Desejos libertos
29 O beijo de boa noite
Notas iniciais
POV Sebastian
Ele continuava com a mania de me fazer carregá-lo nos braços e é claro que eu o carregava todas as vezes em que ele me estendia os braços, e aproveitava esses momentos para apertá-lo um pouco mais nos braços e sentir o cheiro dos seus cabelos. Muitas vezes ele escondia o rosto no meu pescoço e eu podia sentir a respiração dele contra a minha pele, me fazendo arrepiar. Outras vezes eu aproveitava quando ia depositá-lo seja na cama, no chão ou na cadeira — dependendo da onde ele havia me pedido para levá-lo — para deslizar minhas mãos pelas suas pernas ou seu traseiro, sempre tomando cuidado para parecer que tinha sido um acidente. Um acidente que acontecia com uma frequência bem grande, mas como ele não reclamava, eu continuava.
Até que um dia em que eu o carregava do quarto para o escritório, seu rosto estava escondido novamente no meu pescoço quando ele depositou um beijo muito leve ali. Foi realmente muito leve, um roçar de lábios na verdade mas funcionou no meu corpo, me fazendo arrepiar e enviando uma leve corrente elétrica coluna abaixo para determinada região. Imediatamente eu o olhei e ele ficou envergonhado, então sorri suavemente e empurrei a cabeça dele de volta para o meu pescoço. Ele não fez mais nada mas eu percebia que a respiração dele havia mudado de ritmo e segurava com mais força os meus ombros.
“Bom, se ele quer desse jeito...Pelo menos é um começo” — pensei comigo mesmo e deixei ele seguir com o jogo no ritmo que ele se sentisse confortável. Eu já havia conseguido beijá-lo duas vezes, era só ter paciência. Percebia que, aos poucos, ele estava percebendo o que sentia por mim. Tinha esperanças mas não tinha como ter certeza.
Então, depois de um dia exaustivo em que ficamos presos no escritório o tempo todo comigo explicando as finanças e linhas de produção da companhia, finalmente a noite tinha chegado. Depois do jantar, nós subimos e o Jovem amo tomou banho e vestiu a roupa de dormir. Deitou na cama e eu o cobri.
_Quer que eu fique até que o senhor durma? — perguntei já sabendo a resposta.
_Quero — ele respondeu enquanto se ajeitava sob as cobertas.
_Boa noite, bocchan.
_Boa noite, Sebastian.
Me afastei alguns passos indo na direção da poltrona. Mas ele não deixou me segurando pelo pulso.
_Não vai me dar um beijo de boa noite?
O Jovem amo nunca pediu isso então me surpreendi um pouco mas, de qualquer modo, voltei a me aproximar, me inclinei sobre ele e depositei um beijo na sua testa.
Me afastei alguns centímetros, meu pulso ainda estava preso pela sua mão.
_Não aí — ouvi ele dizer e o olhei quando falou timidamente.
_Aqui — e tocou os lábios com as pontas dos dedos.
“Ah, bocchan”
“Tentador”
Não segurei o sorriso e me inclinei novamente para ele, dessa vez, tomando os seus lábios nos meus. Ele soltou o meu pulso.
Eram tão macios…
Mantive o contato e o segurei pelos ombros, abri minha boca e toquei o seu lábio inferior com a ponta da língua, ele não abriu a boca, preferi pensar que não havia entendido o pedido. Movi meus lábios nos seus e ele começou lentamente a acompanhar os movimentos, suas mãos estavam pousadas nos meus braços e tremiam um pouco. Novamente pedi passagem que me foi negada.
Me afastei milímetros e sussurrei.
_Afaste os lábios, bocchan. Me dê passagem — voltei a colar nosso lábios.
_Hhgnn — ele gemeu quando finalmente abriu a boca e eu toquei suavemente sua língua com a minha. Comecei a explorar aquela boca, indo a todos os cantos, em movimentos lentos, dando tempo para que ele acompanhasse os meus movimentos.
O gosto da sua boca era muito bom. Fazia meu coração se acelerar e meu baixo ventre formigar.
Eu o sentia tremer e apertar os meus braços. Sua respiração estava mais rápida e curta. Eu sabia que o corpo dele reagia ao meu toque assim como o meu reagia ao dele.
Então ele enrolou os braços no meu pescoço e me puxou para baixo. Tentei, num primeiro momento, não deitar sobre ele por mais que eu quisesse mas ele apertou o abraço e eu me acabei deixando o meu corpo cair devagar ao lado do seu.
Aquilo era ótimo. Ele finalmente tinha tomado a iniciativa de algo mais concreto do que fingir que estava com dor nas pernas ou cansado para eu o carregasse e assim tivesse uma desculpa para me abraçar.
O abracei também e aprofundei o beijo, ele ofegou . Desci minha mão, deslizando pela lateral do corpo, parei na sua cintura e o apertei trazendo-o para mim. Instintivamente ele ergueu uma perna e a envolveu no meu quadril, estávamos deitados de lado. Continuei caminhando com a mão até atingir o fim do camisão e subi com a mão apalpando a parte de trás da sua coxa por baixo da roupa. Senti a pele se arrepiar ao meu toque. Subi um pouco mais a mão e apertei o seu traseiro, ele o contraiu na minha mão e interrompeu o beijo.
_Sebastian — sussurrou baixinho, os olhos fechados e voltou a me beijar.
Eu já estava excitado e pressionava minha ereção contra o seu quadril onde eu sentia o quão animado ele também estava.
Queria arrancar aquela roupa logo. Sentir todo o corpo dele, tocá-lo em todas as partes. E foi o que eu comecei a fazer; subindo com as mãos tocando a lateral do seu quadril e subindo pelo abdome até atingir o tórax, passei lentamente a ponta das unhas no seu mamilo e ele arqueou as costas um pouco, tentando conter o gemido que escapou dos seus lábios.
_Aaahhhnn — ele apertou mais os braços ao redor do meu pescoço e eu desloquei minha boca para o seu pescoço onde depositei vários beijos, lambi o lóbulo da sua orelha e ele gemeu de novo.
Deslizei minhas mãos pelas suas costas, pressionando a polpa dos dedos contra a pele arrepiada.
Mas quando tentei desabotoar a sua roupa e me segurou.
_Não, Sebastian. Ainda não.
Olhei para ele. O bocchan estava excitado — isso era óbvio — e tinha gostado dos meus toques, estava tão ofegante e corado que era uma verdadeira tentação e realmente um desperdício parar por ali mas eu vi também que estava com medo. Ele não era virgem, ele mesmo sabia disso, mas como não se lembrava de nada, era como se aquela fosse a sua primeira vez.
Meu olhar foi terno para ele e ele sorriu para mim.
_Certo — respondi, respirando fundo — Durma bem, bocchan.
Tentei sair da cama, porque não tinha certeza se ia conseguir me controlar se ficasse tão próximo assim mas ele me segurou mais uma vez.
_Fique aqui comigo — pediu.
Engoli em seco e me ajeitei ao seu lado na cama, o abraçando. Ficamos deitados de conchinha até que ele adormecesse.
Fiquei com ele até de madrugada. Não sabia se ele queria que eu passasse a noite na sua cama, então quando vi que ele dormia profundamente, me esgueirei para fora da cama e deitei no sofá onde amanheci o dia, pensando em tudo o tinha acontecido.
Nos dias que se seguiram tudo pareceu ficar melhor. Eu não perguntei se nós tínhamos voltado porque eu tenho meu orgulho de demônio e acho isso muito meloso. Mas agora trocávamos um ou outro beijo ao longo do dia. Normalmente eram beijos mais calmos e inocentes mas, mesmo assim, faziam meu sangue ferver.
O Jovem amo ainda era uma criança, quer dizer, não dá para dizer que treze anos é adulto, mas para todos os efeitos era um garoto de dez anos que eu estava beijando nos intervalos das aulas e da administração da Funtom e aproveitando a hora do banho para apalpá-lo. Tudo tinha uma nova dimensão, qualquer toque meu parecia que era muito mais intenso para ele agora, de modo que eu ia com muito mais calma. Talvez não é que seja mais intenso, talvez seja porque ele não controle seus gemidos.
“É tão tentador!!!”
Realmente, estou descobrindo uma força de vontade em mim que nem eu mesmo achava que tinha, pois a cada beijo que eu sentia ele derreter nos meus braços, a cada toque meu no seu corpo que eu sentia tremer de excitação eu tinha que fazer uma força tremenda para não atacá-lo com tudo.
Eu gostava desse bocchan. Mas ele era muito inocente e eu não queria forçá-lo a nada. Sentia falta do antigo, em que eu podia ousar um pouco mais e mesmo ele me chamando de maldito e ficando aparentemente bravo eu sabia que gostava. Tinha receio de fazer alguma coisa assim com essa nova personalidade e perder o progresso que tinha conseguido.
Tornou-se rotina, depois que eu saía do seu quarto, ir para o meu e me aliviar pensando nele. Nos nossos beijos castos, nos gemidos com aquela vozinha infantil que ele tinha adquirido, nos dedos finos apertando os meus ombros.
Então, depois de alguns dias, durante o banho ele me perguntou como quem não quer nada:
_Nós fazíamos muito?
_Hum? — eu estava concentrado lavando seus cabelos. Ele estava relaxado na banheira e mantinha a cabeça inclinada para trás favorecendo o meu trabalho.
_Você sabe. Aquilo.
“Ah, entendi o que é “aquilo””.
_Menos do que eu queria.
Percebi que ele sorriu timidamente, mas logo neutralizou a expressão.
_Quantas vezes?
_Ás vezes duas, às vezes mais, dependia muito.
Me lembrei da nossa deliciosa maratona de sexo durante a comemoração do dia dos namorados.
_Por semana ? Por mês?
Ri da sua inocência.
_Por dia.
Ele se ergueu na banheira, se sentando ereto e olhando surpreso para mim. Dei de ombros.
_Eu falei que você gostava.
Agora ele ficou vermelho, eu vi que o shampoo começava a escorrer pelo seu rosto, logo ia entrar nos olhos, então o puxei de volta para a antiga posição e comecei a enxaguar os fios.
_Calma, tinha dias que era uma vez só — o acalmei.
Ele ficou em silêncio e eu comecei a passar o condicionador no cabelo, era uma invenção recente e era ótima pois deixava os cabelos dele mais sedosos e brilhantes que o normal. Massageei o couro cabeludo e ele relaxou ainda mais.
_Não vai dizer nada? — perguntei.
_Não sei o que dizer — ele tentou disfarçar o tom de voz vacilante — Acho que estávamos no cio.
_Acho que era mais ou menos isso mesmo — falei rindo e percebi que sorriu.
_Você sente falta?
“Que pergunta difícil… Se respondo que eu morro de vontade vou parecer um tarado — não que eu não seja — se respondo que não, vai parecer que eu não sinto nada por ele”
_Sinto — respondi simplesmente.
Terminei de enxaguar o cabelo dele e ele saiu da banheira. O envolvi numa toalha gigante e felpuda e ele se aconchegou à mim. O abracei brevemente.
_Tudo bem? — perguntei.
Ele assentiu com a cabeça e ofereceu os lábios para mim. Me inclinei, abaixando a minha cabeça até alcançar a sua boca. Ele segurou nos meus ombros e nos beijamos, dessa vez ele me deu passagem logo de cara e eu explorei a sua boca do mesmo jeito lento e sensual. Cada vez mais ele beijava melhor e eu o abracei pela cintura.
Depois de alguns minutos ele separou nossos lábios.
_Está ficando frio — comentou caminhando para o quarto ainda enrolado na toalha.
“Frio???” — eu não estava com nem um pingo de frio.
Acompanhei ele até a cama onde se sentou e aguardou que eu o vestisse. Depois se deitou e eu sentei ao seu lado.
_Eu queria recuperar logo — comentou brincando com os meus dedos enluvados, desde o acidente eu não tirava a luva nem para dar banho nele, bem, exceto quando ele me pediu ajuda naquela noite; então eu sempre mantinha um par no bolso para trocar quando a outra molhasse.
_Eu também queria — respondi apertando suavemente os dedinhos finos dele.
Então ele se sentou na cama apoiando as costas na cabeceira, me puxou e fez com que eu me aproximasse, me beijou brevemente e apertou minhas mãos quando se separou.
_Sebastian — respirou fundo e completou — Eu quero.
“Não posso acreditar no que estou ouvindo” — foi o que pensei no momento.
_Quer?
Ele fez que sim com a cabeça.
Fiquei feliz e meu corpo reagiu instantaneamente à ideia de tomá-lo para mim. Fui para frente e o beijei.
Ele me abraçou e correspondeu ao beijo e eu fui aumentando rapidamente a intensidade do beijo então eu me lembrei de uma coisa e aquilo cortou totalmente o clima. Afastei lentamente o meu rosto do Jovem amo.
O bocchan estava corado e levemente ofegante, suas pupilas estavam dilatadas.
_Talvez não sei se é o momento certo — comentei, acariciando seus cabelos.
Ele virou seus grandes olhos para mim.
_Você não me quer, Sebastian? Você disse que sentia falta — sua voz ainda era tão infantil… Meu membro pulsou de desejo.
_Quero. Quero sim. Não é isso, bocchan — depositei um selinho nos seus lábios, ele me retribuiu de olhos fechados.
_O que é então? — perguntou abrindo lentamente os olhos.
“Eu o queria tanto…”
_Ainda tem muita coisa que você não sabe. Coisas que seria bom você se lembrar antes de fazermos qualquer coisa.
_Isso não importa, Sebastian. Se é mais desgraça pela qual eu passei, não quero saber. Não hoje, não agora. Amanhã você me conta.
O Jovem amo me puxou novamente e voltamos a nos beijar e eu me segurei ainda mais quando percebi que ele se esforçava para aprofundar o beijo. Suas mãos desceram pelo meu peito, acariciando-me sobre a camisa. Estavam quentes e trêmulas.
Eu queria escorregá-lo na cama e fazê-lo tremer ainda mais e gemer e sussurrar o meu nome até que se desfizesse.
Mas como ele se sentiria quando soubesse de tudo sobre mim?
Segurei suas mãos que nessa altura se encaminhavam afoitas para os botões da minha camisa.
_Amanhã pode ser tarde demais. São coisas importantes.
Ele parou e me olhou.
_São coisas sobre mim e sobre essa marca no seu olho.
Respirei fundo me preparando para o que viria a seguir.
Eu estava pronto para contar sobre a minha natureza e o nosso contrato quando ele segurou o meu rosto.
_Não importa, Sebastian.
_Importa sim — teimei.
_Eu sabia dessas coisas antes?
_Sabia.
_Então não importa — ele tentou me beijar novamente mas eu me afastei um pouco.
_Você não entende, Sebastian? — perguntou — Não quero saber, não importa. Tudo o que importa é que eu quero me lembrar de você.
Ele estava envergonhado novamente.
_Não quer dizer que você vai se lembrar de mim se a gente fizer sexo.
Ele negou com a cabeça.
_Você não entende mesmo — falou e então me encarou — Eu quero você, Sebastian. Não importa o que eu não lembro de você nem o que é isso no meu olho. Eu apenas quero você.
Nessa hora eu já estava sorrindo e sentia meus olhos começarem a brilhar, mesmo eu tentando controlar. O bocchan continuou.
_Não importa porque… porque… eu me apaixonei duas vezes pela mesma pessoa.
Fale com o autor