Destino.
87 Humilhação.
Daniel narrando:
Estava com uma pequena dor nas costas, acabei dormindo naquele tipíco banquinho de madeira depois de ver o meu anjinho fechar os olhos...
1º Dia:
Acordei triste, vi que ela já estava acordada. Isso me deixou mais aliviado, eu realmente não sabia como acorda-lá sem trocar nenhuma palavra.
Fui até a sua cela, e a abri. Juliana sorriu, mas eu continuei sério.
– Bom dia amor. — Ela se levantou e me deu um selinho rápido.
A mesma fez uma careta ao ver que não ganhou resposta.
– O que houve?
– ... — Eu queria tanto falar, mas Demétrius me obrigou a deixar o meu rádio ligado, ou seja, ele escutava tudo.
– Hum. — Ela percebeu que não iria adiantar falar comigo, pois eu não vou responder.
Julie viu a cela aberta e então saiu, fazer as atividades deste lugar já estava virando rotina para ela.
– Você vai me seguir ou vai ficar parado?
–... — Começei a segui-lá.
Julie foi até o banheiro enquanto eu aguardava no corredor.
– Senhor eu não quero.
– Então será demitido. Simples. — Ele retrucou, conversavamos pelo rádio.
– Será que não pode mandar o cretino do Nicolas se passar por faxineiro?
– Não.
– Mas senhor, isso é muita humilhação.
Ouvi ele bufar.
– Será mais humilhante se você levar uma demissão. Agora volte ao trabalho! — Pausou — E a primeira tarefa será limpar todas as mesas do refeitório. Aquelas detentas mau-educadas fazem a maior bagunça, sujam aquelas 300 mesas de angu.
– 300? Droga.
Olhei triste para o chão. Aguardando a chegada dela. Poucos minutos depois, ela saiu do banheiro.
– Dani, está tudo bem com você? Porque está tão calado?
– ...
– Eu te fiz uma pergunta.
– ...
– Eu sou muito poderoso contra você Daniel. — Demétrius me irritava pelo rádio. — Não pode nem responder a garota. — Ele riu.
– QUER CALAR A BOCA! — Gritei para ele.
– Me mandou calar a boca? — Juliana olhou para mim.
Fiquei sem reação, mas agora eu não poderia explicar.
– Mandou? — Senti sua voz triste.
– ...
Ela começou a andar, em direção ao refeitório.
– Não, não precisa me seguir. — Ela recomendou, triste.
– ... — Ignorei seu pedido e continuei acompanhando seus passos.
Fomos juntos para o refeitório. Ela se sentou em uma mesa vazia, afastada das outras detentas, fui até a cozinha e peguei o seu lanche, também fui obrigado a colocar um avental ridiculo.
– Que aventalzinho é esse? — Julie riu.
–...
– Ah é. Esqueci que você está me ignorando. — Reclamou. E começou a tomar o seu café da manhã.
Deixei ela sozinha e então começei o meu maldito trabalho. Peguei um pano molhado e passei pelas mesas sujas das migalhas de pão
Eu precisava ser calmo e ignorar o comentário daquelas detentas.
– Ohh, Faxineiro! Está sujo aqui! — Uma mulher fez questão de derramar o café na mesa. Me aproximei e limpei. — O salário como policial é pouco? — Ela riu e tirou do bolso uma moeda de dez centavos. — Toma, é para te ajudar. — Riu de novo.
– Olha aqui, eu não deixei de ser policial. Me respeita ou levará uma surra.
– Daniel. — Demétrius me chamou pelo rádio. — Não bata nas detentas. Eu estou me divertindo com isso. — Ele riu também.
Bufei e voltei ao trabalho.
2º Dia:
Já era metade daquele maldito dia, já faz um tempinho que eu não falo com o meu amor. E isso está me consumindo por dentro. Estou morrendo de saudades dela.
Eu estava limpando o banheiro feminino, era uma tarefa dificil pois no total haviam 36 banheiros, e eu só estava no 12.
Esfregava o chão, mas a sujeira não queria sair. O que também não queria sair da minha cabeça era o rostinho lindo daquela garota, eu faria de tudo por ela, até mesmo ser humilhado por todos. A única pessoa que falava comigo agora era Max, que por sua vez, insistia em me mostrar aquele papel idiota.
Enquanto eu limpava, um grupinho de detentas entrou no banheiro. Elas não eram do tipo ''boazinhas'' como a minha Julie. As mesmas fizeram uma espécie de rodinha ao meu redor.
– Esse aqui não era o policial que te bateu Jessica? — Uma delas perguntou.
Bufei.
– Querem me deixar trabalhar em paz!
Elas se aproximaram, mas não demonstrei medo.
– Sabe, o Demétrius disse que você não pode bater na gente durante esses cinco dias.
– É, mas esses cinco dias logo irão passar. — Retruquei.
– Ele também bateu em você Alda?
– Sim. Bateu.
Engoli em seco, elas não deixavam de me olhar feio.
– Olha... se vocês querem se vingar... — Começei, mas fui interrompido com um chute bem forte no rosto.
Por pouco não bati a cabeça no chão, admito que elas quase arrancaram dois dentes meus com esse chute.
– Isso não vai ficar assim... — Me interromperam de novo, agora com um chute na barriga.
– Esse é só o começo, policial. — Afirmou uma delas, enquanto as outras se aproximaram.
##
– Dani, meu amor! Minha vida! O que fizeram com você? — Aquela dententa, esqueci o nome dela, se aproximou de mim ao ver que eu estava caido no chão, sem nehuma força para me levantar.
– Levei uma surra de um grupinho de sete detentas.
– Ahh, tadinho. — Ela esticou o braço, e então me ajudou a levantar.
– Obrigado Renata. — Agradeci, e na mesma hora ela me soltou. — Rebecca, Rebecca, obrigado.
Ela me empurrou, me fazendo bater as costas no chão.
– Porque sempre confunde o meu nome?
– Olha... — Gemi de dor. — Pode parecer uma estória engraçada, mas quando eu era vivo, conheci duas irmãs gemias, uma se chamava Rebeca, e outra Renata.
– Eu não achei graça.
– Tanto faz. Me ajude a levantar, estou machucado.
– Quer saber? Você já me bateu umas três vezes. — Pausou. — Eu nem sei porque ainda te acho um tesão.
– Nossa. Tá bom Rena... Rebecca.
– Já chega. — Ela pisou forte na minha barriga. Quase cuspi sangue com isso. — Apodreça aí. — Renata ia sair do banheiro, mas voltou. — Olha, quando eu era viva, transei com dois irmãos gêmios, um se chamava Daniel e outro Danilo. Nem por isso eu confundo o seu nome. — pausou — Seu vagabundo incrivelmente gostoso. Que morra de novo, aí. — E então ela fechou a porta do banheiro. Me deixando sozinho lá.
Depois de muito esforço, consegui me levantar e me arrastar pelos corredores. Convenci Demétrius que iria limpar os banheiros em outro dia.
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