Destino.
43 Consequências.
Notas iniciais
Julie narrando:
Já se passaram três dias, eu estava deitada sobre o peito de Daniel. Ambos entediados, Demétrius ainda estava com o meu celular, e eu estava com muito medo dele esses dias. Seu olhar para mim era muito assustador, ele me olhava diferente das outras detentas. Ele dá até mais medo do que quando eu não conhecia direito o Daniel.
– Eu queria tanto o meu celular de volta. — Suspirei. — Quando o seu chefe vai me devolver?
– Só daqui à alguns dias.
Suspirei novamente, a prisão não é muito divertida. O único motivo da minha alegria era esse policial maravilhoso que entrou na minha vida do nada... como se isso estivesse escrito nas estrelas, como um destino.
– Podemos ir para o pátio? — Perguntei, um pouco mais animada.
Daniel bufou e revirou os olhos.
– Aqui está bom, e também você quer ir pra lá apenas para admirar a ''linda paisagem'' que é o Nicolas. — Reclamou.
Eu o abraçei, na verdade eu queria ir ao pátio porque não tinha nada para fazer aqui. Mas acabei lembrando que Demétrius poderia estar por perto, eu realmente tenho medo dele.
Minha ''amizade'' com o Daniel estava indo bem, ia indo colorida... colorida até de mais. Sempre quando encaravamos os olhos um do outro, não dava para controlar, não deixavamos o desejo para trás e nos beijavamos, mas é sempre com selinhos. Uma vez ou outra tinha um beijo de cinema, mas era muito raro já que ambos estavam com medo de alguém descobrir.
'' Eu preciso do meu celular, preciso conversar com alguém que não seja homem, que me entenda, eu preciso falar com a Bia. ''
– Daniel, eu tenho um plano. — Sorri torto, e o encarei.
– Do que está falando?
– Eu quero meu celular de volta, e sei como pega-lo.
– Hum... — Ele me olhou desconfiado. — Não acho que seja uma boa ideia.
– Deixa de ser bobo. — Beijei seu nariz. — É uma ótima ideia, e eu preciso da sua ajuda.
– Não, obrigado. Eu não quero contrariar a ordem do meu chefe.
– Mas é uma coisa rápida. É só você atravessar a porta do escritório dele, e abri-lá pelo lado de dentro, dai eu entro e proucuro.
– Não. — Disse frio. Isso me deixou um pouco chateada, tenho certeza que ele prefere seguir as ordens do chefe do que me deixar feliz.
– Sim... por favor. — Fiz um beicinho.
– Julie, não faz essa cara... eu já disse que não.
– Sim.
– Não.
Me aproximei.
– Sim...
– Hum... tá muito perto hein... Mas não.
– Sim... — Sorri maliciosa.
– Não.
– Sabe que não nos beijamos hoje. — Continuei sorrindo.
– Você não vai me comprar com um beijo. — Se aproximou um pouco mais...
##
Estavamos na porta de seu escritório, felizmente era muito facil de ganhar do Daniel nessa disputa, eu acabei lhe dando alguns selinhos e ele logo cedeu. Bom... ele não quer me ajudar, mas prometeu me acompanhar caso Demétrius esteja no escritório. Daniel foi espiar a sala, mas logo voltou, disse que seu escritório estava vazio, mas não havia encontrado a chave. Talvez esteja com Demétrius.
Peguei um grampo, e arrombei a porta, assim como arrombei a cela quando fugi da prisão pela primeira vez.
– Julie, não faça muito barulho. — Pediu Daniel. Do lado de fora.
Eu fui entrando na pontinha do pé, abri as gavetas, mexi na papelada e não encontrei meu celular. Daniel acabou entrando na sala para me ajudar a encontrar o aparelho, mesmo sendo contra a tudo isso.
– MAS O QUE É ISSO? — Chegou quem não devia: Demétrius. Sua expressão era uma mistura de raiva e surpressa.
Eu e Daniel nos encaramos, ambos amendrontados.
– Daniel, pode me explicar? — Se aproximou do policial.
– Eu vim proucurar meu celular. — Eu falei, vendo que Daniel estava nervoso com a situação. Demétrius direcionou o olhar para mim.
– É isso que quer? — Ele tirou do bolso o meu celular.
– Devolva aqui. — Pedi, autoritária.
Ele jogou o aparelho no chão com força, quebrando a sua tela. Eu estava com raiva, muita raiva, eu não entendo porque esse homem gosta de ver a dor nas pessoas.
Sem pensar duas vezes, lhe dei um soco forte no rosto, fazendo seu queixo se retorcer, foi puro extinto, igual aquela vez em que Daniel foi me proucurar, eu havia fugido e ele acabou recebendo um soco de mim, só que com Demétrius foi bem mais forte.
Daniel segurou meu braço, ele tentava não me abraçar, mas estava preocupado com tudo aquilo.
Demétrius olhou para mim, ainda se recuperando da pancada.
– Como você ousou? — Perguntou, indignado.
– Desculpe. — Esqueci o quanto esse homem me dava pavor.
– COMO OUSA ME BATER!
– Não grite com ela! — Daniel rebateu.
– E VOCÊ CALA A BOCA ANTES QUE SEJA DEMITIDO.
O rapaz engoliu em seco e abaixou a cabeça. Como ele consegue obedecer alguém tão mal?
– Me dê a garota aqui. — Pediu Demétrius, impaciente.
Daniel segurou minha barriga, me abraçando por trás.
– O q-que... o que vai fazer com ela? — Perguntou, com a voz trêmula.
– Isso não é da sua conta Daniel, me dê ela aqui.
Daniel continuou me abraçando, seu chefe, mais do que impaciente me puxou de seus braços.
– Saia da minha sala. — Ele ordenou.
– Senhor, lembre-se que ela está viva... é nova, tem familia...
– Cala a boca Daniel. Vamos, eu mandei você sair da minha sala.
O rapaz assentiu, parecia triste ou preocupado com o que seu chefe faria comigo, é, Daniel tinha razão não era boa ideia.
Demétrius torcia meu braço com força, eu era obrigada a me calar, acho que já causei problemas de mais para mim mesma. Andamos bastante, admito que não conhecia essa parte da prisão, estava com medo, o homem parecia bem zangado. Ele abriu uma porta grande, e me jogou dentro de uma sala completamente branca e fria.
– Hum... viva. — Ele debochou. — Não sei por quanto tempo.
Aquilo me fez arrepiar, do que ele estava falando? Como assim?
'' Ele já matou uma viva... segundo Daniel. '' – Esse pensamento me deixou com mais medo ainda.
Gritei alto por ajuda, gritei várias vezes enquanto Demétrius continuava a me obeservar, uma lágrima solitária caiu sobre meu rosto. Parece que essa sala é a prova de som, perfeita para o seu plano. Sem dizer mais nada ele se aproximou rapidamente de mim, foi apenas uma questão de tempo ao sentir suas duas mãos sobre meu pescoço o apertando forte. Depois de alguns segundos, eu não conseguia falar, ele me empressou na parede, e o pior é que naquela sala branca não havia nada para eu usar como defesa.
– N-nã-ão me ma--te... p-por..p-o-or favor. — Tentava dizer, mas isso apenas arranhava mais a minha garganta.
– Devia ter pensado nisso antes de me socar. — Ele me respondeu, ainda com as mãos em meu pescoço.
Aos poucos, tudo ficou escuro.
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