Destino.
14 Salvação.
Notas iniciais
Amei os reviews e a recomendação, obg mesmo; ^^
Daniel narrando:
Estava totalmente atento à música, era como se ela tocasse o meu espirito... Isso é estranho... Não estou pensando coisa com coisa, estou agindo por impulso, afinal, eu fritava o hamburguer como um robô, o virava mecanicamente, ainda ''paralizado'' com a música.
'' Essa música não tem nada a ver comigo e com a humana... ''
– Moço...
'' Eu consigo dormir sem ela, tá certo... eu sonhei com ela... mas foi um pesadelo... ''
– Ei...
'' Ela não é tudo o que eu quero, pelo contrário, é tudo o que eu não quero: Uma humana chata e criminosa, toda bobinha... medrosa e ingênua... ''
– Ahhh! Daniel! — Juliana gritou assustada, depois que eu fui me dar conta que a frigideira com o hamburguer estava pegando fogo.
A humana estava próxima a frigideira, tentava controlar o fogo, mas apenas se machucava com o óleo que respingava nela, pois ainda estava algemada.
– Droga... Cuidado! — A peguei no colo, tirando a garota do perigo, e a coloquei sentada na mesa bem longe ao fogo.
O fogão da cozinha estava em chamas, e o rádio com a maldita música ainda não tinha parado de tocar. Voltei para a cozinha, tentando arrumar aquela bagunça toda.
Finalmente apaguei aquele fogo, e pela primeira vez a culpa era minha — mas vou fingir que a culpa é dela — eu estava tão distraido em pensamentos que esqueci a comida... Acho que Juliana até me chamou, umas três vezes... mas não dei ouvidos, pensando que era alguma besteira.
Voltei para a mesa.
– Tá ai... — Joguei o pão com a carne totalmente preta.
Juliana pegou o hamburguer, sentiu o cheiro forte e abriu o pão.
– Eu não vou comer isso aqui.
– Claro que vai, tem até um refrigerante. Ele vai te ajudar a mastigar. — Sorri ciníco, ela me fuzilou pelo olhar.
– Isso está totalmente queimado, eu não como mesmo. — Recusou, fazendo uma careta.
– Foi culpa sua. — Acusei, ela arregalou os olhos.
– Não foi eu que queimei isso!
– Mas você mandou eu ligar o rádio.
– E o que isso tem a ver?
– Hum... é... Fiquei distraido com a música.
– Bingo, a culpa foi sua. — Deu um sorrisinho amarelo.
– A culpa não foi minha e sim de quem queria ouvir música, e ninguém fala Bingo. — Revirei os olhos.
– Tudo bem. — Respirou fundo, de olhos fechados. — Eu não vou comer. — Empurrou o prato para um outro canto da mesa. — Assim eu posso morrer de fome, e vou facilitar para você.
– É, mas aí eu vou perder o emprego.
– Esquece esse emprego idiota... — Reclamou a garota.
Ignorei seu comentário anterior, e já que ela falou em morte, vou fazer a minha pergunta, a pergunta que me fez levar a tudo isso: O fogo na cozinha, a reclamação, e aquela estúpida música.
– Porque você fala tanto em morte? — Na verdade não era bem essa pergunta, isso era apenas o começo.
– Hum... — Ela abaixou a cabeça, brincando com seus próprios dedos, senti que a garota não queria responder, mas eu não iria desistir tão fácil.
– Hein? — Insisti.
– Não sou obrigada a falar sobre isso. — Rosnou a garota, pela primeira vez seu olhar contra mim era raivoso, realmente alguma coisa aconteceu com ela.
– É, é obrigada a falar. Fala agora! — Ordenei grosseiramente, esse era o único jeito dela me dizer, já que a garota sente um grande medo de mim.
– Não! Eu não vou falar! Você não é o meu amigo então não precisa saber sobre nada! Você é só um policial irritante que só faz a minha vida se tornar um inferno ainda maior! — Disse tudo isso sem ao menos uma pausa para respirar. — Eu não conto nada sobre mim para estranhos, principalmente para você. Seu monstro! — Gritou a garota, se levantando da cadeira.
Fiz a mesma coisa, e puxei forte o seu braço.
– Olha aqui... Eu estou tentando te ajudar, já que você não valoriza o meu lado bom... é melhor que eu continue te tratando mal. — Disse entre os dentes, sacudindo o seu corpo com força. — Senta aí! — Mandei. Por obrigação à mim, ela obedeceu.
– V-você... o que vai fazer comigo? — Perguntou em um tom de sussurro, senti um pingo de medo na sua voz.
Não respondi a garota, fui até a cozinha, para tentar me acalmar. Suspirei, eu sabia que ser violento com a garota não iria adiantar em nada, a única coisa que me faria ganhar a sua confiança era ser um pouco mais... bonzinho.
##
Voltei para a mesa, Juliana estava com os braços dobrados, e a cabeça baixa, parecia estar dormindo... ou então chorando.
– Toma. — coloquei uma bandeja na mesa, tinha arroz, salada de tomate e frango grelhado, acompanhando de um copo com suco de laranja e uma maça grande e vermelha.
A garota levantou o rosto, ela parecia estar dormindo, talvez por pura fraqueza alimentar.
– Colocou veneno? — Perguntou.
– Infelizmente não. — Sorri torto, ela ainda me olhou com receio. Como ela pode pensar que eu colocaria veneno? Eu iria perder o emprego. — Come.
Ela passou a lingua por seus próprios lábios... pegou o garfo e começou a comer.
Observei Juliana comendo, ela parecia estar mesmo com fome, e também, eu sou um ótimo cozinheiro... Na verdade eu sou perfeito viu...
Algumas vezes ela olhava para mim, mas eu disfarçava, tentando pensar em qualquer outra coisa que não me levasse a ela.
Depois de ter feito sua refeição, a humana sorriu. Peguei a bandeja e a coloquei novamente na pia da cozinha, voltei para o refeitório com a minha pergunta em mente, agora que eu fui mais bonzinho, ela não tinha como negar.
Me sentei na cadeira, de frente para ela.
– Então... porque você se cortou?
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