Depois de ter ligado para Akashi, depois do que ele disse pra mim... Eu não soube mais o que fazer. Eu não havia feito nada, foi Norimi-san que me beijou a força. Por que ele disse a Akashi que passamos disso? Eu nem o conheço! Fiquei tão triste que não fui para o colégio por dois dias. Minha mãe começou a ficar preocupada comigo e eu precisei voltar logo para o colégio, se não ela tiraria alguns dias do trabalho para cuidar de mim, achando que eu estava doente. Não podia fazer isso, eu não estava doente e as contas não seriam “canceladas”. Quando eu cheguei no colégio, algumas garotas me encaravam. Aquele maldito boato devia ter se espalhado mais enquanto eu estava em casa e acho que eu ter sumido do colégio apenas piorou. Quando cheguei na sala de aula, as meninas me fitaram.

– Mina! – Yue exclamou preocupada, correndo em minha direção – Daijoubu?

– Hum. – Disse sem expressão.

– O que houve? Não respondeu às mensagens de nenhuma de nós esses dias.

– Nada.

– Oe, Mina. – Naoko disse, se aproximando – Pare de mentir. Por que você faltou o colégio esses dias?

Eu a olhava e Kime se aproximou também. Sabia que não conseguiria esconder delas, então eu contei o que houve. Nos sentamos, elas ficaram em volta de mim e eu contei tudo. Elas arregalaram os olhos.

– Qual o problema com vocês?! – Naoko exclamou – Antes foi por causa da palhaça da Kime! Sem ofensa, agora você é nossa amiga, ne. – Ela disse rapidamente a Kime – E agora é por causa desse babaca?! É a vez do Akashi ficar de palhaçada?!

Abaixei o olhar.

– Eu queria falar com ele, mas não sei se ele me escutaria. – Disse cabisbaixa.

– Akashi-kun realmente tem estado sumido esses dias. – Yue disse.

– Chihiro disse que ele está ficando muito no ginásio, treinando. – Kime disse – E ele pediu apenas um tempo pra pensar. Ele já deve ter pensado!

– Hum. – Disse cabisbaixa.

Na verdade eu não sei o que eu faria. Estava com medo de ir até Akashi e ele dizer que queria terminar nosso namoro, mas eu não gostava de ficar longe dele e ainda mais por causa de um desentendimento. Estava tudo bem antes... Nós estávamos indo bem, eu estava evoluindo e dando passos aos poucos. Por que isso tinha que acontecer? Eu não entendo isso. O que eu fiz a Norimi-san?

A aula foi longa e triste pra mim, eu não conseguia me concentrar e não fiquei com medo das minhas notas caírem, apenas pensava em Akashi. No intervalo eu não tive coragem de procurar por ele e fui para o terraço. Me aproximei da grade e fiquei vendo a vista, tentando não pensar em nada, o que era impossível. Naoko, Yue e Kime foram ao encontro de seus namorados e viram que eles conversavam com Akashi no banco.

– Oe, Akashi. – Mibuchi dizia – Vai falar com a Mina. Ela estava realmente mal aquele dia. Você sabe que ela não faria isso.

Akashi estava com os braços cruzados, o olhando falar.

– Oe, fala alguma coisa. – Kotarou disse.

Ele apenas suspirou e desviou o olhar. As meninas viam aquilo ao lado dos meninos. Chihiro suspirou, escorado na parede e com as mãos nos bolsos.

– Oe, baka. – Ele disse sério com Kime ao lado dele – Pára de palhaçada e vai falar com ela. Você sabe que são apenas fofocas, por que fica de pirraça? Você não é criança.

– Porque você não sabe de nada. – Akashi disse – O que você faria se sua namorada beijasse outro cara?

– Baka, foi ele que a beijou! – Naoko exclamou.

Akashi desviou o olhar. Naoko se irritou e levantou, ficando de frente para ele. Mibuchi arregalou os olhos, não era bom quando ela se irritava.

– Qual o seu problema? Por que disse aquilo pra ela?

– Nani?

– Que você não sabia se ela era virgem mesmo!

Ele franziu levemente o cenho.

– Isso não diz respeito a vocês.

Ela rangeu os dentes.

– Akashi, você disse isso a ela? – Kotarou ficou surpreso.

Ele não o olhou.

– Ela é, bakayarou! – Naoko exclamou, quase gritando – E daí se ela não fosse? Isso faria você gostar menos dela? Isso a faria ser diferente do que ela é? Reo me pediu em namoro sabendo como eu era antigamente! Chihiro pediu Kime em namoro mesmo sabendo que ela já dormiu com você! – Ela apontou pra ele – E daí? E se ela não fosse?!

Ele a olhou sério.

– Mas você nunca diga que ela te trairia dessa forma, dormindo com outra pessoa, porque ela nunca faria isso com o garoto que ela ama! – Ela exclamou, concluindo.

Todos ali a olhavam. Mibuchi a olhava, surpreso. Kime segurou na mão de Chihiro, receosa, assim como Yue com Kotarou. Akashi olhava Naoko nos olhos e levantou, pondo as mãos nos bolsos e começando a andar.

– Ja ne.

Naoko o olhou, indignada.

– Oe...!

– Naoko. – Reo pegou no ombro dela – Deixa ele.

– Nande? – Ela o olhou sem entender.

– Ele já se decidiu. – Ele disse – Com o que você disse... Acho que qualquer um se decidiria logo. Ne?

Ele sorriu pra ela, que corou e desviou o olhar.

...

Eu ainda estava no terraço, perto da grade. Suspirei, pensando se deveria falar com Akashi, tomar coragem. Apertei a blusa do uniforme na altura do peito, ele parecia estar apertando. Eu tinha que falar com ele! Tinha que dizer que o amava e que nunca faria isso com ele! Talvez esse tivesse sido o problema, eu nunca disse a Akashi que o amo. Talvez ele tenha ficado desconfiado porque eu nunca me declarei de fato. Mas eu o amava mesmo! Saí de perto da grade e me decidi, não o perderia por causa daquilo. Não foi minha culpa. Eu iria falar com ele e fazê-lo me ouvir de qualquer jeito. Mas na hora que me virei, vi Masaru-kun.

– Uhm... Você. – Disse surpresa.

– Ohayou. – Ele cantarolou.

Franzi o cenho com raiva.

– Foi tudo sua culpa! – Exclamei – Por que fez aquilo?

– Por que eu quis. – Ele deu de ombro – Você não me impediu.

– Você me segurou! A culpa não foi minha!

Ele tampou a boca com a mão, rindo.

– Nee, mas já que vocês dois não estão mais namorando, você quer sair comigo?

Arregalei os olhos. Que garoto maluco!

– Não quero, baka! – Exclamei – Você vai contar a Seijuro que o que disse a ele era mentira!

– Nande? Ele acreditou tão bem. – Ele sorriu maliciosamente – Que namorado é esse que não confia na própria namorada?

Cerrei o punho.

– Você é um mentiroso!

Ele desfez o sorriso. Eu comecei a andar, passando por ele.

– Oe. – Ele disse me segurando.

Eu exclamei e dei um tapa na mão dele, recuando.

– Você é maluco! – Disse receosa – Eu vou contar tudo a ele.

Voltei a andar, mas ele me segurou de novo.

– Não vai contar não. – Ele deu aquele sorriso de novo – Acha que ele vai te perdoar?

– Eu não fiz nada... – Meus olhos marejaram – A culpa é sua.

– Mas pelo que sei ele acha que já dormimos juntos.

– Uhm... – Arregalei os olhos – Nani...?

Ele alargou um pouco mais aquele sorriso.

– Nee, já que todos acham isso, não acha que deveríamos pôr isso em prática? – Ele disse – Já faz um tempo que eu não conheço alguém bonita como você. Parece tão inocente.

– Não... – Disse, querendo chorar – Você é maluco...

Ele suspirou irritado e me puxou pra chegar mais perto dele. Exclamei e tentei empurrá-lo, mas ele me empurrou ainda me segurou e segurou minha perna, me fazendo deitar no chão à força. Ficou em cima de mim, me prendendo com as pernas e segurando meus pulsos.

– Nani...? – Chorava.

– Do jeito que você é, parece que nunca dormiu com ninguém. – Ele riu.

Eu tentava me soltar, mas não adiantava. Ele apertava meus pulsos a ponto de me machucar.

– Onegai... – Chorava.

“Não devia ser assim...”, pensava enquanto chorava, “Eu quero que seja com Akashi...”.

– Hum... – Ele cantarolou – Então você é virgem mesmo? – Ele riu – Por isso que Akashi ficou com tanta raiva. Nossa, você não devia ter feito aquilo comigo.

– Eu não fiz nada! – Exclamei.

– Mas agora vai ser verdade.

Eu me debatia e ele desabotoava meu casaco e em seguida minha blusa.

– Sai! – Gritei, desesperada.

Ele sorria maliciosamente e de repente alguém o pegou pelo uniforme e o tirou de cima de mim, jogando-o contra a parede da entrada do terraço. Eu respirava ofegante e vi Akashi, que estava com o olhar furioso em direção a Masaru-kun. Masaru bateu as costas na parede e levantava, fuzilando Akashi com o olhar.

– Oe... Vai defender ela agora?! – Ele exclamou.

– Bakayarou! – Akashi exclamou, indo pra cima dele e dando vários socos no rosto e barriga de Masaru.

Ele perdeu o ar com os socos, mas Akashi não parava. Me sentei, arregalando os olhos. Ele não ia parar! Levantei e corri até ele, abraçando-o por trás para tentar segurá-lo, mesmo sabendo que não adiantaria.

– Seijuro! Onegai! – Pedi.

Ele deu mais um soco, bem forte em Masaru, que caiu no chão, e parou ofegante.

– Onegai... Vamos embora. – Pedi.

Segurei o braço dele e o tirei dali. Saímos do terraço e descemos as escadas, mas entre um lance e outro, ele parou de repente e me abraçou, nos fazendo ajoelhar ali mesmo.

– Nani...?

– Gomen... – Ele dizia, chorando – Gomen...

Acalmei o olhar e o abracei. Ele cessou o abraço e enxugou as lágrimas com o braço.

– Foi tudo minha culpa. – Ele me olhou.

Arregalei os olhos, surpresa. Eu via suas lágrimas escorrerem e sua expressão chorosa em minha direção. Nunca imaginei que um dia o veria desse jeito. Ele parecia estar se sentindo impotente, mesmo tendo me defendido e me salvado. Acalmei o olhar e comecei a chorar também, emocionada. Poderia mesmo ter acontecido algo de ruim comigo e ele me salvou. Ele me salvou! Akashi pegou em meu rosto e o acariciou com o dedo.

– Gomen... Eu não devia ter duvidado de você. – Ele disse – Gomen... – Ele me abraçou de novo – Foi minha culpa... Se eu tivesse falado com você, isso... Você podia ter... Mina... – Ele chorava com raiva me abraçando mais forte.

– Daijoubu... – Eu tentava acalmá-lo, mas também chorava.

Ele balançou a cabeça, negando.

– Aquele desgraçado... – Rangeu os dentes – Gomen nasai.

Eu o abraçava, mas cessei o abraço, pegando em seu rosto e o olhando nos olhos.

– Eu amo você. – Disse com a expressão chorosa e o beijei em seguida.

Ele pôs a mão atrás da minha cabeça, fechando os olhos. Cessamos o beijo e ele acalmou o olhar, me olhando.

– Gomen nasai. – Ele disse se acalmando – Se eu tivesse acreditado em você, você não precisaria dizer isso pela primeira vez numa horas dessas.

– Hum. – Balancei a cabeça, sorrindo – Eu já queria dizer... Gomen.

Ele me abraçou e eu o abraçava forte com o rosto contra seu peito. Estávamos ali entre dois lances de escadas, sentados e abraçados no chão, chorando agora em silêncio por algo terrível que poderia ter acontecido por causa de uma simples falta de confiança. Eu não o culpei, não foi culpa de ninguém. Não sei se isso acontece com muitos casais, mas com o que quase houve comigo e o que houve agora entre nós, acho que nosso relacionamento ficou mais forte contra esses tipos de dificuldade.

...

Akashi e eu quisemos esquecer o que houve no terraço, mas nossos amigos nos forçaram a contar ao ver nossas caras de choro ao irmos para o pátio naquele mesmo dia. Contamos por fim e eles arregalaram os olhos. Yue começou a chorar e correu para me abraçar. Kime pôs as mãos em frente à boca e também chorou. Naoko ficou com os olhos marejados, mas sua expressão era de raiva. Ela saiu andando de repente e Mibuchi foi atrás dela. Olhamos na direção ao qual eles foram, mas ficamos ali em silêncio. Porém logo depois o diretor e alguns professores chegaram com Naoko e Mibuchi ao lado deles. O diretor perguntou a mim e a Akashi se o que houve no terraço era verdade e também perguntou a Kime se o que Masaru-kun fez com ela foi verdade. Ela gaguejou surpresa pela pergunta, mas confirmou. Eu abaixei o olhar, envergonhada e Akashi confirmou por nós dois. O diretor quase xingou por conta disso e nós descobrimos que Norimi-san tinha esse tipo de coisa em seu histórico. Ele nunca estuprou alguém de fato, mas havia várias tentativas em outros colégios aos quais ele estudou. O diretor nos pediu desculpas e disse que com o monitoramento que ele sofria, achou que isso não aconteceria. “Que monitoramento?!”, pensei, “Pelo que eu via, ele andava livremente pelo colégio!”. Acho que Naoko também pensou isso já que a vi revirar os olhos.

Enfim, o diretor disse que com o assédio sexual que Kime sofreu e a tentativa de estupro que eu sofri – fora a calúnia por ele ter mentido e isso ter se espalhado pelo colégio –, Masaru-kun não poderia mais sair na sala nos intervalos e quando quisesse ir ao banheiro, um inspetor o acompanharia. Além de ele ser obrigado a ficar longe de mim por no mínimo 50 metros, excluindo a hora das aulas. Nesse caso o sensei o vigiaria. Isso tudo ocorreria até o final daquele ano letivo, pois depois disso Masaru-kun seria transferido para outro colégio com vários avisos sobre seu histórico. Eu não sei o que aconteceria com esse garoto depois, mas fiquei aliviada por ele ficar longe de nós. Com ele no colégio até o final do ano letivo, Akashi não saía do meu lado. Depois que ficamos bem de novo, ele ficava comigo o tempo e até pediu desculpas uma vez, perguntando se estava exagerando. Eu sorri e balancei a cabeça, negando. Pra mim a companhia dele era ótima. Eu amava!

Apenas espero que até o final desse ano tudo continue bem.

Notas finais
Esse mais forte do título parece que tem duplo sentido, pelo menos pra mim 'kkkk Tipo, Akashi dar uma porrada legal no cara e mais forte pelo relacionamento deles. Sei lá, na hora que escrevi, pensei nisso 'kkk