Destino.
29 Ganhando Amiga e Inimiga.
Notas iniciais
Julie narrando:
Daniel parou no corredor, ficou olhando para mim com uma expressão séria, parecia estar bem interessado no meu discurso. Fechei os olhos, contei mentalmente até dez e respirei fundo. Ele continuava a me encarar, senti o mesmo entrelaçar nossos dedos, isso me deixou ainda mais nervosa.
– Ahh.. Huh... É-é... huh... — Eu tentava dizer, mas as palavras não saiam.
O policial tocou no meu rosto, e se aproximou, meu coração bateu a mil naquele momento.
– Está nervosa? — Encostou nossos narizes, esse rapaz sabe como me provocar.
Virei meu rosto, tentando controlar meus próprios pensamentos.
– Não... É... que... — Parei de falar e fitei seu rosto, aquele rosto redondo, os lábios finos e bem desenhados, cabelo angelical que fica mais bagunçado ainda com o quepe do uniforme. Como ele pode ser tão lindo?
Eu estava com medo de não ser retribuida, isso pode estragar tudo, ele pode até me tratar com mais desprezo do que normalmente.
– Eu também tenho que dizer uma coisa garota. — Comentou, e abaixou a cabeça.
Sorri com aquilo.
– Fala. — Pedi, carinhosa.
Ele suspirou, e levantou o rosto.
– Pra mim não é tão fácil assim... — Voltou a andar. — Venha. — Pediu, vencida, precisei aceitar.
Cheguei no lugar, era como uma espécie de quintal da prisão, mas o mato estava seco e havia copos de festas, aqueles copos plásticos jogados pelo chão.
No canto do matagal, tinha uma cadeira de praia. Daniel se aproximou da cadeira, colocou o óculos escuro, e se sentou. Pegou uma jarra grande de limonada, e começou a tomar.
– Pensei que iria trabalhar com as outras detentas. — Comentei.
– É, eu estava pensando nisso, mas é melhor não. Elas são muito agressivas, preciso te proteger. E acho que seria bom se ficassemos à sós. — Daniel deu um sorriso de lado. Me virei de costas, não queria que o rapaz visse o meu rosto completamente corado. — Vamos, começe a capinar, quanto mais cedo começar, mas cedo vai terminar.
Olhei para o matagal, com muito esforço fisico, levantei a inchada e a joguei com força no chão, rasgando um pequeno pedaço de mato seco.
– Eu vou ter que capinar tudo sozinha? — Perguntei, perplexa, eu estava fraca, parece que Daniel não se lembra que os humanos precisam tomar um café da manhã, além de que o sono ainda me deixava preguiçoza.
– Hum... — Ele examinou o terreno. — Realmente é muita coisa. Pode capinar só a metade.
Olhei em minha volta, mesmo sendo apenas a metade, eu iria levar o dia todo.
– Ahh... Daniel, não. — Abaixei a cabeça. — Prefiro correr o risco de me ''machucar'' com aquelas presas.
Ele se levantou, dobrou a cadeira de praia. E pegou a jarra com limonada.
– Vamos então, teimosa. — Reclamou, eu o segui.
Chegamos juntos em um outro canto da prisão, havia mais ou menos quinze detentas capinando o matagal três vezes maior do que o anterior.
Daniel se agachou, e pegou uma bola grande presa em uma corrente grossa, ele a colocou no meu tornozelo direito, percebi que todas as detentas usavam aquilo.
– Preciso usar isso?
– Claro. As detentas vão ficar mordidas se te verem sem isso. — Respondeu o policial, ele olhou para um canto vazio do matagal. — Vou me sentar ali. — Comentou, levando a cadeira de praia e a jarra cheia de limonada gelada.
Olhei para o lugar, as mulheres pareciam mais maduras que eu, deviam estar com uns vinte anos de idade, até mais velhas que Daniel.
Começei a capinar, quando uma detenta de cabelos pretos asiáticos se aproximou de mim.
– Oi. — Disse sorrindo.
– Oi. — Fiz o mesmo, a garota parecia ser simpática.
– Sou Mariana. — Estendeu a mão.
– Prazer, meu nome é Juliana, mas me chame de Julie.
Ela começou a capinar do meu lado.
– Podemos ser amigas? — Perguntei.
– Claro. — Olhou pra mim. Eu estava feliz, finalmente terei uma amiga. — Você é uma sortuda Julie. Vejo que o Daniel está mudando. — Comentou, a olhei sem entender, ela tentou explicar. — Ele gosta muito de você.
Não pude deixar de rir com aquilo. Foi a piada do século.
– Claro que não Mari, não diz isso... — Continuei rindo.
– É a verdade, olha. — Apontou discretamente para o policial, que estava relaxado, tomando sua bebida. — Ele não tira os olhos de você. — Completou.
– Ele está usando oculos escuros, nem sabemos para onde ele está olhando. — A cortei, mas no fundo eu queria que aquilo fosse verdade.
– Ahh, mas a noite ele olha para você, sem ao menos piscar. É como se ele ficasse '' hipnotizado '' quando te vê dormindo.
Fiquei calada por alguns instantes, eu não tinha resposta, afinal, a essa hora eu devia estar dormindo, e ele podia mesmo me vigiar a noite toda... tipo, hipnotizado.
– Menos papo e mais trabalho. — Ouvi um policial qualquer dizer, e logo em seguida apitar. Nos calamos, e continuamos a capinar.
Mariana foi para o seu lugar anterior, enquanto eu ainda estava capinando no mesmo lugar de sempre.
Depois de conseguir tirar um pouco do mato, fui andando mais para frente, distraida, acabei tropeçando em uma detenta alta e musculosa, usava piercing e um lado de sua cabeça estava raspada.
– O que deu em você garota? — Perguntou a mulher, ela tinha uma pinta de bandida perigosa.
– D-desculpe, não foi minha intenção, essa bola grande no meu tornozelo não me deixa andar direito, perdão. — Pedi implorando, ainda caida no gramado.
A mulher se abaixou, e com força, pegou a gola da minha blusa.
– Ninguém mexe comigo. — Disse. Ainda me segurando com força. — Ainda mais você, novata.
– Me solte, por favor, isso não voltará a acontecer.
– Não voltará mesmo, vou te dar uma lição.
A mulher puxou meu cabelo, fechei os olhos com força, senti que umas detentas se aproximaram, formando uma roda, todas gritavam ''Briga, Briga, Briga!''
Notas finais
Eu também falei que a fic seria curta, mas está um pouco dificil pois ainda terá a fase que eles vão começar uma ''amizade'' muito forte e tals.... enfim... vou tentar fazer ela ser curta tá?
Me digam se estão gostando >.< '
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