Desirable Roommate
4 Meus lábios, peregrinos solitários...
Notas iniciais
Surpresas para o fim do capítulo, mas espero que curtam do mesmo jeito :B
— Isso é tão difícil!
Castiel precisou morder os lábios para não rir abertamente, mas um sorriso surgiu de maneira involuntária e sincera. Não conseguia acreditar naquilo, simplesmente não podia digerir aquela informação. Winchester, o famoso Dean Winchester, era tão absurdamente péssimo naquela matéria que chegava a ser engraçado. Por quê? Para Novak, Física era uma das coisas mais simples do mundo! Não entendia como o rapaz tinha tanta dificuldade naquilo.
— Você está rindo de mim! — de imediato, Dean ficou vermelho feito um pimentão maduro, frustrado e envergonhado. — Castiel!
— Não estou não. — mas o sorriso do moreno apenas aumentou, sem que pudesse se conter.
Mas o loiro já havia soltado todos os materiais, cruzando os braços e bufando irritado. Não gostava de se sentir na defensiva, ainda mais quando estava perto do Novak. Odiava aquela sensação que revirava suas entranhas, fazia suas mãos suarem e seu rosto queimar. Era completamente insuportável, e ainda por cima não conseguia entender nem uma maldita explicação.
— É sério, Dean. — notando o desconforto do colega, Castiel automaticamente depositou uma mão em seu ombro. — Eu não estava...
— Estava sim. — Winchester teimou, projetando o lábio inferior num beicinho quase infantil. — Não tem graça. Se eu soubesse que você iria rir, não teria pedido nada.
— Me desculpe.
Dean continuou com a expressão aborrecida, e Novak admitiu para si mesmo que aquele rubor afogueando as faces do loiro era completamente adorável. Com um longo suspiro, puxou o rosto do mais alto em sua direção, e notou que ele parecia verdadeiramente magoado com aquela atitude. O encarou durante alguns instantes.
Os orbes de cor esmeralda pareciam turvos.
— Desculpe-me. — repetiu num tom sincero. — Não era minha intenção fazer parecer que estava debochando de você.
— Então por que estava rindo? — o loiro insistiu teimoso como uma mula.
Castiel o encarou um pouquinho frustrado, comprimindo os lábios com força. Já havia pedido desculpas; isso não era o suficiente? Winchester continuou a fitá-lo, esperando por uma resposta convincente, mas percebeu que não ouviria mais nada da boca do moreno. Não gostava daquilo, tanto quanto não gostava da insegurança que o tomava sempre que se sentia motivo de chacota.
Era algo que automaticamente fazia com que se irritasse, justamente por não saber lidar com a vergonha.
— Quer saber de uma coisa? Acho que a aula de hoje acabou! — Dean grunhiu frustrado, pegando seus materiais e jogando na própria cama. — E cancele a de amanhã.
Novak fitou-o aborrecido por longos instantes, sem acreditar no que havia escutado.
— O quê?! — ao notar que o loiro falava sério, a incredulidade foi como uma descarga elétrica. Por que diabos o mais alto queria aquilo? Vasculhou sua mente em busca de algum motivo plausível para aquela atitude, mas nada lhe ocorreu. — Por quê?
Winchester, já de pé, o encarou de cima. Se o moreno não estivesse tão encafifado com aquela novidade, teria notado a inquietação nos orbes verdes, por trás de toda a arrogância. Dean estava usando uma máscara, criando sua própria torre de mentiras, reforçando as bases da imagem que mantinha há anos. Algo em seu interior, que se refletia em seus olhos, implorava para que o mais baixo enxergasse além daquele alicerce.
Mas Castiel não viu nada. E, se porventura notou o nervosismo, provavelmente acreditou que não passava de uma consequência da raiva.
— Eu preciso sair. — escondeu o tremor da voz com um pigarro. — Está combinado há dias que iria me encontrar com Zach e Crowley, fora do colégio.
Foi o que bastou para inflamar novamente a raiva do Novak.
— Ah, mas é claro! — levantou-se num pulo, e os olhos azuis eram furiosos sobre o loiro. — Porque se divertir com besteiras é definitivamente mais importante que conseguir uma nota decente para conseguir passar de ano!
Por longos instantes, o único som que podia ser ouvido era o da respiração de ambos os rapazes. Dean levou uma mão aos cabelos, bagunçando-os por alguns segundos. Não sabia ao certo qual sentimento era mais forte: a raiva ou o desapontamento. Nunca dissera que sairia com Zachariah e Crowley para fazer bobagens, tampouco imaginara que esse automaticamente seria o primeiro pensamento do moreno. Não fora exatamente uma escolha, se fosse sincero consigo mesmo e admitisse que a presença dos outros rapazes o pressionava a tomar uma decisão não muito boa. Eles não o obrigavam a nada, mas o loiro sentia como se o peso do mundo fosse depositado sobre seus ombros, na hora de dizer algo.
— O que você quer que eu faça? — grunhiu por entre os dentes trincados, as mãos trêmulas pelo caos que as emoções provocavam em seu âmago. — Não sou como você, Castiel Novak. Eu não tenho facilidade em aprender as coisas, e no momento em que finalmente encontro alguém que pode me ajudar, a primeira coisa que essa pessoa faz é afirmar que, das duas, uma: ou realmente sou burro demais para entender a matéria, ou fico para a recuperação de propósito, porque com certeza é muito divertido ter meu pai chamando minha atenção o tempo inteiro por isso. — e então imitou, num tom débil: — “Uma nota decente”. Quantas vezes você acha que eu já ouvi isso, Novak?
— Quem disse que eu...
— Não tente me passar uma lição de moral, dizendo que não era isso! — Winchester o encarou com raiva, mas a ameaça das palavras morreu em meio à palidez dos lábios trêmulos. — Eu não preciso da sua pena, tá legal?! Porque sei que você não vai acreditar em mim, como sempre faz; como sempre fez!... Eu não preciso que você me julgue, exatamente como fez quando a gente tinha treze anos!
Ao término daquelas palavras, os olhos verdes encheram-se de lágrimas, e Castiel sentiu um estranho aperto no coração ao notá-las. Havia sido pego de surpresa por aquela declaração, porque definitivamente não esperava uma atitude daquelas, vinda do mais alto.
Não quis dizer que ele o fazia de propósito, assim como também não afirmara que não tinha capacidade o suficiente para aprender, se quisesse. Mas era um tanto... Impulsivo, por assim dizer. Agira sem a intenção de cutucar o outro numa ferida, e, pelo visto, acabara por fazê-lo mesmo sem querer. E agora estava ali, boquiaberto, a irritação já esquecida, e não tinha a menor ideia do que fazer para se desculpar.
“E pensar que tudo começou por causa de um maldito riso!”
— Dean, eu...
— Não, não fala nada! Não precisa falar nada, Castiel. — o loiro deu uma risada muito forçada, esfregando os olhos com os nós dos dedos. — Afinal, eu sou Dean Winchester, não é?! O bobo da corte! Eu não preciso sentir, porque a única coisa que sei fazer é ser um cara idiota, que faz coisas mais idiotas ainda por seus próprios motivos egoístas!
Novak franziu o cenho quando os ombros do Winchester se curvaram, na defensiva. Estava pasmo demais para conseguir responder algo plausível, e, portanto, ficou ali, parado, encarando-o como se esperasse mais uma declaração chocante a respeito da vida do rapaz. Sendo sincero consigo mesmo, confessava que nunca imaginara que John pudesse chamar a atenção do outro por causa das notas.
— Você não precisa me ajudar, então, já que eu sou tão insuportável assim. — Dean concluiu, porém, já não o encarava mais, virando as costas e caminhando em direção à porta. — Eu sou só um estorvo, não é? Irritante.
O moreno ainda não conseguiu responder, porque todas as palavras, todos os argumentos, morriam em seus lábios antes que tivesse a chance de colocá-los para fora.
— Sinto muito por não ser o que você esperava, Castiel.
O baque surdo da porta foi a última coisa que Novak ouviu naquela noite.
|| ♠ ♠ ♠ ♠ ♠ ||
Horas mais tarde, deitado em sua cama, o moreno simplesmente não conseguia dormir, e nem tinha certeza de que o queria. Rolou de um lado a outro no colchão, mas o sono parecia desejar deixá-lo ali, atormentado, sem saber o que diabos faria. As dúvidas surgiam como pipocas dentro de um micro-ondas, enquanto o milho estourava.
Sentia-se cada vez mais confuso com aquilo tudo.
Dean se importava? Oh, droga. Sim, talvez até demais. Então por que nunca permitiu que Novak soubesse? Por que agia como... Inferno, ele agia como um verdadeiro idiota! Castiel jamais imaginaria que aquilo poderia ser um... Uma... Nem sabia ao certo como definir o que o loiro fazia. E por quê? Droga, droga, droga. Ele o julgou tantas e tantas vezes, sem nem mesmo saber por que diabos Winchester mudara tanto em tão pouco tempo.
Pouco? Estava sendo hipócrita. Dean teve muito tempo para mudar, e o moreno sequer notou. Por quê? Estava perdido demais em seus próprios problemas, em seus próprios questionamentos. Ele nunca... Nunca tentou imaginar o que se passava na mente do loiro; numa pensou que algum dia perderia o sono por isso.
Quando tudo aquilo começou? Eles tinham treze anos...
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— Hey, Cas! Cas! — como se não soubesse que já fora visto, Winchester acenava desesperadamente, do banco mais alto no estádio de baseball. — Aqui!
Novak não conseguiu simplesmente conter o riso ao notar a aflição do loiro, porque era algo adorável demais, a forma como ele projetava o lábio inferior, as bochechas vermelhas pela agitação, os orbes esmeraldinos brilhando pela felicidade. Não era algo tão excitante assim, ver um jogo dos Islanders versus Twins*, mas havia sido um verdadeiro sacrifício, convencer seus pais a permitirem que fossem sozinhos assistir a partida.
Dean estava imensamente mais alegre, se considerado o fato de que era um grande fã, mas Castiel não gostava tanto assim de jogos. Fora mais por consideração ao... Bem, amigo era uma boa palavra para definir. Jamais imaginaria que algum dia conseguiria sequer manter uma conversa civilizada com o garoto, porém, estar ali era a prova de que tudo era possível, mesmo para um Winchester.
— Você demorou! — o loiro estava hiperativo, segurando um copo de Coca-Cola, os olhos pinoteando entre o moreno e a partida que ainda não começara. — Pensei que não viria.
— E algum dia eu já dei um bolo em você? — Castiel revirou os olhos, e retirou o refrigerante das mãos do rapaz. — Acho que já passou da conta, cara, e isso nem é álcool.
Winchester uniu as sobrancelhas numa expressão frustrada, fazendo um beicinho, mas não discutiu.
— Você é terrível comigo! — ele se lamentou, sentando-se, enquanto o moreno sorria e bebericava o líquido escuro.
— Se tomar mais Coca-Cola, vai ter um AVC aí mesmo. — Novak justificou-se enquanto sentava ao lado do rapaz, e mais nada foi dito a respeito do assunto.
Pelo menos, não nos primeiros cinco minutos após o começo do jogo.
— Nem mais um gole?
—... Dean, você é insuportável, sabia?
Foi a vez de o loiro sorrir.
— Só um pouquinho!
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Winchester estava calado desde o fim da partida, contrariando todas as possibilidades, já que o time para o qual estava torcendo ganhara. Num dia normal, ele provavelmente estaria matraqueando tanto que Castiel já teria se irritado e o mandado calar a boca. No entanto, ali estava, calado, as mãos nos bolsos da calça jeans, a cabeça baixa.
Quando o moreno já começava a se preocupar com todo aquele silêncio, Dean pigarreou e o encarou com um meio sorriso.
— Posso te mostrar uma coisa, Cas?
Foi um pedido estranho, no mínimo. Novak geralmente não conseguia compreender o que se passava pela cabeça do loiro, e comumente nem tentava, porque o rapaz acabava por sempre surpreendê-lo. Naquele momento, não foi diferente.
— Claro! — sorriu. — Por que não?
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E depois? Castiel não se lembrava com muita clareza; as imagens vinham como flashes, como pedaços de um quebra-cabeça cujas peças haviam sido espalhadas, e muitas estavam perdidas em algum canto de seu cérebro.
“Onde está você, Dean?”
Precisava arrumar uma forma de se desculpar, precisava... Encontrar uma maneira de fazer com que Winchester o perdoasse, mesmo que sua memória não lhe permitisse lembrar-se de tudo. Fora tão terrível assim? Ao ponto de afogar todos os pensamentos, obrigar-se a mudar sua opinião a respeito do loiro? Como pôde?
Dean não era o único que havia mudado demais. Porque o moreno se lembrava, sim, de muitas coisas, de muitos momentos que passaram um ao lado do outro. Mas apenas não conseguia... Não conseguia simplesmente considerar tudo aquilo quando o encarava e via a expressão arrogante. Quando eram mais novos, Winchester sabia ser irritante, mas, na maior parte do tempo, era engraçado, simpático.
Por que mudara? Por que os dois precisaram mudar? Dean mencionara um incidente ocorrido quando tinham treze anos, mas a única coisa da qual Novak de fato se lembrava, era do jogo de baseball. Teria algo a ver? Precisava entrar em contato com alguém que conhecesse o loiro durante tanto tempo quanto ele, se não mais. Alguém que tivesse uma longa convivência com Winchester, que pudesse dizer com exatidão quando, e, se possível, por que ele começara a agir daquela forma.
Só havia uma pessoa com as respostas cujas quais o moreno almejava.
“Eu preciso falar com Sam.”
Com aquela decisão tomada, Castiel enfim conseguiu adormecer, onde pôde sonhar o mais doce sonho...
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— Feche os olhos.
Não confiava naquele sorriso sapeca.
— Por quê? — franziu as sobrancelhas, e Dean gesticulou animadamente.
— Vamos, Cas, não seja estraga-prazeres!
— Não confio nessa sua cara inocente.
Winchester revirou os olhos, quase incrédulo, e Novak soltou um longo suspiro.
— Okay, você venceu. — o encarou seriamente. — Mas, se for pra desenhar um bigode em mim com caneta permanente outra vez, ao primeiro contato da ponta, eu juro que te dou um soco!
— Sem canetas. — o loiro prometeu, e o sorriso aumentou consideravelmente.
Castiel fechou os olhos, mesmo contrariado, ainda que seu maior desejo fosse exigir que o outro dissesselogo, ou fizesse, o que queria. Quando Dean depositou as mãos sobre suas bochechas, resistiu ao impulso de se afastar, cerrando os punhos.
— Não olhe. — Winchester o advertiu com um sussurro.
— Não estou olhando. — resmungou.
— Você é um péssimo mentiroso, Cas.
Se Novak iria ou não dizer alguma coisa para rebater aquele argumento, eles jamais souberam, porque, no instante seguinte, a boca de Dean se uniu à sua.
A sensação era diferente de tudo que sentira, durante todos aqueles treze anos. Era... Escorregadio. Mas o loiro tinha os lábios macios, a língua atrevida. Os dedos longos e pálidos enroscaram-se nos fios escuros, puxando o rosto do mais baixo para perto. Castiel não reagiu no primeiro segundo, estático demais para processar a informação.
Winchester, então, mordiscou seu lábio inferior, tomando um pouco de ar, a respiração completamente irregular, os olhos fechados.
— A coisa toda perde a graça se de repente você vira um querubim, sabia?
Quando finalmente conseguiu sentir seus pulmões outra vez, o moreno sentiu as bochechas queimando pela vergonha. Os lábios de Dean estavam pressionados contra sua bochecha esquerda, os braços o rodeando e impedindo de fugir.
Poderia afastá-lo, se quisesse, mas, por algum motivo que ainda não compreendia, não o fez de imediato. Apenas aproveitou o contato, sentindo apenas o odor da colônia masculina que o outro usava. Nada exagerado, mas bom o bastante para que inspirasse profundamente, permitindo que o loiro afagasse suas costas, na região da coluna, provocando-lhe um leve arrepio.
Bem... Pelo visto, ele definitivamente tinha mais de um problema com o garoto dos Winchester.
Notas finais
11 leitores, e eu aqui esperando o balde d'água fria *U*
Eu recomendo esse lindíssimo vídeo Destiel, com a MARAVILHOSA música de The Fray: http://www.youtube.com/watch?v=levTlo72H_M&feature=related
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