- Você tem que tomar mais cuidado,não queremos ser reconhecidos antes de achar o Ichijou, não é?


- É...


Ele respondeu, sem nenhuma convicção, e ela bufou.


- Vamos, coma. Estamos chegando na casa da sua mãe. –ela enfiou o chocolate na boca dele, que apenas engoliu.


Ela bateu a porta da enorme e escura mansão. Parecia vazia...


- Entrem...


- Olá mãe.


- Senri! Ah... Você trouxe a garota.


Ela parecia desanimada.


- Falou de mim para a sua mãe, Shiki?


- Vi você nas capas das revistas.


- Ah...


Shiki deu ombros e se sentou.


- Mãe, você tinha me prometido que ia se cuidar melhor! Olhe o estado disso aqui.


-Seu quarto está em perfeitas condições querido. Ai, estou faminta.


Shiki se adiantou e tirou uma cartilha de pastilhas, pondo uma em um copo d’água e estendendo para a bela vampira na sua frente.


- Estamos só de passagem. Ouviu algo sobre o Ichijou por aqui?


- Ichijou? Não me diga que está metido com Takuma Ichijou!


- O neto dele, mãe.


- Neto? Não, não soube...


- Realmente ela está desinformada... – Rima suspirou.


- Vamos ficar aqui essa noite, mãe.


- Fiquem o quanto quiserem.


- É... Onde eu posso ficar?


- No quarto do meu filho, é claro.


Rima ergueu uma sobrancelha e Shiki meneou a cabeça.


- Vem, eu te mostro onde você pode ficar.


- Obrigada...


Shiki subiu as escadas e Rima o seguiu, desanimada.


Abriram porta por porta em um longo corredor, porem todos os quartos estavam cheios de tralhas e antiguidades sem serventia.


O rapaz revirou os olhos.


- Me desculpe por isso, mas minha mãe não toma jeito mesmo.


- E agora?


- Vai ter que ficar no meu quarto. –disse, passando a mão pelos fios ruivos de seu cabelo.


-Tá...


Rima estava cansada demais para discutir.


Era mais fácil cuidar de Shiki dentro da escola, e mesmo que não quisesse deixar o companheiro, buscar Ichijou não havia sido idéia sua.


Era ridículo, mas invejava o vampiro. Shiki, que se quer se movimentava normalmente, estava empenhando todos os seus esforços nessa viagem, movido pelo sangue do loiro. Ou seria por algo mais?


Realmente aquilo a atormentava, mas se dedicava ao máximo para estar sempre ao lado dele, o deixando sempre satisfeito.


Não gostava daquela casa, nem da mãe do modelo, nem do fato de ter que ficar tão próxima do cheiro dele e ainda assim...


Ele abriu a porta do quarto e aquele cheiro almiscarado de tudo que era dele invadiu suas narinas aguçadas de predadora.


Abriu os olhos.


A mobília era tão antiga quanto a casa, uma madeira enegrecida pelo tempo, um armário alto, um espelho emoldurado, uma poltrona marrom e uma grande cama de casal com dossel.


Decididamente não era a cara do amigo.


-Dá pra ver que eu não escolhi a mobília...


- É. –ela sorriu- Como vamos resolver isso?


Perguntou, enquanto ele jogava as próprias malas em um canto, depositando com cuidado a espada de Ichijou sobre o armário.


- Resolver o que? Ah, pode colocar as malas ali. –ele indicou um canto próximo a poltrona.


- Onde eu vou dormir... –reclamou, retirando os elásticosdo cabelo e balançando a cabeça para solta-los melhor.


- Ah, isso... Escolhe, poltrona ou cama?


Ele disse, retirando a franja dela dos olhos com uma mão e apontando com a outra.


Rima pensou rápido. Era melhor deixar ele com o conforto...


- Poltrona.


- Você quem sabe. –ele deu ombros, se jogando na cama- Estou cansado.


- Não quer comer?


- Não. Essa casa embrulha meu estomago. E depois do que aconteceu com o Rido...


- Você... O que se lembra de quando o Rido dominou seu corpo? –ela indagou, se sentando.


- Bem, me lembro de quando Ichijou salvou minha vida. E não foi uma única vez. Meu pai não estava realmente interessado em me preservar.


- Ah...


Ela se virou na poltrona, decepcionada, e adormeceu.


Shiki se levantou e encarou a face adormecida da vampira.


- Me lembro também de quando tentou me ajudar. Obrigado Rima.


Sussurrou, a cobrindo.


Na noite seguinte, Shiki dormiu até tarde, e Rima o deixou, para procurar mais informações sobre Ichijou.


- Srita Tooya, aonde vai?


- Ah, olá Sra...


- Mitsune.


- Estou saindo para pedir mais informações sobre Ichijou, Sra.Mitsune.


- Hum... E meu filho?


- Está dormindo.


- Interessante...


A vampira se aproximou perigosamente de Rima, que deu alguns passos para trás.


- Pode trazer alguma coisa para mim? –Rima sabia do que ela estava falando.


- Eu não caço.


- Não caça? Que tipo de vampira é você menina?


- Eu...


- Devia levar uma lição por desrespeitar dessa forma as tradições, mas não sou como Rido. Fico satisfeita por muito menos.


Ela recostou as presas afiadas na jugularda outra, e a loira gelou.


- Mãe, largue a Rima. –Shiki descia as escadas, arrumando o bagunçado cabelo com as mãos- Ela não é café da manhã.


- Filhinho, que bom que acordou! Sabia que sua companheira não caça?


- Eu também não caço, mãe. –ele bocejou, entediado- Boa noite Rima.


- Shiki, temos que encontrar logo uma nova pista do Ichijou! Quanto mais demoramos, mais perdemos seu rastro!


- Tem razão. Vai fazer isso ou quer que eu vá?


- Eu faço.


Ela se apressou em sair pela porta, e Shiki se voltou para a mãe.


- Tem tanta necessidade assim? –ela fez que sim com a cabeça, e ele lhe estendeu o pulso- Por favor, não ataque a Rima, ela é visita.


Ela não respondeu, tão entretida que estava em sugar o sangue do filho.


S2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s22s2s2s22s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s22s2s2s2s2s2s22s2s2


- Por favor, — ela se dirigiu a um que pode ver que era de sua raça- pode me dizer se Takuma Ichijou passou por aqui?


- Takuma Ichijou? O neto?


- Sim. O viu?


- Você é do Conselho dos Anciãos?


- Não, sou amiga...


- Não o vi, mas ele está sendo procurado por muita gente.


- Por que?


- Alguém resolveu fundar um novo Conselho, e ele está entre um dos primeiros procurados. Quase empatado com o casal Kuran.


- Ai... –ela fechou um olho, pondo a mão no rosto- Vai ser difícil. Obrigada pela informação.


- Por nada.


Ela deu meia volta. Não tinha pressa em voltar para a mansão, mas tinha que contar para Shiki...


Ichijou estava realmente encrencado...


Não notou que o vampiro que a informara correra dali mais rápido do que o vento.


- Diga a ela que acabei de encontrar uma pista.


S2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2


- Shiki, SHIKI!


- Rima?


- Temos que ir, Ichijou está encrencado!


- Como assim?


- Alguém reconstruiu o Conselho dos Anciãos, estão o caçando.


- Ichijou... Partiremos amanhã, ao anoitecer.


- Aonde você vai filho?


- Atrás de alguém importante para mim, mãe.


- Não pode esperar mais?


- Não mãe.


S2s2s2s2s22s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s


- É ela, ela que estava perguntando.


- Tem certeza Mike?


- Absoluta.


- Desgraçada. Alem de tentar tirar meu filho de mim ainda está acobertando um assassino...


- O que o Conselho vai fazer?


- Não, deixe eu resolver isso.


- Como quiser, Senhora.


Rima abriu os olhos, assustada.


Então a mãe de Shiki estava por trás do renascimento do conselho?!


Se levantou, lentamente.


Só podia ser um engano. Ela sempre odiara Rido e todas as suas criações, com a exceção de seu filho.


Por que recriaria algo tão antigo e terrível? Para caçar Ichijou e os Kuran...


Se não fosse por Shiki, isso não seria mais problema seu. Estaria em uma região bem escura, vivendo uma vida normal, trabalhando... Mas era insistente demais para desistir do ruivo.


Tinha que tirar esse mal-entendido a limpo.


- Sra.Mitsune?


- Rima! O que faz acordada a essa hora?


- Eu... Eu ouvi dizer que o Conselho renasceu, e isso não me deixa dormir.


- O que sabe sobre isso?


- Nada... Bem, eu queria saber se a senhora apoiava o conselho, porque...


- Por que andou ouvindo minhas conversas, não? Entendo, entendo...


Ela continuava impassível, e Rima começava a entender por que Rido se deixara envolver por ela... Era maligna.


- Não, eu...


- Não minta para mim, Srita.Tooya... Eu ouvi sua respiração mudar de tom... Ainda sou uma predadora, e estou realmente sedenta... Sem contar que não posso te deixar viver agora que sabe que estou por trás da reestruturação da sociedade vampiresca. A verdadeira sociedade, aquela que é superior aos humanos e não a que se esconde deles.


Os olhos da mulher estavam vermelhos.


As pupilas de Rima contraíram, mas Mitsune foi rápida, enfiando as garras no peito da garota, que gritou de dor.


Aprofundou-as ainda mais, lentamente, apreciando cada ruído desesperado da presa, a carne se desligando dos ossos devagar...


- Solte ela!


- Você...


Mitsune se voltou para o vulto contra a luz, sem enxergar. Era tarde, ela reconhecera sua voz e imediatamente soltara Rima, se dirigindo ao corajoso, porem desarmado, Ichijou.


- Ichijou... –Rima caiu, em um baque surdo. Estava perdendo muito sangue.


- Você sabe que acabou de cometer o maior erro de sua vida, não é mesmo?


- Estou pronto para isso. –Ichijou a encarou, com frieza.


- Takuma?


- Senri!


O grito dos dois despertou Shiki para a cena. A mãe, com as longas unhas a centímetros do pescoço do outro vampiro, Rima estendida no chão, chão manchado de seu sangue.


- Mãe, o que está fazendo?


- Vai ser melhor assim, filho, você vai ver.


Ela se voltou novamente para Ichijou, mas Shiki foi mais rápido, atingindo sua mão.


- Não se mexa.


- Como... Como tem coragem de levantar a mão para sua mãe?


- Está ameaçando meus amigos.


- Filhinho...


-Desculpe por isso.


Ele a derrubou com um golpe.


- Senri, a Rima!


- Eu sei. –ele se voltou para a vampira caída, com os olhos semicerrados.


Se ajoelhou ao lado dela.


Nenhum dos dois apresentou qualquer reação ao cheiro que enchia a sala, e a ferida dela estava fechando novamente.


- Se ela continuar perdendo sangue...


- Rima, acorde.


- Ah, Shiki...


- Rima, você precisa, precisa me morder agora.


Ele lhe estendeu o pulso e Ichijou o olhou, surpreso.

Notas finais
E vem mais aí!