Destino.
50 Briga.
Notas iniciais
Julie narrando:
Estava sentada no sofá, calada... chorando baixinho, e ainda algemada. Daniel estava no quarto, acabando de arrumar suas coisas, e se preparando para o trabalho.
Eu não queria vê-lo, acho que aquele Dvd me fez despertar o medo que eu tinha dele antes. O clima estava tenso entre nós, Daniel também não falou mais nada, acho que ele ainda está chocado por eu ter tentado me suicidar, e ter apontado a arma para ele.
- Não senhor... eu agi antes que acontecesse uma desgraça. — Daniel apareceu na sala, falando no rádio, talvez falando com Demétrius. — Eu estou bem. Mas... ela, eu não sei. — Ele se virou para mim, e desligou o aparelho. — Julie. — Ele foi se aproximando.
Me encolhi no sofá, ainda com medo. Ele se sentou do meu lado. Lembrei das coisas que ele já fez comigo, ele também já me bateu, mas não foi tão forte quanto no video.
Ele segurou a minha mão, que ainda estava atada. Me soltei dele.
- Você está com medo de mim?
- U-uhum... — Disse trêmula.
Passou uns segundos, vi em seu olhar que ele também estava triste.
- Porque apontou a arma para a sua cabeça? — Perguntou, olhando para o chão.
- V-você me obrigou a isso, pensei que tinha mudado. Mas acho que não. Quando eu voltar para casa, você vai voltar a ser o mesmo bruto... selvagem... violento... frio... insensivel.
Ele me puxou para o seu colo, corei um pouco, mas continuei em seus braços. Nos encaramos por alguns segundos, sim, eu queria beija-lo mais o orgulho falava mais alto, e o medo também.
- Não quero que tire sua vida por minha causa. — Ele falou, seriamente. — Meu amor, eu mudei. Eu juro.
- Eu só vou acreditar vendo. — Dei de ombros, ele revirou os olhos. — Precisa parar de obedecer as regras e o seu chefe.
- Claro que não. — Ele franziu o cenho. — Assim eu perco o emprego. — Completou, um pouco nervoso.
- Grrr... deixa o emprego para lá, seja demitido!
- Não!
- Porque não?
- Porque assim eu fico sem você.
Aquilo me deixou sem palavras por alguns segundos, eu apenas o encarava e ele fazia o mesmo. Eu estava hipnotizada pelos seus olhos.
Ele aproximou nossos lábios.
- Não... — Virei meu rosto para o lado, e fiz beicinho. — Não me beija, hum.
- Ahh... — Fingiu estar triste.
- Tá, só um. — Me virei.
Ele me deu um selinho, ainda estavamos próximos, se não fosse pela algema, eu agarraria sua nuca e começaria uma sessão de beijos.
- Bom... acho que vou preparar o almoço. — Daniel me tirou de seu colo, e se levantou. Continuei sentada no sofá, ainda triste por ver aquelas cenas.
Não era bobeira minha, quem iria querer ter um namorado tão bruto?
##
Passou uns minutos, até que resolvi me levantar. A comida que ele fazia estava cheirando muitissimo bem. Fui até a cozinha, ainda chateada. Me sentei na cadeira e fitei o rapaz preparando tudo.
- Sabe... — Suspirei. — Isso não vai dar certo. — Abaixei a cabeça, deprimida.
Daniel se virou para mim, ele estava com uma expressão surpresa.
- Como assim? — Perguntou, ainda olhando para mim.
- Manter um relacionamento em segredo. — Suspirei novamente.
- Mas precisamos.
- Você não precisa ter medo do seu chefe! — Gritei, me levantando.
- Não grite comigo! — Ele revidou.
- Ele não pode mandar na sua vida! — Continuei gritando.
- Que vida? Eu não tenho vida! — Retrucou, fiquei um tempo calada, Daniel parecia pensar nas palavras. — Eu te amo. — Sussurrou.
- Então demonstre!
- Eu não demonstrei ontem à noite? — Perguntou, corei um pouco.
- Estou falando do Demétrius, precisa demonstrar isso para ele.
- Não mesmo! Ele pode te machucar... pode até te matar!
- Eu corro o risco! Não me importo.
- Mas eu me importo, olha Julie... fique quietinha ai antes que eu perca a paciência. O arroz está quase queimando. — Reclamou, se virando para o fogão.
##
Eu o obedeci e me calei. Observei ele colocar os pratos na mesa, suco e uma sobremessa que o próprio preparou.
- Talvez não... — Sussurrei. — Talvez seu chefe até aceite nosso relacionamento.
- Eu o conheço mais do que você. — Disse sem me olhar diretamente, pois limpava e arrumava a cozinha antes de almoçar.
- Você pensa que é durão com todos não pensa? Mas na verdade, você é um fraco! Seu chefe te faz de cachorro!
Daniel se virou se aproximou de mim rapidamente, quase não tive reação, ele segurou meu pulso com força. Seu olhar era raivoso. Acho que cutuquei o monstro.
Olhei em seus olhos, e então ele foi se acalmando e soltou minha mão.
- Ia me bater??? — Perguntei perplexa.
Ele não me respondeu, apenas tocou meu rosto de um jeitinho delicado.
- As vezes eu perco a cabeça... — Sussurrou o rapaz. — Desculpe. — Reparei que seus olhos estavam se enchendo de lágrimas.
Ele ficou nervoso por minha culpa. Eu sei. Ele finalmente tirou a algema de meus pulsos, fiquei um pouco mais aliviada já que aquilo me machuca um pouco. Com as mãos livres, consegui tocar em seu rosto, uma lágrima caiu.
Sem dizer mais nada um para o outro, nos beijamos. Um beijo doce e calmo, não teve lingua.... foi apenas um beijo normal, mas também não era um selinho. Era uma reconciliação.
Deitei minha cabeça em seu peito.
- Desculpas. — Pedi, um pouco fraca. Ele alisou meu cabelo.
- Vamos almoçar. — Ele segurou minha mão e a beijou.
Me sentei na cadeira e então começamos a almoçar.
##
Já estava quase na hora dele voltar ao trabalho, e eu voltar para a cela. Daniel havia dito que talvez Demétrius venha aqui hoje. Pois ele sempre suspeita de nós.
Eu estava sentada no sofá, enquanto Daniel escovava os dentes.
- Voltei. — Ele sorriu. Mas eu estava calada, pensativa. Eu não estava triste apenas por aquele video, mas também porque daqui a dois meses não nos veremos de novo. — Que foi?
- Promete que vai mudar, pra sempre?
Ele se sentou do meu lado, e pegou a minha mão, deitei minha cabeça em seu peito novamente, eu adorava isso.
- Prometo.
- Me beija. — Levantei meu rosto e fechei meus olhos. Senti meus pêlos se arrepiarem pois seu lábio frio estava encostando no meu.
- Daniel! — Ouvi a campainha tocar. Seguido de um grito.
O rapaz foi atender, bufando de raiva por terem nos interrompido.
- Ahh, oi senhor. Eu já estava a caminho do trabalho. — Ele abriu a porta.
Demétrius se aproximou de mim.
- Então... anda apontando a arma para um policial???? — Me perguntou em um tom ameaçador. Fiquei calada, eu não tinha resposta.
- Senhor, ela já está arrependida, isso não vai voltar a acontecer. — Daniel se entrometeu. Dei um sorrisinho.
- Mas... como ela pegou a arma se estava algemada? Quer dizer... eu mandei você algema-lá. — Demétrius dizia, Daniel engoliu em seco. Com medo. — Você me obedeceu certo???
- Ah... huh... Não... — Sussurrou Daniel. Olhando para baixo.
- E porque não?! Tá querendo perder o emprego?
- Não senhor... nunca... é que... huh... é que...- Ele se enrolava para dizer, Daniel não teria a coragem de dizer a verdade.
- Estamos namorando. — Falei em voz alta.
Fale com o autor