Desejo Proibido.
8 VIII
Notas iniciais
... Mais tarde ...
— Boa tarde Jessy. — A moça da biblioteca me cumprimenta sorrindo.
— Boa tarde. — Ela entrega meu cartão e eu entro.
— Achei que não vinha mais. — Cooper estava sentado em uma mesa com uns livros abertos.
— De fato eu não queria vir. — Me sentei ao seu lado e respirei fundo.
— Ta tudo bem?
— Mais ou menos.
— O que houve?
— Nada demais, não se preocupe com isso. — Sorri.
— Tem certeza que não quer conversar sobre isso? — Ele me observava.
— Tenho... Vamos terminar com esse trabalho logo por que quero ir embora. — Ele riu.
— Ta bom, vamos lá.
Eu e Cooper ficamos fazendo o trabalho de francês que era pra amanhã e nos divertimos bastante, tivemos algumas dificuldades, mas nada muito exagerado...
— Eu vi aqui um livro que explica sobre essas histórias mitológicas, você acha que ele pode ajudar? — Cooper perguntou me olhando.
— Acho que sim, eu vou pegar. — Ele me falou o nome do livro e eu fui até a prateleira que ficava mais ao fundo da biblioteca. — Hum, cade você?
— Eu to bem aqui. — Me assustei virando bruscamente e me deparei com Thomas me olhando.
— O que você ta fazendo aqui? — Perguntei.
— Eu trabalho aqui. — Ele riu irônico.
— O que faz aqui na biblioteca.
— Pesquisas. — Ele sorriu sapeca. — Precisa de ajuda?
— Não, obrigada. — Me virei e coloquei a mão nos livros pra ir vendo os nomes.
— Comigo te ajudando pode ser mais rápido. — Ele colocou a mão dele sobre a minha.
— Já disse que não, sai daqui. — Tirei a mão rapidamente e fui me afastando dele.
— Você não veio no sábado, posso saber porque? — Ele cruzou os braços se encostando na prateleira.
— Por que eu não queria olhar pra essa sua cara ridícula. — Ele riu.
— Preferiu ir beber por aí. — Eu o olhei.
— O que eu faço ou deixo de fazer fora da faculdade não é da sua conta.
— Tem razão. — Fiquei em silêncio. — Mas não cumpriu ordens.
— Ordens de quem?
— Minhas. — Eu o encarei.
— Caguei pras suas ordens. — Ele chegou por trás falando ao meu ouvido.
— Tem certeza que vai querer que as coisas sejam dessa forma? — Coloquei a mão em seu peito afastando-o.
— Não chegue perto de mim. — Ele colocou a mão sobre a minha.
— Jessy... Jessy... — Thomas beijou minha mão e saiu. O olhar que tinha em seu rosto era de que ele estaria aprontando algo e eu só tinha que esperar pra ver.
Depois de quase três horas terminamos o trabalho.
— Finalmente. — Me encostei na cadeira respirando fundo. — Tive uma overdose de francês.
— Somos dois. — E rimos. — Eai, vai fazer alguma coisa essa noite?
— Hum, não.
— Ta afim de ir comer alguma coisa?
— Pode ser amanhã? Eu to muito cansada. — Cooper sorriu.
— Claro que pode, mas vou cobrar hein.
— Pode cobrar Cop. — Nos levantamos e nos abraçamos.
— Obrigado pela ajuda hoje Jessy.
— Magina, você me ajudou também. — Sorrimos um pro outro.
Terminamos de arrumar nossas coisas enquanto conversávamos e assim que fomos saindo, a moça da biblioteca me chamou.
— Jessy. — Fui até ela.
— Sim?
— Você terá de ficar na biblioteca hoje. — Arqueei a sobrancelha sem entender.
— Por que? — Ela colocou um papel sobre a bancada.
— Você não cumpriu a ordem de detenção no sábado, terá de cumprir hoje ou será suspensa por dois dias. — Fiquei chocada.
— Mas... Até que horas vou ficar aqui? — Disse finalmente.
— Detenção de duas horas, mas como você não veio no sábado, foi duplicado o tempo.
— Vou ter que ficar quatro horas aqui? — Eu ainda estava chocada e com muita raiva de Thomas.
— Sim. — Ela me entregou uma caneta. — Assine aqui.
— O.k — Assinei o papel e me virei pro Cooper. — Bom, terei que ficar.
— Sinto muito. — Ele suspirou. — Até amanhã.
— Até. — Ele foi embora.
— Temos aquele carrinho com livros ali, pode começar por eles.
— Ta bom. — Quando me virei, Thomas estava encostado em uma das prateleiras com aquele sorriso sapeca dele e um olhar de "eu te avisei". Peguei o carrinho e passei por ele. — Te odeio.
— Eu sei. — Ele riu e saiu de perto de mim.
Fiquei organizando os livros, o que dava um certo trabalho já que eu não conhecia a biblioteca toda, já era quase oito da noite e tinha cerca de 3 ou 4 alunos restantes, até a bibliotecária já tinha ido embora.
— Trouxe pra você. — Thomas chegou com um saco de papel. — Precisa comer.
— Não quero. — Ele colocou em cima da mesa e se sentou na cadeira.
— Pare de ser tão teimosa e coma um pouco, daqui a pouco vai desmaiar. — Fiquei encarando ele. — Sente-se aqui, vamos conversar pelo menos uma vez civilizadamente.
Me sentei ao seu lado e peguei o lanche que ele tinha comprado, ele começou a puxar assunto comigo e no começo eu ainda estava com bastante raiva dele e ele sabia disso, mas depois de um tempo, começamos a conversar normalmente. Os outros alunos foram embora e era apenas nós dois ali na biblioteca e o segurança do lado de fora.
— Bom, eu tenho que terminar de organizar esses livros. — Disse me levantando. — Obrigada pela janta.
— De nada. — Ele sorriu e eu voltei pro corredor, ele ficou me olhando.
— Você não vai embora? — Perguntei.
— Não posso.
— Por que?
— Já passou do horário extracurricular de alunos na escola, no momento eles só podem ficar aqui se um professor estiver acompanhando.
— Quer dizer que você vai ficar aqui comigo? — Ele concordou. — Oh beleza.
— Achei que sua raiva por mim tinha passado.
— Talvez um pouco, mas você sabe que é um cuzão. — Ele riu.
— Sim, eu sei. — Encostei na prateleira encarando-o.
— Se sabe então por que é assim?
— Pra chamar atenção.
— Atenção de quem?
— Sua. — Arregalei os olhos.
— Chega desse papo Thomas. — Continuei arrumando os livros, já estavam nos últimos, ele se levantou e veio até mim.
— Minha curiosidade sempre foi maior que eu. — Ele me virou de frente pra ele me encostando na prateleira. — Por isso sou desse jeito.
— Deveria parar com isso.
— Não consigo. — Sua respiração estava em meu pescoço e aqui estava me deixando louca por dentro, meu corpo estava esquentando e ele só estava parado, as mãos na prateleira e respirando perto do meu pescoço, esperando alguma aprovação minha.
— Chega. — Empurrei ele. — Não podemos fazer isso, eu nem te conheço e você é meu professor, isso é errado. — Fui saindo do corredor e ele pegou na minha mão me puxando levemente.
— Então deixa eu te conhecer. — Me soltei de sua mão.
— Não Thomas, fica longe de mim. — Peguei minha blusa e minha mochila e fui embora.
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