Destino.

62 O que houve com você?


Notas iniciais
Amei de mais a recomendação, obg Maria Rodrigues, amei mesmo *-*
Agradeço também a Luíza Morais ( Uma leitora fantasma ) Por comentar ;)
Espero que curtam o capitulo. E fiquem tranquilas, a Julie má é só uma fase. ^^

Daniel narrando:


Eu estava sentado no pátio, triste e cabisbaixo, pensando na Julie, como sempre. Estou com tanta pena dela, ela tá lá naquele lugar horrivel, sozinha... e assustada.

– Você precisa dar um jeito nessa garota. — Demétrius se aproximou, me fazendo despertar dos pensamentos.

– Do que está falando senhor? — Fiquei confuso.

– Eu passei agora pouco pelo corredor da solitária, e ela está lá, gritando sem parar para tirarem-a dali.

– Senhor, ela é só uma garota, deve estar assustada. Deixe-me tirar ela de lá. — Eu pedia, mas Demétrius já havia negado com a cabeça antes mesmo de eu terminar a frase.

– Ela precisa aprender. Agora, leve a janta dela. Eu não te pago para descansar no pátio.

Levantei bufando, eu realmente odiava ser tratado como um escravo nesse trabalho, mas eu pedi isso quando aceitei trabalhar aqui, e vou continuar sendo tratado dessa maneira durante toda a minha morte. O bom disso é que agora eu posso ver a Julie. Vou tentar ser bonzinho com ela. Pois esses dias realmente está dificil.

Fui até o refeitório e peguei a ''saborosa'' janta: Feijão, arroz e ovo. Bom, pelo menos não é angu.

Andei pelos corredores, segurando o prato.

– Me tirem daqui! — Ouvi Julie berrar.

Dei uma corridinha sem derramar a comida, até que cheguei mais rápido na sala em que ela estava.

A garota batia na porta de aço com violência, estava apavorada. Talvez estava aqui, gritando desda hora em que Demétrius falou comigo.

Ela me viu e deu um sorriso aliviado.

– Aqui está a sua comida. — Arrastei o prato para uma abertura pequena que tinha em baixo da porta.

– Daniel, por favor... me tira daqui. Eu não vou conseguir dormir nesse lugar. — Ela pedia, suas lágrimas escorriam sem cessar.

– Desculpe. Eu não devia nem estar aqui, já deveria ter ido assim que te dei a comida.

– Não! Fica comigo! — Julie estava muito desesperada. Ela segurou meu braço, pois na porta havia uma pequena abertura com três grades grossas.

– Então para de gritar. — Pedi, não queria chamar a atenção de ninguém. Ela assentiu, peguei a chave do meu bolso. — Só um minuto. — Fui abrindo a porta aos poucos, até que eu entrei.

Ela me abraçou forte pela nuca, seu corpo estava trêmulo.

– Daniel, olha ali. — Ela apontou para o canto da sala, lá haviam dois ratos grandes. — Atira neles, mata.

– Não posso. E eles estão quetinhos, não vão mexer com você. — Disse olhando para os dois ratos. — Acho que eles estão namorando. — Fiz uma careta ao ver que o rato macho subiu na fêmea. — Hum... cruzando. — Corei.

Ela continuava chorando, até que arrastou a costa na parede, e foi descendo lentamente, sentando no chão.

– Então, vai parar de mexer com a Vanda? — Perguntei, ainda em pé.

– Vou. — Disse balançando a cabeça, um pouco arrependida.

Suspirei, eu estava feliz com aquela declaração. Finalmente terei a minha menina de volta, a Julie doce, carente, inocente...

– Mas não significa que vou continuar boa. — Aquilo me deixou chateado novamente.

– Como assim?

– Percebi que quando se é mal, se tem respeito.

– E que respeito você teve?

– Tive mais respeito assim do que sendo uma garota boa.

– Não sabe o que está dizendo.

– Não sei? E você? Porque é mal? Porque todos te respeitam assim, certo? Certo. As pessoas tinham medo de você, e te respeitavam. Por pura obrigação.

Bufei, ela estava certa nisso. Mas eu não queria que ela se tornasse o monstro que eu me tornei.

Fui andando até o prato de comida que eu coloquei no chão, mas que ela nem se importou, peguei, e voltei para perto da garota, que agora estava calada, me observando.

– Sua comida. — Entreguei o prato.

Ela fez uma cara de nojo, e olhou para mim.

– Eu não vou comer essa porcaria. — Reclamou.

– Precisa se alimentar.

– Não quero!

– Assim você morre de fome!

– Ótimo, que eu morra então! Eu quero!

– Mas eu não quero! — Me sentei de frente a ela. — Já vi que vou ter que te dar na boca. — Revirei aquela gororoba com a colher, enquanto ela continuava com a careta de nojo. — Coma. — Ordenei, encostando a colher em seus lábios. Ela virou a cabeça, se recusando a engolir aquela comida.

– Já disse que não vou comer. — Com um chute certeiro, ela me fez derramar o prato inteiro no chão. O quebrando.

Os dois ratos que estavam no canto da sala ''voaram'' na comida caida, roendo o ovo e o arroz.

– Ratos! — Exclamou a garota, pulando em cima de mim. A segurei pela coxa, enquanto ela enlaçou suas pernas no meu tronco, eu a segurava como se ela fosse uma criança de quatro anos.

– Eles não vão fazer nada com você. — Afirmei, mas ela continuou no meu colo. Estavamos agarradinhos um ao outro, eu até estava gostando disso. Os ratos continuaram comendo o prato com a comida, e então Julie foi se acalmando, e aos poucos saiu do meu colo.

– Desculpe por pular em cima de você. — Pediu, um pouco envergonhada.

– Tudo bem. — Eu gostei. — Tem um pedacinho de arroz bem no cantinho da sua boca. — Falei rindo, ela iria retira-lo com a mão, mas eu a segurei. — Pode deixar que eu tiro. — Tirei com o dedo, nos aproximamos um pouco, até que eu fiquei hipnotizado com os seus olhos, e então... Ela pegou minha arma.

Não tive tempo para tirar a arma dela, não sabia quais eram suas intenções quando... ela apontou a arma em direção aos dois ratos, atirou nos dois, espirrando um pouco de sangue pelo chão.

– Juliana! — A repreendi.

– O que foi? — Ela perguntou como se atirar em ratos fosse algo natural.

– Em quem você se transformou? Você me disse que seria incapaz de maltratar os animais.

– Quando eu disse isso? — Ela devolveu a arma e me encarou, ela sabia a resposta, mas queria ouvir de meus lábios.

– Quando estavamos namorando.

'' Bons tempos '', ouvi ela sussurrar, porém, eu estava muito surpresso para concordar com ela.

– Olha, se você quer ser má para chamar minha atenção, pode parar. Eu gosto da Juliana doce. E quero ela de volta.

– Não estou fazendo isso para chamar a sua atenção, eu até estava antes. Mas agora não estou mais. Sei lá... me sinto mais poderosa assim. E vou continuar assim, a Juliana doce morreu. Assim como o Daniel bonzinho nunca nasceu.

– Tudo bem. — Assenti triste, essa não era a garotinha que eu conheço. — Agora pode dormir ai, não tem mais ratos. — Fui andando até a porta, e então eu sai.



Notas finais
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