Destino.
26 First Kiss
Notas iniciais
Daniel narrando:
A novata quer me beijar? É isso mesmo que eu entendi? Fiquei calado, pensativo, eu tentava entender o porque de seu desejo, mas acho que a resposta é obvia.
– Eu sei garota, eu sou inrresistível. — Afirmei, ela revirou os olhos, e me olhou séria.
– Não é isso seu idiota, só acho que eu faria um favor para você. — Resmungou, cruzando os braços.
– Um favor? Eu não preciso favores.
– Talvez precise, acho que se você lembrar de como é bom um beijo, você irá ser mais gentil e sensivél com as pessoas.
– Ahh garota. Beijo é a coisa mais ridicula, por isso eu não gosto. E eu não quero te beijar. Nunca quis. — Empinei o nariz, a esnobando.
Ela deu um sorriso de lado.
– Aham. Não foi o que você me falou naquela noite. — Continuou com o sorrisinho no rosto.
Ergui uma sobrancelha.
– E o que eu falei?
– Disse que queria me beijar, me abraçar, me ter em seus braços.
Nossa, essa me deixou sem explicação... mas pra que explicar se essa era a verdade? A mais pura verdade, acho que desde que a vi, pela primeira vez, ela gritando e se rebatendo, me apaixonei, apenas não admiti, aquilo era um sentimento novo para mim, bom... há muito tempo eu não sentia isso, eu tinha até prometido que não iria mais me apaixonar por ninguém depois do meu passado, mas eu não cumpri, quer dizer, Juliana não me deixou cumprir.
– Ahh, isso é pura besteira garota. Você não devia dar ouvidos, eu estava doido com o efeito daquela merda... E eu mal posso falar com você, muito menos te beijar. E mesmo... m-mesmo que eu quisesse, eu não iria fazer isso, não quero por meu emprego à perder, de novo. — Me levantei. — Agora me deixa quieto.
– Tá bom... E-eu já entendi, tá? — Abaixou a cabeça, com a voz de choro, me respondeu com um pouco de dificuldade.
Sai da cela, e me sentei no banco, ela se jogou no chão frio, já estava de tarde, inicio da noite, ela parecia brincar com suas mãos, continuei lendo a revista, enquanto estava pensantivo: Será que pela primeira vez eu estava sendo retribuido?
– Eu... quero ir no banheiro, pra lavar meu rosto. — Pediu a garota, ainda com a voz fraca.
– Huh... — Me levantei da cadeira, e abri a cela, de novo. — Levanta e vem. — Pedi, ela assentiu.
Enquanto andavamos no corredor, não trocamos nenhuma palavra, apenas alguns olhares perdidos... mas eu tentava ao máximo, disfarçar, pois não queria que ela percebesse que eu a admirava, secretamente.
Chegamos no banheiro.
– Estou na porta, e estou de olho em você garota.
– FODA-SE. — Disse já entrando, porém, a puxei novamente.
Torci seu braço, e agarrei por trás.
– O que foi que disse? — Isso foi uma revolta interior em mim, meu lado sentimental gritava para eu não machuca-lá, porém, eu realmente odiava quando uma detenta chingava, ou pior, me desrespeitava. — Repete.
– Nada... — Disse gemendo. — Por favor, solta o meu braço.
Soltei.
– Te dou cinco minutos. — Falei, e ela entrou no banheiro, sem me responder.
Escutei um barulho, parecia o som da porta do armário de ultiladades do banheiro, não liguei muito, talvez ela abriu para pegar um creme ou algo parecido. Continuei de vigia no corredor, não passou nem trinta segundos, a garota saiu do banheiro.
Estranhei, pois seu rosto não estava molhado, ela disse que queria lava-lo, percebi que ela estava com as mãos para trás, escondendo algo, porém, não me importei muito.
Ela voltou para a cela, e eu voltei a me sentar naquele banquinho desconfortavél, resolvi ouvir um pouco de música pelo rádio... Fechei os olhos, e fui levado pela música.
Enquanto ouvia, continuei pensando. Acho que estou estragando tudo, sou um bobo, como pude dizer aquilo para Juliana? Se ela estiver mesmo gostando de mim — o que eu acho meio impossivel. — eu devo estar a magoando profundamente com o meu jeito frio.
Meus pensamentos foram interrompidos com um grito baixo, e logo em seguida um choro não tão alto também. Abri os olhos, e vi que Juliana estava sentada no chão, a mesma segurava uma tesoura de ponta, e com o objeto, tentava cortar o pulso esquerdo.
Corri imediatamente em sua direção, e abri as grades com rapidez.
Me joguei no chão e peguei a tesoura da sua mão, vi que já estava um pouco sujo de sangue.
'' Essa tesoura era do banheiro... '' — Ta aí a explicação, ela abriu o armário do banheiro para pegar algo cortante.
Olhei para o seu pulso, felizmente, o lugar não estava sangrando.
– Meu Deus, desculpe. — Disse a menina, timída. Ela olhou assustada para a minha mão, acompanhei o seu olhar e vi que minha mão estava sangrando, eu a salvei e acabei me cortando um pouco. Essa tesoura é bem afiada mesma.
– Você ficou maluca! — Gritei. — Queria se cortar de novo? Tá pensando o que? Que assim você vai resolver seus problemas? quer saber... você é louca, doente! Devia estar em um hospício e não aqui! — Me arrependi de ter dito isso, mas eu não iria retirar aquelas palavras.
– Viu, é disso que eu estou falando. — Ela abaixou a cabeça, me aproximei um pouco. — Você não percebe que eu tenho sentimentos?
– Hum... — Ela é o tipo de garota bipolar, acho que eu a magoei de alguma forma.
– Você também tem sentimentos, eu sinto isso. — Sorriu fraco.
– Não. — Hesitei um pouco. — Não tenho. Uma garota já os tirou à muito tempo.
– Tá, então prova que é totalmente ''sem coração'', prova. — A garota desafiou. — Me beija. — Ela pediu, e pra quê eu negaria? Eu queria isso tanto quanto ela.
Olhei para os lados, tirei o fone do meu ouvido, não queria que Demétrius ouvisse ou descobrisse.
Segurei seu rosto com um pouco de força, trocamos olhares, mas eu precisava ser frio. Pois, nunca poderiamos ficar juntos.
– Já? — Sussurrei.
– Uhum. — Ela assentiu.
Nossos lábios se encostaram, na mesma hora meu coração disparou, isso mesmo, ele disparou, era como se eu voltasse à vida.
Puxei seu lábio inferior para dentro de mim, enquanto ela mexia nos meus cachos, passei a pontinha da lingua, tentando explorar um pouco sem ela perceber a intensidade do beijo.
Os estalos do beijo ecoavam pela cela, qualquer um que passasse pelo corredor ouviria. Me levantei, sem acabar com o beijo, meu coração estava a mil. Ela puxou minha nuca com força, eu tentava não a agarrar pela cintura, e nem mostrar que eu estava gostando daquilo.
Fechei os olhos, e deixei ela explorar totalmente meus lábios, ela já havia pedido espaço com a lingua desde que nos encostamos, mas eu não tinha cedido, até que acabei deixando. Sua lingua passou por toda a minha boca, ela explorava a cada espaço, o beijo estava molhado e frio, até que eu senti sua lingua encostar na minha, tentei não enlouquecer com isso. Elas se misturaram no mesmo ritmo, percebi que a garota sentia falta do ar, mas não parava com o beijo, aos poucos fui fechando meus lábios, sua lingua foi se acalmando, e o beijão foi se transformando em um selinho, puxei um pouco mais os seus lábios, queria senti-los novamente antes de acabar com o beijo.
Nos soltamos, e fitamos o lábio um do outro. Ambos supressos, é incrivel o que o sentimento pode fazer conosco. Nos afastamos, nos dois respiravamos com rapidez, estavamos assustados com a intensidade daquele movimento de lingua e lábios.
– E aí? — Ela perguntou, depois que acalmou sua respiração.
– Foi um beijo ridiculo.
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