Destino.

16 O Passado da Novata


Notas iniciais
Eu iria fazer um pouco maior, mas acho que vou deixar o restante para mais tarde. ^-^'

Daniel narrando:


'' Um garoto... '' — Eu realmente não havia pensado nisso...


É algo tão futil, porque ela se cortaria por causa de um garoto? Pensei que fosse algo de familia, problemas pessoais um pouco mais dificeis de se resolver... mas um garoto? Hum... afinal, o que aconteceu entre ela e esse... garoto?

– Hum... — Mantive minha postura reta, mesmo não esperando aquela revelação. — Continue. — Disse sem mostrar nenhuma expressão supresa.

– É... huh... ah... — Ela não dizia coisa com coisa, parece que toquei mesmo em algo delicado de sua vida. — Eu gostava dele.

Continuei a ouvir, mesmo a garota demorando a soltar as palavras.

– Tá.. você gostava dele, e o que mais? — Perguntei, em um tom de impaciência.

Ela olhou pra mim, e franziu a testa.

– Moço, está tudo bem? — Perguntou de um jeito que parecia estar preocupada comigo.

– Hum... está, porque? — Aquela pergunta me chamou a atenção, porque ela iria parar de me contar sua história apenas para me perguntar se eu estou bem?

– Seu rosto está vermelho... — Comentou, o encarando.

Senti a minha pele facial quente, aí eu percebi que estava com raiva, mas raiva de que?

'' Eu não sentiria raiva de um garoto que eu não conheço... ou sentiria? E se não fosse raiva... se fosse outra coisa? ''

– Ah... bom... é o calor. — Arrumei uma desculpa bem boba, Juliana aceitou e suspirou, parecia forçar seu cerebro a continuar a história.

– Ele era... o nome dele... era... Fernando.

'' Então o nome do cidadão é Fernando... '' — Assenti, naturalmente.

– Ele era... meu namorado.

– OQUE? — A interrompi de imediato, a garota encolheu os ombros ao ver meu tom de voz. — Namorado? M-mas... huh... huh... vai continua. — Me calei antes de dizer uma bobagem, eu realmente não estou bem esses dias, sinto que iria ofender o tal Fernando verbalmente, mas me calei antes que isso acontecesse.

– O que que tem eu ter um namorado? — Perguntou, desconfiada.

– Huh... você só tem... — Afrouxei a minha grafata do unifome, apenas por puro nervossismo. — Você é uma garota nova, só tem quinze anos, não devia ter um namorado... Fiquei sabendo que o mundo dos humanos está cada vez mais perigoso, as menininhas de treze anos já são mães e... — A garota corou nitidamente com o meu discurso, parei de falar sobre isso e respirei fundo — Só acho... que... não deveria ter um namorado, só isso.

– Mas eu não tenho. — Respondeu com sinceridade.

– Tá certo... — Sussurrei. — Adiante. — Não sei porque, mas sua última resposta me trouxe um imenso alívio.

– Ai um dia agente se tornou amigos... e eu já gostava dele, então... acabou que... rolou.

– Você engravidou?

Seu rosto enrubesceu como um tomate, ela fez questão de o esconder de mim.

– Não me interrompa para dizer essas bobagens. — Respondeu depois de se acalmar. — Não engravidei.

Sorri torto, envergonhado com meus próprios pensamentos.

– Continua.

– Rolou um beijo, um b-e-i-j-o. – Deu ênfase a palavra para deixar claro que foi apenas isso que aconteceu.

Um beijo... me senti estranho ao ouvir aquilo... Eu imaginava a cena do beijo: Ela feliz por beijar o cara que... ama... ama não, amar é algo muito complexo, ela apenas gosta dele. Gostava.

– Então, no dia seguinte ele me pediu em namoro. — Juliana deu um leve sorriso, bufei. — Namoramos firme por dois anos e meio e...

– O QUE? — Novamente interrompi, gritando, suspirei acalmando meus nervos. — Você só tinha treze anos? É pior do que eu imaginava... — Revirei os olhos.

– Será que não pode parar de gritar! Isso está me assustando. — A garota me repreendeu, percebi então que sempre quando eu tentava me acalmar, eu ficava ainda mais nervoso.

Porque tanto nervossismo? Admito que não fui com a cara desse Fernando, quer dizer, eu nem o vi, mas mesmo assim eu não gosto dele, se ele foi a causa dos cortes em seu pulso, eu o odeio eternamente.

Abaixei a cabeça, suspirei, então mandei ela continuar com a história.

– Eu estava cada vez mais feliz e apaixonada por ele...

– Apaixonda... tsc. — Comentei para mim mesmo.

– Oi?

– Nada, não vou mais atrapalhar... eu acho. — Preciso parar de pensar alto... E não tem nada de mais ela se apaixonar, bom, eu... eu não ligo.

– Ai, ele era lindo. — Juliana falou virando a cabeça de lado, parecia nas nuvens, ou então pensativa. — Os cabeloz marrons, olhos verdes, carinhoso... perfei --

– Vamos logo ao que interessa garota, não quero perder tempo!

– Tá, calma. Eu... pensei que ele fosse perfeito. — Uma lágrima caiu sobre seus olhos profundamente castanhos. — Mas aí eu percebi que estava errada.

Me encarou de um jeito triste, sua expressão dizia '' Preciso mesmo continuar? ''

– Anda, diga o que esse idiota fez com você.

– Me traiu, me magoou profundamente.

Me calei por alguns segundos, percebi que Juliana dividia a mesma magoa que eu, a traição.

– E não foi com uma garota qualquer, e sim... com... — As lágrimas tiravam sua concentração. — Droga... Precisava mesmo tocar em um ponto tão delicado. — Ela comentou para si mesma.

Me calei por alguns segundos, eu tentava não dar apoio emocional para a jovem, afinal, não podia me apegar a ela, não podia me apegar aquele rostinho melancólico, mas com o sorriso verdadeiro e alegre...

– Continua. Estou ficando sem paciência aqui, e eu deveria fechar essa cozinha. — Comentei de um modo frio. Não podia mostrar para a garota que eu sofria com o seu relato tanto quanto ela.

– Ele me traiu com a minha melhor amiga. Ex- melhor amiga, a Thalita.

Engoli em seco, eram duas grandes traições em sua vida: A amiga, e o namorado idiota.

– Mas... — sem pensar duas vezes, segurei sua mãozinha gelada que estava sobre a mesa. — Não precisava descontar a sua mágoa em você.

– Eu descontaria em quem então?

'' NELE! Todos iriam sair felizes. ''

Huh... ahh... em ninguém, não é bom descontar essas coisas nos outros.

– Ahh, e você que vem me dizer isto não é? — Revirou os olhos, ironizando. — Você é o garoto mais sem coração que eu conheço, ainda mais do que o Fernando! É frio, parece que não nasceu com sentimentos, ou melhor, parece que nunca teve sentimentos, desconta sua raiva do dia-a-dia em mim, me ignora, não me chama pelo nome, você é muito... muito pior do que o Fernando.


Notas finais
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