Desejo Proibido.
7 VII
Notas iniciais
Assim que cheguei na faculdade tava tudo muito deserto, dava pra contar nos dedos quantas pessoas se viam no campus, fui até o prédio central em busca de Dante e Carmen, tentei ligar em seus telefones, mas só caixa postal.
— Mas onde esses dois foram se meter?! — Pensei alto.
Continuei andando, quando cheguei no patio da lanchonete encontrei três pessoas largadas, uma no chão e duas em uma mesa.
— GENTE! — Corri até os três, Dante estava só de cueca, umas fitas coloridas em volta do seu corpo, cheio de purpurina e roncava alto. — Dante... DANTE.
— HÃN? QUE? — Ele mal conseguia levantar a cabeça, mas deu sinal de vida. Olhei pro lado Carmen estava dormindo com a boca aberta babando bastante, em uma de suas mãos ainda havia uma garrafinha de cerveja e ela também tinha umas fitas coloridas e muito purpurina no cabelo e tinha uma pessoa desconhecida caída no chão ao lado de Dante, provavelmente seria algum ficante dele, já que parte da calça dele estava abaixada e na sua bunda estava escrito "Dante passou aqui".
— Gente? — Chacoalhei Carmen e Dante. — Vamos!
— Onde a gente ta? — Carmen abriu um pouco os olhos me encarando. — Ai minha cabeça.
— Estamos na faculdade. — Ela colocou a mão em cima dos olhos e levantou devagar.
— Eu não lembro de nada. — Ela pisca várias vezes antes de me focar. — Dante, acorda.
— Hãn... — Ele se mexe um pouco, então Carmen o empurra no chão. — Que merda... — E voltou a roncar.
— Vamos levar ele pra casa. — Eu me aproximo dele no chão e o levanto com dificuldade, ele fedia bebida.
— Jessy? — Dante abriu um pouco os olhos, me encarando. — Você é tão bonita, quer me beijar?
— Não Dante, você ta fedendo bebida. — Sua cabeça pendia de sono.
Carmen se levantou com dificuldade e veio me ajudar a carregar Dante até o carro, o joguei no banco de trás e joguei uma blusa minha em cima dele.
— Amiga, que roupa é essa? — Carmen me olhava.
— Acabei indo pra casa do Cooper e ele me emprestou umas roupas. — Carmen fez um olhar safado. — Não aconteceu nada do que está pensando.
— Aconteceu pior né? — Ela riu e eu revirei os olhos.
— Falo nada, espera no carro. — Fui andando de volta pro patio da lanchonete.
As roupas que Cooper me emprestaram até que ficaram bem em mim, era uma calça de moletom cinza que ficou levemente larga, uma camiseta branca e por cima uma camisa de manga comprida xadrez vermelha que era mais grossa e bem quentinha, eu tinha um par de tênis no carro e estava os usando.
Cheguei até o patio pra pegar o tal garoto bêbado, eu o levantei com dificuldade.
— Conhece esse garoto? — Uma voz falou atrás de mim, me assustando.
— Ai que susto! — Me virei e era Thomas, como sempre suas mãos no bolso e me dando aquele olhar sensual. — Não, não o conheço, por que o interesse?
— E pra onde está o levando?
— Embora pra algum lugar. — Ele levantou a sobrancelha.
— Gosta das boas ações?
— Pare de encher o saco e me ajude. — Thomas caminhou até mim e pegou o rapaz no colo. — Vamos pro meu carro.
Caminhávamos em silêncio, bem desagradável por sinal.
— Pelo jeito a noite foi bem divertida. — Ele me olhava com aquele sorriso sapeca.
— Talvez. — Chegamos no meu carro e Thomas o colocou lá dentro do lado de Dante.
— A noite foi realmente boa. — Ele fechou a porta soltando um leve riso e se encostando. — Algo a declarar?
— Obrigada pela ajuda. — Fui saindo de perto e ele segurou meu pulso.
— De quem são essas roupas?
— De um amigo. — Ele levantou a sobrancelha.
— Amigo? Que tipo de amigo empresta roupas?
— O meu amigo que não é da sua conta. — Sorri cínica. — Agora me deixe ir.
— Não vai nem me agradecer?
— Já agradeci.
— Não to falando dessa forma. — Ele sorriu sapeco. — Já que você tem amigos que te emprestam roupas, não me importaria de se tornar seu amigo.
— Me poupe dos seus comentários. — Fui saindo de perto e entrei no carro.
Pensamento On
Por que ele tem que me provocar desse jeito? Eu não consigo nem me concentrar direito... Esse calor que não sai do meu corpo pensando nele... Preciso de ajuda.
Pensamento Off
Levei Carmen pra sua casa e deixei os dois bêbados por lá.
— Obrigada amiga, deixa que agora eu cuido deles. — Ela me abraçou.
— Magina, qualquer coisa me liga. — Sorri.
Fui embora pra minha casa, já estava de tarde e o cansaço era grande, cheguei e logo me joguei no sofá, eu estava com tanto sono que nem deu tempo de pensar em qualquer coisa.
...
— Quanto sono. — Aquela voz novamente. — Esperava te encontrar mais agitada.
— Th- Thomas? O que está fazendo aqui? — Eu levantei um pouco do sofá e ele estava parado ao lado, me encarando.
— A porta estava aberta, achei que poderia fazer uma visita pra você?
— Aberta? Como assim? Eu tranquei assim que cheguei.
— Eu acho que não. — E soltou aquele sorriso sapeca de sempre dele. — Mas vamos tratar de coisas mais importantes.
— O que está fazendo? — Thomas se sentou ao meu lado no sofá, como eu ainda estava deitada, ele puxou meus pés pro seu colo. — Thomas, é melhor você ir embora.
— Acho que não. — Suas mãos quentes estavam por baixo do cobertor e por baixo da minha calça, ele passava as mãos nas minhas panturrilhas. — Você está muito tensa, precisa relaxar.
— Th- Tho... — Ele subiu as mãos por cima da calça agora até minhas coxas, seu toque era bastante firme.
— Xiiiu... — Ele sorriu e suas mãos davam leves apertos nas minhas coxas. — Ainda não acredito que está com essas roupas do seu amigo, tenho que me livrar disso.
Ele foi se movimentando vindo pra cima de mim e agora uma de suas mãos se apoiava no sofá e a outra apertava minha cintura, meus olhos se fechavam e o calor só aumentava no meu corpo desejando aquele homem.
— Você é louco. — Abri os olhos e ficamos nos encarando, aqueles olhos, de um lado azuis como o mar e do outro castanhos folhas de outono.
— Que você deseja mais que qualquer coisa. — Ele sorriu e começou a beijar meu pescoço, minhas mãos subiram pros seus cabelos, Thomas continuava com seus beijos enquanto desabotoava devagar minha camisa xadrez, seu beijo subiu e aquele beijava minha boca, um beijo quente e intenso. — Ficou quieta de repente, acabou os comentários.
— Não consigo me concentrar com você me deixando assim. — Ele sorriu.
— Assim? — Minha blusa xadrez já estava aberta e ele colocava a mão em minha barriga por baixo da camiseta. Eu só concordei com a cabeça...
... Telefone toca...
Levantei em um pulo no sofá, assustada e rapidamente olho ao redor, não tem ninguém em casa, a porta estava mesmo trancada e eu estava sozinha na sala, meu corpo encharcado de suor e percebi que tive um sonho pesado com Thomas. Olho pro lado e meu celular ainda ta tocando.
Ligação: On
JSY — Alo?
X — Amiga, você não vem pra aula?
JSY — Ah, oi Carmen.
C — Achou que fosse quem?
JSY — Ninguém, eu só não olhei quem estava ligando.
C — Você ainda ta dormindo?
JSY — Sim.
C — Esqueceu de vir pra faculdade então?
JSY — Sim
Rimos.
JSY — Quer saber, não vou mesmo, mais tarde vou ir estudar um pouco na biblioteca, não sei, vou ver.
C — Justo hoje que é o Thomas dando aula, você ta perdendo.
JSY — Não quero nem olhar pra cara desse idiota.
C — Por que? O que aconteceu que você não me contou?
JSY — Longa história amiga, deixa pra depois.
C — Ta bom então, descansa aí, vou comer
JSY — Manda um beijo pro Dante
C — Ele ta morrido aqui na mesa com dor de cabeça, mandarei sim
JSY — Que dó
Rimos.
JSY — Então beijo
C — Beijo
Ligação: Off
Olhei no relógio já era quase nove horas da manhã, eu tinha perdido completamente a hora, eu ainda poderia ir e pegar as ultimas aulas do dia, mas quer saber? Não tava nem um pouco afim de olhar pra cara de Thomas, primeiro por que eu tinha raiva dele por ter rasgado meu trabalho, me dado aquela advertência, por ser tão trouxa e por me provocar tanto fazendo quase nada. Deitei de volta no sofá e liguei a tv, quando meu celular vibra.
Mensagem: Cooper
COP — Bom dia donzela
JSY — Eaaai
COP — To vendo que nem apareceu na faculdade hoje
JSY — Pse, perdi o horario
COP — Mas ta td bem?
JSY — Ta sim e por ae?
COP — Sim, aula de artes ta um saco hoje
JSY — adhbafiuw poxa
COP — Mas viu, semana passada vc disse que ia me ajudar no trabalho de francês
JSY — Puts vdd, eu esqueci
COP — Percebi
JSY — Acho que hoje a tarde vou na facul, qualquer coisa te aviso
COP — Ok
Mensagem: Off
Cooper era um amigo legal e lindo, eu gostava dele e acho que a gente se dava bem, desde que a gente se conheceu na aula de francês ele sempre vem saber se eu to bem, me ajuda como foi o caso no dia da balada, eu gostava dele, era um bom amigo. Me levantei e fui comer.
Quando passei novamente pelo corredor, percebi uma carta no chão que alguém tinha passado por baixo da porta, eu a peguei e era da faculdade dizendo que eu não tinha comparecido a minha advertência, por isso eu deveria falar com o professor responsável pra saber o que fazer nessa situação.
— Thomas, você é um inútil, vai ver só. — Joguei a carta no chão e fui curtir meu leite quente.
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