Desejos Ocultos
8 Capítulo 8 SEDUÇÃO...
Notas iniciais
Afrodite seguia tenso no interior da carruagem. Shura fora buscá-lo, pontualmente às onze horas e tinha sido muito difícil escolher a roupa certa para enfrentar aquele homem desconcertante. Não queria algo ostensivo, que deixasse óbvio o seu interesse, nem simples demais que denotasse descuido.
Optou por vestir uma elegante casaca verde escura, uma calça justa bege e prender os cabelos com uma fita de seda rubra, tendo o cuidado de deixar um fio de cabelo solto sobre a testa para ficar com um “ar assimétrico”.
Quando Shura chegou, notou que ele vestia um traje muito simples, do tipo que os trabalhadores usavam para realizar as suas atividades. Era evidente que o espanhol se preparara sem nenhuma preocupação em agradar.
Devia estar aborrecido. Todos os seus amantes dedicavam-se aos cuidados com a aparência na esperança de atrair seu interesse. Afinal era Afrodite!
Porém, no lugar de ficar irritado, sorriu pelo desafio de, pela primeira vez, alguém mostrar-se autêntico e despretensioso ao seu lado, mesmo sabendo quem ele era. Shura o desafiava de maneiras nunca antes experimentadas e este embate o deixava terrivelmente excitado.
- Espero que não o tenha constrangido com minhas roupas de trabalho é que me envolvi com a negociação de um pedaço de terra e acabei me atrasando em voltar para o hotel. Como não gosto de atrasos, vim direto buscá-lo. – disse Shura vendo que Afrodite mantinha-se silencioso.
- Um pedaço de terra... Interessante! – respondeu Afrodite sem muita ênfase.
Shura sorriu.
- Era um terreno importante, uma pechincha, por assim dizer.
Aquele espanhol tinha o poder de destruir o orgulho de um homem. Felizmente, Afrodite era arrogante o suficiente para não se abalar por ser, constantemente, trocado por negócios!
- Realmente, senhor Shura, devia ser muito importante mesmo. Aliás, estamos num passeio de negócios, não é mesmo? Não deve ficar constrangido por parecer um operário. – respondeu Afrodite.
Shura olhou bem dentro dos olhos azuis de Afrodite e pousou a mão em sua coxa.
- Perdoe-me, sei o que estou parecendo... Mas, achei que deixá-lo esperando seria mais deselegante que, simplesmente, vir com esta roupa. Mas, quando chegarmos ao nosso destino, prometo trocar-me.
Deus! Porque quando ele me olha deste jeito fico sem ter o que dizer? Ponderou Afrodite fixando o olhar nos belos e hipnotizantes olhos negros.
- Não precisa desculpar-se. Apesar de parecer, não sou frívolo ao ponto de julgar um homem pela roupa. Embora muita coisa possa ser analisada através dela ou... da falta dela. – respondeu Afrodite com o tipo de sorriso que Shura sentiu percorrer seu corpo como uma onda de calor repentino.
Os dois se encararam e sorriram. Depois Afrodite voltou a olhar para a paisagem. Notou que seguiam para a periferia de Londres e a cada solavanco da carruagem, era jogado de encontro aos músculos definidos da coxa de Shura. Cada vez que respirava tinha os pulmões invadidos pelo aroma másculo de sua pele que era mais inebriante que qualquer perfume e seu corpo reagia a isso com pequenos arrepios que subiam pela espinha e se estabeleciam na base da nuca, fazendo-o levar a mão e massageá-la, em intervalos curtos.
Mesmo com os olhos fixos num ponto distante, podia sentir os olhares que ele lançava para seu perfil e se sentia desconfortável, sem saber como direcionar a sedução com a qual estava acostumado.
Shura era uma incógnita e, mesmo que o desafio de conquistá-lo o excitasse, Afrodite sentia-se pior que um adolescente.
- Falta muito para chegarmos? – perguntou com voz deliberadamente serena.
- Não muito. Está cansado? Gostaria de parar um pouco?
- Não, obrigado. Apenas perguntei. – respondeu o loiro voltando a olhar a paisagem.
Shura tocou a mão perfeita e sorriu, apenas. O coração de Afrodite disparou loucamente e ele perdeu a noção do tempo. Pareceu-lhe que tudo passou rapidamente até ouvir a voz grave e quente dizer-lhe:
- Chegamos.
A construção que se apresentava bem na frente da carruagem era simples, mas arrojada. Havia um grande estábulo e a fachada era feita de pedras grandes e, simetricamente, distribuídas, conferindo um aspecto firme e durável. Ao redor, carvalhos centenários compunham o ambiente, formando um caminho verdejante e agradável.
- É este o prédio? – perguntou Afrodite.
- Sim.
Afrodite franziu o cenho. O lugar era elegante e, agora que descera da carruagem, via que a simplicidade estrutural era apenas uma ilusão, o lugar era grandioso, no nível da melhor hospedaria de Londres, a Fox and Grapes, a hospedaria que comentara com o espanhol, da qual tinha lembranças muito agradáveis de quando era criança.
- Lembrei-me do que me contou e ao procurar um prédio, busquei que tivesse um pouco das características que o agradam. Admiro o seu bom gosto. – disse Shura.
- Ah, senhor Shura... foi muito gentil da sua parte. – falou Afrodite um tanto emocionado.
- Gentil e interesseiro! Quero sua opinião em tudo. – disse ele sorrindo.
- Creio que nem precisa tanto de mim. Já vejo que as reformas estão bem encaminhadas.
- Desde que o conheci, percebi suas qualidades, seu refinamento... Sou um espanhol rude, senhor Afrodite. Mas, sua companhia me fez ambicionar crescer, ainda mais. Por isso, fiz questão de deixar alguns detalhes para que possa orientar-me.
Afrodite sorriu, sentindo-se valorizado num nível jamais experimentado. Geralmente, sua opinião era apenas requisitada para se remexer na vida pessoal de alguém ou palpitar na melhor atitude de sedução. Com exceção de Milo, todos o consideravam, apenas, um nobre afetado cuja futilidade servia para alimentar egos e provocar certo divertimento.
- Obrigado, senhor Shura. – disse beijando-o, rapidamente, nos lábios.
Foi um gesto espontâneo e imprevidente, uma vez que o ato gerou uma forte tensão, atraindo-os ainda mais uma ao outro. Afrodite tentou recuar, mas era tarde demais. Shura o abraçou e sorriu.
- Oh, não! Há muito espero por uma atitude espontânea e deliciosa. Não vou deixar que fuja de mim.
- Shura...quer dizer...s-senhor Shura...
Desta vez, foi o espanhol que o beijou. Um beijo terno, apenas um roçar da boca sobre os lábios carnudos e avermelhados...
- Não tem ideia, não é?- disse ele com os olhos semicerrados.
- Sobre o quê? – perguntou Afrodite sentindo o calor dos braços fortes e experimentando o antagonismo de desejar ficar e, ao mesmo tempo afastar-se.
- Não imagina com que desespero desejo sentir seus lábios... Às vezes, digo a mim mesmo que é um absurdo. Um homem como eu não devia passar a noite acordado, ardendo na cama como um jovenzinho vivendo sua primeira paixão. Mas é assim que eu me sinto.
Afrodite ficou mudo, os olhos azuis arregalados e brilhantes, como se estivesse tendo uma visão mística.
- Quer que acomode seus cavalos, senhor?
A voz juvenil interrompeu o momento de magia e Afrodite viu que era um rapaz que devia trabalhar na obra da hospedaria.
Shura se afastou visivelmente constrangido, lembrando que havia alguns trabalhadores no local.
- Sim, por favor. E diga ao senhor Parker que chegamos.
Afrodite pigarreou, tentando ficar o mais longe possível de Shura, mas ele pegou-o pela mão e sorriu com certo rubor no rosto.
- Venha, o senhor Parker vai, finalmente, conhecer aquele de quem falo constantemente.
A visita tornou-se uma verdadeira expedição por todos os cômodos. Seguindo um animado Afrodite e um igualmente entusiasmado arquiteto, Shura sorria com cada palpite e discussão. Cada vez mais extasiado, observava que o homem que se escondia atrás de um comportamento frívolo e libidinoso dava lugar a uma criatura segura, admirável, com apurado senso estético e aptidão administrativa.
Afrodite discorria sobre a decoração, mas também sobre a funcionalidade dos ambientes, o custo das mercadorias que teriam de ser adquiridas e o melhor modo de conduzir os plantões de trabalho.
Shura o observava conversando com todos e o quanto a nobreza em seus traços e palavras se derramava através da educação com que tratava a todos. O respeito e a admiração do senhor Parker e dos trabalhadores se mostrava visível na atenção com que o olhavam e ouviam.
Um calor intenso invadiu seu corpo. Deu-se conta que queria Afrodite ao seu lado e não era somente desejo. Queria estar com ele e essa certeza quase o fez cambalear. Determinado, ele se adiantou e segurou a bela e bem cuidada mão do loiro, colocando-a sobre o braço.
- Bem, já o explorei demais, senhor Afrodite! Senhor Parker, creio ter encomendado o almoço...
O homem atarracado e calvo sorriu de um modo cúmplice.
- Oh, sim... Perdoe-me. Por um momento esqueci-me de tudo em tão agradável companhia. O senhor tinha razão, a astúcia e o bom gosto estético do senhor Afrodite são únicos! Gostaria, inclusive, de agradecê-lo por esta manhã tão proveitosa e agradável.
- Sim, ele é único, não é? E deve estar faminto depois de tanta agitação.
O senhor Parker chamou duas criadas na cozinha e elas foram providenciar o almoço, enquanto ele conduzia Shura e Afrodite para um reservado no topo da escada.
Shura surpreendeu-se ao entrar no aposento mobiliado com um conjunto de mesas e cadeiras e um confortável e amplo sofá.
- Preparei este cômodo para que tenham privacidade e tranquilidade em sua refeição. Caso desejem mais alguma coisa, é só tocar o sino. – disse Parker piscando para os dois.
Shura assentiu e esperou que o homem se retirasse. Quando a porta foi fechada, notou que Afrodite mostrava-se alegre e sorridente.
- Vejamos... – disse Shura examinando as travessas que ia levantando a tampa. – Temos carne de javali com molho madeira, suflê, batatas assadas e... champanhe para comemorarmos!
- Ora, tudo está deliciosamente cheiroso. – disse Afrodite se servindo sem cerimônia. – Vejo que o senhor Parker providenciou um verdadeiro banquete!
- Fico feliz que tenha gostado. – disse Shura, servindo-se também.
Afrodite comeu com prazer e apetite. Em cada garfada, sorria e dizia algo engraçado, fazendo Shura rir até quase engasgar. Quando terminaram, houve um momento agradável de silêncio cúmplice, até Shura aproximar-se e tocar os lábios bem feitos de Afrodite.
- Já lhe disseram que seus lábios são uma verdadeira obra de arte? – disse ele limpando uma gotinha de molho que jazia na boca carnuda.
Afrodite desviou os olhos para que Shura não visse o intenso desejo que o acometia. Era tanto que ele temia ter uma indigestão.
- Por favor, senhor Shura... eu...
- Perdoe-me... Devo estar parecendo um sedutor de quinta categoria. Mas, estou sendo sincero, seus lábios são belíssimos e macios... – disse Shura desconcertado.
Sorrindo frente à demonstração genuína de admiração, Afrodite tomou a iniciativa e foi a sua vez de tomar a boca de Shura num beijo lento e provocante.
O espanhol deixou escapar um gemido baixo quando os dentes de Afrodite mordiscaram seu lábio inferior e a língua buscou a sua, sôfrega e ardente... Ao beijo somou-se uma reação imediata e intensa no baixo ventre de ambos. As salivas iam se misturando, as respirações evoluindo para ofegos entrecortados e as mãos buscando as peles ainda cobertas pelas roupas.
Os dedos de Shura enveredaram entre os cachos loiros de Afrodite prendendo sua nuca macia e desatando a tira de seda, deixando que os fios caíssem como uma rede luminosa. Afrodite gemeu dentro de sua boca e sentiu a mão calejada de Shura tocá-lo por baixo da camisa, acariciando suas costas, fazendo-o estremecer...
As roupas foram rapidamente retiradas, encontrando o chão feito de madeira polida e escura. O ar frio arrepiou a pele alva de Afrodite, mas, logo, o corpo forte, quente e nu de Shura encostou-se ao seu e o ambiente pareceu incendiar-se.
Livres de barreiras, Shura prensou Afrodite contra as almofadas do sofá e sentiu as unhas do loiro arranhar-lhe as costas. Gemeu, deliciado e estreitou-o ainda mais junto de si, fazendo-o sentir o quanto o desejava...
Gemidos ora de um, ora de outro preenchiam o ambiente, a boca carnuda de Afrodite rastreava a pele morena de sol, pescoço, ombros e garganta do espanhol. Inebriado, ele queria sentir cada pedacinho tentador daquele homem que fazia seus sentidos ferver e seu bom senso se evaporar.
- Eu quero você... eu quero tanto você... – disse Shura rente aos lábios do loiro.
Afrodite tomou-lhe a boca, não deixando que Shura continuasse. Também o queria... muito! Mais ou igual a ele e... tão desesperado quanto. Ele subiu as mãos nos braços musculosos de Shura, acariciando-o devagar, mas esqueceu completamente de suas ações quando sentiu o hálito quente contra seu mamilo e a língua ávida do espanhol sugando-o com delicadeza...
A entorpecente fricção das ereções aumentava o fogo que ambos sentiam arder dentro de si. Os beijos se tornavam cada vez mais vorazes e sedentos... as mãos másculas de Shura circundavam a cintura esguia de Afrodite e moviam-se pelas coxas e glúteos, enquanto a língua úmida incitava os mamilos túrgidos para depois retornar aos lábios e sugá-los com gosto e fervor...
Afrodite correspondia ao ardor do espanhol tremendo de tanta excitação. Então, enquanto tomava, mais uma vez a boca do espanhol com um beijo cheio de luxúria, sentou-se sobre as coxas musculosas, rebolando sobre seu quadril. O falo excitado roçou a pélvis de Shura e tal visão fez o espanhol quase enlouquecer. Com sofreguidão, puxou a nuca de Afrodite beijando-o como se o fosse engolir.
Os corpos unidos, as bocas unidas. Afrodite envolveu as pernas ao redor de sua cintura, o beijo tornou-se mais úmido, intenso à medida que os corpos se esfregavam e reconheciam como se tentassem fundir-se num só.
O ritmo entre eles era crescente, lascivo e... ardente. Shura beijou a mão e lambeu os dedos brancos de Afrodite. O loiro fechou os olhos e gemeu, sentindo que o espanhol o penetrava com um dedo, ao mesmo tempo em que mordiscava seu pescoço, preparando-o com cuidado.
Desacostumado com tanto carinho, Afrodite remexia-se em seu colo exigindo que ele fosse mais rápido. Seus gemidos eram altos, seu desespero, visível... Sem pressa, Shura introduziu o segundo dedo e tratou de calá-lo com outro beijo de tirar o fôlego. Seus sentidos eram um mistura nublada de prazer e desejo de sentir Afrodite seu, mas ele não era apressado...
Quando sentiu que não iria machucar o amante, Shura retirou os dedos e acompanhou de olhos vidrados, o loiro apoiar-se nos seus ombros e descer devagar sobre seu falo.
Os dois arfaram juntos. À expressão inicial de dor, seguiu-se uma expressão de deleite acompanhada por gemidos prazerosos.
Afrodite era apertado, quente... deliciosamente quente.
O loiro sentia-se completo... intensamente preenchido.
Afrodite subia e descia no colo de Shura. Os cabelos grudados às costas suadas, os gemidos se tornando roucos, vindos do fundo da garganta... As mãos de Shura seguravam-no pela cintura ajudando-o a se mover, fazendo-o tomar seu falo cada vez mais fundo dentro de seu corpo e vivenciar um prazer inédito, primordial e, ao mesmo tempo, sublime...
Os movimentos eram cadenciados, fortes e profundos levando-os a um patamar de prazer que parecia incendiar os corpos e lançá-los numa dança insana, veemente e sem limites...
Entregue, Shura ofegava enterrando-se mais fundo dentro de Afrodite e o sentia cravar as unhas em suas costas, aumentando o ritmo...
À respiração entrecortada, somavam-se o suor, os gemidos e o momento em que ambos chegavam ao limite, sentindo-se invadir pelos fortes tremores do gozo...
Quando o clímax chegou, Shura estocou com força e fitou os olhos marejados de Afrodite. Um vínculo criou-se, como se aquela intimidade já houvesse existido e só estivesse aguardando o momento de ser, novamente, despertada...
- Meu amor... – Shura sussurrou antes de inundá-lo com seu sêmen. – Agora você é meu!
Com os lábios entreabertos, Afrodite puxou o ar e gritou antes de derramar-se no tórax rijo de Shura. O nome do espanhol escapou de sua boca arfante e ele sentiu-se desintegrar, fundindo-se ao corpo, gosto e cheiro que o penetrara como nenhum outro...
Exausto, tombou em cima de Shura e este, gentilmente tomou-lhe mais uma vez nos braços deitando-se, junto a ele, no sofá. Num ato de extremo afeto, Shura lutou com o torpor de seu corpo e aconchegou-se mais ao corpo de Afrodite para sentir o coração acelerado, dele, bater junto ao seu. Fechou os olhos e suspirou, sentindo o corpo saciado e a alma também.
Afrodite sorriu ainda de olhos fechados. Era a primeira vez que sentia a permanência do êxtase, após ter gozado. Abriu os olhos e encontrou aqueles olhos negros e profundos sobre si.
Havia os vestígios de prazer no abdômen dos dois, as pernas estavam entrelaçadas e a mão de Shura acariciava seus cabelos. E tinha aquele sorriso que parecia desnudá-lo e, ao mesmo tempo protegê-lo de qualquer coisa.
Shura tocou seus lábios, novamente... O dedo longo perfazendo o contorno ainda mais rubro que antes. Em seu peito digladiavam duas forças: o medo de desejar demais e o contentamento de sentir que dera prazer ao homem que amava.
Talvez quisesse algo que não poderia ter... O espanhol ouviu em sua mente.
Afrodite percebeu a angústia de Shura, porque ela jazia em seu próprio coração. Quantos amantes o haviam deixado assim, pleno, feliz? Quando vivenciara uma relação com tanto cuidado e ternura, ao ponto de fazê-lo desejar dividir sua vida com alguém?
Tomou a mão de Shura na sua e, beijou-a encostando-a em seu rosto, ainda afogueado pelo orgasmo.
- Obrigado... – disse, simplesmente.
- O prazer foi meu. – respondeu Shura, controlando-se para não gritar que o amava.
- Foi nosso... – retrucou Afrodite.
Olhando-se, intensamente, os dois tornaram a se beijar, cada um guardando para si o sentimento transbordante que se insinuava em seus corações...
A tarde já estava na metade quando a carruagem negra percorreu o caminho que levava aos carvalhos centenários. Dentro da hospedaria, Shura e Afrodite se despediam do senhor Parker, sem saber o que os aguardava.
Quando o último detalhe foi combinado e os dois se encaminharam para a saída, um homem, elegantemente, trajado desceu da carruagem e caminhou na direção de Afrodite. O loiro franziu o cenho e sentiu que Shura retesou o corpo. Era Saga que vinha ao seu encontro e sorria de um jeito frio e diabólico, como se o tivesse pegado em uma armadilha ou coisa do gênero.
- Ora, ora... mas que coincidência agradável vê-lo aqui, Afrodite. – disse o duque com um tom de voz cordial.
— Como vai, senhor duque? – falou Afrodite não demonstrando nenhuma emoção.
- Muito bem para quem fez uma viagem longa. Não vai apresentar-me o seu... amigo? – perguntou Saga.
- Este é o senhor Shura, proprietário desta hospedaria que está em reforma. Senhor Shura, este é Saga, duque de Kaligaris. – disse Afrodite.
- Muito prazer, senhor Shura. Mas que coincidência, vim até aqui para conversarmos.
Shura franziu o cenho. Não se lembrava de ter qualquer assunto com aquele homem.
- Oh, perdoe-me... Estou sendo indelicado. Meus advogados trouxeram a informação que, além de um terreno, este prédio também havia sido vendido para um investidor espanhol. Porém, lamento informar-lhe que ambas as vendas não são válidas e o senhor foi enganado.
— Como? – perguntou Shura.
— Esta propriedade, assim como o terreno que o senhor adquiriu esta manhã, não pode ser vendida. Todos os dois me pertencem como pagamento de uma dívida. Quem as repassou ao senhor, agiu de má fé.
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