Desejos libertos
8 O sumiço
Notas iniciais
Acordei com as batidas na porta, estranhei pois Sebastian não bate antes de entrar, ou quando bate, são duas batidinhas e logo abre a porta. Sentei-me na cama, esfregando os olhos; estava bem claro lá fora — "Que horas eram?"
Novamente as batidas na porta.
A porta se abriu devagar mas quem entrou não foi o mordomo e sim a Mei-rin empurrando o carrinho com meu café da manhã.
_ Cadê o Sebastian?
Ela tremeu e tropeçou ameaçando cair por cima do carrinho mas conseguiu se equilibrar no último segundo.
_Oooo...se..nnhor Se...Sebastian? — ela ajeitou o óculos.
_ Sim. Onde ele está? Por que ele não veio me acordar?
Ela tentou servir o chá mas estava derramando metade no pires.
_ Ele não está aqui? — perguntou.
Abri meus braços como estivesse mostrando o ambiente.
_ Ele parece estar aqui?
Não tinha como manter a pose e dizer que ele nunca havia passado nenhuma noite no meu quarto quando todos na mansão sabiam que isso era relativamente comum.
_ O que está havendo, Mei-rin? — perguntei pegando a xícara meio cheia das suas mãos.
Ela suspirou e baixou a cabeça.
_ Não sabemos, Jovem amo.
Tomei um gole, estava horrível.
_ Ele saiu?
_ Não sei. Ele simplesmente sumiu, não avisou ninguém. Não sabemos onde foi.
Um tremor percorreu o meu corpo fazendo os cabelos da nuca se arrepiarem — “Alguma coisa estava errada!”.
_ Deve ter ido resolver algum problema. Daqui a pouco deve voltar.
Minhas palavras a tranquilizaram, ao contrário do meu coração que estava apertado. Sebastian jamais sairia sem minha ordem.
Dispensei a Mei-rin e me levantei e me olhei no espelho: a marca ainda estava na minha íris. Tive que me vestir sozinho e isso levou um tempo. "Que complicado! Tirar é bem mais fácil; embora Sebastian faça isso por mim também". Senti meu rosto esquentar lembrando do Sebastian me despindo nesses últimos meses e o que vinha depois que ele o fazia.
Todos os funcionários estavam reunidos no salão principal: Finny com cara de choro, Bard se fazendo de durão, Mei-rin já chorava e Tanaka...bem Tanaka estava tomando a sua água quente como de costume; quando me viram tentaram disfarçar a preocupação.
_ Deixem de tentar disfarçar, vocês são péssimos. Sebastian deve voltar a qualquer momento — abanei minha mão num movimento despreocupado, terminei de descer as escadas e me encaminhei ao escritório.
Fechei a porta e fiquei alguns minutos com as costas encostadas nela, respirei fundo — "Onde ele poderia ter ido?".
Sentei na minha poltrona e comecei a trabalhar, sem sucesso, não conseguia me concentrar em nada. "O que poderia ter acontecido??? Ele não poderia ter me deixado, poderia???"
"Não, com certeza não. Ele estava preso por contrato à mim." — meu coração se apertou ante a possibilidade dele estar preso à mim apenas pelo contrato e não por um outro sentimento, me dei conta que nunca havíamos nos declarado um para o outro, as coisas foram simplesmente acontecendo e não falamos sobre sentimentos, era particularmente difícil para mim falar sobre isso…
Larguei os papéis sobre a nova linha de brinquedos da Funtom e me virei para olhar pela janela, acho que internamente eu esperava ver a figura de negro andando pelo caminho que ligava a estrada principal à mansão.
O dia passou devagar, as horas se arrastando; comi pouco e não trabalhei nada. A noite chegou e nada dele aparecer.
Perto da meia noite ouvi a batida na porta do escritório, pulei da cadeira e eu mesmo abri a porta com o coração aos pulos — "Era ele!" — pensei, mas quando abri a porta a figura ali não era do mordomo e sim do Tanaka na sua forma adulta.
_ Jovem amo, já está muito tarde. Vá se deitar, eu o acompanharei até o quarto.
Me deixei levar até meus aposentos, dispensei Tanaka da porta, eu mesmo iria me trocar. Entrei no quarto e me joguei na cama abraçando o travesseiro, meus olhos ardiam mas eu me recusava a chorar por aquele demônio.
Adormeci ainda vestido, depois de muitas horas rolando na cama.
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