Destino.

12 Jamais a Deixaria Morrer.


Julie narrando:


As vezes eu fico me perguntando o porque ele é assim... Sabe, sinto que ele sempre foi muito solitário, diferente de mim, que já tive muitos amigos nessa vida, e continuo fazendo muitos amigos.

Ele é tão calado e tão frio, as vezes eu acho que ele não acredita em amor ou compaixão com o próximo.

O rapaz dos cachos de ouro se sentou no branquinho, começou a jogar um caça palavras com um jornal que havia pego hoje de manhã. Ele me parecia triste, intediado, e cansado com a própria ''vida'' que leva.

– Moço. — O chamei, ele olhou para mim, sem mostrar nenhuma expressão.

– Oi?

– Estou com fome.

Voltou a por o jornal na frente do rosto.

– Não é hora de almoço.

Eu nem tinha tomado o café da manhã, acho que ele quer me ver morrer de fome.

Fiquei uns minutos em silêncio, ainda sentada no chão da cela, eu fitava o rapaz que parecia estar concentrado no jornal. Será que algum dia ele já teve amigos?

– Moço.

– Merda! Me deixa em paz! — Gritou sem paciência.

– Nossa...

– Hum... — Voltou a ler.

– Qual é o seu nome mesmo? — Me lembro que ele havia dito, mas eu esqueci, acho que é Danilo... sei lá.

– Daniel.

– Ahh, Daniel, quer ser meu amigo?

– Não.

– Grosso.

– Chata.

– Porque me acha chata? Eu não te fiz nada!

– Você está me irritando.

Foi aí que eu me calei.

##

Passou umas horas, de puro silêncio, resolvi me deitar na cama já que era o único lugar confortavél daquele cubiculo. O rapaz se levantou, depois de alguns minutos sem a sua presença, ele voltou com um prato.

– Garota. — Ele chamou, não sei porque ele insiste em me chamar assim. — Tome. — Ele passou um prato com colher para o chão da cela.

Finalmente algo para comer, eu estava morta de fome. Fui andando até o prato enquanto o guarda se sentou novamente no banco.

– Isso está frio... — Comentei quando vi o prato de miojo.

Ele balançou os ombros sem se importar. A raiva e a revolta tomou conta de mim, peguei o prato e o taquei com força na parede, o quebrando e fazendo a comida deslizar pelo muro liso.

Daniel se levantou, eu já estava com lágrimas nos olhos.

– Vá limpar isso agora! — Ele jogou um paninho que estava no seu bolso, era o mesmo pano branco que ele usou para limpar minhas lágrimas naquele dia.

Começei a chorar, de pura raiva, eu não devia estar ali, não fazia ideia de que tinha cometido um crime.

– Eu quero morrer! — Gritei alto, me jogando no chão com força.

O rapaz arrastou o banquinho de madeira pelo chão, se aproximando da cela, tampei os ouvidos, o barulho da madeira pelo chão era infernal. Na verdade tudo aqui era infernal, isso era um verdadeiro inferno e o meu guarda-costas era o diabo!

– Porque diz isso? — Estranhei sua pergunta e o seu tom de voz calmo.

Olhei para ele, o mesmo apoiava suas duas mãos nas grades, do lado de fora. Me aproximei, com lágrimas nos olhos.

– Porque eu quero, não aguento mais isso. — Abaixei a cabeça, e segurei uma das grades.

– Não diga isso. — Ele segurou a minha mão. — Morrer é a pior coisa.

– Mas é a saida. — Respondi.

Ele negou.

– Isso nunca é a saida para nada. — O mesmo respondeu do seu jeito frio, porém sincero, o fantasma olhou para a minha mão.

– Solta... — queria esconde-lá dele, mas acho que Daniel já viu, ele insistiu, segurando a minha mão, ele a puxou pela abertura que tinha em cada grade.

Ele viu o meu pulso, havia um grande corte na veia.

– Já tentou se matar não é... — Comentou, passando os dedos pelo corte. — Porque?

– Porque eu sou o tipo de pessoa que precisa de amigos... não sou como você que vive solitário e não tem sentimentos... — Acabei me arrependendo de dizer isso, pois ele abaixou a cabeça, meio pensativo, será que eu o magoei? Será que eu consegui ferir –se é que existe- os seus sentimentos com isso?

– Hum... pelo menos eu não estou preso. — Deu de ombros, e me respondeu naturalmente, ou melhor do seu natural.

Não o respondi.

– E você já tem um amiguinho, o Nicolas. — Falou, em um tom de deboche explicito.

– É, mas ele não pode falar comigo. A única pessoa que pode falar comigo é você. — Afirmei.

– Eu não quero ser o seu amigo. — Se levantou do banquinho, e o colocou do outro lado do corredor.


Notas finais
Reviews?