Desirable Roommate

5 O que nós temos aqui?


Notas iniciais
Esse vai para PosteJr [00:00 - Faça um pedido - AND aqui está o capítulo, fofo! *---------*] e Waldorf SaN por motivos de que SIM.
Promessa é dívida, e tenham uma boa leitura! XD

Castiel se lembrava da sensação. Lembrava-se dos lábios macios pressionados aos seus, do sorriso reluzente que recebeu como resposta quando finalmente abriu os olhos e encarou o loiro. Era... Bom. Por que diabos tudo mudara tão de repente, isso era algo que ainda não sabia, e não tinha a certeza de que realmente o queria. Seu único desejo, naquele momento, era exterminar todas as dúvidas cada vez mais crescentes em seu peito.

Por sorte, Anna ainda tinha contato com Sam, e conseguira convencer o garoto a ir até Montana para saber o que Novak queria. Na verdade, não era como se o mais novo não gostasse do moreno; eles apenas não tinham muito contato desde que Castiel começara a estudar por lá.

Naquele momento, dentro do ônibus, a caminho da cidade, o mais velho começava a se perguntar se aquilo realmente fora uma boa ideia. O que diria para que Sam aceitasse, para que o ajudasse a compreender o que se passava pela cabeça de Dean? Tinha plena consciência de que, apesar de tudo, o rapazinho era esperto o bastante para saber que não se tratava de apenas um encontro ocasional; e que iria exigir um motivo plausível para dar uma resposta decente às perguntas.

Mas, afinal, o que Novak podia fazer? Por longos instantes, apenas desejou ardentemente jamais ter cortado seus laços de amizade com o primogênito da família Winchester. Sabia que era algo um tanto quanto impossível, e ainda assim, preferia deixar de lado os pensamentos dolorosos.

Havia sido sua a culpa.

Dean se tornou o que é hoje, por um erro meu.

E não existia nada que pudesse mudar aquilo.

|| ♠ ♠ ♠ ♠ ♠ ||

Sam reconheceu Castiel muito antes de o mais velho sequer notar sua presença. Winchester não se sentia exatamente à vontade naquela cafeteria, sob os olhares curiosos dos moradores, mas não se permitiu expressar em palavras seu desagrado. Apenas dirigiu um meio sorriso a Novak, cumprimentando-o com um aperto de mão.

— Hey, Cas. Há quanto tempo.

Talvez um tanto envergonhado pela situação, o mais alto ergueu os ombros num gesto simples, as maçãs do rosto ganhando uma tonalidade ruborizada. Sam sabia o motivo pelo qual ele o chamara ali, e, mesmo não gostando da possibilidade de ser um fofoqueiro, algo em seu âmago lhe dizia que as coisas poderiam melhorar muito se ajudasse o mais velho com o que queria.

Ao contrário do que John imaginava, o caçula estava a par de todas as brigas que tivera com Dean por causa de suas notas, por causa de seu comportamento dentro e fora do colégio interno. E, ao contrário do que o próprio irmão pensava, Sam também sabia tudo o que havia acontecido entre ele e Castiel. Além de ter Anna como comparsa para seus planos “diabólicos”, o mais novo tinha seus próprios olhos para enxergar tudo o que acontecia ao redor.

Tinha quatorze anos, mas não era nenhum idiota.

— Você quer conversar sobre Dean... Não é?

Durante meio segundo, Winchester poderia jurar que havia visto choque nos olhos azuis de Novak; algo que misturava medo, surpresa, e talvez até um pouco de alívio. Porém, antes que o mais velho pudesse gaguejar uma resposta hesitante, o menor sorriu fracamente, bagunçando o cabelo rebelde com as mãos.

— Tudo bem. Mas... Pode me prometer uma coisa?

Castiel o encarou, a expressão séria.

— Se estiver ao meu alcance. — garantiu com determinação, e Sam não pôde deixar de admirá-lo.

— Eu sei que está.

— Então diga.

Em partes, havia algo que o deixava com um pouco de raiva do rapaz de olhos azuis. No entanto, sabia que culpá-lo em nada ajudaria a arrancar aquelas malditas máscaras que seu irmão mantinha desde o incidente há quatro anos. Porque o loiro já mergulhara num abismo, já se esquecera da sensação boa que tomava o peito das pessoas quando lhes dirigia aquele sorriso de um milhão de dólares.

Durante muito tempo, Sam tentou ajudá-lo, tentou puxar Dean das trevas que ameaçavam tomá-lo por completo, mas logo percebeu que tudo aquilo de nada adiantava, se o loiro não queria ser salvo. De nada adiantava acreditar, se o mais velho não queria que acreditassem nele.

Castiel Novak provavelmente era a única pessoa que poderia salvar Dean Winchester de si mesmo.

Talvez por ser justamente ele, em parte, o culpado por tudo aquilo. Não completamente; o moreno não fizera por mal, afinal de contas. Tudo não passara de um mal entendido, que fez seu irmão perceber que os bullys jamais permitiriam que as coisas ficassem bem durante tempo demais.

E, se permitissem, a insegurança de Castiel não o faria.

xxx

Sam estava deitado de bruços em sua cama, relendo não pela segunda vez a obra de Jane Austen. Pride & Prejudice** era, até então, o livro com a narrativa mais prazerosa que havia encontrado em sua casa; mesmo sendo algo um tanto quanto... Avançado para sua idade. Movia os lábios sem a necessidade de externar em palavras a leitura, quando a porta bateu com violência e teve um sobressalto grande o bastante para que saltasse da cama.

— Mas que diabos...

Calou-se, virando o rosto para a pessoa que acabara de entrar, e arregalou tanto os olhos que estes pareciam prestes a saltar das órbitas.

— Dean, o que foi...

— Cas. — foi a única palavra que o loiro balbuciou, antes de abraçá-lo com força o suficiente para que o ar lhe faltasse.

— Castiel? — repetiu, sem entender, enquanto o mais velho afundava o rosto em seu ombro, tremendo em espasmos que, aparentemente, não conseguia controlar. — O que houve? Mano? O que aconteceu?

— Aquele idiota... — Dean quase rosnou, e suas mãos se fecharam em punhos nas costas do irmão, antes de o mais alto se lamentar num tom choroso: — Droga! Ele entendeu tudo errado!

O moreno não estava entendendo absolutamente nada. Novak era o idiota a quem seu irmão se referia, ou o loiro estava xingando outra pessoa? Pelo que vira durante todo aquele tempo de amizade entre o mais velho e Castiel, Sam duvidava muito que o rapaz estivesse de fato dizendo algo a respeito do outro moreno. Por quê? Porque Dean era simplesmente a pessoa mais... Amorosa que conhecia; para aqueles com os quais mantinha uma relação de amizade.

Quem entendeu tudo errado? — perguntou, ocupando-se em abraçar o irmão com força, rodeando-o com os braços e apertando-o com cuidado. — Que idiota?

O primogênito demorou algum tempo para responder, balbuciando coisas que, aos ouvidos do caçula, não faziam sentido algum. Algo sobre um beijo, e Uriel estragando o que não deveria. A menção do nome do rapaz negro foi o bastante para despertar aflição no moreno. Uriel era um rapaz mais velho, entre quinze e dezesseis anos, que adorava implicar com os mais novos.

Castiel era um alvo quase fácil demais para os valentões, por ser tímido para quem não o conhecia direito, e por estar sempre em silêncio. Mas, obviamente, Dean era adorável demais para fazer com que Novak se sentisse mal por qualquer coisa, então, a relação entre o loiro e o moreno era no mínimo interessante. Todavia o negro... Bem, ele apenas não ia com a cara de nenhum dos dois.

E seu irmão era cabeça quente demais para deixar qualquer provocação passar.

Quando as suposições começaram a se passar pela cabeça de Sam, ele foi praticamente obrigado a sacudir o mais alto com um pouco de violência, tentando chamar sua atenção de alguma forma.

— Dean! — exclamou, preocupado. — Me explica!

O mais velho finalmente ergueu o rosto para encará-lo, e as lágrimas eram nítidas nos orbes verdes. O moreninho odiava quando aquilo acontecia; quando via seu irmão num estado nitidamente abalado, sem poder fazer nada para evitar.

— Uriel estragou tudo. — ele sussurrou num tom rouco. — Ele fez o Cas pensar que eu... Ele disse...

O loiro não conseguiu dizer mais nada, e soluçou baixinho ao abraçar o mais novo. Sam juntou as peças sozinho, sabendo que de nada adiantaria pressionar o irmão a dizer mais alguma coisa; e, se fosse sincero consigo mesmo, não queria terminar de quebrar a estrutura que já se tornara frágil no coração do mais alto.

Um beijo. Uriel. Castiel entendendo tudo errado...

Oh, droga! não conteve o impulso de apertar Dean com mais força, ainda que tivesse ouvido um breve resmungo de incômodo vindo de seu irmão.

— Você... — engoliu em seco, sem saber ao certo o que dizer. — Você o beijou, não foi? Cas...

Não recebeu uma resposta, e isso só confirmou todas as questões que poria em pauta se o mais velho ao menos tivesse dito um “Sim”.

— Por que não... Por que não tenta explicar pra ele?

Dessa vez, foi Sam quem precisou recuperar o ar em seus pulmões em consequência da falta de ar que o abraço do mais alto causou.

— Ele não quis ouvir... Ele... Não me deixou dizer mais nada...

xxx

— Sam? — Castiel o chamou, interrompendo a lembrança de maneira brusca, e o moreno teve um leve sobressalto ao encarar novamente os olhos azuis. — O que você quer que eu prometa?

O mais novo o encarou com a expressão neutra. Durante muito tempo, culpara Novak pelo ocorrido, e sem remorso algum. Culpou-o pelas lágrimas e pela mudança radical de Dean, por tudo que o irmão havia se tornado. A verdade, no entanto, era só uma: Castiel não tinha culpa alguma. Agora que podia ver com mais clareza, percebia que as escolhas não haviam sido somente do moreno.

Dean preferiu se tornar o que era agora. Ele escolheu aquilo. Por quê?

Eu não posso deixá-lo sofrer, Sam. Porque... Se ele estiver furioso comigo, com raiva... Eu... Ainda assim, vou conseguir ver ao menos uma fagulha de vida naqueles olhos celestes. Mas... Se ele estiver triste, o que eu poderei enxergar além das lágrimas?

Toda aquela apatia desapareceu, apenas pelo tom que usou ao pedir, num sussurro fraco:

— Só... Cuida do meu irmão, ok?

|| ♠ ♠ ♠ ♠ ♠ ||

Dean afundou ainda mais o rosto no travesseiro macio, fingindo descaradamente que não ouvia nem uma única palavra vinda de seu companheiro de quarto. Preferia assim, até, mesmo que seu peito doesse mais a cada segundo.

Por que Cas? era o que se perguntava, as mãos apertando com força a fronha por baixo dos lençóis. Por que está fazendo isso?

Algo em seu íntimo implorava para que parasse com aquele teatro, para que parasse de fingir. Algo que desejava que o loiro simplesmente se levantasse daquela cama e abraçasse Novak; que o calasse com beijos, porque não queria ouvir mais nenhuma desculpa, não queria ouvir aquele tom preocupado. Por que as coisas precisavam ser tão complicadas?

— Você não vai me ouvir, mas eu vou dizer mesmo assim. — as palavras melancólicas de Castiel quebraram o silêncio pesado que ambos mantinham desde o momento em que ignorara sua última tentativa de chamá-lo. — Eu sei por que você está fazendo isso, Dean. Sei que... Entendi tudo errado, disse coisas que não deveria, magoei você... Mas, acima de tudo, eu sei que não passa de uma máscara. Para esconder o quê? Tudo aquilo que você tem tentado proteger, durante tantos anos. Eu só... Não entendo uma coisa, cara. Se tudo o que você fez, foi só para cuidar de alguém, que não merecia tudo isso... Por que não permitiu que ninguém cuidasse de você também?

Winchester precisou de todo o autocontrole que possuía para não se levantar naquele exato instante e perguntar como Novak sabia daquilo tudo, mas suas mãos já estavam cerradas em punho enquanto rangia os dentes.

— Eu não estou fazendo nada. — quase rosnou, tentando controlar a inquietação que tomou seu peito com aquela declaração. — Isso não é uma máscara.

— Ah, sério? — apesar do tom um tanto irritado, não havia ironia naquelas palavras. — Então por que você se importou o suficiente para me responder agora?

Dean sentiu o gosto metálico de sangue ao morder o lábio inferior com força, e, mesmo tendo os argumentos na ponta da língua, não fazia a menor ideia de como poderia retrucar de forma com que o moreno parasse de dizer bobagens e o deixasse em paz.

Bobagens? pensou consigo mesmo, levando a mão direita à cabeça e mexendo nos fios rebeldes. Grande bobagem, essa sua, Dean Winchester."

Era verdade. Tudo aquilo, não passava de uma grande e dolorosa verdade. Ele só... Não queria ver. Não queria que Castiel continuasse falando. Se esconder atrás daquele alicerce, daquela barreira, doía muito menos que ter a certeza de que Novak só falava aquilo por se sentir culpado pela atitude imatura do Winchester mais cedo.

— O que você quer de mim? Por que você... Continua perguntando, por que continua insistindo numa coisa que não vale à pena? — apesar de tudo, sua voz saiu num sussurro, traindo toda a pose que mantivera durante aquele tempo. — Está acabado, Castiel. Você terminou com tudo que sequer chegou a existir, e eu só assinei embaixo; eu só concordei.

— Olhe pra mim.

Com alguma relutância, Dean finalmente sentou sobre a cama e se virou para encarar o moreno. Seu coração estava apertado no peito, e, com algum esforço, conseguiu evitar as lágrimas ao fitar diretamente os olhos azuis no tom celeste que sempre admirou.

— O que você quer de mim? — repetiu num tom falho. — Tudo o que tem, já não é o bastante?

— Não quando você não me deixa entender o motivo.

Winchester soltou uma risada fraca, sem entender o que levara Novak a dizer aquelas besteiras.

— Para*³ de mentir pra mim, Cas. Eu conheço você. — sacudiu os ombros, baixando os olhos para o chão. — Não precisa se sentir culpado. Não precisa dizer essas coisas só... Só para que eu não me sinta mal.

— Acha que é por sua causa? — Castiel, um tanto revoltado, levantou-se, tomando o rosto do mais alto entre suas mãos e obrigando-o a encará-lo. — As coisas não giram ao meu redor, Dean. Para de se importar com isso. Para de agir como se eu fosse o centro do universo, tá legal? Porque eu não sou. Eu sou só um cara normal, que cometeu muitos erros, fez muitas besteiras, e agora está tentando consertar isso. Então... Só para.

Alguns segundos se passaram sem que o loiro conseguisse formular uma boa frase para argumentar, e, logo em seguida, ele suspirou.

— Você continua sendo um péssimo mentiroso. — foi sua resposta.

O moreno não conseguiu conter o sorriso ao ver o mais alto fechar os olhos, erguendo uma mão para tocar as suas, apertando-as contra seu rosto como se pedisse por carinho.

— Eu senti falta disso. — admitiu num tom baixo, como se confessasse uma fraqueza no mínimo humilhante. — Eu senti sua falta, Cas.

— Eu também senti sua falta.

Longos minutos se passaram apenas daquela forma, com as mãos do moreno sobre seu rosto, e Winchester ainda de olhos fechados, como se não quisesse abri-los para não precisar ver o que acontecia ao seu redor.

Mas, com um longo suspiro, Dean afastava delicadamente o toque de Castiel, encarando-o com uma expressão confusa.

— O que nós temos aqui? — perguntou, sem entender. — Num minuto, você me odeia, e no outro...

Novak sacudiu a cabeça; não como se negasse, mas como se afirmasse que não tinha a menor ideia.

— Por que você não me diz?

Winchester continuou a encará-lo. No entanto, dessa vez, havia algo em seu olhar que fazia com que o moreno se sentisse envergonhado; as maçãs do rosto adquirindo um tom rosado pela timidez momentânea. Foi a vez de o loiro acariciar sua face, como se pedisse uma confirmação para aquela repentina decisão do mais baixo.

Recebeu como resposta um sorriso.

— Feche os olhos.

— Sem canetas dessa vez?

— Só feche os olhos, Cas.

E, ao fazê-lo, Novak já esperava sentir os lábios de Dean contra os seus.

Notas finais
**ainda não terminei de ler P&P, mas a narrativa é realmente interessante. [Ao meu ver rsrsrs]
*³de acordo com a nova regra ortográfica, "para" do verbo "parar" não tem mais acento ~everybody cry
~~~~~
Lado destiético da fanfic começando: OK. *check*
Reviews? O/