Notas iniciais
Fechei meus olhos tentando me decidir sobre o que fazer, minhas mãos estavam crispadas ao lado do meu corpo. As coisas tomariam rumos drasticamente diferentes dependendo da decisão que eu tomasse naquele momento.

Acordei antes do Sebastian entrar no quarto, abri meus olhos, o quarto ainda estava no escuro embora desse para ver que já havia claridade lá fora.

"Será que foi tudo outro daqueles sonhos? " — foi a primeira coisa que surgiu na minha mente, então eu me sentei na cama e senti uma fisgada me provando que fora tudo verdade. Devo ter adormecido antes de Sebastian ter saído do quarto ontem.

Me levantei e fui ao banheiro. Como na outra noite, na volta me olhei no espelho; dessa vez vi minha pele toda marcada: dentes, arranhões e manchas roxas. Voltei e me deitei -"Ok, eu dormi com meu mordomo queytambém é o meu demônio particular e agora? "- fechei meus olhos repassando na mente os últimos acontecimentos sentindo ondas de calor tomarem o meu corpo. Nesse momento Sebastian entrou no quarto trazendo uma bandeja com meu café da manhã e pousando-a numa mesinha perto da janela

_Bom dia, Bocchan.

Sentei na cama ignorando a dorzinha insistente.

_ Bom dia — respondi sério.

_ É difícil o encontrar já acordado. O senhor está bem? — deu um sorrizinho — está muito dolorido?

"Demônio insolente. É claro que eu estava dolorido."

_Não sei do que está falando — desconversei, estava morto de vergonha.

Ele arqueou as sobrancelhas em espanto e depois fez uma expressão complacente.

_Não sabe? — ele caminhou até a janela e afastou a pesada cortina — Ontem nós..

_CALE-SE — gritei antes que ele verbalizasse o que havíamos feito. A memória estava bem vívida na minha memória e no meu corpo para que ele ficasse falando.

_ Ora, eu só pensei que depois de ontem talvez o senhor estivesse um pouco dolorido.

_Não quero falar de ontem. Não houve nada especial. Eu devia, e paguei minha aposta, apenas isso. Não acontecerá novamente.

A insinuação de sorriso que estava no rosto de Sebastian desapareceu.

_Hum. Não?

_Definitivamente não.

_Se me lembro bem o senhor disse que iria apostar comigo todas as noites.

“Maldição!” — pensei.

_Não quer dizer que eu vá apostar isso.

Sebastian se aproximou da cama e pegou meu tapa-olho do criado-mudo.

_O senhor não gostou? Pelo modo como se comportou ontem acreditei que havia apreciado bastante.

_Cale-se! Não quero mais saber disso! — respondi.

_Não quer? — perguntou o mordomo.

“O que há com ele? Fica repetindo o que eu digo.”

Me afastei dos travesseiros para que ele pudesse amarrar o tapa-olho, ele se inclinou para poder colocar a peça no meu rosto e então suspendeu o movimento. Quando eu dei por mim Sebastian estava sentado no meu colo, os joelhos de cada lado do meu quadril.

“O que há como ele?” o pensamento se repetiu na minha mente ao mesmo tempo que meu corpo reagiu começando a esquentar.

_Não quer saber dos meus toques? — ele tocou meu rosto, os dedos passando pela minha bochecha esquerda, descendo pelo pescoço e então a nuca — Não gostou dos meus beijos? — se inclinou para mim e seu senti seu hálito fresco no rosto, pisquei um pouco nervoso com aquele comportamento dele. Mas ele não me beijou, se afastou alguns centímetros de mim e então eu vi que uma mão dele havia desabotoado a própria camisa, vislumbrei a pele atrás do tecido branco e senti o início da minha ereção.

_Não gostou de me tocar? Não quer mais isso? — ele segurou minha mão e a pôs espalmada sobre o próprio peito, ele deslizou minha mão para baixo pude sentir a maciez da pele e os músculos por baixo, ele me encarava como se fosse um leão vendo a presa, desceu a mão e apertou meu membro semi-ereto por cima do tecido do camisão que eu vestia.

_Pare com isso Sebastian! — o empurrei com força pegando-o desprevenido. Ele caiu do meu colo sentado na cama, puxei minhas pernas rápido, escapando de qualquer tentativa dele me segurar.

Nossos olhares se encontraram, e tudo estava ali: as coisas tomariam rumos drasticamente diferentes dependendo da decisão que eu tomasse naquele momento, se eu saísse da cama e o ordenasse a nunca mais se comportar daquele jeito ou tocar no assunto ele obedeceria fielmente, a questão era: eu queria isso? Eu realmente não queria sentir o toque das suas mãos? Seus lábios? Sua língua? Seu membro pulsando dentro de mim?

Fechei meus olhos tentando me decidir sobre o que fazer, minhas mãos estavam crispadas ao lado do meu corpo.

Então pulei sobre Sebastian, jogando meu peso sobre seu tronco; ele caiu deitado no colchão, levei minhas mãos ao seu rosto, segurando ambos os lados e colei meus lábios ao dele num beijo impetuoso e atrapalhando, nossos dentes se chocaram e acho que mordi minha língua pois senti um pouco de gosto de sangue.

Apoiei minhas mãos nos seus ombros e abri minhas pernas colocando-as uma em cada lado do seu quadril, separei nossos lábios e olhei nos seus olhos, seus lábios formaram um sorriso meio torto, voltei a beijá-lo com mais calma mas não com menos volúpia, ele entreabriu os lábios e eu adentrei com a língua, saboreando o gosto da sua boca, tinha gosto de hortelã: fresco e matinal. Ele me abraçou, uma mão indo da minha cintura para minhas costas, a outra na nuca segurando meus cabelos. Explorei a boca de Sebastian e quando ele empurrou minha língua e invadiu minha boca com a dele eu a suguei.

_ Unnhg — ele gemeu e ergueu o quadril forçando-o contra o meu traseiro, pude sentir o volume sob a roupa dele.

Sebastian tentou me virar, trocando as nossas posições mas eu o impedi, segurei seus pulsos acima da cabeça prendendo-os no colchão.

_ Não — protestei encarando seus olhos avermelhados, voltei a beijá — lo.

É claro que se ele quisesse poderia sair dessa situação facilmente: eu nunca teria força suficiente para prendê-lo mas Sebastian não fez menção de se soltar. Desci minhas mãos para seus ombros, passei a concentrar minha atenção no seu pescoço, beijando, mordendo e sugando. Beijei seu peito descendo para o abdome até atingir seu quadril ainda coberto pelas calças, mordi o volume sobre o tecido, ele gemeu mais alto. Levei minhas mãos aos seus mamilos e os belisquei levemente. Ele pôs a mão sobre a minha e eu levantei um pouco o rosto.

_ Mais forte — pediu.

Belisquei mais forte e repetidas vezes deixando a região vermelha e levemente inchada, deslizei minhas mãos pelas laterais do seu abdome enquanto mordia mais uma vez sentindo o volume aumentar cada vez mais, de novo ele pôs a mão sobre a minha e eu entendi o recado: flexionei as pontas dos dedos fincando as unhas na sua pele e puxando para baixo desenhando vergões vermelhos na pele branca.

_ Uuuuhhhhnnnngg — Sebastian gemeu, arqueou as costas e jogou a cabeça para trás.

Voltei as mãos para cima e desci arranhando novamente, um pouco da pele se soltou e micro gotículas de sangue se formaram, ele não pareceu se importar. Sentei sobre suas pernas, abri suas calças e puxei para baixo, ele ergueu o quadril para me ajudar e eu devolvi a provocação da noite anterior:

_ Bom menino.

Ele não falou nada mas tentou de novo me virar.

_Quieto — ordenei empurrando o peito dele de volta para a cama. Tirei sua roupa de baixo e lá estava o instrumento da minha tortura e do meu deleite, estava impavidamente ereto. Me curvei e segurei o membro de Sebastian com as duas mãos, ainda sobrou um trecho do comprimento para fora das minhas mãos e eu não me fiz de rogado: lambi e abocanhei a ponta.

_ Aaaaahhhhh.

Fui tentando colocá-lo inteiro na boca mas isso era impossível, comecei a sugar junto com os movimentos de vai e vem com a cabeça. Sebastian gemia ainda mais, sua respiração estava ofegante.

Continuei chupando por um tempo, finalmente matando a minha vontade desde ontem: estava rígido e quente e tinha um gosto maravilhoso. Salivei bastante, lubrificando e lambendo toda a extensão, molhando a mão que segurava a base do pênis. Troquei as mãos e levei um dedo à minha entrada, preparando-a, senti uma fisgada e a queimação quando o introduzi — "Será que eu aguentaria?" — mas eu estava excitado demais para parar.

_ Bocchan, me deixe... — sussurrou com a voz rouca.

Tirei-o da boca apenas o tempo de responder.

_ Quieto. Quem manda aqui sou eu.

_ Huuuunnnffg — foi sua reação quando aumentei o ritmo e a intensidade da chupada; em certo momento não prestei atenção e raspei os dentes na coroa da glande, ele gemeu mais alto; sabia que era uma região sensível, fiquei com medo de ter machucado.

_ Desculpe.

Sebastian continuava de olhos fechados entregue ao prazer, demorou alguns segundos para ele responder.

_ Hum?

_ Não machucou?

_ Não. Eu gostei.

Voltei a colocá-lo na boca tomando mais cuidado embora pareça que Sebastian gosta de dor. Percebi que ele iria gozar logo e o tirei da boca ganhando um murmúrio de contrariedade. Me posicionei sobre o seu quadril, torci minha mão para trás segurando o membro de Sebastian pelas minhas costas, respirei fundo e comecei a descer.

Senti seu membro entrando em mim, alargando minha entrada conforme eu descia, mordi meus lábios segurando um gemido. Estava doendo, doendo de verdade não aquela dorzinha gostosa. Desci mais um pouco, dessa vez soltei um gemido e parei — não ia aguentar — "Por que raios eu fui me meter nisso? Não bastava ontem?"

Abri meus olhos, Sebastian me encarava com seus olhos rubros de pupilas fendidas, seu olhar era intenso, eu via desejo, tesão e excitação estampados ali. Tentei descer mais um pouco, balancei minha cabeça em negativa, apoiei minhas mãos no peito de Sebastian e me preparei para levantar mas então Sebastian segurou minha cintura e empurrou meu quadril para baixo, se enterrando profundamente em mim; abri minha boca num grito mudo, lágrimas desceram pelo rosto.

_"Maldito, maldito, maldito. Demônio sádico dos infernos. Não só gosta de sentir dor como gosta de provocar também" — pensei, pois nem falar eu conseguia mas havia uma coisa que eu conseguia fazer: o estalo do tapa ecoou pelo quarto, o rosto de Sebastian agora tinha a marca dos seu meus cinco dedos em sua face direita. Ouvi um rosnado baixo.

Sebastian se sentou ainda dentro de mim, passou minhas pernas pelo seu quadril, me abraçou e beijou minhas lágrimas secando-as, depois me beijou na boca e levou a mão ao meu membro acariciando e iniciando a movê-lo para cima e para baixo. Finalmente a dor começou a passar, cedendo lugar ao prazer, comecei a me mover lentamente, mudei minhas pernas de lugar e empurrei-o para que se deitasse então comecei a cavalgar. Ganhei ritmo conforme os gemidos aumentaram. Eu alternava entre uma cavalgada rápida e violenta sentindo ele sair quase por completo de mim e movimentos lentos de vai e vem comigo sentado no seu quadril e ele totalmente enterrado pressionando deliciosamente a minha próstata, ele continuava me manipulando, eu ia atingir meu ápice logo.

_ Hhhhhaaaaa, huuunn, Se...bastian... isso é. ..aahhh... muito bom — eu estava quase gritando enquanto pulava em cima dele.

TOC, TOC, TOC.

Parei de me movimentar no mesmo instante. O orgasmo iminente foi para longe.

TOC, TOC, TOC . A batida na porta se repetiu.

_ O que é? — perguntei colocando o dedo sobre os lábios sinalizando para que Sebastian ficasse calado.

_ Jovem amo, está tudo bem? — soou a voz da Mei-Rin do outro lado da porta.

Olhei para Sebastian que sorria maliciosamente.

_ Está tudo bem Mei-rin.

_ Tem certeza, Senhor? Ouvi uns barulhos estranhos.

_ Não é nada. Vá embora — mandei.

Sebastian se aproveitou do momento de distração e passou uma perna minha sobre o tronco me fazendo girar no eixo ficando de costas para ele, segurou meu quadril movendo.

_ Haaahh — gemi tentando me controlar.

_Senhor? Precisa de ajuda? — a voz ficou mais aguda do outro lado da porta.

Vi a maçaneta girar e gelei -"Que a porta esteja trancada, que a porta esteja trancada, que a porta esteja trancada."

_NÃO — gritei — NÃO ENTRE! Não preciso de nada. Vá embora Mei-rin.

O maldito desse demônio continuava me provocando:agora havia sentado e mordia e sugava a pele da minha nuca e ombros.

A porta não se abriu, acho que estava trancada afinal — "Ainda bem" — respirei aliviado mas ela continuou.

_ Quer que eu chame alguém? Eu não encontro o senhor Sebastian em lugar algum. Ele está aí?

"Que mulher insistente!!!! Qual parte do 'vai embora' ela não entendeu???" Sebastian agora havia me virado, eu estava de quatro para ele e ele começou a estocar profundamente acertando em cheio o meu ponto. Eu não ia conseguir ficar sem gemer com ele fazendo isso.

_VÁ EMBORA MEI-RIN. AGORA!!

Tapei minha boca com ambas as mãos, meu corpo, sem apoio caiu para frente, meu peito apoiando no colchão e deixando meu traseiro empinado. Minhas mãos abafaram os gemidos. Sebastian segurou meu quadril e aumentou o ritmo fazendo nossos corpos colidirem violentamente.

Sebastian puxou meus cabelos me fazendo me erguer novamente na posição de quatro, minha cabeça inclinada para trás, ele se inclinou quase deitando sobre mim, sussurrou na minha orelha ainda segurando meu cabelo;

_ Quero ouvir você gemendo.

Aquela voz sussurrada com ele estocando em mim...Mas eu não podia com aquela arrumadeira desastrada logo atrás da porta.

Sebastian mordiscou minha orelha, desceu lambendo meu pescoço, mordeu o ombro.

_Ela já foi — falou

Tirei minhas mãos da boca e relaxei me permitindo aproveitar as sensações em sua plenitude. Ele soltou meus cabelos e voltou a me segurar com força, mantendo o ritmo e me fazendo gemer cada vez mais, eu por minha vez, jogava meu quadril para trás acompanhando o ritmo e fazendo ir mais fundo.

Sebastian segurou meu membro e começou a movê-lo. Em poucos minutos eu me desfazia em suas mãos num orgasmo esplêndido, me contraindo em torno do membro enterrado em mim. Sebastian me segurou ainda mais forte, puxou meu cabelo mais uma vez me fazendo inclinar a cabeça para trás e indo ainda mais rápido e se derramou em mim.

Caí exausto sobre a cama, senti o peso do corpo suado de Sebastian nas minhas costas, passei uma mão na minha testa limpando o suor e tirando a franja dos olhos, ele rolou para o lado, deitando-se. Olhei para aqueles olhos vermelhos, tão hipnotizantes, não eram humanos. Pelo jeito, ele perdia um pouco o controle da forma quando fazia isso, suas presas estavam maiores também, muito brancas, despontando dos lábios rosados, notei que a ponta superior das orelhas também eram um pouco pontudas, achei sexy. O abracei e beijei sua boca, um beijo mais calmo.

_Preciso de um banho — comentei.

_Vou preparar — o mordomo se levantou e caminhou para o banheiro.

_Vista-se primeiro! — senti meu rosto esquentar. Ele era lindo!

Ele virou-se, sorrindo.

_Não gosta?

_Mais do que deveria — fechei meus olhos e virei o rosto para o outro lado para que não visse o quão envergonhado estava. Quando os abri novamente ele estava quase em cima de mim.

_O senhor fica lindo corado, sabia? — riu aquele risinho dele e foi para o banheiro, ouvi o barulho da água enchendo a banheira e o cheiro dos sais de banho que ele derramava na água chegou até mim.

Após alguns minutos ele me chamou:

_Está pronto Bocchan.

Me virei, levantei da cama e caminhei até o banheiro sentindo o incômodo. Sebastian me esperava ao lado da banheira, sorriu sarcasticamente quando me viu.

_Está caminhando diferente Bocchan.

_Cala a boca maldito demônio.

Entrei na banheira, estava deliciosa: água quente e muita espuma Sebastian começou esfregando minhas costas e braços. Olhei para ele, ainda estava nu, e agia com a maior naturalidade.

_Venha — chamei.

Não precisei falar mais nada, Sebastian entrou na banheira comigo se posicionando nas minhas costas, me apoiei no seu tronco. Me lembrei do meu delírio.

_Sabe — comentei — essa situação me lembra muito um sonho que eu tive.

_É? Como foi? — a voz baixinha no meu ouvido me fez arrepiar.

_Estávamos assim na banheira.

_E que mais?

Fiquei com vergonha, se falasse ia ficar provado que eu o queria muito antes da nossa aposta.

_Nada demais.

_Hum. Onde estavam as suas mãos?

Corei.

_Não lembro — menti quando me lembrei da minha ereção naquela noite. Estava tão drogado…

_Sei — respondeu, então pegou minhas mãos e as pôs sobre o meu sexo — acho que estavam aqui. E o senhor pressionou desse jeito — a voz adquiriu um tom mais baixo, vibrando nos meus tímpanos, pressionou suas mãos sobre as minhas, meu pênis começou a dar sinal de vida.

Ele continuou:

_E eu deslizei minhas mãos assim — as mãos dele fizeram o mesmo caminho daquela noite até enrolar os dedos no meu membro — e eu fiz isso — começou a me masturbar.

Eu gemi baixinho.

_ O senhor gemeu desse jeito e eu não resisti.

Senti ele mordendo meu pescoço e então entendi tudo. Me virei para ele bruscamente:

_ Não foi sonho!

Ele sorriu, me segurou pela cintura e me beijou. Correspondi de modo automático mas quando ele quis aprofundar o beijo eu me esquivei.

_ Você abusou de mim drogado! !!!

_Não foi bem um abuso, o senhor estava gostando.

Fechei a cara — era verdade, eu gostei. Ele me abraçou e eu descansei minha cabeça no seu ombro.

****

Nossa rotina à partir daquele dia foi essa, cumpria minhas obrigações durante o dia: aulas, ensaios de dança (que eu odiava) e violino, além dos documentos da Funtom. Nos encontrávamos quase todas as noites, normalmente Sebastian ficava comigo no quarto, nem sempre fazíamos algo, às vezes ficávamos apenas abraçados lendo ou conversando, noutras quase quebrávamos a cama. Ou então eu o procurava no seu quarto no meio da noite, me infiltrando na sua cama. Ah, e os banhos ficaram muito mais divertidos.

As missões da rainha continuaram é claro, eu sempre as cumpria com êxito graças ao Sebastian. O sexo depois dessas missões tendia a ser mais selvagem, provavelmente pela adrenalina do perigo pelo qual nós passávamos.

Descobri uma nova face desse demônio: ele sabia ser agradavelmente carinhoso. Era insaciável também e às vezes eu tinha que frear o seu ímpeto, embora eu não fosse muito diferente.

Tentávamos ser discretos mesmo quando Sebastian me beijava no escritório ou quando nos agarrávamos sobre a minha mesa. É claro que os outros empregados com toda certeza perceberam alguma coisa, afinal como explicar o senhor da casa saindo de manhã do quarto do mordomo, despenteado e com cara de quem não dormiu? Mas nunca comentaram nada, talvez Sebastian tenha falado com eles. Exceto uma manhã em que eu tomava meu chá e lia o jornal na sala de jantar, era inverno e estava muito frio com uma chuvinha insistente e gelada caindo lá fora; Sebastian estava como de costume, em pé ao meu lado quando Finny surgiu na soleira da porta.

_Jovem amo — chamou.

Ergui meus olhos do jornal.

_ Eu...eu...que-queria...

_Fale logo Finny. O que você queria?

O jardineiro estava visivelmente constrangido. "O que será que ele quer? "

_É que, sabe, eu queria fazer uma pergunta para o senhor. Mas tô com vergonha.

Ergui a xícara no ar me preparando para mais um gole.

_ Se for algo sobre o serviço de casa é melhor perguntar para o Sebastian.

Ele estava vermelho, tomei um gole do chá, peguei petit four e levei à boca.

_ Não é nada do serviço. É sobre o jovem amo.

_ Então diga. Rápido que eu não tenho muito tempo.

Finny olhava para baixo e tocava as pontas dos dois indicadores das mãos.

_É que. ..eu...queria. ..

_Fala Finny — falei irritado pela demora.

Ele respirou fundo.

_ Eu queria saber se o senhor e o senhor Sebastian vão ter bebês. Eles são tão fofinhos.

Finny escondeu o rosto nas mãos. Minha xícara escapou dos meus dedos e se espatifou na mesa espalhando cacos para todo lado e respingando chá no meu casaco. Olhei perplexo do Finny para o Sebastian, meu rosto devia estar roxo.

Sebastian não falou nada mas o olhar que ele lançou ao jardineiro foi bem claro: "saia agora ou será morto". O loiro entendeu rápido pois saiu correndo ainda escondendo o rosto vermelho nas mãos e repetindo:

_ Desculpe, desculpe.

Depois que ele saiu, peguei um guardanapo e comecei a me limpar tentando secar o chá do meu casaco. Sebastian começou a recolher os cacos, limpando tudo. Entreguei o guardanapo encharcado para ele e nossos olhares se encontraram, ficamos sérios nos encarando por um momento mas depois um sorriso se insinuou no rosto do mordomo, sorri também, um sorriso torto pelo absurdo da pergunta feita.

_ Pelo jeito Bard não explicou as coisas direito para ele — sorri malicioso pois sabia que eu não era o único naquela mansão a ter encontros noturnos.

Sebastian riu, colocando a mão sobre os lábios.

_ Vamos Bocchan. O senhor precisa de outro banho.

O mordomo segurou minha mão me guiando de volta para o quarto. Hora de se divertir mais um pouco.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Queria agradecer a todos os que leram, acompanharam e especialmente aqueles que comentaram. Foram poucos comentários mas eu amei cada um deles. Acredito que a fic tenha chegado ao fim embora eu tenha deixado um gancho para o casal Bard e Finny... Quem sabe...assim... se eu receber algum comentário. .. talvez eu possa desenvolver. .. Fica a dica. Kkk Beijos a todos.