Destino.
20 Para a Liberdade!
Notas iniciais
Julie narrando:
Coloquei as chaves delicadamente no meu bolso, mantendo o cuidado para não fazer muito barulho. Me senti um pouco culpada, pois, metade do abraço e carinho que eu oferecia ao policial era para eu ter as chaves da ''liberdade'' em mãos.
Alisei seu peitoral, senti que era muito bem definido para um guarda de 17 anos. Ele segurou minha mão, que ainda estava sobre seu peito, e a apertou forte, porém, logo a tirou do local, vi suas bochechas levemente vermelhas, não parecia ser raiva... Parecia vergonha, ou timidez, que estranho, isso é um pouco difícil de acontecer.
Ele, com a outra mão, segurou minha cintura, e me deitou na cama. '' É melhor dormir. '' Sussurrou isso e pegou meu celular '' Talvez mais tarde eu dou um jeito de consertar isto '' disse em sussurro o fantasma, assenti. Me deitando no travesseiro duro.
Daniel apagou a luz do interruptor, e eu torcia mentalmente para que ele não desse por falta das chaves no seu cinto. Ele me olhou novamente, porém, sem mostrar nenhuma expressão.
Levantei meu rosto.
- Não vai me dar um beijo de boa noite? — Talvez um beijo de despedida.
Ele riu pelo nariz.
- O abraço já foi o bastante. — Respondeu, saindo da cela. — Boa noite, e vê se dorme logo.
Tá, sei que vou sentir falta dessa grosseiria dele.
Resolvi o obedecer, bom... fingi dormir por alguns minutos, talvez, no máximo por meia hora, até ele acreditar mesmo que eu estava em um sono pesado.
##
Finalmente ele se rendeu ao sono, colocou meu celular no bolso e fechou os olhos, encostando sua cabeça na parede do corredor, e dormiu ali mesmo no banquinho. Suspirei, eu tentava não ter pensamentos negativos sobre a minha fuga.
'' Vai dar tudo certo Julie... Respira, se acalma... '' - Tirei o lençol fino, na hora minhas pernas e corpo se tremeram, o frio estava mais intenso agora.
Me levantei da cama na pontinha dos pés, todo o cuidado era pouco para não acordar esse policial, vê-lo irritado era a última coisa que eu queria. Tive o cuidado de colocar meu travesseiro na vertical, o cobri com o lençol, assim se Daniel acordar, pelo menos irá pensar que aquilo era o meu ''corpo''.
Peguei as chaves, essa seria a parte mais dificil. As chaves acabaram caindo no chão.
- Huh... — ele resmungou qualquer coisa. — S-senhor, ela está aqui huh... to c-cuidando dela... — Se revirou no banco, eu tremia de medo, temendo o seu despertamento.
Até que o sono do rapaz era pesado, ele voltou a dormir assim que o silêncio prevaleceu. Sai com cuidado da cela... passei pelo corredor e olhei para Daniel, o mesmo roncava de sono, ta aí a explicação por eu não dormir muito bem.
Me aproximei do rapaz, me ajoelhei perto do banco, não sei se era o certo a fazer: Fugir. Mas eu precisava.
- Gostei de te conhecer. Mesmo sendo tão profissional assim — Sussurrei, sem o acordar, encostei meu lábio no dele, apenas por dois segundinhos, pois não aguentei o frio de seus lábios. Mas aquilo já contava como um beijo, na verdade apenas como um selinho, ou até menos que isso.
Ele mexeu os lábios, ainda de olhos fechados, deu um leve sorriso amarelo. Segui o meu caminho. Mas eu sabia que não iria conseguir sair dali sem um agasalho decente para vestir, fui até a lavanderia. Troquei de roupa ali mesmo, peguei um casaco vermelho bem quente, tinha uma touca com as bordas peludas. Coloquei uma calça jeans clara e justa, e um cortuno.
Fui cuidadosamente até o banheiro social da prisão, lá tinha duas grandes janelas, escalei o murinho, e finalmente sai do presidio.
- Adeus Daniel, Adeus Nicolas. — Abaixei a cabeça, mas eu sabia que ainda tinha o matagal pela frente, e essa era a parte mais dificil, porém, consegui pular o muro, rasguei um pouco da calça, na região do joelho, mas não me importei, agora eu estava livre. — Meu celular! Que droga! — Reclamei, lembrando que o aparelho estava com Daniel.
Andei um pouco, admito que estava perdidas nas inúmeras '' ruas fantasmas ''
Vi um onibus grande passar, fiz sinal, ele parou na minha frente.
- Para onde vai? — Perguntei ao motorista.
- Para o Centro da Cidade. — Ele respondeu.
Subi os degruas.
'' Perfeito... '' - Me sentei no banco, o banco do onibus público era mais confortavel que a cama da prisão.
Me recostei no vidro fechado da janela, vi a neve cair, mas estava feliz em sair daquela prisão, e estava feliz por ter um casaco e uma roupa quente.
'' Droga, porque eu não consigo parar de pensar em você Daniel... porque eu só me apaixono por caras que vão me fazer sofrer, primeiro foi o Fernando... agora o Daniel, eu preciso aprender. Preciso gostar dos mocinhos, e não dos vilões. ''
Fechei os olhos, acabei dormindo.
##
- Jovem? — Uma senhora fantasma me sacudiu, abri os olhos e os esfreguei. — Já estamos na cidade. — Ela disse, em um tom de voz calmo, ela parecia aquelas velinhas boazinhas dos filmes americanos.
- Obrigada. Pode me informar as horas?
- Claro, são meia noite e sete. — Disse, descendo do onibus.
Fiz a mesma coisa, e sai do veiculo, dei de cara com uma lanchonete grande e aberta, tinha muitas pessoas fazendo a refeição, mesmo sendo tarde da noite. Pelo menos para o mundo dos vivos é.
Resolvi entrar, já que aquela viagem toda me deu fome.
Daniel narrando:
Acordei para ir até o banheiro masculino, eu sabia que não deveria dormir no trabalho, se Demétrius me visse dormindo, concerteza iria me demitir, lavei meu rosto e voltei para o banquinho, resolvi ocupar o tempo mexendo no celular da humana, admito que a culpa de ter quebrado-o estava me consumindo, pobrezinha... eu fingi que não vi, mas eu sei que ela estava chorando por causa do aparelho.
Abri o celular, pelo menos isso iria me distrair pela noite... fiquei um pouco desconfiado pelo silêncio da noite, geralmente Juliana se mexe e se remexe à noite, ela deve estar tendo um sono bom.
Continuei mexendo no aparelho, até que finalmente concertei.
- Viu garota... concertei. Eu sou incrivél mesmo, pode admitir. — Sorri convencido.
Não ouvi sua resposta, isso me deixou ainda mais disconfiado.
- Seu celular está bom. — Fiz uma pausa, sem resposta. Me levantei. — Hum... — Liguei a luz da cela. — acorda garota. — Disse ainda pelo lado de fora. Eu estava estranhando aquilo tudo, pensei que Juliana iria logo reclamar pois a luz estava ligada, mas não. Ela continuou dormindo... — Hum... — Passei a mão pelo meu cinto, depois que eu fui dar por falta de algo importante.
'' Cadê minhas chaves? '' — Pensei, colocando a mão no bolso da calça, as vezes eu coloco as chaves lá, porém, não as encontrei.
Depois que eu fui perceber: Minhas chaves sumiram depois que eu abraçei a humana...
- DROGA! — Arrombei a cela, tirei o lençol que estava na cama e vejo que quem eu pensava que era, era apenas um travesseiro.
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