comentou, um pouco desanimado.
Assenti, do mesmo jeito. Olhei para baixo, mas logo o encarei sorrindo.
– Mas só falta dois meses para eu dar adeus aquela cela. — Disse, ainda sorrindo. — Que foi? — Perguntei ao ver que ele continuava desanimado.
– Eu não vou mais te ver quando você for solta. — Suspirou.
O clima ficou um pouco tenso entre nós, eu tentava encontrar alguma resposta para sua última frase, mas não encontrei nada inteligente. É, depois de dois meses tudo acabará entre nós, e nunca mais vamos nos ver novamente.
– Então, você já arrumou o seu quarto? — Perguntei, lembrando da bagunça que estava e tentando mudar o assunto.
– Não. — Ele falou, mastigando algo. — Não vou arrumar, vou deixar assim... — Disse, agora bebendo um pouco de chocolate.
– Deixa de ser preguiçoso. — Deu uma risadinha.
– Acho que vou deixar a Denise arrumar... — Comentou, naturalmente.
– Quem é Denise? — Tinha uma pitada de ciúmes na minha pergunta.
– Uma empregada que vem aqui em casa de vez em quando. — Respondeu sem me olhar nos olhos. — Tem torrada? — Se levantou, e foi até o armário.
Já até sei como essa tal Denise é: Cabelos loiros até a cintura, olhos verdes, uniforme bem curto e uma calcinha fio dental. Anda de salto alto e empinando o bumbum, sem contar com o batom fortemente vermelho.
– Essa Denise é bonita? — Perguntei, enquando Daniel se sentava novamente na cadeira. — HEIN???
– Hum... — Ele deu um sorriso torto. Isso me deu ainda mais raiva. — Bom, se tirar seus 57 anos de idade, aquelas rugas, um pouco da sua gordura, pintar o cabelo de uma cor que não seja branco ou platinado, colocar uma dentadura nela e devolver a visão do olho esquerdo, hum... sim, ela seria bonita.
Eu ri da sua resposta, e me levantei da cadeira.
– É melhor deixar a Denise descansar um pouco... — Falei, ele não entendeu muito bem. — Eu arrumo o quarto. — Afirmei, e ele voltou a tomar seu café.
Entrei no quarto, realmente estava uma zona. Comecei arrumando os travesseiros. A roupa do Daniel estava toda jogada no chão, era a roupa de ontem, sua blusa, bermuda... e cueca.
Me abaixei e começei a arrumar aquela bagunça, aah... como esse rapaz é relaxado.
Acabei encontrando um Cd no chão, na verdade, era um Dvd.
'' Melhores momentos no trabalho '' – Estava escrito no verso do Dvd. Fiquei bem curiosa para saber, deve ser momentos agradaveis dele no trabalho. Liguei o aparelho de Dvd e coloquei o Cd, Daniel continuava na cozinha, tomando seu café. Calmamente.
O ''Filme'' começou, estava em um volume baixo, na hora não gostei daquilo.
Ouvi gritos desesperados de mulheres, e reconheci o lugar: Era o presídio, parecia que alguém estava gravando enquanto Daniel gritava com a mulher, que aparentava ter uns 20 anos quando morreu.
– E então? Porque você não quis almoçar? – Perguntava Daniel, no video, a mulher estava totalmente assustada. — E-eu... comi biscoito. – Disse ela, trêmula. — Você devia ter seguido as regras do meu chefe, e não é permitidos biscoitos aqui! — Ele foi se aproximando. Eu assistia o Dvd com medo do que ele iria fazer. E então começou uma sessão de torturas e gritarias, ele batia na detenta como se não houvesse amanhã. Seus gritos me deixavam aflitas.
Esses são os melhores momentos dele no trabalho? Agredir, violentar, machucar as pessoas?
Apertei um botão, eu estava assustada com tamanho a selvageria, o Dvd correu um pouco, até que vi ele torturar outra detenta.
– Mariana? — Perguntei, chocada. Uma lágrima caiu, Mariana era minha amiga!
Com ela foi ainda pior, ela estava de quatro, caida no chão, enquanto Daniel, friamente, dava vários chutes em sua barriga, a garota vomitou sangue por dois minutos, ela implorava para ele parar, mas era em vão.
Começei a ficar pálida com aquelas cenas, o meu namorado é um monstro!
– Amor, aquele café da manhã estava uma delícia. — Daniel comentou, enquanto atravessava a parede. Ele viu o meu estado, e o meu rosto molhado pelas lágrimas, ele se virou e olhou para a Tv, agora um pouco tenso. — Você não viu esse Dvd não é? — Ele engoliu em seco. Um pouco nervoso. — Me dê esse controle Julie. — Pediu, estendendo a mão e se aproximando.
Dei um passo para trás, ainda chocada com as cenas.
– Como teve coragem de fazer isso com elas? — Perguntei, e mais lágrimas cairam.
Ele abaixou a cabeça, tentou se aproximar.
– Amor, vamos conversar.
– Não! — Passei a mão por meus cabelos, desesperadamente. — E-elas... elas não fizeram nada, não mereciam apanhar assim de você!
– Elas são detentas, fizeram por merecer para estar ali. — Disse, mas logo se enrolou. — Quer dizer -- O interrompi.
– Também sou uma detenta. — Disse fria. — Me bate, me espanca!
– Não diz isso... esquece esse Dvd e essas cenas Julie, e-era... isso era passado, é passado... e eu era assim, eu sei. — Abaixou a cabeça. — Mas, entenda. Eu sou assim sem você Julie, você me fez mudar.
– Então quando eu voltar para casa, você vai continuar um monstro?
– Não me chame assim... — Sussurrou.
– VAI OU NÃO VAI?
– Isso só o tempo dirá... e o meu chefe é bruto, e-eu vou acabar me juntando a ele de novo, sou o seu queridinho.
Me aproximei, e sem pensar duas vezes, tirei rápidamente sua arma do seu cinto, ele ficou sem reação quando apontei o revolver para a minha cabeça.
– Talvez se eu ficar nesse mundo você mude de uma vez. — Afirmei.
– Não, não faça essa besteira. — Ele tentou se aproximar. — Eu mudei.
– Não tenho certeza disso! — Continuei com a arma apontada para mim.
– Julie, É a sua vida! Me devolva a arma! — Seus olhos se enxeram de lágrimas, mas eu não me comovia, estava muito assustada e confusa com aquelas cenas.
Minha visão estava um pouco embaçada pelas lágrimas, mas vi Daniel tentar se aproximar de mim, talvez para capturar a arma.
A apontei em sua direção, ele ficou ainda mais assustado.
– Não se aproxime de mim. — Eu pedi. Ele estendeu os braços para o alto. Se rendendo.
– Eu sou seu namorado, mas não deixo de ser policial. Não atire. Nem em mim, e nem em você. Isso vai te causar problemas. E eu não quero isso.
Trêmula, apontei a arma novamente para mim, ele ficou ainda mais tenso. '' Não tire sua vida Julie, ela vale muito... '' Sussurrou Daniel.
Não sei o que eu estava pensando naquela hora, mas eu estava com muita raiva e medo. Olhei pensativa para o chão, e no momento da distração, Daniel agiu, pegando a arma das minhas mãos.
Quando me virei, Daniel já estava com a arma em seu cinto, bem presa. Chorei ainda mais, um pouco arrependida de ter apontado a arma para ele.
– Sou obrigado a fazer isso. — Ele prendeu meus pulsos, com a algema.
Notas finais
Mereço elogios? Xingamentos? Tijoladas?
Mandem reviews.
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