Destino.

15 Ela Precisa me Contar.


Notas iniciais
Espero que gostem ^-^ '

Daniel narrando:


Não sabia se esse era o momento perfeito, mas estavamos sozinhos, eu tinha acabado de lhe dar de comer, e ela parecia um pouco mais animada depois disso, porém, quando eu fiz a pergunta, Juliana voltou a olhar para baixo, para sua mão que estava sobre a mesa.

Ela segurava a maça e já havia dado uma mordida.

– Acho que perdi a fome... — Falou a garota, encarando a fruta.

– Então não coma, mas me responda.

Ela torceu o canto da boca, realmente não queria falar sobre o assunto.

– Fala pra mim... — Sussurrei, de um modo calmo.

Ela levantou o rosto, sua expressão era fria e confusa.

– Sei o que você está querendo, está tentando ser bonzinho comigo, para eu te contar e você colher informações e dar para o seu chefe, não é?

Balançei a cabeça.

– Não.

– Mesmo assim eu não conto tá, eu sei que você foi bonzinho comigo por interesse. — Até que a garota não era tão ingênua, ela tinha sua esperteza.

– Isso te chateia?

Ela olhou para baixo e suspirou.

– Sim... — Respondeu.

– Então me conta...

– Porque eu faria isso?

– Porque quando algo nos chatea, precisamos dividir com alguém... assim nos sentimos melhor.

A garota sorriu fraco com as minhas palavras, porém, ainda assim hesitava em dizer. A essa altura minha impaciência e curiosidade era grande, mas eu precisava ser compreensivo, afinal, algo de ruim deve ter acontecido no seu passado.

– Quero voltar pra cela.

Arrastei a cadeira para mais perto dela.

– Só vai voltar quando eu quiser.

– Viu, você é muito mal.

– Então se eu te colocar lá, você promete que me conta?

Ela abaixou a cabeça.

– Promete?

A garota negou. — Prefiro ficar aqui então.

Bufei, já vi que isso seria bem mais difícil do que eu imaginava. Passaram alguns segundos, eu ainda tentava pensar em algo para argumentar com a garota, enquanto a mesma se esforçava para não chorar, percebi pelo seu semblante que aquilo tudo não estava lhe fazendo bem, até pensei em para de fazer aquela pergunta, mas eu não iria conseguir... minha curiosidade iria me matar aos poucos.

O rádio da cozinha ainda estava ligado, percebi que uma música tocava, não era qualquer música, e sim aquela que mexeu profundamente comigo– ainda me pergunto o porque disto — ''Respirei'' fundo tentando não me concentrar na música que me fazia lembrar a detenta, acabei me concentrando em outra coisa: Nos olhos lindos e brilhantes da menina.

Eles refletiam pureza... e isso me deixou completamente paralizado, nenhuma das detentas era tão bela quando a garota, nem ao menos percebi que ela encostava seu dedinho na minha mão. Fomos encostando nossas mãos aos poucos, sem desviar o olhar um para o outro.

Eu nunca tinha me sentido assim, uma coisa boa foi crescendo em mim enquanto encarava seus olhos doces.

Com a outra mão, a garota carinhosa tocou o meu rosto de um jeito puro... Eu tentava não fechar os olhos com o carinho.

– Hum... Já vou fechar a cozinha chefe! — Ouvi uma voz feminina e ao mesmo tempo um pouco grossa dizer.

Me afastei rapidamente da garota, até mesmo porque fiquei assustado com a nossa aproximação, isso realmente não devia acontecer.

Vi uma mulher gorda com um avental entrar no refeitório.

– Daniel? — Ela estranhou.

– Olá Dona Graça. — Respondi naturalmente.

– Desculpe, pensei que não tinha ninguém aqui. Depois você fecha a cozinha para mim? — Perguntou a mulher, jogando o molho de chaves para mim com força, obrigatóriamente, aceitei.

Ela saiu, nos deixando novamente sozinhos.

– Quem é ela? — A menina perguntou.

– É uma mulher que faz a comida.

Juliana fez uma careta de nojo, certamente pela aparência da mulher: Cabelos sujos, baixa e um pouco corcunda, e uma verruga grande perto do queixo.

O silêncio reinou no refeitório grande, bom, não reinou tanto assim pois a música idiota continuava a torturar os meus ouvidos, estranho pois o rádio já tinha a tocado antes, e a colocou novamente... Parecia até coisa do destino, como se eu precisasse ouvir...

Now I can breathe, 'cause you're here with me (Agora posso respirar, porque você está aqui comigo)

– Vou desligar aquele rádio... — Falei, me levantando.

– Não! — A garota gritou um pouco desesperada. — Eu gosto dessa música.

– Mas eu não gosto. — Revirei os olhos, ainda de pé. — Vou desligar. — Ameaçei novamente, disposto a dar um fim naquela música.

– Para! — Ela me repreendeu de novo. — Dizem que essa canção mexe com as pessoas... — Sorriu de um modo estranho.

– Você não faz ideia... — Comentei em sussurro.

– Como?

– hum... nada.

Ela me olhou desconfiada, pareceu não acreditar na minha resposta. Me sentei de novo, já sabendo que não iria conseguir desligar o rádio, e mesmo que esse ato fosse feito, a letra maldita ficaria na minha mente.

– Tá bom, eu não vou desligar. Mas você precisa me contar porque se corta...

– De novo com isso... — Reclamou a mesma. Mantive meu olhar fixo para ela, a garota percebeu que desta vez eu não queria suas desculpas bobas, e sim a verdade.

– Quer mesmo saber? — Perguntou com receio.

– Quero. — Respondi de imediato, eu não sei porque eu estou tão interessado na vida dessa detenta, mas... eu realmente queria saber.

Ela hesitou em falar, pensando que eu iria dizer '' Não precisa, fale se quiser... '' ou então algo do tipo. Juliana suspirou derrotada sabendo que eu não diria isso.

– Foi por causa de um garoto.

Notas finais
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