Destino.
88 Mais um Dia.
Notas iniciais
Acho que o capitulo está curto, mas amanhã eu vou postar mais.
Daniel narrando:
3º Dia:
Eram mais ou menos três horas da tarde, como o almoço hoje foi angu, Juliana se recusou a comer. Demétrius disse que ela só iria se alimentar com o angu, que se não fosse com isso, ela iria continuar com fome.
Eu estava sentado no banquinho, depois que fiz todas as minhas tarefas. Finalmente aquele dia de trabalho acabou para mim.
Julie estava triste, calada no seu canto desde que começei a despreza-lá por obrigação, e por amor também.
Ela ainda não sabia sobre o meu trato com o Demétrius, e se soubesse, as coisas seriam muito mais fáceis.
– Daniel. — Ela me chamou, sua voz estava falhando e bem fraca. — Estou com fome.
– ...
– Fala comigo.
– ...
– Eu não posso almoçar?
– ...
– Não quero angu.
– ...
– Não vai me responder? — Uma lágrima solitária escorregou por seu rosto, me deixando sem reação. — Já faz três dias, o que eu te fiz de errado?
Nesse momento, eu só pedia — mentalmente — para que ela se calasse, pois cada palavra dela era uma ferida no meu coração, eu simplismente não aguentava ficar calado. Não com ela.
– Estou com fome Daniel. Não precisa me responder, mas pelo menos me escute. Eu quero comer alguma coisa.
Suspirei e me levantei. Eu sabia que iria desobedecer meu chefe, mas era por ela.
Abri sua cela e então a garota saiu, secou sua lágrima e a segui até o refeitório.
Como só havia angu, ela cismou comigo que iria fazer o próprio almoço dela. Me sentei em uma cadeira, ela começou a pegar os ingredientes na geladeira. Eu assistia a tudo, mas não estava prestando muito a atenção. Meus pensamentos estavam longe daqui.
'' Como eu serei sem ela? Vou voltar a ser o mesmo monstro, vou voltar a agradar meu chefe, mas... não sei se vou simplismente conseguir tira-lá da minha memória, eu a amo. Demorei muito para aceitar isso, eu sei que perdi meu tempo forçando minha mente a pensar que o meu sentimento era apenas uma paixão. Me lembro a época em que eu a tratava mal, eu já era apaixonado por ela dês desse dia. E ela também era apaixonada por mim... ela me disse isso. Apenas perdemos nosso tempo, ignorando, odiando e maltratando um ao outro. '' — Suspirei. '' Agora só me resta poucas semanas com ela. E nesse pouco tempo, sou obrigado a ignora-lá. ''
Mantive meu olhar para a garota, ela mexia com uma colher de pau, a panela de comida.
– Daniel, sabe onde tem sal?
– ...
– Sabe?
– ...
– Deixa. Eu proucuro. — A cozinha era grande, mas o sal estava bem em cima da geladeira, ela foi andando para o canto da cozinha, lá tinha o armário de coisas.
Eu só queria entender como ela consegue mexer assim comigo. Não tirava os olhos da garota nem por um instante, a mesma tentava encontrar o sal, mas não havia sucesso.
Demorou alguns minutos, até que ouvi ela falar.
– Achei! Daniel, sabe onde tem a pimenta?
Suspirei. E se passaram alguns segundos, ela me fitava, ansiosa por uma resposta, ou simplismente para ouvir a minha voz.
– Esquece, eu mesma acho! — Respondeu, irritada.
Ela voltou a caçar os condimentos. E eu voltei a fita-lá, aquele corpinho... aquele rosto... os olhos... o seu jeitinho único de ser, tudo isso me fascinava.
Fechei os olhos, eu estava um pouco cansado pelo trabalho duro que ando fazendo ultimamente. Acho que dormi por alguns minutos, mais ou menos uns dez minutos. Até que acordei com um barulho. A cozinha estava rodeada de fumaça.
Me lembrei que ela tinha deixado a panela no fogo. Mas acho que isso não causaria tanta fumaça...
'' Droga... '' – Olhei para o fogão, o mesmo estava em chamas. Não era a primeira vez que isso havia acontecido, eu já queimei um fogão, o Max também já queimou. Até mesmo o meu chefe já encendiou um.
A fumaça tomava conta do lugar. Me lembro da vez em que eu preparava uma comida para a Julie, e isso aconteceu.
Eu olhava em volta, tentava encontrar a garota. Até que a encontrei no canto da cozinha, ela tampava o nariz com sua blusa, e olhava assustada para o fogão. Me lembrei que os humanos podem morrer de asfixia.
Corri desesperado até ela, e então a coloquei no meu colo. Tirei ela do local. Julie escondia seu rosto no meu peito, acho que passei de policial para bombeiro.
Coloquei ela sentada no chão, em um lugar menos perigoso. Ela tossiu um pouco, mas logo se recuperou.
– Daniel, eu juro que não explodi o fogão. Foi... foi coisa do capeta!
'' Eu prefiro dizer que foi coisa do Destino, afinal, se isso não acontecesse, nossos rostos não estariam tão próximos como agora. ''
Encostamos nossos narizes, ambos hesitavamos, quando ela — sem sucesso — tentou acabar com o espaço entre nós.
Me desviei, sabendo que no refeitório tinha umas cinco cameras de seguranças, e Demétrius me proibiu de ter contato lábial com a garota.
– Você me salvou. — Ela sorriu. — Mereçe um beijo meu. — Pediu, tocando no meu rosto. Ela se calou, pensativa. — Vai parar de me ignorar agora? Eu quase morri.
– ...
Não obteve resposta.
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