Destino.
9 Mais uma vez no hospital? Confere.
Lá me deparei com todos, menos ele. Todos sorriram para mim e eu devolvi com um sorriso de dor, mais era um sorriso. Aconcheguei-me nos braços do Lucas e chorei. Não sei brincar de ser forte. Mais logo minhas lágrimas conseguiram parar um pouco de cair, devido ao Thomas ficar me fazendo rir, mesmo sem querer. Eu precisava avisá-los sobre minha decisão e sei que eles não vão gostar, mais é o melhor a ser feito.
– Pessoal, eu quero conversar uma coisa muito séria com vocês – Falei séria – Acho que a Lu contou sobre a proposta da minha mãe, certo? – Eles assentiram que sim – Pois bem, eu decidi que vou pra lá. Vai ser melhor pra mim e não, eu não vou trocar nem esquecer nenhum de vocês, ok?
Todos concordaram, mais ficaram tristes. Pena que não posso reverter essa situação, já está tudo decidido e é assim que vai ser! Ficamos conversando até umas 17h, por aí, depois eles foram embora e só ficou eu e a Lu naquele imenso apartamento.
– Se eu pudesse, matava o Pedro – Ela falou e eu ri – Tá rindo do que babaca? É por culpa dele que a minha melhor amiga vai embora!
– Ei, não chora, por favor – A abracei e choramos juntas.
Depois de chorarmos, decidimos ver alguns filmes. (...) Estávamos no nosso terceiro filme, quando a campanhia tocou. A Jô não estava em casa, então, depois de eu insistir muito, a Lu foi abrir. Era a Mi com uma cara nada boa.
– Que história é essa da senhorita quer ir embora ein? – Ela disse se sentando do meu lado.
– Quem te contou sobre a viagem? – Perguntei confusa.
– O Thomas! Agora ele está lá em casa consolando o retardado do meu irmão que ta chorando – Fiquei fitando minha blusa por um bom tempo.
Ela me disse que o Pedro lhe contou tudo e, pelo que parece, ela está muito nervosa com ele. Ou melhor, todos estão. Depois de acalmá-la um pouco, fui pega de surpresa por dois seres entrando no meu apartamento devido à porta ter sido deixada aberta pela Luize. Era o Pedro e o Thomas. Claro que me assustei quando vi aqueles olhos perfeitos me encarando e inchados.
– VOCÊ NÃO PODE IR EMBORA, TÁ ME OUVINDO? – Ele gritou em alto e bom tom.
– Minhas humildes risadas para você, garoto – Ri em tom de deboche.
– Vamos ali na cozinha, Mi e Lu – O Thomas saiu puxando as duas e me deixando sozinha com aquele garoto idiota.
Pedro ficou me encarando por alguns minutos e eu observando a pipoca que a Luize estava comendo há poucos minutos atrás – apenas ela, pois eu não estava com fome -, pois me importo muito pelo que ele diz agora. Acho que cansado de ser ignorado pela minha pessoa, ele pegou o pote deliciosamente cheio de pipoca e jogou no chão, espalhando pipoca pra todos os lados.
– QUEM VOCÊ PENSA QUE É PRA FAZER ISSO? ME DIZ? – Tô puta agora, licença, era a pipoca da Lu.
– Eu não sou obrigado a agüentar você me ignorando – Ok, próxima piada.
– E eu não sou obrigada a agüentar sua ignorância pra satisfazer suas vontades – Pisquei pra ele.
Ele me segurou meus braços com forças e me colocou bem próxima a ele. Tudo bem que meu coração acelerou um pouco, mais eu não vou mais ceder. Ficamos nos encarando por um bom tempo e ele apertava meus braços com mais força.
– ME SOLTA, TÁ ME MACHUCANDO – Gritei e acho que ele tomou noção da situação.
– Desculpa – Ele se sentou no sofá e abaixou a cabeça.
– Engraçado que você só sabe falar isso pra mim né? – Ri sinicamente.
– Olha Mel – Ele ia continuar, mais chega, vou dar um basta nisso.
– Olha aqui você garoto: Eu não sou qualquer uma que, quando você comete alguma merda, vai lá e perdoa. Eu, ao contrário de umas e outras, tenho sentimento! Pra mim deu Pedro. Chega dessa história onde a única que sofre sempre sou eu – Falei num fôlego só, contendo as minhas lágrimas.
– Então não temos mais chance? É isso? Quem você pensa que é pra, simplesmente, chegar em mim e falar que não dá mais? Que cansou? Você só quis minha fama, não é mesmo? Agora que conseguiu uma á minhas custas, vai e me dá um pé na bunda. Você não vale nada mesmo Melissa – E foi ai que eu lhe dei um tapa que deixou a marca da minha mão certinha em seu rostinho.
– EU QUERER FAMA? EU? VOCÊ NÃO ME CONHECE MESMO, NÃO É? E AGORA QUE NÃO VALE NADA SOU EU? BOM, PELO MENOS NÃO FUI EU QUE FUI PRA UMA BALADA COM A MINHA NAMORADA, A DEIXEI COM MEUS AMIGOS E FUI PRO BANHEIRO COMER UMAZINHA QUALQUER. CARALHO, QUE IDIOTA EU FUI AMANDO VOCÊ UM DIA, SE ARREPENDIMENTO MATASSE, EU ESTARIA MORTA, PORQUE NÉ? – Não sou de agüentar nada calada.
O encarei e deixei que minhas lágrimas dissessem por mim mesma o que eu estava sentido. Ele foi o cara que eu mais amei e agora vem e me diz isso? Esse não foi o Pedro que eu conheci, esse não é mais o grande amor da minha vida. Na verdade é, porém tentei dizer isso pro meu coração, mais ele não aceitou. Destino filho da puta esse não é mesmo? E depois de encará-lo, a única coisa que me lembro é das minhas vistas escurecendo. (...) Acordei em um lugar todo branco e com barulhos de aparelhos irritantes. Abri meus olhos vagarosamente e me toquei que estava mais uma vez no hospital. A última vez que tive que vim pra esse lugar, foi quando tentei me matar, mas ok. Aquele barulho irritante não parava nenhum minuto e meu braço estava cheio de agulhas. Boa Melissa, você consegue se superar cada vez mais. Depois de uns dez minutos fitando aquele teto branco horrível, ouvi vozes ecoando pelo quarto.
– Vejo que a nossa menininha acordou – Dr. Rodrigo ou tio, amigo da minha mãe e meu medico desde sempre.
– Infelizmente tio – Sorri sem dentes para ele.
– Não muda mesmo ein?! – Ele riu e me deparei com o Pedro, a Luize e Thomas do lado dele.
– Você deu um baita susto na gente – O Tho disse dando a volta na cama e logo em seguida, me enchendo de cafuné.
– Bom, a falta de uma alimentação rigorosa dá nisso: Queda de pressão, desmaio e hospital. Mais amanhã você já vai poder ir pra casa, ok? Só essa noite em observação e se estiver tudo bem, você nem precisa olhar pra minha cara mais– O doutor riu, me deu um abraço e logo em seguida saiu.
– Mais uma vez no hospital? Confere. Remédios sedativos? Confere. Coração em mil pedaços? Confere. É, tô bem – Falei mais irônica possível.
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