Notas iniciais
Olá people! Um mês se passou rápido né? :D Eu juro que tentei postar essa fic no dia 31 de janeiro, mas eu tive uma boa razão pra não postar nesse dia: foi o dia da minha solenidade, onde eu fiz o juramento e agora eu sou oficialmente uma advogada com número de OAB e tuto! *-* Vocês não tem ideia do quão feliz eu fiquei quando meu pai me deu aquela carteirinha S2 Enfim, não vou prorrogar mais que eu sei que vocês querem a continuação. Ah, Leiam a nota de fim. É importante dessa vez :P

TRÊS

Acaso

–Ah, eu sabia que era você! -comentou Naruto com a voz animada, dois tons abaixo do que ele já tinha ouvido antes, mas ainda assim era uma voz espalhafatosa. — Você é a cópia mais velha e cabeluda do Sasuke!

Naruto apertou a sua mão, colocando a quantidade certa de força para parecer confiante e não maldoso ou agressivo. A mão do outro era macia e quente, e felizmente não estava suada; Itachi pensou se Naruto tinha o mesmo sorriso que o pai. Depois se recriminou: não havia como existir alguém com um sorriso tão encorajador quanto o de Minato.

–Sem ofensas. -acrescentou Naruto, no mesmo tom animado.

–Não estou ofendido.

–Você é o irmão mais velho daquele Sasuke...? -inquiriu Minato aparentemente em choque; Itachi não podia culpá-lo.

Sejamos francos: quem poderia prever que ele seria salvo justamente pelo pai da garota que era destruída pelo seu irmão? Com certeza, não Itachi e ninguém no mundo. Era simplesmente muito azar. Talvez ele devesse tomar banho de sal grosso.

–Sou. -respondeu ele tentando não mostrar o quão decepcionado estava.

Minato tinha todos os motivos para odiá-lo, porque se Sasuke virou uma má companhia, a culpa era dele por não ter sabido criar direito o irmão. Especialmente se tudo o que Naruto disse acerca de Sasuke ser alguém que roubava coisas na escola fosse verdade, como Itachi suspeitava que sim.

Houve um ruído que Itachi não identificou o que era seguido pela voz de Minato proferindo um sonoro "ai" enquanto Shisui falava algo incerto, forçando sua mente a se focar naquela conversa.

–Naruto! -repreendeu Minato.

–Pai, você estava sem reação. -justificou-se Naruto e Itachi presumiu que o filho deveria ter feito alguma coisa que produzisse dor ao pai. Uma pisada no pé ou mesmo um beliscão.

Era desse garoto que Minato parecia sentir tanto orgulho? Para Itachi era inconcebível um filho machucar o pai, especialmente se fosse em público. Ele tentou se lembrar de que aquele garoto estava tentando ajudar seu irmão, antes de ficar com raiva dele por ter feito Minato ficar envergonhado diante de desconhecidos.

–Não precisava me beliscar na frente dos outros. -disse Minato. Na mosca.

–Seria pior se a mamãe estivesse aqui. -retrucou Naruto com um tom de voz displicente. -Ela ia te dar um tabefe na nuca e o senhor sabe como são os tabefes da mamãe.

Depois disso, Itachi só podia concluir que a família do médico era mesmo estranha por fazer algo como aquilo um hábito. Pior: então a esposa de Minato batia nele? O mundo era mesmo muito injusto.

–Vamos rebobinar. -disse Shisui. -Naruto você conhece o meu sobrinho, Sasuke.

–Certo.

–E por causa do Sasuke você conhece Itachi.

–"Conhecer" não é a palavra certa. Eu só conversei com ele uma vez.

–Tudo bem. Mas então porque é que o doutor falou "daquele" Sasuke? -inquiriu Shisui frisando bem o "daquele" no mesmo tom surpreso e chocado de Minato. -O Sasuke aprontou alguma coisa?

Houve um momento de silêncio entre os três que mudou completamente o diálogo entre eles. Itachi acabou curvando os ombros, sentindo mais esse peso sobre si: precisava ajudar Sasuke, mas não tinha a menor ideia de onde seu irmão estava ou o que podia fazer. Uma coisa que receava era que Sasuke tivesse entrado no mundo das drogas por sua causa. Havia algo dentro dele que lhe dizia que: por seu irmão se sentir atraído por ele e não saber conviver com isso, Sasuke preferia fugir da realidade daí usando as drogas como rota de fuga.

E se essa possibilidade fosse a real, Itachi sabia que teria que fazer algo para acabar com essa paixão de Sasuke por si, e ele não tinha a menor noção de como faria isso sem causar grande sofrimento ao irmão.

–Itachi, me diga de uma vez qual é o problema do Sasuke. -mandou Shisui com o tom de voz firme e duro que Itachi mais odiava, porque sempre que o tio usava aquele comando, ele invariavelmente obedecia.

Na verdade, qualquer pessoa na face da terra obedeceria Shisui Uchiha quando ele usava aquele tom de voz, já que acompanhado desta, sempre tinha O olhar. Itachi já não conseguia ver, mas sua lembrança daquele olhar era nítida. Shisui sempre mantinha um olhar calmo, mas quando utilizava aquele tom, seu olhar ficava sério demais e emanava um comando tão grande que era impossível desobedecer. Isso faria do seu tio um excelente policial porque sempre conseguiria obter o depoimento dos acusados, porém Shisui decidiu ser um editor literário.

–Sasuke está envolvido com drogas. -respondeu Itachi. -Quando ele me atacou estava sofrendo os efeitos pós-droga.

Itachi ouviu Naruto engasgar e disfarçar isso com uma tosse seca, Minato apenas ficou em silêncio e seu tio inspirou profundamente e depois expirou pela boca, provavelmente para conter um palavrão. Sua mãe particularmente os odiava e sempre que um dos dois deixava escapar um, ela batia na boca deles. Desde então, nem ele, nem Shisui utilizavam palavras de baixo calão, o que não significava que às vezes fosse difícil não empregá-las.

–Doutor Minato, o senhor me autoriza a dar um tabefe na cabeça desse meu sobrinho tolo? -perguntou Shisui e havia muita raiva no seu tom de voz.

–Não é recomendado, isso pode fazer a dor de cabeça voltar. -respondeu o médico com a voz apreensiva.

–Salvo pelo gongo. -murmurou Shisui e Itachi sentiu que seu pé era esmagado pela sola do que parecia um sapato social, fazendo-o reclamar. -Ou não.

Com um misto de raiva e desespero, Itachi sentiu seu rosto esquentar e se virou na direção onde achava que o tio estava, fazendo uma expressão de desgosto em sua cara. Se bem conhecesse Shisui, ele estaria lhe provocando com um olhar, mas ele não tinha certeza disso no momento.

–Queiram me perdoar, se eu for indiscreto, mas... -começou Minato. -Não pude deixar de reparar que você pareceu surpreso ao saber disso Shisui-san.

–É claro que eu estou surpreso! Acabei de saber disso! E, sinto muitíssimo se o meu sobrinho idiota fez algo a sua família. Nós nos responsabilizamos se...

–Vocês podem, sabe... Convencê-lo de que ele pode ser ajudado, sabe? -comentou Naruto aparentando estar inseguro. -O Sasuke me parece que 'tá perdido... Ele tem muita... Raiva ou algo assim.

–Naruto, não fale assim! -pediu Minato dessa vez com um tom de voz firme, que Itachi ainda não tinha ouvido. -Me perdoem pelo meu filho, ele fala tanta abobrinha que...!

–Pai! -falou Naruto com o tom de voz alto e estridente. -Eu não 'tou falando abobrinha! Eles precisam saber! Se quiserem ajudar o Teme, eles precisam saber disso!

–Naruto, eu sei que você ajudar o Sasuke, mas Itachi-san e Shisui-san vão se encarregar disso. -disse Minato com bondade, mas Itachi também conseguia perceber que o outro estava encabulado pela intromissão do filho. -Você não precisa se envolver com ele!

–Exatamente, Naruto-kun, nós vamos ajudar o Sasuke. -disse Shisui em um tom amigável. -É bom saber que ele tem amigos como você se importando com ele.

Naruto estalou a língua entre os dentes e nenhum dos outros homens pareceu ouvi-lo, mas Itachi percebeu. Ele não sabia o que aquela reação no mais novo significava, mas ele achou que fosse desagrado por alguma razão. Ele estava com vontade de perguntar por que Naruto achava que Sasuke sentia raiva, porque era nítido que, entre todos ali, quem mais parecia saber da situação atual de seu irmão era Naruto; e era horrível admitir isso.

Ele era o irmão mais velho, ele deveria cuidar de Sasuke, mas era um total desconhecido quem descobriu sobre o vício das drogas e agora dizia que seu irmão sentia raiva. Era decididamente cômico perceber que enquanto ele podia enxergar, ele estava cego para o que afligia Sasuke e agora que estava cego para o mundo, ele conseguia enxergar a verdade sobre o irmão mais novo. Tão cômico que frustrava.

Itachi deu um longo suspiro, enquanto inconscientemente dava um passo para trás, acabando por trombar com alguém que passava. Ele sentiu seu corpo inclinar-se para frente e suas pernas perderam o equilíbrio, se não fosse por Naruto, quase que ele ia caindo no chão. Naruto tinha agarrado seus ombros e Itachi se apoiou no que julgava ser o antebraço do mais novo. O que passava na cabeça de Shisui para eles conversaram próximos a um corredor?

–Você não olha por onde ou é cego? -perguntou um homem com a voz grossa, aparentando estar com muita raiva e vontade de comprar briga.

O burburinho que sondava a recepção praticamente se extinguiu, só restando o som da televisão que transmitia algum desenho, e os passos pesados do homem vindo em sua direção. Itachi se aprumou, apertando o braço de Naruto e se virou na direção dos passos, se orientado pelo cheiro azedo de suor misturado com tabaco que impregnava suas narinas. A colônia de alfazema que o homem passou na roupa não ajudava a atenuar o forte cheiro que ele emanava e Itachi estava quase franzindo o cenho. Ele escutou o som de um baque e alguém ficou na sua frente o protegendo. Só podia ser o seu tio.

–É a segunda opção. -retrucou Shisui em voz alta e no mesmo tom irritado.

O homem começou a balbuciar um pedido de desculpas e se afastar, pisando com força no piso de cerâmica com o calcanhar e produzindo um som alto e seco. Todas as demais pessoas na recepção, que tinham ficado quietas, voltaram a falar apenas quando as dobradiças da porta de entrada fizeram um rangido discreto para fechar a porta, não permitindo a entrada do vento morno.

–Você está bem Itachi?

–Estou. -ele respondeu finalmente largando o antebraço de Naruto.

–Cara, você pode chiar a vontade, mas a partir de hoje você vai morar lá em casa!

–Shisui, eu preciso ficar em casa para o caso do Sasuke voltar! -retrucou Itachi sem se abalar.

–Doutor, o senhor não acha que esse paciente é um velho ranzinza? -inquiriu Shisui de modo displicente. Itachi tampou o rosto com uma das mãos.

Parentes, você sempre pode contar com eles para passar vergonha na frente dos outros. Tanto Minato quanto Naruto riram da piada medíocre do seu tio e Itachi imaginou-se arrancando o olho de Shisui como compensação por aquela vergonha. Isso lhe acalmou um pouco.

–Por que não contrata um enfermeiro para ele? -perguntou Minato com bondade. -Nos primeiros dias é sempre bom que ele esteja acompanhado, para evitar possíveis acidentes na fase de adaptação.

–Não preciso de enfermeiros.

–Oh, claro que não! -ironizou Shisui. -Não, eu vou contratar uma babá para ele. -Itachi se virou para onde achava que o tio estava e franziu os lábios em irritação. -Ou uma dama de companhia.

Itachi estava seriamente considerando a vontade de pisar no pé do tio naquele exato instante, colocando todo o seu peso na pisada. Mas havia algo que lhe impedia: Minato ainda estava bem ali. E ele não queria passar a imagem descrita por Shisui ao médico.

–Ele não parece precisar de babá. -disse Naruto gentilmente. O garoto era esperto. -Mas talvez precise alterar algumas coisas para se acostumar mais rápido. Se precisarem de ajuda nisso, eu ajudaria com prazer.

–Não precisa de enfermeira, mas seria interessante que Itachi permanecesse um tempo próximo de alguém. -palpitou Minato com a voz doce. -Filho, você não tem experiência nisso.

O médico já era totalmente calmo e gentil quando trabalhava, mas quando estava com o filho ficava ainda mais carinhoso, pelo que Itachi podia constatar. Em nenhum momento o médico perdeu o tom amável com o mais novo, o que comprovava que Minato realmente amava sua família e não fazia questão de esconder isso. Saber disso fazia com que Itachi se sentisse um pouco triste, mas também um pouco feliz; isso o deixava confuso.

–Pai... -retrucou Naruto com a voz tão doce quanto a do pai, mas Itachi identificou um tom pesaroso nela. -O senhor sabe que eu posso ajudar nisso. Já fiz algo parecido com... O Nagato...

Minato perdeu a fala e Naruto não continuou a argumentar, havia um silêncio doloroso entre pai e filho, fazendo com que Itachi sentisse uma curiosidade colossal sobre quem era Nagato. Ao mesmo tempo em que ele queria saber que era essa pessoa, ele sentia que não podia perguntar isso, simplesmente não tinha coragem. Porém Shisui era intrometido o bastante para perguntar e cara de pau demais para saber exatamente qual tom de voz usar ao perguntar.

–Nagato era alguém de quem você gostava muito, Naruto-kun? -perguntou o tio com a voz tão suave, que transparecia gentileza e bondade, mas sem exageros.

Naruto hesitou, mas após um suspiro doloroso, compartilhado pelo pai, respondeu:

–Era o meu irmão mais velho. -Naruto fez outra pausa e o silêncio pesou. -Ele morreu.

–Sinto muito. -perguntou Shisui verdadeiramente sentido.

Itachi também estava, mas 'sinto muito' ou 'meus pêsames' não eram palavras que ele achava serem corretas a serem ditas naquele momento. Essas eram as palavras que todos diziam, era quase um jargão popular. Itachi preferiu permanecer em silêncio.

–Eu não queria...!

–Está tudo bem... -murmurou Minato, mas sua voz estava drasticamente alterada para um tom melancólico. -Não se preocupe, Shisui-san, nós...

O médico foi interrompido porque duas músicas começaram a tocar naquele momento. De um lado tocava "Hotel Califórnia" do Eagles e Itachi sabia que aquele era o toque de celular de Shisui, e do outro lado tocou It's my live, do Bon Jovi.

–Só um momento! Itachi fique aqui! — pediu Shisui atendendo a ligação e depois alterando o tom apressado de sua voz por um calmo e suave. –Bom dia, aqui é Shisui Uchiha da editora Shushin, me diz que terminou o rascunho do capítulo, sim?

Itachi ouviu o tio dar alguns passos de distância enquanto Bon Jovi ainda cantava que não viveria eternamente e Naruto parecia apalpar-se com pequenas batidinhas estaladas até provavelmente encontrar seu celular e falar alto:

–Ai meu Deus! -disse Naruto alarmado e apertar em um botão. -Oi mãe!

"ONDE É QUE VOCÊS 'TÃO?"

Era uma voz decididamente feminina e decididamente essa mulher devia estar com algum problema para gritar daquele jeito. De repente, Itachi se conscientizou de onde é que Naruto puxou a voz espalhafatosa, porque a mulher também falava assim; invariavelmente ele se perguntou como é que Minato foi parar com ela. A mulher parecia uma doida ao falar com o filho, que agora falava baixinho, com um tom de voz entre o apavorado e o adulador.

Dessa vez foi Naruto quem se distanciou dele e Itachi até que sentiu um pouco de pena, fosse quem fosse a mãe do mais novo, ela irritada deveria ser algo medonho. Inevitavelmente ele acabou se lembrando de sua mãe, ela raramente ficava irritada e sempre tinha um sorriso gentil no rosto, mas quando ele esquecia de fazer uma das tarefas de casa por ter ficado brincando com Shisui e Sasuke ela era terrível. Cortava sua sobremesa por um mês ou então lhe dava mais tarefa de casa, apenas para que ele não participasse da brincadeira.

–Sabe Itachi, desde que eu soube que a Karin estava namorando seu irmão, o que ele fez com meu filho e sabendo que tipo de coisa ele aprontava na escola eu... Tinha feito um juízo de você. –comentou Minato com a voz branda, mas ainda assim séria. –Eu cheguei a pensar que era sua culpa que Sasuke tenha feito tantas escolhas erradas.

Itachi sentiu seu coração afundar e o peso em seus ombros aumentava mais e mais, porque era sim a sua culpa. Era ele quem tinha que ter vigiado melhor o seu irmão, mas Sasuke aparentava ser tão forte, mesmo após a morte do pai. E ele teve tantos problemas, primeiro para manter a guarda do irmão, segundo para trabalhar e estudar, e manter um lar decente.

O problema, Itachi pensava agora, é que quando aceitou tudo isso ele pensava que poderia dar conta de tudo, mas essa possibilidade nunca lhe surgiu em mente. Ele jamais esperaria que Sasuke viesse a sentir algo doentio por ele ou que viesse a entrar no mundo das drogas. O que importava naquele instante era que ele precisava salvar o irmão de algum jeito. Ele teria que encontrar um meio sem envolver Shisui, pois Sasuke era sua responsabilidade e o seu erro ao não cuidar do irmão resultou nisso; não poderia envolver mais gente nisso.

–Mas você e nem o Shisui-San são como eu imaginava. –continuou Minato em um tom mais amigável. –Então a única coisa que posso pensar agora é que não existem culpados. Sasuke é uma criança que está fazendo escolhas erradas e você pode guiá-lo pelo caminho certo, porque você é a família dele.

–Eu sei que posso fazer isso. –disse Itachi com a voz resoluta. –Você também pode fazer isso.

Talvez Minato tivesse mais o que falar, mas logo os passos ligeiros de Naruto soaram e Itachi voltou a sentir o intenso aroma do xampu de camomila. O garoto ainda estava falando no celular quando se aproximou.

–Nós já estamos indo, mamãe! Daqui a pouco a gente... Ah, ela desligou. –murmurou Naruto com um muxoxo. –A gente pode ir pai? A mamãe me ameaçou pelo telefone!

Minato gargalhou gostosamente dessa vez e Itachi apreciou aquele som, imaginando o sorriso que viu há algumas semanas enquanto desfalecia e imediatamente o peso em seus ombros pareceu minimizar. Naruto parecia que estava ao seu lado, porque Itachi conseguiu escutar com precisão um som enraivecido do menor, embora soasse quase como birra, fazendo-lhe lembrar do seu irmão quando era criança.

Quando Sasuke tinha cinco anos fazia um beicinho todas as vezes que recebia um "não", parecendo um patinho, já que seu irmão sempre teve o cabelo naturalmente revolto atrás. Sasuke odiava o apelido, Itachi tinha certeza que essa era a grande razão para o apelido ter pegado entre ele e Shisui.

–Ela ameaçou o senhor também, sabia? –murmurou Naruto em um tom de voz ofendido e birrento e, por algum motivo, Minato riu um pouco mais. –Não vejo graça.

Itachi também não via graça nenhuma e permaneceu silencioso, escutando o adolescente bufar ao seu lado. Em meio a isso, ele escutou as passadas longas e ruidosas do seu tio se aproximando.

–Desculpem a demora! –murmurou Shisui. –Itachi precisamos ir.

–Tudo bem. –concordou ele.

–Então nós também já vamos. –disse Minato. –Não esqueça se de marcar a consulta Itachi.

–Não esquecerei. -disse Itachi, voltando a segurar a barra da camisa do tio e se odiando por isso.

–Naruto-kun, eu vou considerar a sua proposta viu? –disse Shisui e Itachi ficou pensando se o outro falava sério ou apenas estava sendo educado. –Se eu decidir contratá-lo, como é que vou saber onde você está?

–O Itachi tem o meu número, não tem? -inquiriu Naruto, ainda caminhando ao seu lado. Itachi quase sentia o corpo do outro roçar pelo seu. -Da caixa eletrônica.

–Tenho.

–Ótimo! –disse Shisui com animação, abrindo a porta da saída. –Obrigado por tudo!

Eles se despediram e Itachi ouviu os passos de pai e filho se distanciarem com agilidade, provavelmente eles não queriam provocar ainda mais a ira da matriarca daquela família estranha.

–Finalmente vamos embora deste hospital, rapaz!

E Itachi não poderia concordar mais.

..............................

"Help!

I need somebody!

Help!

I not just anybody!

Help!

You know I need someone…

Help!"

Me ajude!

Eu preciso de alguém!

Me ajude!

E não é qualquer um!

Me ajude!

Você sabe que eu preciso de alguém...

Me ajude!

(Help! –Beatles)

Às vezes Itachi ficava assombrado como algumas músicas encaixavam perfeitamente em dados momentos da vida: ele precisava de ajuda. Sua nova tia, Shizune, estava lhe deixando louco, não pela sessão the Beatles que tocava na sala. Mas por lhe mandar ficar deitado na cama em repouso absoluto e ele não conseguia mais ficar naquela cama!

Todo o seu corpo estava doendo de tanto ficar deitado! Como é que ela esperava que ele dormisse, quando seu irmão estava Deus sabe onde e o vizinho de cima resolvia fazer uma reforma no prédio, sendo que ela própria fazia uma mudança de móveis na sala?

A resposta era simples: não dava para dormir. Mas, Shizune tinha um radar e toda vez que ele saía da cama, ela lhe mandava deitar. Não era do seu feitio ficar parado. Há três semanas ficar parado era um luxo que não tinha! Cuidar da casa, dos estudos e trabalhar exigia muita da sua atenção e conseguir fazer tudo lhe deixava com apenas umas quatro horas de sono, uma rotina que não se alterou por cinco anos.

Itachi resolveu fazer uma nova tentativa e se levantou da cama, querendo ir até a sala para, pelo menos, conversar com ela. Talvez pedir para que ela ligasse para a escola onde Sasuke estava matriculado e ver se tinha alguma notícia, ou ligar para a polícia. Alguém devia saber onde seu irmão estava.

Por algum motivo, a pessoa que lhe veio em mente foi o filho de Minato, o qual Itachi não lembrava o nome naquele momento.

–Itachi, eu já disse, você precisa de descanso! -pediu Shizune com aflição. Sua voz três décimos acima do tom de voz normal.

Itachi suspirou descontente, tentando ignorar o lamento. Ele não tinha cinco anos para receber esse tom de voz, mas relevou o pedido porque não queria causar atrito. Shisui amava demais a esposa e ela era uma boa pessoa, apenas estava preocupada com ele. Naquele momento, Itachi pensou que o tio combinava com a esposa até no nome, Shisui e Shizune, parecia até nome de dupla country.

–Não vou conseguir descansar sem saber onde o meu irmão 'tá. -respondeu ele.

Shizune deu um suspiro exasperado e parou de mover um móvel particularmente grande, dando alguns passos calmos e ritmados até o sofá e se sentando em um ruído suave.

–Eu só consigo imaginar o que você está passando. -disse ela com a voz baixa. -E mesmo assim acho que não é o bastante.

Para aquele comentário, o silêncio era a resposta correta. Não por uma questão de educação, mas porque não havia algo a dizer mesmo. Shizune estava certa, assim como soava sincera aos seus ouvidos; e agora ele teria de depender deles para tudo, inclusive no que acreditar das outras pessoas.

–Eu não sei como ajudar você Itachi. -disse Shizune ainda com a voz calma, mas havia outro sentimento envolvido nisso que Itachi não conseguiu definir. -Mas eu farei o possível para isso.

Aquelas palavras, mais do que sinceras, lhe deixaram um pouco mais feliz. Ele tivera contato com Shizune antes, mas nunca foram exatamente amigos, nem mesmo colegas. Itachi apenas se conscientizou que ela deixava Shisui feliz e que não era uma psicopata ou uma louca obsessiva enrustida. Mas agora eles eram família e as coisas iriam mudar; o tom de voz empregado por ela não deixava dúvidas quanto a isso.

Isso lhe fez sorrir.

–Você pode retornar a ligação para o garoto que deixou uma mensagem para o Sasuke? -pediu ele.

–É claro. -disse ela gentilmente

...........................

–Alô?

–Oi, Naruto, aqui é o Itachi, irmão do Sasuke. -se apresentou, ouvindo as panelas soarem na cozinha, tendo plena consciência de que a tia o escutava atentamente. -Nós nos falamos hoje de manhã.

Oi, Itachi-san, tudo bem?

–Desculpe incomodá-lo nesse horário, mas você tem alguma notícia do meu irmão?

Eu não o vejo desde que saiu daqui de casa ontem. –respondeu Naruto com sinceridade.

Onde o mais novo estava havia muitas vozes de outros adolescentes e Itachi ainda conseguia ouvir o quicar de uma bola pesada. Se fosse para chutar, ele apostava que o outro devia estar em uma quadra jogando basquete. Mas aquilo era desimportante: na noite anterior, seu irmão dormiu em uma casa, não na rua e isso era reconfortante. Ao mesmo tempo em que isso o preocupava, pois onde é que seu irmão estava agora?

–Desculpe o incômodo que ele causou.

Liga pra isso não, mas ó, se não se importa, eu queria que isso ficasse entre a gente, sabe? -pediu Naruto com a voz vacilante e em seguida Itachi ouviu alguns adolescentes brigando do lado de Naruto. -Cambada, sem briguinha idiota, vão jogar e me deixem falar no telefone!

Itachi afastou o fone da orelha porque Naruto estava falando realmente alto e havia alguns ruídos de estática na linha, piorando ainda mais a ligação. Ele escutava que Naruto estava tentando apaziguar uma briga entre os adolescentes e o ruído diminuiu um pouco.

Que Mané namorada, idiota! Ih, não você Itachi-san! Foi mal por isso... É que o povo tem uma mania lascada de tentar roubar no basquete e volta e meia dá umas tretas aqui. –Itachi ignorou o dialeto utilizado pelo mais novo. -Mas voltando, o meu pai não sabe que seu irmão dormiu no quarto da minha irmã ontem e ele ficaria muito irritado comigo se soubesse que eu deixei seu irmão entrar.

–Certo. -disse Itachi, encostando suas costas no sofá, o cheiro de cebola e alho fritando no azeite adentrava em suas narinas e lhe fazia se conscientizar que estava com fome. -Te agradeço por isso. Você tem alguma ideia de onde o Sasuke pode estar agora?

Eu posso tentar checar algumas das boates que ele frequenta, se você quiser.

Itachi não sabia que o irmão frequentava boates, especialmente porque esses lugares, em tese, não deveriam permitir a entrada de menores de dezoito anos, o que poderia significar que Sasuke conseguiu algum documento falso ou estava com alguém maior de idade. Nenhuma das possibilidades lhe tranquilizou. Decerto que ele nunca foi em uma boate, mas sabia que assim como em muitas delas haviam jovens apenas querendo dançar música eletrônica, havia jovens dispostos a tomar drogas e se prostituírem.

–Você não precisa fazer isso.

Não ia ser incômodo algum, tenho alguns amigos que podem fazer isso por mim. –disse Naruto com a voz alta para se sobressair ao barulho que as outras pessoas faziam. -Além disso, geralmente encontrar o seu irmão, significa encontrar a minha irmã, ela 'tá sumida desde as cinco da manhã de hoje, foi quando o seu irmão saiu de casa. Acho que ela 'tá com ele...

Um suspiro pesaroso escapou por seus lábios e ele se perguntou se o mais novo o escutou. Era frustrante ter que lidar com aquilo e mais ainda era saber que seu irmão acabou fazendo com que outras pessoas afundassem naquele vício. Pior, a filha de Minato.

–Eu sinto muito por isso. -e aquela seria a frase do momento.

Esquece isso, ok? Coisa ruim acontece o tempo todo. Dessa vez aconteceu com as nossas famílias. –disse Naruto com a voz ficando mais clara e o barulho ao redor dele minimizando. -A gente precisa só encontrar um meio de fazer alguma coisa boa acontecer no meio disso. Acho que se a gente se ajudar, a gente consegue fazer algo por eles.

Itachi sorriu. O garoto poderia ter dezessete anos, mas tinha algo na cabeça, não era como a maioria dos jovens que conheceu. Uma conversa como aquela era difícil ouvir da boca de outro adolescente, já bastava às poucas que tivera com o irmão, que não lidava tão bem com situações difíceis quanto ele pensava.

–Se você tiver alguma pista de onde ele estiver, você me fala?

Claro que sim! – disse Naruto animado. E Itachi já estava abrindo a boca para se despedir quando o outro continuou. -Hein, Itachi-san, posso fazer uma pergunta?

–Diga.

Primeiro, tem mais alguém com você?

–Por que a pergunta? -inquiriu Itachi franzindo o cenho e sentindo o cheiro dos legumes cozidos no vapor impregnarem seu apartamento.

É que me ocorreu algo agora, o meu pai não gosta muito quando eu falo das coisas que acontecem em casa, mas você 'tá no mesmo barco que a gente e não sabe nem por onde começar a ajudar o seu irmão. -respondeu Naruto e Itachi reparou que o barulho ao redor do outro diminuiu consideravelmente. -Minha irmã escondia drogas em casa. -Naruto fez uma pausa e Itachi ouviu o alarme de um carro soar do outro lado da linha. -Você chegou a ver se o Sasuke escondeu drogas na sua casa? Porque, se ele fez isso, então ele poderá voltar pra pegar elas de volta.

Ele se lembrava de ter vasculhado a casa no dia seguinte a revelação de que Sasuke era usuário de drogas e da fatídica declaração, encontrou um pouco de maconha e a jogou na privada, depois deu descarga. Porém, ele ficou quase um mês longe de casa, internado no hospital, Shisui havia lhe dito que Sasuke frequentemente passava em casa, e que só havia sumido nos últimos dois dias. Será que nesse meio tempo seu irmão escondeu mais drogas no apartamento?

–Entendo. -disse Itachi com a voz neutra. Ouvindo Naruto fazer um som gutural de concordância com a garganta no outro lado da linha.

–Daí se você tiver mais gente com você, você pode pedir para que elas revirem a casa. -comentou Naruto, depois fazendo uma pausa e pareceu um pouco incerto quando continuou. -E, bem, eu gostaria, se possível, falar com você pessoalmente.

–Por quê?

–Tem umas coisas que você precisa saber do Sasuke e que não podem ser ditas por telefone. –respondeu Naruto aparentando estar apreensivo. -Eu sei o que o meu pai falou, mas...

Naruto, por que você se importa tanto com o meu irmão? -perguntou Itachi.

Ao que tudo indicava, Sasuke e Naruto não aparentavam serem amigos, pois seu irmão não mencionou Naruto nenhuma vez. Decerto que Sasuke escondia diversas coisas dele, mas ainda assim era estranho. Sasuke era o namorado da irmã de Naruto, e também era alguém que supostamente era a origem do vício da garota pelas drogas. De modo que não fazia sentido algum que Naruto se importasse com Sasuke.

Eu devo uma pra ele. É uma longa história... -respondeu Naruto após uma longa pausa. -O primeiro favor é sempre o mais difícil de pagar.

Itachi expirou, refletindo as palavras ditas pelo mais novo e se perguntando quando foi que Sasuke passou a mentir tanto para ele. Os dois, quando eram mais novos, eram muito unidos e ele sabia tudo sobre o irmão. Em algum momento tudo o que eles significavam se perdeu. Itachi forçou a memória e conseguiu visualizar seu irmão aos oito anos de idade, com uma janelinha na boca, sorrindo para ele e mostrando-lhe um papel com a pata de um gato da vizinhança.

Sasuke não era mais aquela criança feliz. A última imagem que ele tinha de Sasuke também era bem nítida, alguns quilos mais magro, a pele pálida, algumas olheiras debaixo dos olhos e o cabelo, antes tão brilhante e macio, tinha ficado seboso e embaraçado. Relembrar disso fez com que seu coração ficasse comprimido no peito de um jeito particularmente doloroso.

Itachi-san?

Katniss, jogos vorazes. -desviou Itachi, relembrando o trecho do livro para voltar a ter foco na conversa. -Ela disse algo assim.

–... Por causa do menino do pão, Peeta! -continuou Naruto voltando a usar o tom de voz animado de sempre. -Engraçado você saber do livro, não parece algo que você leria.

As portas do armário da cozinha foram abertas com um ruído seco e logo os passos da sua tia foram escutados, fazendo com que Itachi se lembrasse de que não estava sozinho em seu apartamento e que aquela conversa era escutada e seria transmitida em um boletim para Shisui. Itachi mentalmente repassou toda a conversa com Naruto, chegando a conclusão que teria que fazer uma escolha entre falar com o mais novo sozinho ou não.

O melhor a ser feito era tentar saber exatamente o que Sasuke ocultava, conversando com amigos e professores e coletar o máximo o possível de informação. Porém, graças a sua cegueira, ele precisaria de alguém para isso. Outro ponto a ser relevado era que luminosidade lhe fazia mal e seus cortes não estavam totalmente cicatrizados, logo ele estava se recuperando e, por melhor que estivesse, Shisui e Shizune tentariam lhe poupar ao máximo dos problemas.

E ainda em razão da permanência no hospital, ele estava visivelmente pálido e magrela, suas roupas folgadas eram a prova do quanto emagreceu. Tudo isso faria com que as pessoas tentassem poupá-lo das informações ruins e ainda tentarem potencializar de um modo negativo a imagem do irmão. Dessa forma, sua melhor chance era obter tudo por telefone e estando sozinho.

–Ligo pra você amanhã então. -disse Itachi. -Preciso desligar agora.

Tudo bem. Até amanhã!

Itachi ouviu o mais novo desligar, enquanto a porta da frente da casa era aberta por um Shisui animado, que cantarolava uma música que ele não sabia dizer qual era. Ele escutou Shizune sair da cozinha em passos rápidos e ir até o esposo, logo o ruído molhado e estalado de um beijo foi escutado. Não tinha muito que fazer, ele estava cego, não poderia simplesmente sair por aí revirando a casa nas condições atuais e, acima de tudo, ele precisava de alguém para ser os seus olhos.

Shisui trabalhava o dia inteiro, Shizune era uma enfermeira e trabalhava por plantões; agora os dois podiam cuidar dele porque tinham pedido férias para a lua de mel que foi cancelada, mas... Era complicado.

Naruto poderia ser seus olhos, se Itachi sentisse que poderia confiar no mais novo. Era um grande tiro no escuro, ele sabia disso, o mais novo era um total desconhecido e seria perigoso acreditar tão cegamente em uma pessoa que ele acabou de conhecer.

–E como está o nosso bebê? -inquiriu Shisui desviando sua atenção. -Ele se comportou?

–Apenas morra engasgado no seu vômito. -respondeu Itachi sem alterar a voz.

E seu comentário fez Shisui gargalhar alto e Shizune dar uma risadinha baixa, colocando os pratos na mesa com um som suave. Itachi sentiu a almofada do sofá afundar ao seu lado com o peso do tio.

–Tão gentil que sinto até vontade de chorar! -exclamou o tio com a voz animada, mas em seguida suspirando pesadamente. -Eu sinto muito Itachi, eu procurei Sasuke por todos os cantos, mas não tenho ideia de onde ele está ou onde ficou.

–Eu sei onde ele ficou, mas isso não importa agora. -disse ele. -Você soube de mais coisas dele? Quando começou o vício? Ou onde ele compra drogas? Onde ele frequenta?

Durante um longo instante, tudo o que Itachi escutou foram as respirações deles, o leve soar da colher de pau mexendo no interior das panelas, ou volta e meia um carro virando a esquina. O cheiro de comida não desviava mais a sua atenção, porque Sasuke era muito mais importante do que qualquer outra coisa; e quanto mais ele soubesse, mais ele poderia ter meios de ajudar o irmão.

Shisui inspirou profundamente e Itachi ouviu um leve farfalhar ao seu lado, como se o tio tivesse feito alguma coisa que ele não pudesse precisar. Itachi odiou o branco-leitoso que enxergava sempre que abria os olhos! Ele não poderia mais ler as impressões que o tio fazia e não poderia saber quando o outro escondia coisas dele!

Quando se viu ficando irritado, Itachi inspirou profundamente para se controlar. Não poderia ficar com raiva: teria outro meio. Mentiras também poderiam ser detectadas na fala, ele só precisaria se concentrar nisso.

–Shisui. -chamou Itachi.

O tio suspirou ruidosamente e Itachi ouviu as bocas do fogão serem desligadas e o som de passos, logo outro ruído ao seu lado lhe chamou a atenção, fazendo-o deduzir que Shizune colocou a mão no ombro do marido ou algo assim.

–Eu não fiquei sabendo de muita coisa. -respondeu Shisui rapidamente, como se quisesse mudar de assunto. -Falei com a diretora da escola e soube que ele gazeta muita aula e que algumas meninas e meninos são afim dele e que isso causa confusão, mas é só. Vamos jantar?

–Certo. -comentou Itachi lentamente.

Era claro que a diretora da escola falou mais coisas à Shisui, mas o tio não lhe diria; estava querendo poupá-lo. Itachi precisava descobrir um meio de conversar com Naruto e com a diretora da escola de Sasuke, sem que Shisui e Shizune estivessem por perto. Imediatamente o nome de um colega de trabalho lhe veio em mente: Kisame.

–Mais tarde, depois do jantar, nós precisamos revirar a casa. -ele comentou se levantando, sentindo a mão do tio segurar seu braço com força. -Acho que ele escondeu mais droga aqui e se ele fez isso, mais cedo ou mais tarde, Sasuke vai voltar para casa.

–Como pode ter tanta certeza?

–Eu apenas sei.

E saberia de mais coisas, assim que conversasse com Naruto Uzumaki a respeito do seu irmão. Talvez os dois, juntos, realmente conseguissem fazer alguma coisa.

...........................

Continua...

Notas finais
ou com o capítulo quatro até que bem adiantado, porque estou tentando ser disciplinada e escrever a fic pelo menos umas duas vezes na semana. Só que conforme a coisa anda, as cenas vão ficando maiores. Daí, sabe, eu não prometo nada (porque eu tou numa fase de mudança de casa, correndo atrás de emprego fixo e ainda vou ter que conciliar tudo com estudo para passar em concurso), mas talvez se eu ver que o capítulo vai ficar muito grande, eu possa cortar ele. Como assim cortar o cap? Isso significa duas postagens ao mês, mas claro, dependendo do tamanho do capítulo e da minha disponibilidade de tempo para ajeitar a tudo isso. E, obvio, saber se vocês aprovariam isso. Mas aviso: desejar é uma fic bem longa. O plot eu prevejo que vai demandar uns 30 capítulos, se eu fizer isso de cortar os capítulos, a fic ficará ainda maior. :/ Outro ponto. Apareceu um review onde a leitora não compreendeu exatamente em que ponto do ano a fic se passava. E aqui eu aproveito para esclarecer pra todos: a fic se passa em dezembro, pouco antes do natal. 'Tá? ^^ Se vocês tiverem alguma dúvida, podem perguntar! Prometo responder todas ^^ (mas não vou dar spoilers da trama mhuahahahahaha, okey, finjam que isso é uma risada maquiavélica!). Enfim, espero que vocês estejam gostando da fic ^^ Desculpem pela demora nos reviews, eu juro que vou tentar responder a todos assim que eu ler o review, tá? ^^ Fantasminhas, não se acanhem: eu não mordo, não estou com uma arma de sal igual Sam and Dean e nem aquela arma lá dos caça-fantasmas. Vou adorar ler e responder vocês, 'tá? ^^ Okey, agora fui. Vou tentar postar a fic antes do dia 3, mas não prometo nada viu? A certeza é que não vou postar a fic depois do dia 3 de março.