Destino.
56 Fear
Daniel narrando:
Pela primeira vez senti medo de verdade, eu não entendi o que Demétrius quis dizer com '' Irei te punir '', mas seu olhar era o suficiente para me deixar tenso.
Mais uma vez eu digo: Meu chefe é capaz de fazer qualquer coisa. Já presenciei muitas punições dele, e digo que ele não se satisfaz enquanto a pessoa não perder a conciência.
– Senhor, o que vai fazer comigo?
Ele sorriu maléficamente e juntos seus dedos das mãos, mania dele.
– A mesma coisa que você fez comigo. — Respondeu, isso me deixou ainda mais confuso.
Deu uns passos para trás, e se virou de costas para mim. Passou uns segundos, e então ele se virou para mim novamente, fechou os punhos e socou meu rosto com força.
Me apoei em um pequeno balcão que tinha em seu escritório, admito que fiquei tonto com aquilo.
– A-ac-cho que já se v-vingou. Pare. — Comentei, com a voz trêmula.
– Não recebo suas ordens! — Gritou. Me empurrou, me fazendo bater a cabeça com força na parede.
Fiz uma careta de dor, o resfriado que peguei já me deixou fraco e eu estava quase desmaiando com a punição do meu chefe.
– Ahhh... você não sabe o quanto isso me dá prazer. Te ver machucado assim. — Ele dizia.
– P-pensei q-que fossemos a-amigos. — Comentei.
– Então não pense mais Daniel.
Ele me deu três socos fortes na barriga, me fazendo perder o ''ar''. Depois me jogou com força no chão, acabei batendo a cabeça novamente. — '' Arrg... '' — Essa era a única palavra que eu conseguia dizer, admito que nunca apanhei assim...
Ele se aproximou. Agora segurando um vaso decorativo de seu escritório. O tacou com força em mim, fazendo o vidro quebrar e cortar um pouco o meu uniforme. Percebi que no meu ombro tinha um corte profundo causado pelo vidro.
– Por favor, chega. — Supliquei, ainda caido no chão.
– Chega? Estou apenas no começo. — Ele deu uma risada diabólica.
Isso tudo me fez lembrar o que eu fazia com as detentas, as machucava, as torturava, por puro prazer, assim como o meu chefe faz.
'' Agora eu sei como é estar do outro lado do 'jogo' '' – Ainda estava deitado no chão, sem muita força para levantar. Ele pisou forte na minha garganta, fazendo meu rosto ficar completamente vermelho, e o meu corpo gelado. Iria começar a perder a conciência.
Começei a tossir, sentindo falta do ''ar''. Ele parou de pisar em mim para sua diversão durar ainda mais, pois afinal, se eu desmaiasse logo não teria graça.
– Levante-se. — Ele pediu me encarando friamente.
Sem forças, a única coisa que eu consegui foi me sentar no chão.
– Não perca o controle. — Eu pedia, mas por estar fraco. Minha voz mal saia, ele nem ouviu.
– Sabe qual é a melhor parte disso tudo? — Neguei com a cabeça, ele continuou. — Ainda tenho o segundo tempo do jogo. — Disse animado, como se aquilo fosse um esporte. — Juliana também irá sofrer... — Comentou.
– DEIXE ELA EM PAZ! — Com esforço, consegui gritar alto o suficiente para ele ouvir.
– Ué, pensei que iria gostar disso Daniel, eu posso dividi-lá com você. Eu torturo um pouco, e você tortura ela também. — Ele negociava.
– NÃO QUERO!
– NÃO GRITE COMIGO! — Chutou com força a minha barriga. Aguentei a dor calado. — Eu achava que você tinha nojo das detentas, certo? E principalmente das humanas. Ainda mais as boazinhas como a Julie. Sabe, eu gosto dela... estou apaixonado. Mas não significa que não darei uns soquinhos... — Ele riu.
O seu discurso estava me enjoando. Acho que Julie tem razão, preciso desafiar o meu chefe as vezes. Sem pensar nos riscos.
– Eu sou o namorado dela. — Falei, ainda fraco com o chute recente na barriga.
Ele ficou sem reação por alguns segundos, talvez seu frio coração se partiu agora.
Sem dizer mais nada, ele me levantou pelo pescoço. E me jogou novamente. Me fazendo cair duro no outro lado do chão.
Me encolhi, meu corpo todo tremia, e começei a sentir fortes dores por ele... senti gosto de sangue na minha boca, estava a ponto de vomitar com toda essa violência.
Ele pegou uma cadeira comum de seu escritório, e jogou contra mim, mas precisamente bem nas minhas costas. Jogou com tanta força que um de seus pés quebrou.
Gemi de dor por alguns segundos, acho que agora eu despertei mesmo a fera.
– Desgraçadoooooo! — Gritou, totalmente possuído pelo ódio. — Vocês dois não se merecem! Seus malditoooooos! — Ele gritava como se não ouvesse amanhã.
Me apoiando no balcão, me levantei aos poucos e o encarei.
– Nós nos amamos. — Disse com um pouco de dificuldade. — E não importa se você é o meu chefe, eu não vou terminar com ela! Não vou! — Eu continuava o desafiando.
– Certo, não termine. Assim eu farei o relacionamento dos dois um verdadeiro inferno!
Engoli em seco ao ver que ele dava uns passos em minha direção, fechou o punho novamente e me deu um soco forte, talvez mais forte do que o primeiro.
Virei o rosto ao levar o soco, minha respiração estava ofegante. Senti o gosto de sangue na minha boca novamente, fechei os olhos, e logo depois cuspi sangue, muito sangue.
Eu não estava aguentando apanhar assim, e pensar que a minha namorada ficou na sala da tortura com ele. Talvez por uns dois dias, mas ele pegou leve com ela. Diferente de mim.
Demétrius podia ser meu chefe, e se eu revidasse, além de apanhar ainda mais por estar fraco, bem fraco. Eu poderei perder o emprego e ainda colocar a Julie em perigo.
'' Mas eu preciso arriscar.'' – Com cautela para ele não perceber, tirei do meu cinto um... porrete. '' Mas a arma de fogo seria mais útil. Droga. ''
Mesmo assim, apontei para ele o porrete. Demétrius apenas riu, zombando da minha defesa.
Tentei acertá-lo com o porrete, mas ele o segurou, pegando de minhas mãos.
– Isso machuca... — Ele examinou a arma. — Queria me machucar é? — Debochou. — Pobrezinho. Tão fraquinho... — Riu. — Acho que isso vai te ajudar a dormir, e descansar um pouco, bem apagadinho. — Comentou, e logo em seguida lançou o porrete no meu rosto.
Lançou uma, duas, três vezes sobre a minha face, que virava de lado a cada porrada que levava.
– Vai! Desmaia infeliz! — Gritou, ainda sem parar com a violência.
Acho que não foi uma boa ideia entregar esse porrete praticamente em suas mãos.
– Já chega! Já chega! — Lágrimas de dor começaram a cair sobre meu rosto. Eu já não aguentava aquilo, e pedia mentalmente para que eu não resistesse e desmaiasse logo. Mas infelizmente meu corpo era resistente.
Ele me emprenssou novamente na parede, viu que meu corpo resistia as surras. Ele me enforcou um pouco, mas logo depois recebi uma joelhada bem no centro da barriga.
– Arrg... — Eu já não aguentava a dor.
– Sabe Daniel, estou com muito, muito ódio de você, pelo soco e por estar namorando Juliana... mas... eu irei fazer você pagar por tudo isso, sei que não quer ser demitido pois perderá a casa, o dinheiro, e a namoradinha. Então, farei você e Juliana sofrerem muito aqui. — Ouvia atentamente a seu discurso, calado. Mas ao mesmo tempo, esticando minha mão para o meu cinto.
Finalmente peguei a arma.
– Se afaste... — Pedi, apontando a arma em sua direção.
Ele obedeceu levantando as mãos, pois estava na desvantagem agora. Tossi mais um pouco de sangue, mal conseguia andar, então, fui me arrastando um pouco destranquei a porta do escritório, ainda apontando a arma em sua direção, e sai dali com fortes dores, e com dificuldade em andar.
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