Descobrindo o amor

18 ...Por um breve momento


Notas iniciais
*Nabemono. Nabe = panela e mono = coisas. Isto é, coisas na panela, ou então tudo na panela... hehe. Mas no dia a dia é chamado simplesmente de nabe. É quente e muito consumido no inverno.

O resto daquele semestre foi perfeito. Perfeito na maneira mais simples de falar. Foi ótimo! Voltamos às nossas vidas normais de estudantes e a maior parte do tempo se resumia a estudar e nos encontrar no intervalo. Agora tínhamos um grande grupo de amigos. Isso, Kime e Chihiro agora andavam conosco e percebi aos poucos que Kime era gentil e amigável quando ela queria. Ela parecia bem feliz com Chihiro e nós sempre ficávamos juntos no intervalo, sentados num banco e conversando. Era divertido e eu às vezes pegava Akashi sorrindo pra mim. Eu corava, mas sorria levemente pra ele, que ficava surpreso com minha ação. Quando nós entramos de férias eu fiquei com saudades de Akashi. Ele viajou por suas semanas com o pai e não nos falamos por telefone, mas quando ele voltou ainda nos restava uma semana e meia de férias e ele nos levou para uma casa de praia incrível. Um ar deprimido surgiu em mim quando vi aquela casa, mas Akashi me abraçou forte e beijou minha bochecha, me fazendo corar. Ele sabia mesmo como me relaxar. Nós passamos alguns dias lá e foi bem divertido. Yue sorria o tempo todo e jogava bola com Kotarou na areia. Naoko ficava o tempo todo dentro da água com Reo e não vou nem comentar o que faziam. Kime e Chihiro passeavam pela praia de mãos dadas e ela sorria constantemente, feliz. Eu ficava debaixo do guarda-sol e Akashi me fazia companhia, me abraçando e às vezes me roubando um beijo, o que me fazia corar e sorrir levemente.

Quando voltamos, tudo parecia mais perfeito, feliz. Eu nunca pensei que sentiria algo tão bom assim! Mas ficou um pouco menos perfeito quando no primeiro dia de volta às aulas, o sensei nos apresentou um aluno novo que havia se transferido para o colégio.

– Minna, esse é Norimi Masaru. Ele se juntará a nós a partir de hoje.

Masaru-kun fez uma reverência e o sensei pediu que ele se sentasse. Ele tinha uma altura mediana, cabelos loiros e olhos verdes. Possuía um ar calmo e gentil. Ele sentou numa cadeira próxima a nós. Eu o fitei por um momento e ele me pegou o olhando. Desviei o olhar, corando. Detestava olhar para alguém e ainda por cima ser pega fazendo isso. Mas, não sei por que, aquele garoto tinha algo estranho que me chamou atenção. Porém não era algo bom...

...

Agora que Kime e eu estávamos conseguindo conviver e passávamos bastante tempo juntas com o grupo, estávamos andando pelo corredor para nos encontrarmos com os outros no pátio. Ela conversava animada comigo sobre Chihiro e eu sorria levemente.

– Sério? – Perguntei surpresa – Chihiro-kun e você já estão...

– Hai. – Ela sorriu, corando levemente – É ótimo. Até agora só contei pra você, Naoko e Yue. Estou tentando apagar minha mania de falar demais.

– Hum. – Assenti, me voltando para frente e abaixando o olhar.

– Nani? – Ela me olhou em dúvida.

– Hum. – Balancei a cabeça.

– Pode falar.

– Eu... Gostaria de saber como é. – Disse – Naoko, Yue e até você dizem que é muito bom. Deve ser mesmo.

– E é. – Ela sorriu – Por que não tenta? Você e Akashi estão juntos a mais de um ano, ne?

Parei de repente e abaixei a cabeça, minha franja tampou meus olhos. Kime parou e virou ao perceber.

– Nani?

– Nee, Kime-san.

– Oe... – Ela riu – Por que a formalidade?

Balancei a cabeça.

– Às vezes eu penso em vocês juntos. – Disse.

– Chihiro e eu? – Ela disse em dúvida.

– Não. – Disse ainda de cabeça baixa.

– Ah... – Ela disse ao compreender.

– Vocês já tiveram essa intimidade... E juntos. – Disse – Todos nós estamos bem, mas isso ainda me perturba um pouco.

– Entendo... – Ela abaixou o olhar – Mas, ne.

A olhei.

– Akashi te ama. – Ela disse com um sorriso, o que me deixou surpresa – Como ele olha pra você, como ele te dá atenção, como ele te abraça mesmo estando na frente dos outros. – Ela deixou escapar uma risada – Nenhuma pessoa faria essas coisas se ainda pensasse num relacionamento do passado. É meio triste de dizer, – Ela sorriu – mas ele me esqueceu, Mina. Porém agora com Chihiro, eu até estou feliz por ele ter me esquecido mesmo. Não acho que teríamos sido felizes juntos.

Fiquei ainda mais surpresa.

– Esqueça o que ele passou comigo, finja que nunca aconteceu. – Ela disse – Agora eu sou sua amiga. – Ela sorriu – E quando vocês fizerem, apenas pense em vocês dois juntos.

Acalmei o olhar e sorri levemente, fechando os olhos por eles estarem marejados.

– Arigatou. – Disse emocionada.

– Daijoubu. – Ela sorriu, deixando uma risada escapar – Ne, vamos.

– Hum. – Voltei a andar.

Eu nunca pensei que Kime um dia diria coisas como essas a mim, palavras que fariam com que eu me sentisse melhor. Ela se considera minha amiga e agora... Acho que é mesmo. Por um instante eu quis muito dormir com Akashi, mas me obriguei a esquecer naquele momento já que a razão seria por eu estar aliviada de não precisar mais pensar neles dois juntos. Porém eu estava feliz e pensava no dia em que nós dormiríamos juntos. Mesmo também pensando na vergonha que seria...

Nós andávamos e ao final do corredor, vimos Masaru-kun escorado ao lado da porta que dava para o pátio. Ele nos viu chegando e sorriu.

– Kon’nichiwa. – Disse alegre.

– Kon’nichiwa. – Kime disse.

– Kon’nichiwa, Norimi-san. – Eu disse suave.

– Uh? Me conhece? – Ele sorriu.

– Não. – Disse – Mas você é da nossa turma.

– Ah, sim. Acho que vi vocês duas alguma vez, só não me lembrava de onde. – Ele deixou uma risada escapar.

– Hum, ja ne. – Kime disse.

Passamos por ele.

– Nee, você deve ser a namorada do Akashi. – Ele disse.

Nos viramos em dúvida.

– Hai. – Disse suave, mas sem entender.

– Foi aí que te vi. – Ele sorriu amigável – Vi vocês dois juntos uma vez. Ele joga bem basquete.

– Hum. – Disse, ainda sem entender – Ok. Ja.

– Ja ne. Até outra vez.

Nos viramos e fomos embora. Meu olhar estava calmo, mas baixo por eu não ter compreendido aquela abordagem dele.

– Também achou estranho? – Kime perguntou.

– Uh?

– Aquele garoto. O que ele disse. – Ela dizia desconfiada – Não gostei muito de como ele disse aquilo.

– Hum, pareceu normal. – Disse suave.

– Ele pareceu ter se interessado por você por causa do Akashi.

Abaixei o olhar, processando. Por que ele se interessaria por mim por causa de Akashi? Acalmei o olhar e logo depois chegamos onde os outros estavam. Reo-kun e Naoko estavam escorados na parede lado a lado, Kotarou sentado ao lado de Yue, Akashi sentado ao lado deles e Chihiro em pé ao lado deles. Kime sorriu alegre ao ver Chihiro e correu, abraçando-o. Eu sorri ao fitar Akashi e me sentei ao seu lado. Ele beijou minha bochecha e pôs o braço em volta de mim.

– Nee, Akashi? – Kime disse, abraçada com Chihiro.

– Nani?

– Você conhece um garoto chamado Norimi Masaru?

– “Norimi Masaru”? – Ele pensou – Não sei. Talvez se eu o visse, o reconheça. Nande?

– Hum. – Ela balançou a cabeça – Ele falou com a gente agora a pouco e pareceu conhecer você.

– Hum, talvez. – Ele disse.

Eu o olhei, mas pensava no que Kime disse. E agora que pensava, Masaru-san parecia estranho mesmo. Sorridente demais com quem ele não conhecia.

...

No fim de semana, minha mãe fez um bico para uma amiga e Akashi e eu chegamos na minha casa, depois de nos molhar um pouco por causa da chuva que começou no caminho. Mayu correu até nós latindo e o fitando.

– Ela cresceu. – Ele disse.

– Hai. – Sorri e o olhei, mudando a expressão.

Com a luz de dentro de casa, vi claramente que a blusa de Akashi estava molhada. Ela era preta e de mangas compridas. E agora molhada ficava um pouco colada no corpo dele.

– Anou... Quer que eu coloque pra secar? – Perguntei, levantando.

– Eh?

Ele se olhou e viu como estava molhado. Eu troquei de roupa no quarto, pondo um vestido simples e lilás e depois Akashi me deu sua blusa, ficando sem. A levei até o varal e esperava que secasse, mas não tinha certeza já que estávamos no outono e começava a ficar frio. Talvez com isso, iria demorar um pouco. Quando fui para a sala, Akashi não estava lá. Olhei a porta do meu quarto e estava aberta. Quando me aproximei, o vi lá dentro. Ele olhava meu quarto e parecia confortável com isso. Entrei sem jeito por vê-lo sem camisa.

– Anou...

Ele me fitou e sorriu gentilmente.

– Seu quarto é legal. Nunca tinha entrado nele.

– Arigatou. – Disse suave – Quer que... Eu ligue o aquecedor?

– Hum, hai.

Ele se aproximou de mim e esticou os braços, me deixando entre eles e me fazendo recuar até que fechasse a porta. Corei por ele estar perto assim e com aquele sorriso.

– A-Anou...

– Vai esquentar mais rápido se deixar o quarto fechado.

– H-Hai... – Corei.

Ele deixou uma risada escapar e se afastou, indo até minha cama e sentando. Acalmei o olhar, mais uma das brincadeiras dele... Suspirei e fui ligar o aquecedor. Sentei ao lado dele com o olhar baixo. Akashi estava sem blusa, sentado na minha cama, no meu quarto e com a porta fechada. Eu podia ver o peito e braços definidos dele. Aquele momento seria perfeito, ne?

– Hum... Gomen. – Disse – Não tenho blusa pra emprestar pra você.

– Uh? – Ele me fitou em dúvida e sorriu – Daijoubu.

– Hum. – Assenti com a cabeça.

Eu estava sem jeito, envergonhada. Com o que Kime disse, eu me senti melhor em pensar a respeito de dormir com Akashi, e mesmo depois daquele momento de alívio eu ainda me sentia bem, ainda queria dormir com ele. Era embaraçoso demais, mas eu queria nós dois numa cama, debaixo das cobertas e fazendo amor. Eu o amo, amo mesmo. Akashi me olhava e levantou a mão até meu cabelo, acariciando as pontas entre os dedos. Meu cabelo estava crescendo e começando a passar dos ombros.

– Está deixando crescer? – Ele perguntou gentilmente.

– H-Hum. – Assenti – Queria mudar um pouco...

Ele sorriu.

– Não é por minha causa, ne?

– E-Eh...

Ele deixou escapar uma risada. Eu o olhei, vi seu sorriso e acalmei o olhar. Me ajoelhei na cama e apoiei as mãos, aproximando o rosto de seu pescoço e o cheirando. Fiquei feliz por ter feito isso sozinha, porque eu quis mesmo.

– A-Anou... – Ele gaguejou – Mina...?

– Seu cheiro é bom... – Suspirei.

– Uhm... – Ele corou.

Eu estava com os olhos fechados, sentindo o cheiro dele, mas os abri ao senti-lo pegar em meus ombros e me afastar dele. O olhei em dúvida.

– Nani? – Perguntei.

Ele abaixou os braços.

– Hum... Eu gosto quando você faz essas coisas.

– Então... Qual o problema? – Perguntei suave.

– Tenho medo de passar do limite com você. – Ele disse sem me olhar.

Acalmei o olhar, admirada. Akashi sempre me respeitou e deixou as coisas acontecerem calmamente. Ele nunca me obrigou a nada e sempre me perguntava se eu queria parar quando achava que estava passando do limite. Eu ficava tão admirada com essas ações que meu amor por ele aumentava. Eu o olhava, extasiada, vendo-o levemente corado e não querendo me olhar. Me aproximei de novo e apenas ouvia o leve som que a roupa de cama fazia quando eu me mexia. Ele me olhou por um momento e eu o beijei gentilmente. Akashi arregalou os olhos, mas os acalmou e os fechou, pondo os braços em volta de mim. Eu estava sentada com as pernas encolhidas e as mãos apoiadas na cama. Corava levemente e abri um pouco os olhos, deixando-os meio abertos. Cessei gentilmente o beijo e Akashi me olhou, ofegante.

– Mina...

O beijei de novo, pondo gentilmente a mão em sua bochecha. Não queria que ele me perguntasse se eu queria parar, eu não queria parar. Aos poucos ficamos ofegantes e ele começou a beijar meu pescoço, abaixando as alças do meu vestido. Me encolhi um pouco, mas aquilo estava realmente bom. Ele parou e me olhou. O olhei, extasiada e vi em seu olhar a pergunta de que se eu queria parar. Corei um pouco, mas pus a mão atrás do vestido e puxei o zíper. Akashi arregalou os olhos ao me ver de sutiã e o vestido caído, cobrindo meu quadril. Eu o olhava, corada e com os olhos meio abertos.

– Uhm...

– Eu... Anou... – Abaixei o olhar, mas o olhei de novo, confirmando com o olhar por não conseguir dizer.

Ele acalmou o olhar e se aproximou de mim, me deitando gentilmente na cama. Eu estava nervosa, parecia que um sentimento imenso estava inundando completamente meu corpo por dentro. Ele começou a beijar minha barriga e a subir lentamente. Apertei o travesseiro, era estranho e ao mesmo tempo bom. Fiquei ofegante e mais ainda quando ele pôs a mão por debaixo do meu sutiã. Apertei meus olhos, corando e quando os abri ele estava me olhando de cima, ofegante. Acalmei o olhar. Mesmo sabendo que iria doer, eu estava calma. Era ele e eu sabia que ele não me machucaria por querer. Corei levemente e sorri, pondo a mão gentilmente em sua bochecha. Ele pôs a mão por cima da minha e sorriu, aproximando o rosto e me beijando em seguida. Eu... talvez esteja pronta pra fazer isso com ele. Akashi me ama e eu também o amo. E agora nós finalmente...

Mina! – Minha mãe chegou, fechando a porta da entrada em seguida.

Arregalamos os olhos, mas ficamos paralisados. Nossos sapatos estavam na entrada, ela saberia que estávamos em casa. Empurrei Akashi bruscamente e vesti meu vestido, fechando o zíper desesperadamente. Ele me olhava, de onde foi empurrado e com o olhar pasmo. Me sentei com o olhar claro de culpada. Minha mãe abriu a porta.

– Mina... Etto? – Ela nos viu.

Akashi estava sentado na cama com uma das pernas dobradas, ainda paralisado pela minha ação. Eu estava sentada corretamente, mas claramente nervosa.

– Anou... – Ela disse abrindo um sorriso – Querem comer algo? Eu vou fazer *Nabemono para o jantar.

– Eh... – Eu a olhava, paralisada.

Akashi me olhava e viu que eu não responderia.

– O Nabemono que a senhora prepara deve ser delicioso. – Ele disse, se endireitando.

– Hai! – Ela disse animada – Arigatou, Akashi-kun! Ne, podem terminar o que estavam fazendo. – Ela deu uma risadinha – Depois me ajudem na cozinha, o-kay? – Ela cantarolou.

– N-Não estávamos fazendo nada! – Exclamei, ficando extremamente vermelha.

Minha mãe riu e saiu, fechando a porta. Me encolhi, apertando o punho contra as coxas e Akashi se aproximou.

– Daijoubu? – Ele deixou uma risada escapar.

– N-Não...

Ele riu, tampando a boca com a mão para tentar parar. Suspirei, fechando os olhos e deitei atravessada na cama, balançando as pernas. Ele me olhou.

– Sua mãe é engraçada. – Ele disse – Ela deixaria mesmo a gente fazer aquilo com ela em casa?

– Do jeito que ela é... – Abri os olhos, fazendo cara de tédio – Talvez...

Ele deixou escapar uma risada e me olhou com o olhar calmo.

– Acho que foi melhor assim.

O olhei em dúvida.

– Nande?

– Hum. – Ele sorriu – Foi inesperado. – Corou – Não tenho... Camisinha.

Corei. Claro! Não poderíamos fazer nada sem esse item! Não queria engravidar no ensino médio. Não sei o que faria no futuro, mas não queria um bebê agora! Queria fazer faculdade! Mesmo não sabendo de que ainda...

– Hai... – Disse sem jeito – Gomen.

Ele deixou escapar uma risada e deitou corretamente na cama, com a cabeça próxima a minha e pondo a mão em minha cabeça, acariciando meu cabelo.

– Nande? – Ele sorriu – Foi a melhor coisa do mundo pra mim você deixar eu te tocar daquele jeito. Mesmo você tendo me empurrado depois. – Ele riu – Acabei de descobrir que você é um pouco bruta.

Corei, arregalando os olhos.

– G-Gomen. – Disse – Mas... Acho que eu não estou pronta mesmo. – Acalmei o olhar – Não ainda. M-Mas... Hum... Quando eu estiver, eu vou te avisar.

– Não. – Ele disse, o que me deixou surpresa – Eu gostei de ter sido inesperado. Não quero que você fique com isso na cabeça de achar que tem o dever de me falar quando estiver pronta. Esperei quase um ano e meio pra te tocar assim, posso esperar mais se não estiver.

O olhei, admirada. Akashi ainda fazia carinho em meu cabelo e um sorriso se formou aos poucos.

– Mas quando estiver pronta... Pode me fazer um favor, Mina? – Ele perguntou, virando o rosto e me olhando.

– Hai. – Disse suave.

– Tome cuidado comigo. – Ele disse manhoso – Você é bruta, pode me machucar!

Arregalei os olhos, indignada.

– Oe, baka! – Exclamei, levantando ao som de fundo dele rindo e peguei meu travesseiro, jogando em cima da cabeça dele.

Ele ria e sentou, jogando o travesseiro para o lugar e me segurando com os braços, nos fazendo deitar com ele em cima de mim. Eu o olhava surpresa e levemente corada. Ele me beijou e me olhou, sorrindo em seguida. O olhei admirada e deixei uma risada escapar. Ele me olhou surpreso e admirado, rindo comigo em seguida. Logo depois eu fui até o varal e peguei sua camisa, vendo se já estava seca e a devolvi pra ele. Fomos ajudar minha mãe e nos entreolhávamos às vezes, sorrindo. Além de claramente estarmos mais próximos um do outro, percebemos que minha mãe estava contente por ter nós dois ajudando-a na cozinha para o jantar. Me senti mal por Akashi ter que ajudar, mas quando perguntei ele me beijou de repente, me fazendo corar e disse pra eu não fazer perguntas bobas, que ele gostou de ter ajudado no jantar e ainda comido a comida da minha mãe. Eu sorri mais uma vez admirada e ele foi embora logo em seguida. Nós não planejamos nada do que aconteceu, mas foi realmente perfeito e eu amei.

...

Estava tudo perfeito. Akashi e eu fizemos um ano e meio de namoro. Eu nem comentei, mas ele via meu sorriso e sabia que eu havia percebido isso. Sempre apareciam dificuldades em nosso caminho. Como minha vergonha, Kime – que agora era até nossa amiga –, minha dúvida em estar pronta para ele e agora eu esperava que essa dificuldade nova que apareceu em nossas vidas também fosse resolvida.

Kime estava sentada num banco com seu obento no colo, esperando por Chihiro. Ela olhava para os lados, esperando ele aparecer, porém Masaru-kun virou a esquina e a viu, sorrindo em seguida e se aproximando.

– Ohayou, Maki-san.

– Ohayou.

– Ne. – Ele disse, se sentando.

Kime achou aquilo estranho, parecia ser intimidade demais, mas ela tentou esquecer já que tentava fazer sumir sua mania de ser um livro aberto.

– Hai. – Ela disse.

– Maki-san, posso chamar você de “Kime”?

– Nande? Nem nos conhecemos.

– Hum, isso é. – Ele disse, achando graça – Mas você já dormiu com Akashi, não é?

– Eh?! – Ela arregalou os olhos – N-Nani?!

– Não? Hum, uma menina disse isso pra mim.

“Ricochete...”, ela pensou. Kime, em um de seus planos, havia dito a uma menina fofoqueira que já havia dormido com Akashi para ela espalhar e atrapalhar nosso namoro. Ela percebeu ali que foi um grave erro e que a reviravolta chegou naquele momento. Ficou receosa por ter ganhado fama, mas pensava mais em Chihiro e o que ele diria por Norimi-san saber disso.

– Isso foi há muito tempo. – Ela disse, desviando o olhar – Nós somos só amigos e Akashi namora Mina agora. Eles são meus amigos. – Ela deixou claro.

– Ah... Claro. – Ele sorriu – É que eu apenas estava pensando. Você não parece ser uma menina que dorme com todo mundo, ainda bem.

Ela o olhou, desconfiada. Aquela conversa estava tomando um rumo estranho e Kime não estava gostando.

– Nee, Kime...

– Não me chame assim. – Ela disse séria – Eu não conheço você e você não me conhece.

– Ah... – Ele disse manhoso, deixando uma risada leve escapar – Mas você é tão bonita... E não é nenhuma virgem. – Ele aproximou a mão e acariciou levemente o braço de Kime – Você já sabe como é.

– Oe, baka! – Ela exclamou, levantando – Eu tenho namorado! Não ache que eu sou esse tipo de garota!

– Mas ele nem vai saber, Kime.

– Já disse para não me chamar assim, bakayarou! – Ela exclamou irritada e se virou, começando a andar.

Masaru-kun a olhou se distanciar e suspirou, percebendo que perdeu sua chance com a garota bonita da turma. Kime virou a esquina e começou a correr. Quando entrou no prédio, se chocou com Chihiro e o olhou, vendo quem era.

– Kime, gomen. – Ele sorriu – Me atrasei sem querer, estava falando com o sensei.

– Hai... – Ela disse cabisbaixa.

Ele percebeu e pegou na bochecha dela, fazendo-a olhá-lo.

– Nani?

Kime hesitou, mas contou o que houve com Norimi-san. Enquanto ela contava, eu estava na biblioteca procurando por um livro para adiantar um trabalho que o sensei havia passado na aula anterior. Achei o livro, mas estava na prateleira alta. A escada não estava por perto, mas tentei pegá-lo mesmo assim. Me esticava, mas não conseguia. Porém de repente uma mão surgiu logo atrás de mim e o pegou. Me virei e vi Masaru-san.

– Norimi-san. – Disse surpresa.

– Hai. – Ele sorriu, me dando o livro.

– Hum, arigatou.

– Nossa, não deviam tirar a escada daqui. Os livros mais comuns que são pegos estão no alto.

– Hai.

Ele sorriu.

– Nee, poderíamos fazer o trabalho juntos. É o mesmo que o sensei passou, ne?

– Hum, hai. – Disse sem jeito – Mas eu ia fazer com Kime-san. Só estava querendo adiantar algumas coisas.

– Ah, que pena. – Ele disse, sorrindo gentilmente – Adoraria ter sua companhia.

Corei.

– E-Etto... Arigatou. – Disse sem jeito. Aquilo era um elogio, ne?

– Nee? – Ele disse, pegando em minha bochecha e a acariciando.

Arregalei os olhos por aquilo. Não éramos nem conhecidos, por que ele estava me tratando como se tivesse intimidade comigo?!

– O-onegai. – Disse, recuando e tentando deixar o tom de voz sério – Não faça isso. Não somos amigos e eu tenho namoro.

– Hum. – Ele suspirou – Todo mundo aqui tem namorado.

Franzi levemente o cenho em dúvida. Que garoto louco era aquele?

– Bem. – Ele disse – Você não era minha primeira escolha mesmo, mas é bonita também.

Arregalei os olhos.

– Eu tenho que ir. – Disse, me virando e começando a andar.

– Oe, garota. – Ele segurou meu pulso, me fazendo parar.

Engoli a seco, queria sair dali. Ele me puxou e me pôs contra a estante, me fazendo deixar o livro cair e segurando meu outro pulso.

– Me larga, por favor. – Pedi receosa.

– Será que esse colégio só tem garota comportada? – Ele disse, franzindo o cenho – Hum, que saco. É o ensino médio!

Ele começou a abrir meu casaco. Tentei sair dali, mas ele me beijou de repente e pôs a mão no meu peito por cima da blusa. Arregalei os olhos e me debati. Ele parou e eu consegui soltar uma das mãos, batendo em seu rosto brutamente. Ele se afastou pelo tapa e me olhou com raiva.

– Hentai! – Exclamei, correndo.

Eu não sabia, mas uma menina atrás da prateleira viu o beijo. Eu não contei o que houve pra ninguém, apenas pensava que a partir de agora não poderia mais ficar sozinha. Aquele hentai... Eu nunca tinha beijado ninguém além de Akashi. E ele ainda pôs a mão no meu peito! Como eu contaria isso a Akashi?! Tive vergonha, eu não queria aquilo! Mas eu não precisei contar... Akashi, Reo-kun e Kotarou-kun estavam conversando em um banco ao lado de uma porta do prédio do colégio. Eles conversavam e riam às vezes, porém duas meninas passaram pela porta e por eles, conversando.

– Nee, é sério aquilo? – Uma delas perguntou – Mas ela não é namorada do Akashi?

Os três as fitaram. Akashi ficou sério.

– Hai, mas Yume-san beijou mesmo Norimi-san.

– Mas ele é tão bonito quanto Akashi-kun. – A outra sorriu, animada.

– E ela é uma safada! Como pôde fazer isso?!

A outra riu, virando o rosto para a amiga e vendo Akashi de relance.

– Uhm... Vamos. – Ela disse, apressando a garota, que também percebeu.

Akashi abaixou o olhar sério, franzindo o cenho.

– Oe, Akashi. – Reo disse – Não pense bobagens, deve ser apenas boatos. Mina não faria isso com você.

– Verdade. – Kotarou disse – Essas garotas são fofoqueiras. A maioria dos conflitos são por causa desse tipo de garota.

– Hum. – Akashi disse sério, levantando.

– Oe. – Reo disse, vendo-o se afastar e entrar no prédio.

– Será que ele vai fazer algo? – Kotarou disse.

– Não sei, mas ele não é desse tipo. – Reo disse – Provavelmente vai procurar Mina.

Eles olharam para a direção que Akashi foi. Ele andava pelo corredor e subiu as escadas para ao andar da minha sala. Antes mesmo de chegar ao andar, viu Masaru descendo a escada com as mãos nos bolsos.

– Oe, você. – Ele disse sério.

Norimi o olhou com o olhar calmo.

– Hum? Akashi, ne? Já vi um de seus jogos, você joga bem.

– Norimi Masaru, certo?

– Hai.

– Você beijou Mina? – Akashi foi direto.

– Eh? Que pergunta é essa?

Akashi confirmou então que eram boatos, mas a expressão de Masaru mudou para um sorriso malicioso.

– Ah, gomen. – Ele disse – Não sabia que alguém tinha visto. Pensei que a biblioteca estava vazia.

Akashi o olhou, surpreso.

– Nani?

– Não queria que o namorado dela descobrisse dessa forma. – Ele disse – Pensei que ela contaria pessoalmente.

Akashi o olhava, ficando aos poucos sério.

– Eu sei que ela não faria isso.

– Eh? Sério? – Ele riu, tampando a boca com a mão – Nossa, então ela parece mesmo uma santa.

Akashi cerrou o punho com raiva.

– Nee, não me leve a mal. – Masaru disse – Mas se ela já se jogou nos braços de outro cara é porque você não está dando conta.

Akashi rangeu os dentes. Masaru riu levemente e passou por ele, voltando a descer as escadas. Akashi abaixou a cabeça, rangendo os dentes com raiva. O sinal soou e todos voltaram para as salas. Eu mal conseguia prestar atenção na aula, apenas pensava naquele beijo que Masaru-kun roubou de mim. O fitei de relance e ele já estava olhando pra mim, dando um sorriso malicioso.

“Nande...”, me perguntava.

Eu tinha que contar para Akashi sobre ele. Se ele tentasse de novo aquilo e talvez Akashi visse, poderia acontecer algo de ruim. E eu estava com medo de ele ficar com raiva de mim, mesmo eu sabendo que ele não ficaria O resto da aula se resumiu a eu ficar planejando como contaria o que houve na biblioteca. Quando o sinal soou, ecoou em mim e fiquei nervosa, mas tinha que contar. Levantei rápido e arrumei minhas coisas.

– O que houve, Mina? – Naoko perguntou em dúvida.

– Hum, nada. – Disse rápido.

– Você estava estranha a aula toda.

– É que... – Apertei a alça da bolsa.

Vi se Norimi-san já havia saído e olhei para Naoko.

– Aquele garoto novo.

– O que tem ele? – Ela disse sem entender.

– Eu estava na biblioteca... E... Ele me segurou e me beijou a força.

Naoko arregalou os olhos.

– Nani?!

– O que houve? – Yue se aproximou com Kime logo atrás dela.

– Etto... – Disse – Naoko-san, onegai. Preciso falar com Seijuro.

– Hai. – Ela disse nervosa.

Eu saí da sala, acenando para elas e desapareci de vista. Naoko as olhou e contou o que eu disse. As duas arregalaram os olhos e Kime abaixou o olhar, descobrindo que não era a única e que comigo foi pior. Eu corri para os armários dos sapatos e fiquei esperando na frente do armário de Akashi. Esperei longos minutos e ele não veio. Mibuchi-kun chegou e abriu seu armário, mas percebeu que eu estava ali.

– Uh? Mina?

– Reo-kun! – Disse – Seijuro já desceu?

– Hai. – Ele disse sem entender – Ele foi um dos primeiros a sair. Pensei que estava com você.

– Não. – Eu disse – Preciso falar com ele.

Ele acalmou o olhar.

– Acho que precisa mesmo, ele está com raiva.

– Uhm...

Fiquei mais nervosa. Será que ele sabia? Não! Era pra eu contar a ele! E se ele ficou com raiva de mim?!

– Reo-kun... – Meus olhos marejaram – Se... For o mesmo que eu estou pensando, não é culpa minha. Eu juro!

Ele ficou surpreso, me vendo daquele jeito. Acalmou o olhar.

– Nee, todos sabem que você não faria algo assim com ele. – Ele disse – Fala com ele.

– Hai.

Eu virei e fui embora. Na volta para casa vi que era estranho não estar na companhia de Akashi. Um ano e meio ele me levando para casa todos os dias e agora com essa situação eu tendo que voltar sozinha, me deixava triste. Quando cheguei em casa minha mãe não estava, Mayu estava dormindo ao lado de seus potes de comida e água e eu fui para o quarto, sentando na cama e pegando o celular. Liguei, mas ele demorou a atender. Fechei os olhos, esperando que ele não estivesse com raiva de mim e ele atendeu em seguida.

Moshi moshi. – Ele disse desanimado.

– Seijuro! – Exclamei aliviada – Anou... Por que foi embora? Eu... Não te vi.

O ouvi suspirar.

– Mina, você... Nunca faria nada pra me magoar, ne?

– Eh? – Disse em dúvida, temendo que ele soubesse – Nani...?

– Mina, você é mesmo virgem? Você nunca fez mesmo nada daquelas coisas que fizemos?

Arregalei os olhos, surpresa. O que aconteceu pra ele me perguntar essas coisas?!

– Seijuro... Por que está me perguntando isso?

– Apenas me responda.

– Claro que não! – Exclamei – Você sabe que eu sou... – Meus olhos marejaram.

– Mas esse é o ponto. – Ele disse com o tom de voz angustiado – Eu não sei.

– Eh? – Disse surpresa – Nani...?

– Você apenas fica com vergonha.

– Não... Eu sou sim. – Disse com a voz embargada.

– Então por que Masaru-kun disse que você se jogou nos braços dele?

– Uhm... – Arregalei os olhos – Nani...? Nani? Não...

O ouvi suspirar de novo, me interrompendo.

– Mina, apenas... Me dê um tempo pra pensar, tá?

– Oe... Seijuro...

Ele desligou em seguida. Fiquei paralisada ouvindo aquele “tu... tu...” do celular. Aquele barulho ecoava no meu coração. O que... Aconteceu? Por que Norimi-san disse que eu dormi com ele?! Nós apenas nos beijamos e ele que me obrigou! Meus olhos marejaram mais e as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. O celular caiu da minha mão e eu abracei meus joelhos, pondo os pés em cima da cama e começando a chorar. Estava tudo bem! Tudo estava bem, tudo estava resolvido.

Por que isso estava acontecendo?

Notas finais
Deu ruim, hein... 'kkk Gostaram, achei bem longo. Não esperava que fosse dar tanta coisa xD