Destino.
8 Não sei, acho que sim.
– Leve sensação de que algo ruim vai acontecer – Falei assim que nos sentamos na nossa mesa.
– Vira essa boca pra lá, Melissa – Ela rolou os olhos e eu ri.
– Apenas comentando o que acho, mais ok – Sorri de leve.
– Ei, o que foi? Por mais feliz que você aparenta estar, ta acontecendo alguma coisa não ta? – Não sei esconder nada, principalmente dela.
– Hoje mais cedo, conversei com a minha mãe e ela me propôs que assim que terminasse o ano, eu me mudasse pra lá, já que ela não vai voltar tão cedo – Ela me encarou triste.
– E você? O que disse? – Perguntou.
– Prometi pensar com carinho na proposta, mais eu ainda não sei – Fiz uma pequena pausa fitando o nada – Se eu for, posso por em jogo muitas coisas e acabar perdendo-as.
– Você sabe que eu vou te apoiar em tudo, não sabe? – Sorri e nos abraçamos por um bom tempo – Agora vamos falar de coisa boa...
– TEKPIX – Thomas gritou vindo em nossa direção, assim como a galera.
– Menino ninja – Lu disse e rimos.
– Ô Mi, cadê o Pedro ein? – Perguntei.
Ela olhou pro Thomas, pro Lucas por um bom tempo. Tá me escondendo algo! Certeza. Até que do nada, surge o Pedro Lucas com a Larissa.
– Ele foi no banheiro Mel e disse que já volta – Ele sorriu e se sentou abraçado com a Laris.
10 minutos e nada. Luize percebeu minha aflição e deu logo um jeito de reverter à situação.
– Mel, vamos ao bar comigo pegar uma ice? – Eu entendi muito bem aquele recado e aceitei.
Descemos as escadas e atravessamos a boate até onde ficavam os banheiros. Pedimos para um segurança, que estava na porta do masculino, a informação de se um menino, Pedro, havia entrado ali e NADA! Agradecemos e a Lu me puxou para o feminino. Entramos sem fazer muito barulho e bom, ouvimos altos gemidos vindo da ultima cabine. Ela me olhou como se quisesse me passar força, mais nessa hora eu já suava frio, minhas pernas estavam bambas e meu coração a mil. Ouvimos o trinco da porta ser aberto e nos escondemos na primeira cabine que vimos. Duas vozes ecoaram por ali e uma eu conhecia muito bem.
– Acho melhor a gente ficar aqui – A Lu sussurrou, mais eu estava possuída de raiva pra atender o pedido dela.
Abrir a porta e me deparei com o Pedro apenas de cueca, enquanto do seu lado havia uma garota só de calçinha e sutiã. Parei bem na sua frente, com as mãos na cintura e uma expressão normal no rosto, vi isso por causa do espelho que havia na minha frente. Local onde os dois se vestiam. Ele levou um baita susto quando me viu ao lado da Luize, ambas encarando eles dois.
– Mel, não é isso que você está pensando, não é – Ele falou como se fosse adiantar algo.
– Não me procura nunca mais, esquece que eu existo – Falei aparentemente calma e sai dali, carregando a Lu comigo.
– Mel, você ta bem? – Ela me perguntou assim que entravamos novamente no camarote.
– Estou eu acho – Me direcionei até a mesa e peguei a garrafa de vodka que estava na mão do Thomas e bebi tudo de uma vez só. Tinha pouca.
– Mel, você ta bem? – Thomas repetiu a mesma pergunta da Lu e todos me olhavam incrédulos.
– Acho que sim, não sei – Sorri e voltei a falar — Vou embora gente, cansei.
Despedi-me de cada um e sai daquele lugar. Caminhei até o ponto de taxi mais próximo dali e dei meu endereço para o motorista. Mais antes, passei em uma distribuidora de bebidas 24h e comprei 2 garrafas de vodkas. Sim, eu bebo. E em poucos minutos, já estava entrando em meu apartamento. Corri até meu quarto e, assim que fechei a porta, caí sentada sobre ela com o choro mais doloroso possível sendo liberado. Eu não entendia o porquê daquilo, á horas atrás ele tinha anunciado nosso namoro para seus fãs e minutos depois está num banheiro comendo uma qualquer. Encarei aquela aliança no meu dedo, a tirei e joguei longe. Idiota fui eu em ter aceitado ele de volta. O Pedro sempre foi assim, mulherengo. Eu deveria saber que mais cedo ou mais tarde, sua ficha de bom moço ia cair. Burra! Burra! Burra! É isso que eu sou. Tirei toda aquela minha roupa e a joguei em um canto qualquer do meu banheiro, e entrei debaixo daquela água extremante fria e chorei. Chorei na intenção de que tudo passasse de apenas um sonho ruim. Chorei na intenção de que aquilo era coisa da minha cabeça e que ele ainda era meu. Chorei na intenção de que a água levasse toda a minha dor embora. Mas nada adiantou. As imagens me perturbavam de segundo em segundo. Sequei minhas lágrimas e prometi a mim mesma não chorar mais. Tirei as garrafas da sacola e bebi a primeira rapidamente, depois a segunda. E não, não fico tonta, meu corpo já se acostumou. Tomei meu banho, vesti meu pijama e me joguei na cama. Sabe a promessa de não chorar mais? Ela não foi e nem vai ser cumprida. Abracei-me ao meu fiel companheiro – o travesseiro — e chorei, chorei até não poder mais. Não dormir momento algum, só sabia chorar, chorar. Devo estar com olheiras gigantes, mais foda-se, não vou pro colégio hoje mesmo, que dizer, não vou nunca mais praquele colégio. Já passei de ano mesmo, pra que pisar ali?
(...) Era mais ou menos 10h, quando a Jô entrou no quarto e se espantou ao me ver ali, fitando o nada. Ela não notou as garrafas vazias, pois eu tinha escondido.
– Mel? Mel? – Ela me sacudiu várias vezes até eu sair do meu transe.
– Bom dia Jô – Falei com a voz falha e voltei a chorar.
Ela se sentou na cama e eu me aconcheguei entre seus braços e chorei, chorei mais que ontem, mais que na madrugada. Ela me dizia que tudo iria ficar bem, que iríamos nos acertar novamente. Mais não, não adiantou em nada.
– A Lu está lá na sala querendo te ver, assim como todos os outros – Ela sorriu gentilmente pra mim.
– Diz que eu morri – Sorri fraco em tom de deboche.
– NUNCA MAIS REPITA ISSO MELISSA, NUNCA MAIS TÁ ME OUVINDO? – E ela estava chorando.
– Desculpa Jô, não chora – A abracei e logo ela parou.
– Vem minha pequena, seus amigos estão te esperando – Ela se levantou me levando junto.
– Não quero Jô – Me debrucei sobre seu ombro – Tô feia.
– Para de charme, eu te arrumo, vem? – Ela me estendeu a mão e me guiou até o banheiro.
Ela me ajudou a escovar meus dentes, a eu tomar um banho, a vestir roupa e até me maquiou. Depois prendeu meu cabelo num rabo de cavalo perfeito. Eu amo muito essa mulher.
– Obrigada – Falei pronta a voltar a chorar, mais ela não deixou.
– Engole esse choro, anda! – Ri sem graça e fomos para a sala.
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