Deslizes

11 Confissão


Confissão

Pansy

Eu esperei as meninas do dormitório dormirem. Lia uma revista bruxa, passando os olhos pelas figuras de feitiços para beleza sem interesse nenhum. Uma luz fraca saía da ponta da varinha, iluminando parcialmente a página da revista.

Ao escutar as meninas desejarem boa noite, respondi monossilabicamente e esperei alguns minutos, tendo a confirmação de que estavam dormindo quando o som de três respirações pesadas chegou aos meus ouvidos.

Delicadamente e sem fazer nenhum barulho adicional, eu retirei o cobertor verde de veludo pesado do meu corpo e saí da cama, tomando o cuidado de dar passos vagarosos até o Salão Comunal.

Respirei aliviada quando vi que estava totalmente vazio. Apenas as chamas da lareira eram vistas além da escuridão das poltronas negras. Eu cruzei o Salão Comunal da Sonserina em passos agora mais rápidos e saí para as masmorras.

O corredor estava frio e eu estremeci quando uma corrente de ar atravessou meu corpo. Percebi que havia esquecido a capa e me xinguei mentalmente de burra. Como eu era monitora, eu tinha livre acesso aos corredores de Hogwarts pela parte da noite. Mas eu tomei o cuidado peculiar para que ninguém me visse sair. Fofoca com o meu nome era a última coisa que eu queria no maldito castelo. Já não bastava Malfoy questionando o que eu fazia ou deixava de fazer.

Desci as escadas principais indo em direção ao Salão Principal. Algumas pinturas saíam de seu sono costumeiro e me olhavam com olhos curiosos. Eu revirei os olhos quando escutei um velhote perguntar o que eu estava fazendo àquela hora andando pelo castelo. O que uma maldita pintura tinha com a minha vida?

Parei ao perceber que já estava na entrada do salão. A porta grande estava aberta e eu corri os olhos pelas mesas enormes e vazias, constatando-me que o quadro ficava estranho. Eu estava acostumada com o salão barulhento e cheio de alunos. Onde estava aquele maldito ruivo?

Um frio percorreu minha espinha quando uma nova lufada de vento gelado tomou o meu corpo. Eu me abracei, tentando inutilmente por meio desse gesto manter-me aquecida. Braços quentes envolveram minha cintura por trás e eu saltei de susto, virando-me bruscamente para fitar o responsável.

O Weasley me olhava divertido e eu tranquei meu maxilar, dando um tapa no seu peito.

– Ai.

– Não faça isso de novo, Weasley.

Ele sorriu e me puxou de encontro ao seu corpo. O calor que emanava do ruivo me aqueceu rapidamente, mas eu desconfiava de que parte do calor vinha de dentro de mim, por causa do seu toque. Ele pegou uma mecha do meu cabelo, colocando-a para trás da orelha, e depositou um beijo leve nos meus lábios, esquentando essa parte do meu corpo também. Meus lábios formigaram quando ele se afastou e eu me lembrei dessa mesma sensação quando o ruivo havia apertado levemente minha bochecha no mesmo dia, em Hogsmead.

Definitivamente eu odiava demonstrações de carinho.

Normalmente o motivo era a minha falta de paciência e frieza em excesso quando eu era presenteada com tais demonstrações. Mas o motivo pelo qual eu não gostava particularmente das demonstrações de carinho do ruivo, era porque com isso, ele me desarmava completamente.

Os olhos azuis profundos me fitavam. Os cílios claros, a pele clara contrastando com os cabelos vermelhos. Ele usava a calça jeans de sempre, tênis surrados e um suéter de lã com a letra inicial do seu nome bordado. Algo de muito mau gosto, mas que ele parecia estar bem habituado a usar.

Eu arqueei uma sobrancelha para ele e o ruivo pegou a minha mão, me conduzindo para fora do Salão Principal. Eu deslizei minha mão da dele e ele me olhou.

– O que foi?

– Precisa pegar minha mão?

Ele deu de ombros e acenou com a cabeça para que eu o seguisse. Abaixei minha cabeça e começamos a andar por corredores conhecidos de Hogwarts. Eu rezava a Merlin para que ele tirasse qualquer professor ou aluno do caminho e eu não corresse o risco de esbarrar com alguém. Uma sonserina com um Weasley geraria muitas perguntas.

Ele diminuiu a velocidade dos passos e finalmente parou em frente a uma parede de pedras. Não havia nada lá, apenas o concreto misturado às pedras. Nenhum quadro, nenhuma janela... nada.

Eu franzi o cenho em desacordo e já ia me virar para ele xingando o que estava em mente quando escutei um estalo vindo da parede supostamente neutra. Depois de algum tempo, pequenas rachaduras invadiam as pedras, formando um arco enorme. Meus olhos foram abrindo à medida que eu percebia o que estava se formando diante deles. Segundos depois, uma porta de madeira escura e fosca se materializou na parede que antes não tinha nada, como se ela sempre tivesse existido.


Escutei uma risada ao meu lado e me virei. O Weasley sorria ao perceber minha reação e eu limpei minha expressão rapidamente enquanto esperava o que ele pretendia fazer.

– O que é isso? – perguntei.

Ele chegou perto de mim, pegando minha mão novamente. Eu não a puxei como sempre, mas deixei o ruivo me conduzir para dentro da sala, receosa. Eu não conhecia aquele lugar. E eu não lidava muito bem com o desconhecido.

A porta se fechou atrás de nós e eu levantei a cabeça, surpreendendo-me ao ver que estávamos em um quarto. Velas flutuavam por todo o cômodo, deixando o lugar aconchegante. Havia uma porta anexa que parecia um banheiro. Algumas poltronas em frente a uma lareira acesa. Um tapete felpudo em frente às poltronas, com almofadas de todas as cores jogadas por cima. Mas o que me chamou mais a atenção foi a cama grande que estava no meio do quarto.

Era perfeito demais para o que eu queria fazer com ele. E ao olhá-lo e ver o brilho malicioso cortar os olhos azuis claros, eu desconfiei de que o Weasley estava com as mesmas intenções que eu. O quarto parecia um anexo dos desejos dele, como se o cômodo quisesse que ficássemos lá e usufruíssemos de tudo o que ele estava proporcionando.

[...]

Rony

Eu apertei a mão dela para me certificar de que Parkinson ainda estava comigo. A garota balançou a cabeça um pouco e olhou para baixo, se dando conta de que seus dedos estavam entrelaçados aos meus pela primeira vez. Com um movimento repentino ela afastou a mão da minha e me olhou confusa.

– Por que não gosta quando eu pego sua mão?

Parkinson não me olhou nos olhos, as orbes negras estavam cravadas na cama.

– Porque isso é algo tolo de se fazer quando não temos envolvimento emocional nenhum.

Ela era fria. Mesmo que eu soubesse perfeitamente que a garota não estava apaixonada por mim e eu por ela, não era incômodo para mim algo assim. Mas isso parecia mexer com Parkinson, como se ela estivesse temendo algo.

Ela deu um passo em direção à cama e a acompanhei sem querer me afastar dela. Tudo o que eu queria no momento era sentir seu corpo colado ao meu, seus lábios me beijando. Ela parou e eu fiquei atrás dela, a centímetros de distância. Parkinson se virou e assustou-se ao descobrir o quão próximo eu estava dela.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas eu não lhe dei essa chance. Terminei com a distância entre nossos rostos, capturando rapidamente seus lábios abertos e enfiando minha língua dentro de sua boca. Pansy Parkinson falava demais, reclamava demais, pensava demais. E eu precisava fazê-la calar a boca e sentir novamente o seu gosto.

Ela gemeu quando a prensei no meu corpo. O cheiro dela estava por toda parte. Seu corpo pequeno perto do meu estremecia ligeiramente enquanto eu a beijava. Mas eu precisava de mais. Eu precisava de Parkinson por inteira.

Comecei a andar para frente, a empurrando para trás. Os passos da garota estavam trôpegos e incertos. Eu a conduzi em direção à cama e a empurrei para o colchão. Ela caiu e sua saia subiu ligeiramente, expondo parte da pele alva, a pele de seda. Eu subi na cama, juntando-me a ela e me deitei em cima dela. Um sorriso malicioso apareceu em seu rosto e ela abriu as pernas para me receber.

Mas eu não me encaixei imediatamente. Eu comecei a retirar os seus sapatos... suas meias... tudo lentamente. Ela gemeu quando minhas mãos passaram por toda sua perna, começando do tornozelo e indo para as coxas, subindo levemente a saia preta. Parkinson tombou a cabeça no travesseiro macio enquanto eu fazia o trabalho.

Desabotoei sua saia e a puxei lentamente. Minhas mãos subiram diretamente para sua blusa social branca, o símbolo da Sonserina bordado na parte que ficava o seio esquerdo. Meus dedos faziam o trabalho com os botões rapidamente. Eu abri sua blusa. Parkinson usava uma lingerie preta com renda que combinava perfeitamente com sua personalidade.

Depositei um beijo leve entre seus seios e senti a garota arfar. Contive um sorriso. Abaixei-me até ficar entre suas pernas e coloquei o pedaço de pano de sua calcinha para o lado. Engoli em seco. Eu nunca havia feito isso antes, mas eu poderia tentar.

Com cuidado, mas ao mesmo tempo ávido, eu passei a língua timidamente na entrada dela, fazendo-a gemer. Concluí que eu poderia continuar. Eu introduzi um dedo nela enquanto minha língua fazia um pouco mais de pressão, tomando mais velocidade ao ver a garota arquear o corpo, demonstrando que estava gostando.

Eu não sentia nenhum medo agora, fazia como se tivesse feito isso minha vida inteira. O gosto de Parkinson era ótimo, e era excitante proporcionar prazer a uma mulher nesse nível, proporcionar prazer a ela.

Eu parei o trabalho e ela me olhou. Os olhos estavam em fogo e eu podia sentir sua pele emanando calor. Os cabelos curtos estavam para trás, exibindo seu colo. Apenas um pequeno brilho dourado pintava a pele branca. O pingente que ela sempre usava. Eu retirei a lingerie da garota lentamente e me levantei da cama, desfazendo-me das minhas roupas. Ela me observava, esquecendo-se momentaneamente de ser a garota sonserina fria. Seu rosto estava levemente corado e ela parecia ávida por mais, assim como eu.

Eu me aproximei novamente e ela abriu as pernas para me receber, retirando o próprio sutiã e jogando-o no chão ao seu lado. Dessa vez eu não a torturei. Eu me encaixei perfeitamente nela e com um movimento mais forte no quadril, penetrei-a completamente, sentindo as paredes do seu sexo palpitando em volta do meu membro.

Nós dois gememos. Eu havia me esquecido a sensação divina que era fazer sexo. Fazer sexo com ela. Comecei a movimentar-me e ela fechou os olhos, suas pernas enlaçaram minha cintura fortemente, como se temesse que eu saísse.

Minhas mãos a pegaram pela cintura, eu rolei para deixá-la por cima de mim. Ela parou momentaneamente e me olhou, mas fez um movimento pequeno no quadril, fechando os olhos e começando a se mexer cada vez mais rápido. Era uma cena difícil de ver.


Afinal, não era todo dia que eu via Pansy Parkinson totalmente entregue, totalmente vulnerável, totalmente nua, em todos os sentidos. O véu do cinismo e frieza caiu no instante que ela me olhou nos olhos e eu senti suas pernas travarem no meu corpo, seu sexo apertou-me e ela tombou a cabeça para trás, sua respiração entrecortada com o momento de prazer.

Isso me excitou mais do que eu esperava e eu cheguei ao meu máximo, quase no mesmo instante que ela. Parkinson abaixou-se até mim e me beijou demoradamente, antes de sair de perto e deitar-se ao meu lado, olhando para o teto. Seu peito subia e descia rapidamente e sua boca estava entreaberta, como se a garota estivesse imersa em pensamentos.

[...]

Pansy

Eu podia sentir meu coração batendo muito forte, e rezei a Merlin que o ruivo não percebesse o que ele havia feito comigo segundos antes. Eu odiava ser manipulada. Eu gostava de ser manipuladora. Mas quando o garoto me puxou para cima e me deu livre acesso ao seu corpo, eu me aproveitei, e infelizmente eu deixei passar um pouco da minha entrega momentânea.

Ele havia percebido aquilo?

Eu não gostava de ser vulnerável, e sempre deixava claro que eu era boa no que fazia quando o assunto era sexo, e que nenhum homem conseguia me dar prazer inteiramente. Isso sempre deixava o homem insaciável. Mas o ruivo conseguiu a proeza de me deixar totalmente sem controle sobre ele. Eu o olhei, desconfiada. Ninguém na sua segunda noite de sexo conseguia proporcionar prazer a uma mulher apenas com a língua igual ele proporcionou. Será que tinha treinado com outra? Ignorei completamente a sensação que insistia em aparecer no meu peito e voltei a fitar o teto.

Nossos corpos estavam separados. Nenhum contato com a pele, nenhuma aproximação, nenhuma demonstração de carinho. E eu preferia assim. Eu queria deixar bem claro para o Weasley que nossa relação era simples e puramente carnal, e que ele não precisaria se dedicar a me dar satisfação de sua vida, se dedicar a ser atencioso igual ele faria com outra mulher, eu queria apenas sua atenção na cama.

Assustei-me quando senti sua mão quente correr pelo meu colo. Meu corpo me traiu quando eu senti o coração acelerar mais com o seu toque, ele com certeza sentiu isso. Mas seus dedos pegaram o pingente que eu sempre usava. Eu me virei e os olhos azuis estavam cravados na peça de ouro do meu pescoço. Ele franziu o cenho.

– Por que sempre usa isso? – ele perguntou.

Intimidade demais, Weasley.

– Significa algo para você? Ou usa apenas porque é bonito?

Eu revirei os olhos, mas ele não viu o gesto. Sua mão deixou o pingente cair no meu colo e eu olhei para a pequena placa dourada. Eu conseguia entender perfeitamente o que significava o desenho que estava gravado nela. Apenas eu. Um caminho, duas setas. Mas estava desenhado de um jeito doce, assim como a dona do pingente era. A letra P estava gravada do outro lado.

Eu senti uma respiração mais pesada vindo do meu lado e olhei para o ruivo. Ele respirou fundo e me olhou, calmamente, mas o maxilar estava trancado. Uma combinação estranha.

– Não sei por que você é tão fechada, Parkinson.

Dei de ombros e peguei a plaquinha de ouro. Eu a apertei na minha mão e respirei fundo para o que eu ia fazer naquele momento. Eu ia compartilhar parte da minha história pessoal com ele. Um grifinório que eu transava escondida pelo castelo de Hogwarts. Mas algo dentro de mim me dizia que o Weasley era confiável. Sua família era grande, e deveria ter problemas assim como qualquer família, não?

– Esse pingente era da minha avó.

Ele se remexeu na cama, esperando por mais da minha parte. Eu sabia que agora não poderia voltar atrás. Eu olhei novamente para o pingente enquanto abria a boca e soltava a história completa.

– Minha família sempre foi dividida. Alguns seguem o Lorde das Trevas, outros preferem não tomar partido nenhum. Meus pais são a favor da raça pura, eles querem que Você-Sabe-Quem obtenha sucesso no que está pretendendo. Não são Comensais, mas apóiam totalmente a causa.

O silêncio me incomodou um pouco, então eu continuei a falar.

– Minha avó materna era contra, ela acreditava que não era o sangue ou a linhagem das pessoas que as faziam melhor ou pior. Infelizmente era uma das únicas da família Parkinson que pensava assim. Minha avó estava em sua casa dormindo quando foi atingida pela Maldição da Morte. Comensais estavam torturando trouxas em sua rua no mesmo dia, apenas algumas horas mais cedo, quando minha avó interferiu. Foi o maior erro de sua vida... eles viram seu rosto...

Meus olhos já estavam marejados de lágrimas ao meu lembrar a última vez em que a vi. Seu rosto bondoso, totalmente diferente da expressão fria que todos da minha família sustentam. Eu respirei fundo para continuar.

– A última vez que conversei com ela, meus pais estavam brigando pela decisão que ia dividir a família em duas. Ou melhor, a família inteira de um lado, e minha avó de outro. Eu chorava no meu quarto e minha avó me entregou isso. – eu apontei para o pingente – Ela me disse que tinha certeza de que eu tomaria o caminho certo quando precisasse. No dia seguinte fiquei sabendo de sua morte.

As lágrimas agora caíam livremente pelo meu rosto. Eu chorava de tristeza pela minha avó, mas eu chorava também de raiva, por estar sendo vulnerável contando a maldita história para o ruivo. Eu odiava demonstrar fraqueza, e dizer que eu havia chorado por causa de uma briga familiar não era demonstração de força. Minhas lágrimas desciam e encontravam o travesseiro macio.

A mão quente do ruivo passou pelas minhas bochechas, enxugando momentaneamente o caminho que elas haviam feito. Mas quanto mais ele tentava controlá-las, mas elas desciam. Há muito tempo que eu não chorava, e eu sabia que conter a tristeza faria com que quando ela se libertasse, fosse mais forte.

Ele me puxou para um abraço, e eu desliguei parte da minha consciência fria, uma herança dos meus pais, e liguei parte da minha personalidade forte e boa, uma herança da minha avó. Em um momento de vulnerabilidade, eu pousei meu rosto em seu peito e senti sua mão acariciando minhas costas, enquanto a outra pegava a minha e entrelaçava seus dedos nos meus.

– Eu sinto tanta falta dela...

Eu tremia ligeiramente quando senti os lábios do Weasley depositando um beijo leve no meu cabelo. Fechei os olhos, fungando.

– Fique tranquila, Parkinson... tudo vai melhorar...


Era um consolo ridículo para se dar a alguém, mas eu agradeci tanto as palavras do ruivo, eu precisava tanto delas...

– É Pansy.

Eu disse, pedindo indiretamente com isso para que ele me chamasse pelo primeiro nome. Ele me apertou um pouco ao seu peito.

– Tudo bem... Pansy...

Meu nome ficava lindo em sua voz. Eu fechei meus olhos e me aconcheguei em seu peito nu. O Weasley passou a coberta por cima do meu corpo e eu respirei fundo. Não precisaríamos de mais conversas, tudo o que ele poderia fazer por mim ele já estava fazendo. Eu apertei levemente o pingente na minha mão, enquanto meu corpo se desligava e eu caía na escuridão da inconsciência.