Destino.

4 Inocência.


Notas iniciais
Obg, Obg mesmo pelos reviews e a recomendação, ameeeeeeei *-*

Daniel narrando:


Ignorei o desejo do meu cerebro, me levantei, essa garota não merece o meu carinho, bom... acho que ninguém deste maldito lugar foi carinhado por mim. Mesmo que eu queira.

Sai da cela, a garota parecia estar em um sono profundo, nem se importou em estar dormindo em uma cama fria e dura, ainda mais sem um edredom bem quente para protege-lá dos mosquitos. Me sentei no banquinho, era assim que eu iria levar minha ''vida'' nesse periodo. Passar vinte e quatro horas por dia vigiando a garota.

Olha pra ela: Tão indefesa, dormindo em um lugar desconfortavél e perigoso, eu não estava diferente dela, afinal, sinto que ela está melhor do que eu, tem uma cama, e pode dormir. Enquanto tem um guarda bonitão de olho nela.

– Como está indo o trabalho Daniel? — Ouvi uma voz, vinha do meu fone de ouvido, era uma voz reconhecivel, Demétrius.

– Nada legal.

– Não está se divertindo porque não pode machucar a garota. — Ouvi ele rir. — Não leve tudo a flor da pele, pode puni-lá de vez em quando, e quando ela merecer, claro.

Isso me deixou um pouco mais animado.

– Senhor, ela... ela tem apenas 15 anos. — Eu dizia, encarando Juliana em seu sono profundo, parecia bem serena. — O que ela fez de tão errado para estar aqui?

– Não me venha com perguntas Daniel, não te devo satisfações.

Precisei engolir minha futura resposta malcriada para meu chefe.

– Sim senhor. Me diz, como devo trata-lá? Não posso tratar ela com carinho, as outras presas não vão gostar muito disso. E podem, sei lá... querer machuca-lá. Todas sempre foram maltratadas por mim, não posso ser diferente com a novata.

– Ahh, Daniel! Isso não me importa, dê o seu jeito. Tchau. — E ele desligou.

– Maldito... — Reclamei mau-humurado.

Olhei para a garota que dormia como um anjo, não sei o que está havendo comigo, é como se eu não conseguisse trata-lá com desprezo, aquele jeitinho meigo, delicado, e puro.

A garota me lembrava a minha irmã mais nova... eu sempre cuidava dela quando meus pais não estavam em casa, depois que morri, nunca mais a vi. Talvez seja isso, talvez no meu interior tenha despertado esse sentimento antigo, a novata era como uma irmã pra mim, era como se fosse a minha irmãzinha, que eu precisava cuidar.

Preciso forçar meu cerebro a acreditar que é apenas isso, ou melhor, que não é nada. Nada mesmo.

Passei o restante da noite sentado naquele banco, admito que o meu trabalho estava bem intediante. Eu observava a garota, e lutava contra meu próprio sono, sei lá... não queria dormir.

– Huh... — Ela se remexeu. Mantive meus olhos abertos. — Moço?

– Oi?

Ela levantou lentamente, esfregando um dos olhos.

– Me traga água? Estou com sede.

– Hum...

– Por favor.

– Sou o seu guarda-costas, não seu empregado. Vê se dorme.

Me sentei novamente no banquinho, agora, pela segunda vez estava lendo aquela revista velha. Depois de uns minutos, olhei para a cela, a garota se mantinha em pé, segurando as grades com a mão. Sua cabeça estava baixa.

– Está com tanta sede assim?

– Muita, muita sede. — Levantou o rosto para mim.

– Que droga... vou buscar. — Deixei-a sozinha, e sumi.

Fui até o meu quarto, que era no terceiro andar, lá era o 'apartamento' dos policiais, o meu, claro, era o mais bonito e espaçoso, já que eu sou o melhor policial e mereço isso.

Antes de pegar água da minha geladeira, fui até o banheiro e me olhei no espelho, tirei aquele quepe de policial, deixando meu cabelo à mostra.

– Sou muito lindo. — Encarava as feições masculinas do meu rosto. Mas eu sabia que estava fazendo isso apenas para me distrair de certos pensamentos. — Vamos Daniel, tenha paciência com a humana, ela... é só uma garota, não me parece perigosa, ou uma ladra... É tão doce e meiga que nem dá vontade de machuca-lá, pois eu me sentiria um monstro. — Suspirei. E coloquei o quepe novamente.

Fui até a geladeira e peguei um copo com água gelada. Estou começando a gostar de cuidar da garota, o jeito dela me lembra mesmo a minha irmã.

Passei pelos corredores, algumas presas já dormiam, outras não. Ignorei-as, mas admito que estava louco de vontade de usar uma arma ou um cassetete contra elas.

Finalmente cheguei no corredor da novata. Me aproximei de sua cela. Eu não acreditava no que via: A porta da cela estava aberta, e a garota ''inocente e pura'' já não estava mais lá.



Notas finais
Reviews?