Desencontros
3 Olhar
Notas iniciais
Ela olhou para o lado mais uma vez.
— Se você ficar secando ele tanto tempo, vai matar o coitado!
Pulei na cadeira e me virei. Amélia estava sentada de pernas cruzadas, falando alto como sempre, me olhando.
Suspirei e fiz sinal para que se aproximasse.
— Quer falar mais baixo, por favor! Se ele ouvir...
— Se ele ouvir ele finalmente vai entender o porquê de ter a orelha tão quente!
Rolei os olhos e voltei a olhar.
Má ideia. Ele olhava de volta. Um sorriso de canto.
Virei de volta para Amélia.
— Ele sabe! Ele sabe! – sussurrei.
— É claro que ele sabe! – foi a vez dela rolar os olhos – Você fica olhando para ele o dia inteiro!
Suspirei de novo.
Alto.
Então, pelo canto do olho, vi Amélia se empertigar e se entregar novamente ao trabalho.
Não sem antes olhar por cima do meu ombro.
— Entendi a indireta.
A voz grossa não deixava dúvida.
— Ah! Alexandre! Des.. desculpa! Eu... eu não... desculpa...
— Pare de se desculpar. Não tem porquê de se desculpar. Adoro quando olha para mim. Que horas você sai?
Meus olhos estalaram um pouco e minha cabeça caiu para o lado esquerdo. Ele... ele realmente estava me chamando para... para sair?
— Na mesma hora que você... digo, às seis e meia... Seis.... E meia... Seis e meia... – a última frase soou mais como uma pergunta.
Ele riu e seu corpo se inclinou levemente para trás. Seus dentes brancos apareceram e seus olhos se repuxaram.
— Te pego às seis e meia, combinado?
Sorri um sorriso contido, mas mesmo assim, assenti.
Não precisava mais me esconder por meio de um olhar anônimo.
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