Desencontros
4 Lasanha
Notas iniciais
A travessa deslizou da minha mão e se estraçalhou no chão.
— Droga!
Todo o precioso conteúdo, uma deliciosa lasanha de bolonhesa modéstia à parte, espalhou-se pelo chão, cobrindo o recém lavado chão.
— Ah... poxa. – minhas mãos caíram ao lado do meu corpo e meus ombros pesaram – Lá se vai meu almoço...
No mesmo momento, ouvi minha campainha tocar. Desolado, caminhei solenemente até a porta, em luto pela lasanha.
— Sim? – abri a porta.
— Ah, uau. Desculpa! Má hora!
Assustado, o homem a minha frente levantou os braços e deu um passo para trás.
— Não, não! Que isso!
Ele era um pouco menor que eu. A pele morena brilhava sob a luz da porta da frente. Dois olhos castanhos me olhavam, quer dizer, me encaravam, profundamente. Era inteiramente perfeito.
— Olha, eu não quero ser rude, mas... – ele abaixou a voz – mas tem massa no seu cabelo.
Alcancei minha cabeça e notei pequenos pedaços molhados.
— É lasanha...
— Que festa deve ter sido... Olha, eu não quero incomodar, mas a sua namorada deve estar esperando e seu gato tá miando e...
— Eu não tenho.
— Gato ou namorada? – seus lábios se puxaram em um sorriso de canto.
— Os dois...
Seu sorriso murchou um pouco e ele empalideceu.
— Então o que está miando?
Olhei para trás e constatei o pior.
— Meu chefe.
— O quê? Como?
Percebi tarde demais como a conversa tinha ficado estranha.
— É o toque do meu telefone! É meu chefe chamando! Ah, minha nossa, desculpa... eu sou o pior... um desastre...
— De... de qualquer jeito, eu sou novo aqui... – ele respirou fundo e endireitou as costas – Me mudei para o apartamento do lado e já estava vindo me apresentar quando eu ouvi o barulho e vim ver se estava tudo bem e... bem, o resto você já sabe... – esticou a mão – Me chamo Ezequiel!
— Aham.
Ezequiel levantou uma sobrancelha.
— Desculpa de novo por ser intrometido, mas é agora que você se apresenta.
— É... – saí do meu pequeno transe – É! Desculpa eu! Meu nome é Bruno! – estiquei a mão e sorri.
Ele sorriu de volta e apertamos as mãos. A dele era quente e o aperto foi forte.
— Bem, eu tenho de ir ver como a mudança está indo... se você quiser almoçar comigo, quer dizer, se a lasanha tiver explodido como eu imagino.
— Ela explodiu, sim, é.
— Então teremos muito assunto para comentar!
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