Notas iniciais
Oie pessoal. Primeiramente eu quero agradecer todos os comentários. Vocês são uns fofos e eu amo cada palavra que vocês me escrevem. Segundo - quero me desculpar. A intenção era postar esse capítulo ontem, mas o sono me nocauteou e hoje eu só consegui um tempinho para postar agora. O capítulo de hoje era outro, mas eu comecei a revisar e, sabe como é né? Escreve daqui, escreve dali, o capítulo ficou gigante e então eu o fragmentei. Espero realmente que vocês gostem.

Diário de Ciel Phantomhive

Minha cabeça está um verdadeira tormenta. Tem horas que eu acho que vou me lembrar de algo, parece que está ali, tão próximo mas eu nunca consigo alcançar. Sabe aqueles sonhos que a gente está correndo mas não sai do lugar? Parece que eu estou assim.

Nessa manhã eu estava decidido a dar uma bronca no Sebastian para que ele nunca mais tomasse aquelas liberdades comigo mas então ele me revelou que além de não ser mais noivo da Lizzy, eu e ele somos namorados.

NAMORADOS!!!!

Fico envergonhado só de pensar no que nós já fizemos. Deve ter sido algo parecido com as coisas descritas naquele livro…

Se bem que ele pode estar mentindo… Ele pode ser um pervertido querendo se aproveitar de mim… Tirar vantagem porque eu não me lembro de nada.

É isso!

Mas…

Pensando bem…

Ele não parecia estar mentindo…

Eu agora tenho que me acalmar e pensar direitinho no que eu vou fazer.



Diário de Ciel Phantomhive.

Eu pensei muito. Pensei em tudo o que está acontecendo.

Mas não cheguei à nenhuma conclusão definitiva.

Eu ainda acho esquisito ter esse tipo de relacionamento com um homem e mais velho do que eu. Ele deve ter o quê? Trinta anos?

Fiquei tentando lembrar de algo, mas nada e para falar a verdade, já estou com dor de cabeça de tanto pensar.

Resolvi pensar nos pontos positivos e nos negativos.

Eu gosto de ficar perto do Sebastian e gosto de sentir o cheiro dele (ponto positivo)

Gosto quando me abraça à ponto de ficar criando situações para ele me segurar (ponto positivo).

Eu não gosto do jeito que ele me olha às vezes, me faz ficar quente — mas talvez eu goste, não sei (ponto neutro).

Ele não me deixa repetir a sobremesa (ponto negativo).

Me faz fazer quilômetros de tarefas escolares (ponto negativo).

Gosto que ele me auxilie no banho, embora eu sinta o mesmo calor de quando ele me olha (ponto positivo?)

E principalmente, eu gostei do beijo que ele me deu (ponto positivo).

Depois de pensar muito e tentar analisar o que eu realmente senti, cheguei à conclusão de que eu gostei de sentir ele me tocar.

Então cheguei à conclusão que existem mais pontos positivos do que negativos.

Talvez eu só tenha que deixar as coisas acontecerem.

Desisti da ideia do Sebastian ser um pervertido porque ele nunca fez nada contra a minha vontade. Quer dizer, ele só me tocou daquele jeito porque eu o chamei e eu não tentei impedi-lo em momento algum, pelo contrário, pedi que me abraçasse e eu mesmo o agarrei.

Nunca me senti melhor do que naquela noite e só de lembrar eu sinto que vou pegar fogo novamente.

Vou ser sincero — quero que Sebastian me toque de novo, só não sei como pedir.

POV Sebastian

O resto daquele dia o Jovem amo permaneceu no quarto. Só durante o jantar ele resolveu descer mas se manteve obstinadamente calado.

Mas não alterou a nossa rotina. Auxiliei-o no banho e na troca de roupa naquela noite e nas outras que se seguiram. Assim como nos outros dias, ele pediu para que eu permanecesse no quarto até que ele dormisse.

Ele poderia ter pedido que eu me afastasse dele então, pelo menos, acho que no final das contas ele estava apenas tentando digerir a informação de que ele namorava e havia feito sexo com outro homem. Isso porque ele ainda não sabia que eu era um demônio.

“Como será que ele reagiria a mais essa informação?”

Se a memória dele não retornasse logo, mais dia menos dia eu teria que revelar mais essa verdade para ele.

Nunca mais tocamos no assunto sobre o namoro. Ele não comentava nada à respeito e eu respeitava o seu silêncio.

Já estava me conscientizando que nunca mais o teria.

Porém, nos dias que se seguiram, fui percebendo leves mudanças no comportamento do Jovem amo. Já ia para quase vinte dias de amnésia e agora ele começava a tentar administrar a Companhia Funtom e eu o ajudava nessa nova empreitada. Logo que aconteceu o acidente, informei a rainha de modo que ela estava dando um tempo com as missões. De qualquer modo, ele não se lembrava das suas funções como Cão de guarda da rainha.

Mesmo querendo re-assumir as responsabilidades, ele continuava infantil e eu percebia que ele tinha que se esforçar muito mais para se concentrar em assuntos mais adultos.

E sempre que tinha uma folga corria para ler seus livros de mitologias ou ficava no jardim, olhando o formato das nuvens.

_Por que quer tanto fazer as antigas funções, Jovem amo? — eu perguntei num dia em que estava explicando algumas coisas da fábrica e ele fazia cara que não estava entendendo nada — Devia descansar e esperar recuperar a memória.

Ele negou veementemente com a cabeça.

_Não posso me dar esse luxo, Sebastian. Tenho que me tornar capaz e não sei se minha memória vai voltar. Tenho que cuidar de tudo logo e dar um jeito de encontrar os malditos que fizeram isso tudo comigo.

Então voltou a se concentrar nos documentos que lia de modo que não viu quando eu sorri para mim mesmo.

“Não importa que não se lembre. A essência dele continua a mesma — o mesmo senso de responsabilidade, a mesma sede de vingança, a mesma revolta e a mesma vontade férrea de fazer justiça com as próprias mãos.” Eram algumas das características que fizeram me apaixonar por ele.

Nessa mesma época eu comecei a perceber que ele me lançava alguns olhares diferentes. E eu os retribuía. No começo, assim que ele percebia que eu retribuía os olhares ele desviava os olhar, mas depois começou a dar sorrisinhos tímidos, que eu retribuía também. Estávamos claramente flertando.

Numa tarde o Jovem amo me chamou no escritório.

_Sebastian, prepare uma cesta, faremos um piquenique.

Estava no fim da tarde, não era mais hora de sair, logo iria anoitecer mas o pique nique seria no jardim da mansão então eu me curvei numa mesura.

_Quer que eu prepare algo especial para comer?

Ele ergueu os olhos do livro e o fechou.

_Coisas doces e algo com muito creme — respondeu abrindo um enorme sorriso e segurando as duas mãos.

Saí para preparar a cesta e assim que estava pronta eu o chamei mas ele não estava no escritório. Ouvi um barulho de cascos do lado de fora de casa e me encaminhei para a saída.

Encontrei-o na varanda, Finny trazia o cavalo do Jovem amo, estava encilhado. Assim que me viu com a cesta na mão sorriu e falou feliz.

_Vamos?

_Não precisamos do cavalo para fazer um piquenique no jardim, Jovem amo — argumentei estranhando a presença do animal ali, o Jovem amo mal sabia montar antes de perder a memória, atualmente então, duvido que consiga se manter em cima da cela sem cair.

_Nós não vamos ficar aqui — me respondeu ainda sorrindo. Estava realmente feliz e era algo inédito. Se a memória dele voltasse seria uma coisa que eu lamentaria perder, sua capacidade de sorrir.

_Vamos para lá — e apontou para um bosque nas vizinhanças. já não fazia parte da sua propriedade e era um local de caça onde os nobre iam na primavera, mas estávamos no outono e o bosque devia estar vazio.

_É muito longe. E já está tarde. Vamos ficar por aqui mesmo, é mais seguro.

Não é porque ele não se lembrava dos inimigos que eles havia também se esquecido do bocchan, não é?

_Ah, Sebastiaaan, por favor. Daqui a pouco estaremos no inverno e então não poderei sair de casa. Vamos aproveitar, vai?

Ele piscou os olhos para mim e sorriu, aquele maldito sorriso que cativava qualquer um.

_Tudo bem — respondi e me encaminhei para o animal, prendi a cesta na traseira do cavalo, logo atrás da cela, depois o segurei pela cintura e o ergui o pondo sentado na cela, ele segurou com força as rédeas e o cavalo sentiu o seu medo, dando alguns passos para o lado, um pouco nervoso. Acariciei o pescoço do animal, acalmando-o.

_Temos que ser rápidos, tudo bem? — falei para o Jovem amo, é estranho ter que levantar a cabeça para vê-lo já que montado no cavalo ele ficava mais alto do que eu — Ou vai anoitecer.

_Tudo bem — a vozinha infantil mostrou que estava com medo.

Comecei a caminhar indo para os portões da propriedade mas percebi que ele não se movia.

_Venha — chamei.

_Eu...eu...estou com medo — falou fechando os olhos.

_Ora, então por que quer ir à cavalo? Podemos ficar aqui — falei voltando para o lado dele e estendendo os braços para descê-lo.

Mas ele se esquivou.

_Você podia ir comigo…

_Mas eu vou com você — falei — Pode ir na frente que eu vou logo atrás.

_Não. Você podia ir cavalgando comigo — falou e corou.

_Quer que eu monte com você?

O Jovem amo fez que sim com a cabeça.

“Isso não vai dar certo. Eu, bocchan, na mesma cela, o balanço do cavalo, o traseiro dele roçando no meu membro...Já estava vendo como eu ia ficar”.

_Melhor não, nem cabe nós dois na mesma cela — argumentei, esperando que ele desistisse da ideia.

_Cabe sim, eu sou pequeno olha — ele se apoiou nos estribos e levantou o traseiro indo para frente com o tronco, mostrando que ainda tinha espaço para outra pessoa sentar.

Passei a mão pelo rosto e devo ter feito uma expressão de angústia. Então Finny segurou meu braço e me afastou alguns metros do bocchan então sussurrou.

_Aproveite, senhor Sebastian.

_Finny! — exclamei, olhando o jardineiro — seus olhos estavam brilhando.

_É verdade, senhor Sebastian. É uma chance de ouro para vocês. Um passeio à cavalo no bosque. É romântico.

_Da onde você tira essas ideias, Finny?! — puxei meu braço, me soltando do aperto do jardineiro, ele ficou envergonhado mas eu sorri para ele e então ele sorriu de volta.

Então eu montei no cavalo e o Jovem amo se ajeitou no espaço que sobrou. E claro, ficou apertado.

Segurei as rédeas do animal e o bocchan ficou preso entre os meus braços, virou um pouco o rosto para trás e sorriu para mim, então apoiou as costas no meu peito e eu dei sinal para que o cavalo começasse a andar.

Cavalgamos por uns quinze minutos, o bosque não era longe mas foi o suficiente para que minhas previsões se concretizassem. O traseiro dele pressionou o meu quadril o caminho inteiro e me deixou excitado e para piorar ele não conseguia se equilibrar na cela, então eu tive que abraçá-lo com uma mão e guiar o cavalo com a outra.

_Procure uma clareira mais para dentro da mata, Sebastian — me pediu e eu encaminhei o animal entre as árvores até encontrar um local.

Dentro do bosque, a temperatura estava bem mais fresca e a luminosidade era filtrada pelas árvores formando um ambiente calmo e silencioso.

Peguei-o no colo para descê-lo e o depositei no chão, ele caminhou pela clareira olhando tudo com curiosidade.

Estendi a toalha no chão cheio de folhas caídas e pus a cesta no centro. Ele se aproximou e se sentou.

_Sente-se também, Sebastian — mandou e eu obedeci, lembrando do conselho do Finny.

Servi um pouco de mousse de chocolate para ele que comeu contente.

_Por que você nunca come?

_Não estou com fome — menti.

_Eu também não mas quem resiste aos doces?

Sorri para ele. Como qualquer criança ele atacou os doces, incluindo os bolinhos recheados de creme e é óbvio que a mesma cena dele se lambuzando com o doce se repetiu e é claro que eu fiquei olhando para ele lamber o creme dos dedos.

Me deitei na toalha olhando o dossel da copa das árvores, vez ou outra eu dia os pássaros voando de uma para outra. O bocchan terminou de lamber a ponta dos dedos e deitou ao meu lado. E foi se chegando mais para perto ao poucos até que estendeu a mãos segurou os meus dedos.

Olhei para ele e o vi sorrir timidamente, baixou o rosto. Eu apertei os dedos dele nos meus e o puxei para mim, ele deitou a cabeça no meu peito e eu acariciei suas costas. Em determinado momento ele ergueu a cabeça e me olhou, aproveitei o momento e o segurei pela nuca. O Jovem amo se assustou e não dei tempo para ele, beijei sua boca. Um selinho longo em que ele tentou se desvencilhar empurrando o meu peito mas como eu não o larguei ele acabou cedendo me segurando pela camisa. Tentei aprofundar o beijo, trazendo-o para cima de mim mas ele não deixou. Seguiu-se uma sequência de selinhos e então ele se separou, voltando a cabeça no meu peito. Pude vê-lo tentar conter um sorriso e escondê-lo com a mão. Resolvi não forçar nada mais, não agora.

Voltamos de noite para a mansão.

Finny nos aguardava sentado num banco do jardim, correu para nos receber assim que nos aproximamos.

_Foi bom o piquenique, Jovem amo? — perguntou solícito pegando as rédeas que eu estendia para ele e me preparando para descer o bocchan.

_Foi sim — respondeu e entrou rápido para dentro de casa. O loiro lançou um olhar interrogativo para mim e eu dei um sorriso de lado e ele entendeu o significado fazendo um sinal com a cabeça.

Tentei beijá-lo novamente naquela noite e no dia seguinte mais ele se esquivou. Não de modo bravo, mas eu via que ele estava constrangido.

Notas finais
O que acharam? Estamos indo para a reta final do arco. Talvez mais dois ou três capítulos. Beijos