Destino.
13 E Sem Você... Não Sei o Que Faço.
Notas iniciais
Daniel narrando:
O que há de errado comigo? Porque eu dei um conselho para uma detenta? Por mim não faria a menor falta se ela morresse, seria até uma coisa boa, ou melhor, seria um grande favor para mim.
Mas... porque eu bati nela? Admito que não foi apenas por pura defesa, pois a humana começou com a agressão, e sim por causa do que ela me disse hoje cedo no banheiro.
Disse que queria o Nicolas... Isso me deixou com raiva, só não entendo o porque. Eu não dou a minína para esses dois, por mim eles podem desaparecer do universo — principalmente a Juliana. — que isso não fará nenhuma diferença para mim.
Mas em uma coisa eu preciso concordar, foi tão bom tocar na sua mão hoje, mesmo vendo o corte que havia em seu pulso, na verdade esse corte já estava ali quando ela chegou na prisão, me lembro que quando ela reclamou que a algema machucava o seu pulso, daí eu vi o corte. Mas pensei que não fosse nada de mais.
E realmente não é... quer dizer, eu não me importo mesmo. Mas fiquei curioso com aquilo, já que ela se cortava antes mesmo de vir para cá.
Me levantei do banquinho. Queria arrumar uma desculpa boba para eu lhe fazer uma pergunta, importante.
– Garota. — Entrei na cela, ela se levantou da cama.
– Oi?
– Quer ir ao banheiro? Lavar o rosto... quem sabe te dou algo de comer...
– Seria ótimo viu. — Comentou, um pouco fraca.
– Tá... mas para isso eu preciso te algemar. — Peguei a algema, e passei pelos seus pulsos, novamente vi o corte, não era aqueles cortes bobos, e sim um corte profundo, que concerteza iria demorar de cicatrizar.
Senti um arrepio em mim ao pensar que ela queria tirar sua própria vida, acho que sua beleza humana não seria a mesma se isso acontecesse. A levei no banheiro para lavar a mão e o rosto com sabonete liquido.
Ela não queria mais nada depois disso, apenas queria se alimentar. A levei até o refeitório, era grande e limpo, eu sabia que a humana não iria aceitar um prato de miojo, então resolvi leva-lá até a cozinha, afinal, o lugar já estava vazio a essa hora, e eu queria mesmo passar um tempinho com ela.
– Daniel. — A garota disse.
– Não me chame pelo nome.
– Porque não?
– Porque eu não quero. Não sou seu amiguinho para você me chamar assim.
– Hum...
– Diga.
Ela se virou, mantendo o olhar para um rádio que estava na cozinha.
– Nada não... deixa... — Sussurrou para si mesma.
– Não, agora que você já me chamou, fala! — Ordenei. Ela engoliu em seco, e soltou as palavras com um pouco de remorço.
– Pode ligar o rádio? Queria escutar uma música.
– Hum... Não.
– Por favor.
Eu sei que não tinha nada de mais em ligar uma músiquinha, mas é como meu chefe me falou: Não posso me apegar a garota, isso iria complicar ainda mais.
Mas tinha um outro lado: Eu precisava de informações, precisava ser pelo menos um pouco mais gentil com a garota para conseguir descobrir o porque de seus cortes, afinal, nenhum ser humano é retardado o bastante para se cortar apenas porque não tem amigos, eu não tenho amigos, nunca tive, sempre fui um anti-social depois que conheci uma certa garota, há uns trinta anos atrás, então eu disse para mim mesmo que não iria precisar de ninguém na minha vida, e foi o que aconteceu, nunca precisei de amigos, e nunca precisei cortar meus pulsos, sei que Juliana está escondendo algum segredo ou algo assim.
Então eu preciso ser um pouco bonzinho com a menina...
– Tudo bem. — Aceitei. Ela sorriu fraco. — Mas é só enquanto eu proucuro qualquer bobagem para você comer... Se você morrer de fome concerteza vou perder o emprego — Afirmei, porém sussurrando a última frase, o rádio começou a tocar, era uma música lenta, digamos até um pouco triste.
– Legal, se importa mais com o emprego do que com a minha vida. — Reclamou a novata.
– Mandou eu ligar o rádio certo? Agora cala a boca e escuta. — Rosnei.
Ela suspirou, mas assentiu. Continuei na cozinha, tentando fazer algo para que ela não vomite ou jogue na parede. Daí eu percebi a música que tocava na rádio, era daquela cantora loira dos EUA, Avril lavigne, já estava no finalzinho da música... Era uma música triste, mas bonita, até mesmo um pouco romântica.
'Cause without you (Porque sem você)
I can't sleep (Eu não posso dormir)
I'm not gonna ever ever let you leave (Eu nunca, nunca deixarei você partir)
Juliana balançava a cabeça, de olhos fechados, e ao ritimo da música, fiquei um pouco paralizado com isso...
You're all I got (Você é tudo o que eu tenho)
You're all I want (Você é tudo o que eu quero)
Yeah, yeah.
Eu não entendo porque as pessoas se comovem com essas músicas melosas, eu não sinto absolutamente nada quando ouço músicas desse tipo, eu... eu nem gosto.
And without you (E sem você)
Senti uma tremedeira, a garota continuava a ouvir calmamente a música, ainda de olhos fechados sentindo a letra em sua alma.
I don't know what I'd do (Eu não sei o que faço)
I could never ever live a day without you here (Eu não posso, viver um dia sem você aqui comigo, você percebe?)
With me, do you see? You're all I need... (Você é tudo o que eu preciso)
Essa música... Me fazia lembrar... — olhei pra ela. — Juliana.
Fale com o autor