Notas iniciais
Escrevi esse no limbo da noite, aquele momento quando não é noite nem dia e você simplesmente existe... que frase ótima. Vou usá-la em breve (me aguardem).

Ela olhou para o lado mais uma vez.

— Se você ficar secando ele tanto tempo, vai matar o coitado!

Pulei na cadeira e me virei. Amélia estava sentada de pernas cruzadas, falando alto como sempre, me olhando.

Suspirei e fiz sinal para que se aproximasse.

— Quer falar mais baixo, por favor! Se ele ouvir...

— Se ele ouvir ele finalmente vai entender o porquê de ter a orelha tão quente!

Rolei os olhos e voltei a olhar.

Má ideia. Ele olhava de volta. Um sorriso de canto.

Virei de volta para Amélia.

— Ele sabe! Ele sabe! – sussurrei.

— É claro que ele sabe! – foi a vez dela rolar os olhos – Você fica olhando para ele o dia inteiro!

Suspirei de novo.

Alto.

Então, pelo canto do olho, vi Amélia se empertigar e se entregar novamente ao trabalho.

Não sem antes olhar por cima do meu ombro.

— Entendi a indireta.

A voz grossa não deixava dúvida.

— Ah! Alexandre! Des.. desculpa! Eu... eu não... desculpa...

— Pare de se desculpar. Não tem porquê de se desculpar. Adoro quando olha para mim. Que horas você sai?

Meus olhos estalaram um pouco e minha cabeça caiu para o lado esquerdo. Ele... ele realmente estava me chamando para... para sair?

— Na mesma hora que você... digo, às seis e meia... Seis.... E meia... Seis e meia... – a última frase soou mais como uma pergunta.

Ele riu e seu corpo se inclinou levemente para trás. Seus dentes brancos apareceram e seus olhos se repuxaram.

— Te pego às seis e meia, combinado?

Sorri um sorriso contido, mas mesmo assim, assenti.

Não precisava mais me esconder por meio de um olhar anônimo.

Notas finais
Por favor, comentem e deixem meu dia super feliz!