Desire Iv: a Presa

1 Sobrevivendo a escuridão


Notas iniciais
Eu sei que prometi que depois do drama da Rima e do Shiki eu ia parar mas aqui estamos nós... Tudo bem, tambem tinha prometido nao escrever shounen-ai...

Estava escuro. Muito escuro. O jovem repassou mentalmente porque tinha que fazer isso, porque estava ali.


Com a mão firme no cabo da espada, avançava. Não era medo. É que odiava toda aquela situação. Tropeçou em algo, e, em um gesto totalmente desaconselhável, acendeu uma lanterna e apontou. Por Deus! Uma criança! Pálida, sem um pingo de sangue em seu corpo frio.


Monstro. De todas as palavras que vinham em sua mente no momento, era a que se encaixava melhor. Um passo e um movimento.


Naquele instante, tudo o que acreditava, a crueldade de tirar uma vida, nada disso importava, e ele encarou friamente o corpo da outra criança. Do vampiro. Do monstro que dividira em dois e que agora virava pó.


Se voltou. A Associação se encarregaria de enterrar o garotinho na casa. Poderia fazer alguém fazê-lo, e apagar sua memória sobre tudo o que se passara...


Seu dom... Odiava isso. Por causa de seu dom estava naquele mundo de carnificina e horror, desde seus seis anos de idade. Sua doce infância se tornaria um completo pesadelo se não tivesse feito um único e bom amigo.


Touga Yagari. Seu oposto. Seu yang. Sentia prazer em matar vampiros, passava os dias planejando formas de matar vampiros e treinando tiro-ao-alvo. Costumava justificar toda essa violência. Usando armas de longa distancia, não tinha da sentir a carne ceder a sua pressão. Arma branca, a sua espada, que penetrava o corpo do inimigo, o destruindo. O barulho... A sensação... Horrível.


Agora, dez anos depois, deixara de tentar justificar. Passara até a evitá-lo, pois não era uma companhia saudável.


O lusco-fusco estava terminando e o sol se fora. Parou. Em frente à Rotisserie de sempre, cuja vitrine mostrava ao vivo e em cores o trabalho dos confeiteiros. Poderia passar horas ali, observando.


Adorava cozinhar... Cortar apenas legumes, sovar apenas a massa do pão, reduzir apenas o chocolate ao pó, com o único objetivo de fazer uma doce calda. Ah, como se o permitissem!


Se virou para voltar ao Q.G dos Caçadores, e, sem querer, trombou com uma cliente que saia da loja, fazendo-a derrubar seu pequeno bolo. Antes que este se espatifasse na calçada, utilizou seus treinados reflexos e o pegou no ar.


- Me desculpe, eu não vi você... –falaram ao mesmo tempo.


Quando finalmente olhou para a dona de tão doce voz, perdeu a fala. Quanto tempo se passou, não soube dizer.


- É... Posso ajudá-lo?


- Eu... Me desculpe. –ele sabia quem ela era. O que ela era- Como é seu nome?


- Juuri...


- Perdoe meu atrevimento, Srita.Juuri. Rido... É seu namorado?


- Ah, não... –ela corou, ao finalmente perceber onde ele queria chegar- Rido é meu irmão mais velho, que faz anos hoje. Me desculpe, Sr...


- Kaien... Kaien Cross. –se apressou em responder. Sabia o que ela era, e o que deveria fazer, mas sinceramente...


Sua mão esquerda segurava o cabo da espada, enquanto a direita segurava o bolo do irmão dela, cujo nome estava delicadamente escrito em glacê vermelho.


Não sentia nenhuma vontade de mover a espada na bainha.


- Pode me devolver meu bolo? Preciso realmente ir... –só então notou que ela olhava, nervosa, para os lados.


- É claro...


- Muito gentil da sua parte me ajudar. Realmente é uma pena que não possamos conversar mais... Tenho que ir.


Ela acenou, partindo apressada. Seus cabelos longos com duas finas tranças que se encontravam atrás e se misturavam as outras mechas castanhas, levemente onduladas nas pontas, balançaram.


Quando finamente se livrou do feitiço, era tarde e ela tinha ido... A dona da voz mais doce... Do corpo mais puro... Dos gestos mais perfeitos... Era também possuidora dos terríveis olhos vampíricos.


Se decepcionara consigo mesmo. Alem de estar enfeitiçado por uma criatura maligna, não sabia sequer seu sobrenome. Tudo o que sabia é que Juuri era seu primeiro nome, e que seu irmão mais velho se chamava Rido.


O rapaz sabia que era a primeira vez que ouvia tais nomes. O que não sabia é que, infelizmente, não era a ultima vez que seu destino cruzava com o de Rido Kuran.


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Juuri entrou, fechando a porta sem sequer um ruído. Virou-se dando de cara com o irmão mais novo.


- Onde você estava?


- Shh... Comprando uma coisa para o Rido. –sussurrou, mostrando o pequeno bolo- Acha que ele vai gostar?


Um estrondo se fez ouvir.


- Acho que ele não vai se importar, atacou mais três humanos só hoje. O papai está...


O bolo estava na mesa de centro e a irmã subia correndo as escadas.


Rido, um jovem de cabelos rebeldes e olhos bicolores, estava no chão. O lábio superior levantado, mostrando ameaçadoramente as presas, assim como o pai, que o fizera atravessar a parede. A mãe apenas observava.


- Seu idiota! Teremos que nos mudar de novo se isso continuar! –gritava- O Conselho planeja, não ataca como um animal, ainda mais a luz do dia!


- E por que temos de nos esconder? Até o conselho, o Conselho dos Anciões que nossos avós criaram, teme essa raça tão ridiculamente inferior...


- Cale-se! –uma rajada de raios psíquicos ia acertar Rido, mas Juuri se jogou por cima dele, fazendo o pai parar.


- Juuri, querida –seu tom era banal- o que faz aqui tão cedo?


Seu quarto, diferente do dos irmãos e dos pais, era no térreo.


- Vim... Vim falar parabéns para o meu irmão! –ajudou Rido a se levantar.


- Não se intrometa, querida. –ele sussurrou-, a abraçando- Eu sei me defender.


- Ahh, feliz aniversário, Rido...! –suspirou- Tem um presente te esperando lá em baixo.


- Você saiu? –ele se surpreendeu.


- Sim. Espero que goste.


- Juuri. –sua voz estava séria- Adoro tudo o que vem de você.


- Porque fica falando essas coisas? –ela estava vermelha.


- Você sabe... Eu te amo.


- Rido! –saiu do abraço dele- Vamos, Haruka está nos esperando.


- Juuri... Teremos que conversar mais tarde, mocinha.


- Não meta ela nisso. –Rido rosnou.


- E você... Está no seu limite... Vai querer que eu chame aqui seu padrinho?


Rido gelou. A única coisa que ele temia, a única pessoa... O homem que o despertara era um sádico, e ele era sua principal diversão.


Sua mãe despertara seus irmãos, mas como seu pai a despertara, a palavra paterna era sempre a ultima para todos na casa, menos para ele... As vezes as conseqüências eram graves...


- Não será necessário. –murmurou.


Desceram as escadas e Juuri lhe apresentou o pequeno bolo.


- Então...? –ansiosa, enquanto ele punha o primeiro pedaço na boca.


- Razoável. Mas você sabe o que eu gostaria ainda mais...


- É o meu presente. –Haruka foi até a geladeira e trouxe um litro de sangue- B negativo, como você gosta.


- Desculpe Juuri... –riu, enquanto abraçava o irmão- Mas ele te superou.


Ela sorriu, tristemente.


- Gosto tanto de cozinhar... A cozinha humana me fascina!


Rido e Haruka sorriram.


- Você se importa demais com o modo de vida humano Juuri. –Haruka riu- Eles são apenas alimento.


- Eu não concordo...


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- Quer fazer o favor de não me ignorar Kaien? Eu perguntei como foi sua missão.


- Eu ouvi o que perguntou Yagari.


- Vai continuar com essa mania ridícula de me chamar pelo meu sobrenome? –ele fechou a porta na cara do colega- Ei! Cross, abra isso já!


Ignorou, pulando na cama, após jogar a espada para o lado, assim como o sobretudo. Um estampido, e a porta veio a baixo.


Touga era três anos mais velho que ele e tinha o dobro de sua força. Sem contar que morava sozinho agora, com dezenove anos, então se dava o direito de destruir o dormitório da Central.


- Touga!


- Ah, vejo que parou de me ignorar.


- Você derrubou a porta do meu quarto!


- Detalhes... Você sabe, os fins...


- Justificam os meios. Eu não concordo.


- E por isso está me ignorando? –perguntou, se sentando ao lado dele.


- Também.


- É, não se pode discordar da princesinha que ela fica de mal. –riu, sarcástico.


- Se também não quer falar comigo, por que está aqui?


- Quem disse que não quero falar com você? Quero saber o que tem feito, com quem tem andado, você sabe, desde que eu sai.


- Hoje eu matei uma criança. Um pequeno nível E. Depois foi naquela Rotisserie e...


- E...?


- Ora, minha vida não te interessa!


- Muito pelo contrário.


- Escute aqui Yagari, você não tem mais o que fazer não? Nenhum alvo para atirar, vampiro para destruir? –encarou com raiva o par de olhos azuis.


- Vai começar de novo? Então eu vou entrar no seu joguinho, Cross. Estou realmente sem nenhum vampiro para matar no momento. Matei quinze hoje, estou meio entediado. Queria saber sobre o seu dia, mas você está me evitando.


- Porque você gosta de matar! Hoje conheci uma vampira, e ela não merecia morrer! Você pode não acreditar, mas conversei com ela normalmente! Não há motivo para se destruir a todos... –pôs a mão na boca. Percebeu o que tinha dito.


- Você disse que fez o que?! –Yagari se levantou.


- Espere, escute, ela é diferente...


- Não há diferença, Kaien! Ela é um monstro!


- Touga, ela estava comprando um bolo! O aniversário do irmão... Não tive coragem de matá-la.


- Kaien, -ele fechou as mãos no rosto do colega, olhando fundo em seus olhos cor de mel- ela te persuadiu. É isso que os vampiros fazem. Enganam, mentem e matam. Que é ela? Está em nossa nossas listas? Cuido dela por você.


- Não!


- Kaien... Você... Se apaixonou? –o adolescente corou.


- Não é isso, Touga, mas ela não merece morrer. Não atacou ninguém. Duvido que esteja em nossas listas.


- O sobrenome?


- Não sei.


- Não sabe nada sobre ela, certo? –Kaien confirmou com a cabeça- E ela não sabe nada sobre você, certamente.


- Sabe meu nome. –Touga fechou os olhos e contou mentalmente até dez.


- O primeiro nome.


- Meu nome completo.


- Seu idiota!


Empurrou o amigo na cama, se levantando.


- Touga!


- Ela vai te caçar assim que descobrir o que você é! Vamos, venha comigo.


- Como?


- Vai ficar na minha casa, estará mais protegido comigo.


- Ora, Touga...


- Vamos! Eu vou falar com o diretor.


Saiu arrastando o companheiro pelo braço.


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Já era meio-dia e Juuri estava empoleirada na cama de Rido. Viraram a manhã conversando sobre todo tipo de banalidades e as aventuras de Juuri no mundo humano. Ela se arriscava muito, na opinião do Rido.


- Ah, e só você pode se arriscar? –ela riu, e Haruka resmungou, se virando na cama.


- Shh... Eu posso me arriscar, Juuri. Eu sou mais velho, sou homem e sou irresponsável. Você é uma jovem vampira frágil, é arriscado sair.


- Ah, é, Sr.Homem? Pois não fui eu que matei mais de trinta humanos só nas ultimas duas semanas e causei milhões de problemas para nossa família!


- Você está brava?


- É claro! Sua argumentação é ridícula!


- Shh...


- Ah, Rido, porque você não toma jeito?


- Juuri... Vamos falar de algo mais banal, agora? Não quero discutir com você.


- Eu vou dormir.


- Espere. Eu vou com você.


Eles se levantaram e saíram, em silencio.


O quarto dos pais era o mais próximo a escada, e a área mais perigosa no caminho para chegar a seu quarto. Os pais estavam acordados, e conversavam. Juuri e Rido imediatamente se postaram com os ouvidos atentos.


- Ela é tão jovem...


- Você tinha menos idade que ela quando nos casamos!


- E você sabe que ela não vai concordar...


- Ela não tem o que concordar!


- Do que eles...?


- Shh! –Rido sabia do que se tratava... E temia o que viria a seguir.


- E quem você decidiu?


- Ela se casará com Haruka.


- Mas Rido... Ele a ama...


- Ah, e você acha que isso importa? Você acha que eu a deixaria nas mãos daquele insano?!


- Está bem, querido. A decisão é sua. –como sempre, sua mãe abaixou a cabeça.


Juuri levantou a cabeça lentamente. Não podia ver o rosto de Rido.


O amava, assim como amava Haruka. Não queria ser obrigada a casar com nenhum deles, e quanto mais sem a possibilidade de escolher... Se bem que não queria escolher. Não queria magoá-los. Os amava de forma diferente, mas não da forma que eles a amavam.


Haruka, de sua forma silenciosa e cheia de cuidados, a amava muito, e ela sabia.


Rido não tinha segredos com ela. Todos os seus planos, sonhos e paixões, todos ela conhecia. Assim como seu amor escancarado.


Teve medo. Do quanto isso poderia feri-lo. O quanto poderia desencadear o furor incontrolável e irracional de seu irmão mais velho.


- Rido...


- Vá se deitar, Juuri. –a voz dele estava dura- Durma logo.


A empurrou em direção as escadas e voltou lentamente para seu quarto.


Temerosa, desceu as escadas e se deitou. Não conseguiu dormir, ficou esperando acontecer alguma coisa. Mas a casa estava em paz. Então se levantou novamente, trocou de roupa, e saiu. Estava inquieta.


O que restava da luz do dia batia em sua face, a machucando levemente. Aonde ir? Não queria chorar, não queria voltar para casa, não queria mais aquela semi-vida que á a existência vampírica.


- Juuri?


Uma voz humana... Conhecida... Sim, o garoto, Kaien Cross.


- Kaien, que bom te ver aqui.


- Lembra de mim...


- Sim, é claro! E você lembra de mim.


- Claro. –ele sorriu, fechando os olhos- Tudo bem com você?


- Mais ou menos.


- Quer comer alguma coisa?


Ela o olhou bem, pensando em como ele não imaginava o quanto era perigoso lhe oferecer comida. Sorriu levemente.


- Pode ser.


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Se desvencilhou de Touga e o virou, o segurando pelos ombros.


- Escuta aqui Yagari, a responsabilidade é minha. Você sendo meu amigo ou não, não tem o direito de me dizer o que fazer.


- Escute Kaien, eu reconheço esses olhos vidrados quando os vejo. Seus olhos estão brilhando de paixão cega!


- Ah, cala a boca! –o soltou.


- Onde você vai?


- Espairecer. Depois nós conversamos melhor.


- Tome cuidado, Kaien.


O tom da voz de Touga fez Kaien estremecer. Em anos de amizade, ele nunca tinha lhe dito qualquer coisa desta forma. E um tom novo em uma voz amiga de longa data, um tom preocupado e magoado, era assustador.


Touga era sempre tão durão... Aquilo não era nada comum...


Assim que chegou ao centro, os longos cabelos castanhos já seus conhecido passaram, flutuando, na sua frente.


- Juuri?


- Kaien, que bom te ver aqui.


- Lembra de mim...


- Sim, é claro! E você lembra de mim.


- Claro. –ele sorriu, fechando os olhos- Tudo bem com você?


- Mais ou menos.


- Quer comer alguma coisa? –tudo o que queria era poder conversar mais, saber mais sobre ela, e, de preferência, em um lugar mais reservado do que a calçada.


- Pode ser.


- Onde deseja ir?


- Hum... Que tal na Rotisserie em que nos encontramos ontem?


- Pode ser.


- Está inquieto? –também? Ele se acrescentou, internamente.


- Um pouco. –ele resmungou, puxando uma cadeira para ela- Tenho que te contar uma coisa, Juuri.


- O que? –ela sorriu internamente. Sempre acabava causando essa reação em suas vitimas e ocasionais convivas...


- Eu sei quem você é, Juuri. Não sei a que família e a que nível você pertence, mas você não é humana.


As pupilas dela retraíram e ela deixou o copo que observava cair.


- Não... Não sei do que está falando...


- Não? –Kaien sorriu, fechando a mão num caco de vidro, antes que qualquer garçom visse o que estava acontecendo. Seu sangue escorreu lentamente por sua mão, até manchar sua blusa branca.


Os olhos dela se avermelharam instantaneamente ao ter as narinas invadidas pelo cheiro do sangue de Kaien, ele tinha o leve odor de lírios.


- Vamos... Conversar em outro lugar... –murmurou, vendo o garçom se aproximar.


- Primeiro me diga, qual é seu sobrenome, querida?


- Ku... –ela engoliu o seco, se levantando- Kuran...


- Uma sangue-puro!


- S... Sim... Vamos embora, por favor!


- Ei, calma. –ele pôs um esparadrapo no corte e saiu com ela, deixando um dinheiro para pagar o dano- Vamos, não chore.


- O que você vai fazer? Me denunciar? –porque as vezes dá tudo errado?!


- Não, quero conversar de igual para igual. Não posso te denunciar Juuri. Me apaixonei por você.


- Isso sempre acontece.


- Juuri, eu sou um caçador.


Ela soltou um pequeno grito, olhando ainda mais assustada para ele.


- Eu não vou te matar. Podemos ser amigos.


- Você é diferente dos outros...


- Eu acredito que vampiros e humanos possam conviver em paz. –estavam em uma praça vazia e escura, e o pouco que ele podia enxergar eram os olhos dela- Muito inocente da minha parte?


- Sabe quem eu sou? O que lhe aconteceria se eu te mordesse? Então porque me provoca?


- Porque confio em você.


- Mesmo se eu... –sussurrou, se aproximando perigosamente, até recostar os lábios e fechá-los em seu pescoço.


Cross não se moveu, não tomou nenhuma atitude. Apenas moveu os braços, apertando-os com força, esperando as presas dela penetrarem sua pele. Mas ela se afastou.


- Muito inocente da sua parte, confiar assim em uma desconhecida.


- Ainda está chorando?


- Estou com problemas...


- Conte-me.


- Não pode me ajudar.


- Mas conversar ajuda muito.


- Tenho mais de um irmão, e meus pais decidiram com quem eu vou me casar sem sequer me consultar.


- Não gosta do irmão que eles escolheram?


- Eu não o amo, digo, mais que amor de irmão, entende? Além do que, fico preocupada com meu outro irmão.


- É com Rido que vai se casar?


- Não. Vou me casar com meu irmão mais novo, Haruka.


- Hum...


- E, sinceramente, não quero me casar!


- Por que não foge?


- Com quem? Para onde? Minha condição não permite convívio, apesar de eu acreditar que os humanos não são apenas alimento...


- Acha mesmo isso?


- Sim. Eu tive alguns amigos humanos, como você. Mas meu segredo é difícil de se sustentar. Se eu fosse humana, seria professora... Pensei em criar uma escola em que vampiros e humanos pudessem se conhecer melhor, mas com minha família, e um possível casamento, estou vendo meus sonhos voarem pela janela.


- Eu concordo com você. Odeio ser um caçador. A idéia de matar me enoja. Não morro de amores por o que vocês são e o que fazem conosco, mas deveríamos conversar, e não matar uns aos outros.


- Você tem toda a razão. Ah, Kaien, porque tudo tem que ser tão complicado?


- Sinceramente, também não sei, Juuri. Também tenho vontade de jogar tudo para o alto e sumir...


- Poderíamos até fugir juntos, não? –riu a vampira, entre as lágrimas que ainda corriam.


- Claro, claro. –riu o adolescente, de volta.

Notas finais
Feliz aniversário Sono-Chan! Gente, proximo capitulo terá mais açao, mais shounen-ai e mais romance hetero, tá? Isso foi só a entrada. Quem está com agua na boca? Rs