Notas iniciais
Não sei se está curto, se estiver é porque eu quero dar suspense, e vou postar mais um hoje. :D

Daniel narrando:


O dia amanheceu, e Demétrius fez questão de me acordar bem cedo para eu libertar Juliana. Esse seria o dia mais triste da minha existência, e eu pensando que as coisas iriam melhorar entre nós... depois que li aquele papel, mas já era tarde de mais.

Se melhorar, melhorará apenas para mim. Pois ela já vai voltar para o seu próprio mundo.

Me levantei, enrolei na medida do possivel para não acordar Juliana, afinal, quanto mais cedo ela acordar, mas cedo ela voltará para casa.

Vi a mesma se remexer no colchão duro, obviamente já estava acordada, abri sua cela e com o barulho das grades, ela se encolheu. Juliana estava de costas para mim, deitada com o rosto para a parede.

– Julie...

Na mesma hora ela se virou e então vi seus olhos: Vermelhos e inxados... talvez por chorar.

– Não quero ir Daniel, eu não quero! — Começou a cair lágrimas sobre seu rosto.

Suspirei, eu sabia que seria bem dificil para nós dois.

– Julie, você não pode ficar aqui, já cumpriu a sua pena.

Ela se levantou e então me abraçou forte.

– Não importa, eu quero ficar. — Segurei sua mão e me sentei na sua cama, ela continuou em pé, fixando seus olhos marejados em mim.

– Olha. — Beijei sua mão. — Pense no seu mundo, sua familia.

– Minha mãe morreu.

– Huh... pense no seu pai, amor.

– Ele deve estar preocupado com você.

– Não. — pausou. — Ele sabe que eu estou aqui, e por mim eu ficaria por toda a eternidade.

– Tsc, o que eu estou querendo dizer é que eu sei que você vai sentir falta do seu mundo. — Suspirei. — E sua amiga Bia? Não sente falta dela?

Julie balançou a cabeça.

– Então! Você voltará a vê-lá, vai até ver o tal Fernando. Seu ex.

– Eu te amo, nunca senti isso por alguém. Daniel... o Fernando não significa nada para mim.

Entrelaçei nossos dedos.

– Também te amo. Mas as vezes precisamos deixar quem amamos ir, para o bem dele.

– É, eu sinto falta do meu mundo — Sussurrou. — Como sabia que eu sentia falta?

Dei um sorriso fraco.

– Porque eu também sinto. Faz trinta anos que eu estou aqui, sinto falta do colorido do seu mundo. — Pausei e abaixei a cabeça. — Aqui, tudo está morto. Por favor Julie... se você não quer fazer isso por si mesma, faça por mim.

Nos encaramos fixamente. Ela balançou a cabeça, derrotada.

– Tudo bem. Eu faço.

Sinceramente, eu não queria que ela fosse embora: Eu me via em um abismo sem saída, não quero que ela vá, mas... para ela ficar aqui, terá que morrer. E eu também não quero isso.

Lutei tanto para convence-lá a parar de cortar seus pulsos, mas as vezes até acho que essa era a melhor opção.

– Dani, eu vou no banheiro lavar meu rosto. — Anunciou, abri sua cela e deixei a garota passar.

A segui, afinal, não queria perder nenhum minuto do dia sem ela. Sei que amanhã não a verei, e nem depois de amanhã... e nem pelo resto da eternidade a verei.

Continuei de vigia no corredor, eu pensava no papel que eu havia lido ontem. Como fui bobo, eu devia ter engolido o orgulho e aceitado a ajuda do Max antes. Se eu lesse este papel há dois dias antes, eu já tomaria providências contra o Demétrius.

Um grito fraco vindo do banheiro me despertou dos pensamentos. Sem pensar duas vezes, abri a porta do lugar, e então vi Julie: Apoiada na pia do banheiro, segurava uma gilete e seu pulso estava levemente cortado.

– Julie. — A olhei com medo, ela estava mesmo a ponto de se matar. — Não faça isso.

– N-não t-ten-nho e-es-col-lha. — Soluçou.

– Você acabou de me dizer que voltaria para o seu mundo, por mim.

– É, mas vou ficar no seu. Por nós.

– Não... Me dê isso, não quero que você morra. — Pausei, secando as lágrimas que começaram a cair. — Eu não quero... Olha, vamos conversar... vamos arrumar um jeito de... sei lá... matarmos a saudade um do outro de vez em quando.

Ela me ignorava, olhando atentamente para o seu pulso e a gilete.

– Você vai se vingar?

– Como?

– Você vai se vingar do Demétrius, Daniel. Eu ouvi você sussurrar ontem... Disse que ele pagará por todo o mal que tem feito.

– Sim. Eu mesmo tratarei disso, mas você não estará aqui para ver.

– Talvez eu esteja.

– Não.

Ela começou a precionar a gilete no pulso.

– Julie. — Pausei, eu tentava encontrar alguma saida para isso. — Deixe eu cortar seus pulsos.

Juliana olhou para mim.

– Sério? — Perguntou, escondendo o seu sorriso.

– Sério.

Ela respirou fundo, e me deu a gilete. '' Tudo bem, vá em frente. '' sussurrou. Peguei a gilete e puxei o seu pulso. Nos encaramos antes de eu cortá-los.

'' Ela continua ingênua. '' – Com a gilete na minha mão, coloquei no bolso da calça.

– Oque? — Perguntou, perplexa.

– Lave esse pulso, e vamos...

Ela me abraçou forte.

– Porque? Porque me enganou!

– Eu nunca iria tirar a sua vida Julie. Nunca.

– Dani. — Soluçou. — Quando eu voltar para casa, nós vamos continuar juntos?

– Namorando?

– É.

– Não.

Ela se soltou do meu abraço, e me olhou com seu par de olhos castanhos brilhando, pelas lágrimas.

– Como não?

– Eu te amo. Mas... você precisa ficar livre por completo. Tem uma vida inteira pela frente. Pode encontrar outra pessoa.

– Mas eu só amo você.

– Essa é sua opnião hoje, mas e daqui há alguns meses?

– Vai continuar sendo a mesma.

A abraçei e beijei sua testa.

– Então se você me ama, não tente mais cortar seus pulsos... e nem falar sobre morte, é a pior coisa que existe.

Ela assentiu, mas não tenho certeza se ela cumprirá essa promessa.

– Vamos... — Olhei para o relógio de pulso. — Já está na hora.

Notas finais
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