Desire Iii:problemas e Inutilidades
2 Acho que sim, espero que não
Notas iniciais
Rima não se fez de rogada e o mordeu com todas as forças que lhe restavam.
Mas não ficou por muito tempo assim. Tomou o sangue até recuperar as forças, e se sentou, puxando o ruivo, que caiu em seu colo.
- Eu preciso de mais do que isso.
- Vá em frente.
Ele cerrou os olhos, sentindo o toque dos delicados lábios femininos em seu pescoço, se fechando em uma mordida profunda. O sangue corria rápido e ela pode sentir sua ferida se fechar totalmente, mas não parou. Agora tinha o gosto dele em sua boca...
- Já chega Rima. –Ichijou se pronunciou- Shiki precisa estar forte se quisermos sair daqui.
- Claro. –ela o encarou, com os olhos vermelhos- Como quiser.
Shiki se levantou, com a mão sobre a mordida, e subiu novamente as escadas, descendo em seguida e atirando para os companheiros respectivamente a sombrinha e a espada.
- Temos que ir antes de sua mãe acordar Senri.
- Como quiser. Acha que pode nos acompanhar Rima?
- Sim. Já estou melhor, obrigada.
- Então vamos. –Shiki se encaminhou até Mitsune, que permanecia desmaiada, e beijou sua face- Adeus mamãe.
OS três atravessaram a porta, sem olhar para trás.
- Para onde pretende ir Takuma?
- Tenho um abrigo mais ao oeste, em uma noite conseguimos chegar lá, e vejam, já está anoitecendo.
- Sim... É seguro?
- Completamente.
- Ichijou, como nos encontrou? Porque está sendo perseguido?
- Bem...
- Pode explicar uma coisa de cada vez.
- Eu te vi na rua ontem a noite Rima, e vi quando caiu na armadilha do cão do Conselho. Mike está me rastreando a meses.
- Hum...
- Sabia que estavam em perigo, por isso fiquei a espreita.
- Qual o seu problema com o Conselho?
- Matei Ichijou. Meu avô.
- Em nome do Kuran, imagino.
- Sim Senri.
- Ele vale todo esse risco?
- Pelo menos agora estamos livres, cumprimos nossa obrigação.
- E estamos sendo caçados...
- Não fazia idéia de que sua mãe...
- Eu também não sabia. Nunca imaginaria que minha mãe era tão purista... Como Rido.
- Não se preocupe Senri.
- Minha família...
- Vamos consertar isso Ichijou, tem de haver um jeito, ou pretende só se esconder?
- Na verdade...
- E nosso trabalho?
- Vão ficar “sumidos” por uns tempos, mas depois...
- Depois o Conselho estará mais forte!
- Rima!
Os rapazes estavam assustados com a reação da vampira. Ela estava realmente irritada, a ponto de discutir com eles...
Shiki nunca a vira assim, já Ichijou...
- E o que propõe? Que busquemos os Kuran e peçamos reforços?
- Não Ichijou, proponho que os enfrentemos, afinal, -se voltou para o modelo- é a sua mãe Shiki, tem que saber como resolver. E por abaixo o novo Conselho, para termos paz!
- Isso não vai dar muito trabalho? –suspirou Shiki.
- Ela tem razão. Damos conta. Os outros ainda estão receosos de ir contra os Kuran, então ninguém declarou apoio ao Conselho ainda, alem de Mike, mas ele não tem nada a perder. Chegamos.
- Onde estamos?
- Minha casa.
Era um apartamento em um prédio cheio de humanos. Um apartamento de luxo.
- Aqui? Não é aberto demais?
- Por isso mesmo Mike não desconfia. É muito aberto e perto dos humanos para um vampiro.
- Mas não para um vampiro como você, Takuma.
- Não, não para um vampiro como eu. Vocês vão ficar bem aqui?
- Eu me acostumo rápido.
- Se você mora aqui, eu estarei bem.
- Ótimo. Vamos precisar de roupas para vocês...
- Eu posso usar as suas. Tem o seu cheiro, é melhor assim...
- Rima?
- Ah... Amanhã a noite...
- Não, vou sair agora que é mais seguro.
- Bem, me compre algumas saias e blusas de manga comprida. Está aqui o dinheiro.
- Eu pago, não se preocupe! É minha convidada. –ele fechou os olhos e sorriu- Mas é melhor trocar de roupa já, se não rastrearão seu cheiro.
Ela notou que estava coberta de sangue e seus belos cabelos loiros estavam tão vermelhos quanto os do outro vampiro.
- Acho que tenho que tomar um banho.
- É. –ele riu- Tem certeza que não quer nada Senri?
- Chocolate. –ele murmurou entediado, enquanto se sentava no sofá do espadachim sem a menor cerimônia.
- Ah, traga também dois elásticos para meu cabelo.
- Ok! Volto daqui a algumas horas. Podem usar meu chuveiro e minhas roupas, de precisarem. A casa é sua!
- Como quiser.
Ele sorriu e saiu.
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Rima fechou as cortinas e se sentou ao lado de Shiki. Estava muito claro para vampiros como eles. Este era a poder de Nobre de Ichijou. Podia sair ao sol.
- Está se sentindo bem agora?
- Sim.
- Hum...
- Bem, vou tomar um banho agora. Estou manchando o sofá do Ichijou.
- Hum...
Se levantou e foi até o quarto do loiro. Tudo lá tinha o cheiro doce do vampiro. Achava enjoativo, mas gostava do rapaz, era muito solicito. Escolheu a maior blusa dele, uma toalha e entrou no banho.
Deixou a água quente lavar o seu sangue, tranqüila.
Sua pele, apesar de tudo, estava perfeita como sempre. As vantagens do vampirismo...
Se secou e vestiu a blusa, sentindo o cheiro do outro se impregnar em sua pele.
- Shiki?
Ele estava sentado na mesma posição de quando ela o deixara, porém agora dormia.
Deitou-se, recostando a cabeça na coxa dele.
Logo ela ressonava, e assim permaneceram por muito tempo.
- Rima?
- Sim Shiki? –ela piscou, acordando.
Ele inclinou a cabeça e depositouum ligeiro beijo nos lábios dela.
Ela se levantou e o encarou.
- Por que fez isso?
- Não sei. Você é muito bonita, Rima, e é importante para mim porque é uma grande amiga.
- É o cheiro dele não é?
- Como?
- O cheiro de Takuma Ichijou te guia. Você me beijou porque tudo aqui tem o cheiro dele, eu estou com as roupas dele...
- Não sei do que você está falando Rima. Você sabe tão bem quanto eu que o cheiro do Ichijou é especial para mim, mas nós não temos nada, só uma amizade eterna. Como a minha com você. – ele passou a mão pelo rosto dela, em uma demonstração incomum de carinho.
- É esse o problema! Senri Shiki, em todos esses anos você não foi capaz de perceber que eu sou apaixonada por você?!
- Rima... Eu não sabia.
- Você nunca olhou para mim, se tivesse tentado...
- Rima, você é minha amiga, eu não olhei, porque não estava interessado.
- Ótimo, agora me sinto muito melhor!
- Não é minha intenção te ferir Rima, mas estamos pondo as cartas na mesa. –ele suspirou.
- Oi gente, eu consegui trazer as malas de vocês...
Mas Rima passou pela porta, se chocando contra o vampiro.
- Rima... –ele a segurou pelos ombros, virando o rosto dela para cima- Você está chorando?
- Me deixe!
Ela saiu, batendo a porta.
- O que fez a ela Senri?
- Ichijou, nós precisamos conversar.
- Sobre o que?
- Sobre nós.
- Nós?
- Acabo de ter uma conversa desagradável com a Rima e existem algumas coisas que não estão bem definidas entre nós três, e eu quero declarar que te desejo Ichijou, seu sangue me atrai, mas nós somos amigos. Eu, você e ela, está bem?
- Eu... Eu nunca disse o contrario Senri. Somos bons amigos.
- Isso me deixa satisfeito.
Ele se aproximou e mordeu o pescoço do loiro com vontade.
- Eu te amo Ichijou... –sussurrou ao descolar seus lábios do pescoço do outro, afundando o rosto nos macios fios loiros- Mas Rima não pode ficar assim exposta.
- Mike ainda está em nosso encalço.
- Ela está em perigo.
- O que vai fazer?
- Buscá-la. Rima é importante para mim Takuma.
- Não ponha sua vida em risco Senri. Por favor.
- Vem comigo? –estendeu a mão para ele.
- Pode ser. Vou buscar minha espada, já vai anoitecer... É a oportunidade do Mike.
- Droga.
Era a primeira vez que via Shiki realmente exaltado.
Ainda com o ruivo no pensamento, cruzou a porta com a espada nas mãos.
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- Que droga Rima, quer parar de chorar? Vai me dizer que não esperava por isso? –murmurou pra si mesma.
- Pelo que garota? Deve ser algo feio para você sair por aí vestida assim.
- Ass... Ah, essa não!
Rima reparara que estava com uma blusa larga que lhe chegava aos joelhos. E que fora completamente cercada pelo capanga de Mitsune.
- Ora... Sabe, achei você muito linda, assim que te vi... Seu cheiro é bom...
Ele mostrou as presas e avançou nela, mas levou um choque terrível.
- Fique longe!
- Ora... –ele estava mais irritado e ameaçador, apesar do tom ameno- Não fique assustada...
Ela se virou e começou a correr, sendo seguida de perto por Mike.
Foi uma perseguição de muitas ruas, e todos os passantes se viravam para olhar tal correria em alta velocidade. Pela primeira vez Mike não estava olhando para os humanos. Estava obcecado pela a idéia de drenar todo o sangue daquela mulher que corria dele.
Rima não estava desesperada. Só tinha que o despistar...
Trombou em alguém que a empurrou para longe. Na velocidade que estava, não pode recuperar o equilíbrio, mergulhando de cabeça em uma fonte da praça onde se encontrava.
Se levantou, dolorida. Agora era hora de se desesperar.
- Você está legal? –ele ironizou.
- Ai, me ajude...
Ele estendeu a mão e ela pegou.
- Vê se fica longe de mim!
Ela disparou a maior descarga elétrica que pode com ajuda da condução da água.
- Ah, você me pegou querida. Mas acho que esgotou seus poderes. Opa, acho que agora eu peguei você.
Ele a mordeu, mesmo com a luta vã de Rima.
- Solte ela Mike, seu assunto é comigo.
Mike se virou e no instante que baixou a guarda o chicote de Shiki se enrolou ao pescoço dele fortemente.
- Não suje suas mãos com isso Senri. Eu resolvo.
- Ele mordeu a Rima...
- Esquece! Shiki, esquece! –Rima segurou seu braço.
Shiki o soltou e Ichijou atravessou Mike com a espada.
- Ora, não vai me matar assim.
-Não?
Com um impulso ele aprofundou ainda mais a espada, sentindo-a tocar o coração do outro vampiro.
- Então é o fim do jogo?
- Sim. E o Conselho perdeu. –a voz serena de uma quinta pessoa ecoou.
- Kaname!
Ichijou se distraiu por um segundo para em seguida vencer a resistência de Mike, atravessando seu coração.
Agarrada ao braço de Shiki Rima assistiu Ichijou dizer, a sangue frio, que fazia aquilo por conta própria e que não servia mais a Kaname.
O Kuran reagiu bem, e assegurou terminar de vez com o Conselho, exilando Mitsune.
Se foi, então Ichijou se virou pra ela e disse, sorrindo.
- Acho que você precisa de roupas secas.
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Eu sei que já não importa, tudo que eu venha lhe dizer
Se for por você amor, fique certa
Fiz, farei, faço o que eu puder fazer
Rima terminou de vestir as próprias roupas, amarrou os cabelos nas famosas chiquinhas e pegou a mala e a sombrinha.
- Bem rapazes, estou indo. Acho que está em boas mãos agora Shiki.
- Rima, você não precisa ir embora.
- Preciso sim, este não é o meu lugar.
- Podemos achar um lugar em que todos fiquemos bem e...
Mas ela o beijou. Um beijo de verdade dessa vez.
220 desencapado
Sei que sou um desastre em potencial
De mão na cintura você me pergunta
Se vai ficar mais alto meu baixo astral
- Sabe que te amo Shiki, não queria ir embora antes de fazer isso.
Ele retomou o beijo, que dessa vez durou bem mais.
- Eu também te amo Rima. Pena que não da forma que você deseja.
Ichijou apenas assistia, recostado na parede.
- É, é uma pena mesmo. Adeus.
- Não pode ficar comigo?
- Tenho que seguir minha própria vida Shiki. Já segui a sua por tempo demais.
- Então, talvez se já a minha vez de seguir o seu estilo de vida?
Sei que são motivos pra ainda estar vivo
Sonhar, seguir em busca da emoção
Sem que eu sinta tanto desequilíbrio
E prossiga na paz, os dois pés no chão
- C... Como?!
- Takuma, eu estou partindo. Vou seguir a Rima por algum tempo.
- Se formos juntos, -o loiro propôs- pode ser para sempre? Sem ter que te perder de vista novamente?
- É claro.
Shiki beijou a mão do compreensivo Ichijou e os três, de mãos dadas, foram atrás do destino de Rima.
No entanto eu tento e já não importa a busca de outra forma de proceder
Se for por você amor, fique certa, fiz, farei, faço o que eu puder fazer
Se você está descoberta de corpo, te peço que ouça o que eu digo
Dessa vez não me fazer de morto, vou te dar o porto de um ombro amigo
Notas finais
Bjs!
(essa foi a ultima da serie, prometo!)
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