Destino.
11 Desafiando o Medo.
Notas iniciais
Julie narrando:
O rapaz me fuzilou pelo olhar, ainda estavamos no banheiro, ele parecia que pela primeira vez se preocupou comigo e foi gentil ao me perguntar o que eu queria, porém sua expressão mudou quando eu o respondi. Ainda não entendia o porque ele não gostava de mim, afinal, não fiz nada contra ele, pelo contrário, é sempre ele que faz algo contra a mim, parece que faz isso por puro prazer.
- PORQUE QUER ELE?
- Ué... Porque ele é o meu melhor amigo — Me disse coisas bonitas ontem, e me aconselhou .
- Hum...
- Cadê ele?
- Sabe garota, ele não pode falar com você. Não podemos falar com as presidiárias, eu sou excesão. — Respondeu, friamente.
Eu tenho muito medo dele, mas sei lá, quando eu o vi pela primeira vez, me senti diferente.
Aquela postura de homem, os olhos obscuros e amêndoados, seu semblante sério e o seu jeito misterioso, isso tudo me fez gostar muito dele. Mas quando ele me tratou daquela maneira, me tratou tão mal, como se eu não fosse ninguém, aí eu começei a sentir medo dele, pensei que ele seria um cara legal, mas eu estava errada.
O cara é totalmente ''sem coração'', não gosta de abraços e já admitiu que adora ser mal comigo.
Meus pensamentos foram interrompidos com a força de seu braço frio, ele apertava o meu braço esquerdo, me olhava com raiva, eu ainda tentava entender o porque.
- Vamos garota. — Me puxou para fora do banheiro, ignorando o meu pedido anterior.
Não sei porque ele me chama de garota...
- Meu nome é Juliana.
Ele olhou pra mim, ainda sério.
- Não te perguntei.
A raiva subiu pela minha cabeça, como ele pode ser tão ignorante?
- Desse jeito você não vai ter nenhum amigo! — Gritei do corredor.
- Eu não me importo! — Ele revidou.
- Ahh, então eu não vou ser sua amiga! — Percebi que algumas presidiárias assistiam a discução, tentei baixar o tom de voz.
- Eu não quero ser o seu amigo! — Me empurrou com raiva. — Agora trate de andar. E calar a boca.
Não retruquei, eu tinha medo dele, mas eu precisava superar isso, afinal, vou ficar aqui por uns 6 meses...
'' O único jeito de superar o medo é o desafiando. '' - Pensei, minha vó sempre falava isso.
Aproveitei que ainda estava sem as algemas, olhei para o rapaz que fixava seu olhar para frente. Não basta ter apenas beleza, ele precisa ter um bom carater também, e vejo que pro meu ''guarda-costas'' só falta isso.
Respirei fundo, meu coração batia forte ao pensar no que eu estava prestes a fazer com ele.
Mantive a calma interior e agi, lhe dei uma cotovelada forte na barriga, ele tossiu de dor, porém, continuou a me segurar, dessa vez ainda mais forte.
- me solta! — Eu gritei, tentando me soltar do seu braço, mas ele era forte.
- Sua louca! — Me agarrou com todas as forças, eu mal podia mexer os braços. — Está querendo morrer?! — Gritou o rapaz. Me levando a força para a cela, cai no chão.
Não conseguia me rebater, a fraqueza agora era grande, pois eu não tinha me alimentado bem. Droga, pensei que se eu batesse nele, iria estar desafiando o meu medo, realmente eu estava, mas não era bem assim que eu queria.
- Você é a menina mais cretina e teimosa que eu já conheci. — Dizia ele. — Ainda não aprendeu a lição? Não se deve bater em um oficial de policia, muito menos em mim.
- Desculpe...
- Você precisa aprender. — Tirou seu porrete do cinto, entrei em total desespero. Ele parecia mais nervoso do que na última vez.
- Não! Não me bata! Socorro! Você é um covarde, não se bate em mulher!
- Cala a boca. Aqui no mundo espectral não existe essa bobagem. E foi você que começou, agora eu vou terminar. — Levantou o porrete para cima de mim.
- Nicolas! — Clamei o único nome que veio a minha mente, e ele também era o único cara legal da cadeia, ele virou meu melhor amigo.
Senti uma pancada nas costas com o porrete, estranho... pensei que levaria no rosto, admito que o golpe não doeu tanto quanto na primeira vez. O guarda foi se acalmando aos poucos. E guardando o instrumento de tortura.
- Porque não esquece esse cara? — Ele perguntou, mas não perguntou de um jeito agressivo ou frio, pelo contrário, havia tristeza no seu tom de voz.
Ele não esperou a minha resposta, parou com a violência e saiu da cela.
Fale com o autor