Deslizes

19 Explosão


Explosão

Rony

Comecei a me remexer inquieto na biblioteca, minhas pernas balançavam automaticamente e eu não conseguia me concentrar nos malditos ingredientes para a poção que Snape havia mencionado. Sabia que ela cairia nos N.I.E.M’s, mas sinceramente, não estava nem um pouco interessado.

Hermione me olhava com raiva toda vez que eu me mexia, tirando sua concentração. Os lábios estavam travados.

– Quer ficar quieto?

Não respondi, apenas joguei a pena na mesa e cruzei os braços em frente ao corpo, olhando para a janela. Não fazia sol, mas parecia que o tempo estava agradável, apesar de eu preferir neve...

Não conseguia pensar em nada, apenas nas palavras de Pansy me dizendo que o que estávamos tendo não era nada. Eu odiava quando ela dizia isso para mim, porque eu sabia que para a garota, não era verdade. Estávamos tendo algo, isso era inquestionável, mas Pansy às vezes conseguia ser irritante. O que não justificava o que eu tinha falado com ela.

Respirei fundo, tentando procurar o motivo da minha raiva e da minha explosão. Sentia-me mal, sabia que ela tinha ficado chateada. Tinha quase certeza de que Pansy estava chorando quando se virou, deixando-me sozinho no corredor da biblioteca.

– Não consigo estudar. Vou dar uma volta.

Joguei de qualquer maneira os livros dentro da mochila e fechei-a. Harry apenas acenou, já Hermione ergueu as duas sobrancelhas para mim. Eu estava tão acostumado com essa reação por parte dela, que ignorei. Joguei a mochila no ombro e saí da biblioteca.

Meus olhos automaticamente percorreram o corredor, procurando por ela, mesmo que eu soubesse que Pansy nunca estaria no mesmo lugar. Aliás, se eu a conhecesse realmente, diria que estaria com raiva de mim, e bem longe.

Decidi ir para a Sala Precisa, só precisava que o cômodo mágico se transformasse em algum lugar para que eu pudesse pensar com calma. Andei pelos corredores de Hogwarts com passos objetivos, assustei-me quando vi uma sombra virando o corredor. Poderia jurar que era Draco Malfoy, nenhum aluno tinha os cabelos tão loiros e ridículos iguais ao dele. Não demorei muito a achar a parede que procurava.

A porta começou a aparecer na minha frente e eu esperei pacientemente. A maçaneta se materializou e eu a girei, entrando na sala e sabendo que com isso, ninguém mais poderia fazê-lo.

Era um cômodo bom. O sofá era aconchegante e o carpete passava uma sensação de conforto. A lareira estava acesa, mas a sala estava fria. Havia um banheiro e uma mesa com comida, caso eu precisasse.

Eu joguei minha mochila em um canto da sala e me surpreendi ao ver uma cama perto da janela. Isso só provava para mim que meus pensamentos estavam uma bagunça.

Caminhei em direção à janela e fitei a paisagem que ela me mostrava. Nevava em Hogwarts. Eu sorri. Adorava neve, mesmo sabendo que ela não era real. A Sala Precisa realmente era o meu lugar preferido do castelo.

Não sei por quanto tempo fiquei absorto nos meus próprios pensamentos. Vinte, trinta minutos? Assustei-me quando escutei alguém pigarreando e me virei, fitando diretamente Pansy Parkinson.

O que ela estava fazendo ali?

[...]

Pansy

Permanecia me olhando, calado. Minha vontade era correr e abraçá-lo, mas eu me contive. Eu sempre me continha.

– O que está fazendo aqui?

Perguntei, minha voz saiu estrangulada e um pouco esganiçada. Ele parecia confuso, e parecia pensar em algo.

– Como entrou aqui?

– Do mesmo jeito que você.

Respondi. Não era óbvio? O ruivo pensava que eu não era capaz de entrar? Para dizer a verdade, eu ainda não sabia como havia entrado. Só sabia que estava ali, com ele.

[...]

Rony

Ela não entendeu minha pergunta, e logo eu me lembrei de que Pansy não sabia o que era a Sala Precisa. Eu nunca havia visto algo parecido. Sabia que quando a sala estava ocupada, a porta não aparecia.

– Pansy, sabe onde estamos?

Ela não respondeu e eu quase sorri. Pansy odiava quando não tinha o controle de tudo. Aproximei-me cautelosamente e ela não se afastou, continuou no mesmo lugar, mas sua postura ficou tensa no mesmo momento.

– Essa é a Sala Precisa.

Disse, aproximando-me mais um passo. Ela continuou calada, e eu entendi isso como uma abertura para explicar onde realmente estávamos.

– Quase nenhum estudante sabe da existência dessa sala, Pansy. Não preciso dizer que ela é mágica, mas ela se transforma naquilo que a pessoa mais precisa no momento.

Ela me olhava com atenção e eu quase podia escutar as engrenagens do seu cérebro trabalhando. Esperei com paciência, fitando-a. Merlin, como eu sentia falta dela, de estar sozinho com ela. Os problemas que eu tinha estavam tomando quase todo o meu tempo, e eu só queria tocá-la.

De repente ela relaxou e me olhou.

– Alguém mais pode entrar aqui?

Perguntou, parecendo ansiosa, como se de repente alguém fosse entrar e nos ver juntos. Eu pensei um pouco na sua pergunta. Eu sabia respondê-la com toda certeza, mas realmente não sabia como ela havia entrado.

– Não. Para falar a verdade, não sei como você entrou aqui. A Sala Precisa não aparece se alguém já estiver a usando.

Parecia que alguém tinha gritado Lumus na minha cabeça. Estava mais que claro para mim. A Sala Precisa apareceu para Pansy porque ela tinha os mesmos pensamentos que eu, exatamente iguais. Não compartilhei minha descoberta com ela, apenas esperei sua reação.

[...]

Pansy

Agora tudo estava claro. Eu nunca ia conseguir entrar quando Draco entrava porque a sala já estava sendo usada, e eu nunca saberia em que ela se transformava quando o loiro estava dentro.

Merda.

Assustei-me quando vi que o Weasley caminhava em minha direção. Ele ficou de frente para mim, pegando a mochila dos meus ombros cuidadosamente e colocando-a no chão. E sem deixar um espaço de tempo para eu pensar, ele me beijou.

Ah... Como eu sentia falta de seus lábios quentes, como eu sentia falta da sua língua invadir minha boca, me proporcionando um vislumbre do seu gosto adocicado...

O ruivo fora delicado, o beijo era leve, mas não demorou muito a se intensificar.

Ele mordeu meu lábio inferior com cuidado e eu gemi, me entregando completamente, esquecendo-me em um segundo tudo o que ele havia me falado horas atrás.

Enlacei seu pescoço e ele se colou mais a mim. O peito forte subia e descia com rapidez por causa da respiração, eu não estava diferente, sentia falta de seu toque, do seu corpo quente. Foi com essa ânsia que minhas mãos correram pela sua blusa grossa até chegar perto da calça jeans, levantando o tecido, correndo as unhas pela pele de temperatura elevada. Foi sua vez de gemer.

Suas mãos enterraram-se no meu cabelo curto, puxando-os e demonstrando o quanto ele me queria, o volume da calça já estava evidente, eu podia sentir sua excitação, e quando pressionei meu corpo contra ele, ele se rendeu.

Ele pegou a própria blusa de frio e a tirou, expondo parte do corpo. Não consegui ignorar seu gesto e forçar meus olhos a não fitarem o que ele me mostrava. Ele abriu os braços e eu não pensei muito, pulando no ruivo e enlaçando-o pela cintura.

Caminhou em direção a cama, me jogando bruscamente em cima do cobertor grosso e negro. Suas mãos quentes entraram por debaixo do tecido da minha blusa, levantando-o. Fechei os olhos quando senti minha blusa subir pelo corpo e ajudei-o a retirá-la, facilitando seu trabalho, enquanto ele já descia minha calça.

Não demorou muito para que eu ficasse apenas de lingerie. Ele se levantou da cama, começando a desabotoar o próprio cinto, descendo a calça jeans nova pelo corpo, exibindo as pernas grossas, tampadas parcialmente com uma boxer branca.

Ele se juntou a mim rapidamente e eu abri as pernas para recebê-lo. Suas mãos correram pelo meu corpo e me levantaram um pouco, criando um pequeno espaço, suficiente para que sua mão entrasse e achasse o fecho do sutiã. Ele o retirou, e sem pensar muito envolveu meu seio, apertando-o com ânsia, com desejo.

Eu fechei os olhos ao senti-lo novamente. Por mim, o Weasley poderia apertar o mais forte que ele conseguisse, eu sentiria dor, mas seria a melhor dor que ele poderia me proporcionar. Suas mãos desceram pelo meu corpo, achando as laterais da minha calcinha fina. Ele a deslizou pelo meu corpo com rapidez, mostrando-me um pouco da sua ansiedade.

Não demorou muito e já estava nu. Eu apenas afastei ainda mais as pernas, fechando os olhos e esperando-o. Senti o ruivo se encaixar em mim, e com um movimento mais forte no quadril, ele me penetrou. O membro dele latejava quando eu o senti dentro de mim, como se o desejo contido por semanas se libertasse de uma só vez, ficando impossível de controlar.

O ruivo soltou um gemido gutural e abafado na curva do meu pescoço. O cheiro peculiar do seu cabelo vermelho vivo me excitava, o cheiro de sua pele cheia de sardas, o cheiro dele. Ele se afastou um pouco e tornou a me encontrar, fazendo fricção entre os corpos, minha respiração começou a ficar mais acelerada, da mesma forma que meu coração, quando ele intensificou as estocadas.

A mão esquerda pegou bruscamente minha perna, fazendo-a envolver sua cintura. Eu o puxei mais para mim, tentando senti-lo completamente. Eu queria que Ronald Weasley estivesse me saboreando em todos os sentidos. Capturei sua boca carnuda com a minha, nossas línguas não demoraram a duelarem. Ele afastou um pouco o corpo e sua mão direita deslizou entre a gente, tocando-me diretamente, fazendo meu prazer duplicar.

Os movimentos começaram a ficar mais urgentes, eu sabia que não iria aguentar muito, e pela respiração abafada do ruivo, ele também não. Senti suas mãos agora apertarem com força a carne da minha coxa, uma sensação familiar começou a nascer no meu centro, atingindo todo meu corpo. A sensação do prazer puro, do prazer completo. E eu arfei.

Não demorou muito para que o Weasley explodisse dentro de mim, um gemido contido e excitante saiu de sua boca vermelha no mesmo momento que ele respirava perto da pele do meu pescoço, trilhando beijos suaves por ele, até achar minha boca.

Depois de me dar um beijo leve no meu queixo, ele me encarou com seus olhos azuis profundos. Antes que eu pudesse me conter como sempre fazia, minha boca se abriu e eu lhe disse algo que não pretendia dizer, ou confessar.

– Eu senti sua falta.

Ele olhou meus lábios, mas depois foram os seus que se curvaram em um sorriso sincero. O ruivo se abaixou novamente, me beijando com carinho na boca. Um arrepio correu por todo meu corpo e ele chegou sua boca perto do meu ouvido.

– Me desculpe por ter sido rude com você.

O hálito quente me reconfortava, mas seu pedido de desculpas acendeu alguns pensamentos na minha mente, pensamentos que eu tentava evitar a todo custo. Eu respirei fundo e me remexi na cama. O ruivo entendeu o recado e se afastou, rolando para o lado e jogando a coberta grossa e negra em cima do meu corpo.

Eu fitei o teto da sala em que estávamos e suspirei. Ele se apoiou no cotovelo e me fitou, esperando. Ele sabia que eu ia falar algo, e isso só me deixou mais contida. Ninguém nunca conhecia meus gestos e manias como ele.

– Tudo bem... esqueça o que aconteceu. Eu... eu tenho medo de me envolver com você, Weasley.

– Por que não me chama de Rony?

Não soube responder sua pergunta. Apenas o olhei e ele passou o dedo no meu rosto, beliscando minha bochecha.

– Que você tem medo eu já sei. Posso saber o motivo?

Sentei-me lentamente na cama e puxei o cobertor, cobrindo meus seios. O quarto estava quente, parte disso era culpa da lareira, mas eu sabia que nossos corpos estavam emanando calor também. Pensei na sua pergunta e tomei coragem para lhe confessar algo que não queria confessar tão cedo.

– Você é um ponto crucial... na guerra... Ro-Rony. – gaguejei ao dizer seu nome pela primeira vez. – Meus pais estão pendendo para o lado de Você-Sabe-Quem. Eu temo por isso...

Ele não me respondeu, apenas deitou-se no meu colo. Os cabelos vermelhos faziam um contraste perfeito com o cobertor negro. Minha mão automaticamente se aproximou de sua cabeça, os dedos enfiando-se nos fios ruivos e macios. Ele fechou os olhos.

– Eu vi Draco sair por essa mesma sala. Duas vezes. Acha que é algo?

Ele enrijeceu. Eu não precisava fazer uma pergunta tão tola. É claro que o fato de Draco sair de uma sala igual a essa não seria visto com bons olhos, muito menos por ele. Mas o ruivo não respondeu, apenas deu de ombros e se aconchegou melhor no meu colo. Mas não relaxou.

– Acho que você precisa decidir seu lado, Pansy.

Sua frase foi como um balde de água fria no meu corpo. Meus dedos pararam o carinho no mesmo momento e ele se levantou, ficando de frente para mim, esperando minha resposta. Que nunca viria.

– Eu tenho medo, Rony.

– Acho que sua avó gostaria que você tomasse as decisões sensatas, não?

A menção da minha avó fez meu corpo esquentar por inteiro. Quem era ele para usá-la como um incentivo? Ele não tinha esse direito, não sabendo da minha fraqueza. Eu tranquei o maxilar e o olhei com fúria.

– Não ouse falar da minha avó, Weasley.

Seu sobrenome lhe informou que a conversa havia tomado um rumo diferente do planejado. Ele se levantou da cama e começou a se vestir. Eu já podia sentir meu corpo protestando contra isso, mas não disse nada.

– Como queira.

Colocou a blusa rapidamente e começou a calçar o tênis surrado. Ele não me deixaria ali, deixaria? Seria capaz de me deixar sozinha depois de tudo? Eu me abrira com ele... e ele estava indo embora?

– Vai me deixar aqui?

Perguntei como se eu fosse uma adolescente infantil, e ele apenas me olhou.

– Acho que você, mais do que eu, precisa pensar nas consequências de suas decisões.

– Você não tem o direito de achar nada!

Ele me olhou com fúria e pegou a mochila, jogando-a no ombro e caminhando em direção a porta da Sala Precisa.

– Eu tenho. – sua mão forte envolveu a maçaneta e ele se virou novamente. — Nunca pensei que você fosse fraca assim.

Com isso, ele saiu da sala, batendo a porta com força e me deixando sozinha.

Não demorou cinco segundos para que eu sentisse minhas lágrimas molharem meu corpo, ainda nu.

Maldito.