Descobrindo o amor
26 Admissões
Eu estava nervosa enquanto estávamos estudando, mas fiquei um pouco mais tranquila com algo que aconteceu semanas antes de todos nós fazermos as provas para as respectivas universidades que desejávamos passar. Pra tentar relaxar, Akashi e eu saímos. Fomos ao cinema e andamos um pouco pelo comércio. Foi divertido, mas enquanto andávamos entramos na parte de hotéis para casais. Corei na hora e o olhei.
– Anou... O que estamos fazendo aqui? – Perguntei.
Ele riu.
– Queria saber se você quer mudar um pouco.
– Como assim?
– Esses hotéis parecem ser legais. A gente só dorme ou na minha casa ou na sua.
–E-E não está bom?! – Perguntei nervosa.
Ele riu.
– Hai, hai. – Ele cantarolou – Brincadeira.
Fiz cara de tédio.
– Hum, baka. Vamos sair daqui. – Disse.
– Hai. – Ele riu de novo.
Nos viramos e estávamos voltando para a parte do comércio, mas enquanto voltávamos um casal saía de dentro de um hotel. Eles riam e se beijavam. Arregalei os olhos quando vi. Era minha mãe com um homem! Fiquei boquiaberta, porém mais por ter a probabilidade de ela me ver ali com Akashi. Gaguejei e Akashi me olhou em dúvida. Eu o empurrei de repente para uma rua e me escondi com ele. Ele caiu sentado no chão comigo e eu o prendia contra a parede e com as mãos em seu peito.
– Pensei que não queria fazer isso. – Ele riu – Não prefere entrar num quarto antes?
– Shh! – Exclamei, tampando sua boca com a mão.
Ele me olhou em dúvida e eu olhei para a saída da rua, vendo minha mãe e o homem passar. Arregalei os olhos e me voltei para Akashi. Ele arregalou os dele, percebendo que era minha mãe e me olhou, tirando minha mão de sua boca e me beijando. Fiquei surpresa e tentei me afastei, aquela não era a hora! Mas ele pôs os braços ao meu redor e me beijou mais. Minha mãe passou com o tal homem, olhando de relance para nós e foram embora. Akashi cessou o beijo e me olhou ofegante.
– Por quê...?! – Perguntei ofegante.
– Se ficássemos parados eles achariam estranho. – Ele dizia – Conosco nos beijando, somos apenas um casal na rua.
– Hum... – Fiz cara de tédio e me levantei.
Akashi riu e levantou. Fomos embora dali e para a casa dele. Não acreditei que minha mãe fizesse esse tipo de coisa. Ela sempre foi tão... Sem relacionamento. Se bem que agora que sabemos, ela é divorciada e não viúva, ne. Como Akashi se empolgou quando nos beijamos naquela rua, dormimos juntos na casa dele e depois ele me levou em casa.
Quando entrei, minha mãe estava na sala, jantando e assistindo TV.
– Okaeri. – Ela disse feliz.
Fiz cara de tédio, corando levemente e imaginando a razão de sua felicidade. Me sentei na poltrona e comecei a assistir TV com ela.
– O que fez hoje? – Perguntei.
– Nada demais.
A olhei, indignada. Como ela iria mentir, fui para o quarto e logo depois dormi. Mas não demorou muito para eu descobrir. Marquei com Akashi de ir cedo para a casa dele para estudarmos juntos, mas de última hora ele me ligou na noite anterior e pediu para remarcamos porque ele sairia com o pai. Eu disse que tudo bem e fui dormir, mas não avisei nada a minha mãe. Realmente não foi minha intenção fazer isso, mas ela pensou que eu já havia saído de casa quando acordou. Eu estava no quarto, fazendo uma escultura de casal para uma encomenda – que devo dizer, isso estava ajudando e muito com as despesas de casa – e comecei a ouvir vozes do lado do meu quarto, onde era o quarto da minha mãe. Arregalei os olhos e corei, indignada. Não eram apenas vozes, mas gemidos também.
Larguei a escultura em cima da mesa e fui direto para o quarto dela, esperando aquilo acabar. Quando pareciam ter acabado, invadi o quarto sem bater e os peguei no flagra. O mesmo homem que vimos antes, em cima dela e a beijando debaixo das cobertas. Arregalei os olhos e eles viram que eu estava ali.
– Mina! – Minha mãe corou, se cobrindo – V-Você não estava com Akashi-kun?!
– Não! – Exclamei ainda com os olhos arregalados – N-Nani?
– Etto... – Ela pensava – Anou... Só... Podemos nos vestir?
Eu estava tendo um pequeno tique nervoso no olho por causa daquilo.
– Hai. – Disse indignada e saí do quarto.
Esperei na sala, sentada na poltrona e eles logo saíram do quarto, vestidos. Se sentaram no sofá e me olharam com caras de culpados.
– Mina...
– Por que aqui em casa? – Perguntei – A última vez foi no hotel!
– Eh?! C-Como...? Mina!
– Eu não fui lá! – Disse, corando – Vi vocês dois saindo de lá.
– Eh... – Ela acalmou o olhar – Pensei que estivesse com Akashi-kun.
– Ele pediu ontem pra remarcar. Teve que sair com o pai dele.
– Por que não me disse?
– Porque eu não sabia que você iria trazer alguém pra cá! – Disse indignada – Pra mim você era solteira!
Ela corou.
– E quem é ele afinal?! – Exclamei, apontando para o que homem que até agora não havia falado uma palavra.
– Mina, esse é Naruhito Masaki. É o meu chefe.
– Ohayou. – Ele disse sem jeito.
– Eh?! – Arregalei os olhos – Você está tendo um caso com seu chefe? Mãe!
– Não é um caso! – Ela me olhou indignada – Estamos juntos... Há mais de cinco anos.
– EH?! – Arregalei os olhos – N-N-Nani?! Quando você vai parar de esconder as coisas de mim? Primeiro meu pai e agora seu namorado!
– Anou... Mina-chan. – Masaki-san disse – Estamos noivos.
O olhei indignada e ele pareceu ter ficado com medo da minha expressão.
– Gomen, Mina. – Minha mãe disse – Não sabia como iria reagir.
– Meu pai voltou dos mortos e eu reagi muito bem. – Disse – Por que não reagiria bem com um namorado seu?
Ela acalmou o olhar.
– É que já faz tempo. Não sabia como iria encarar nosso casamento. Principalmente por seu pai ter aparecido do nada e ter acontecido aquilo tudo.
– Eu talvez vá embora daqui a alguns meses. – Disse calmamente – Não teria problema. Ficaria até feliz por você não ter que ficar sozinha.
Ela sorriu gentilmente.
– Arigatou, Mina-chan. Isso nos deixa muito feliz. – Masaki-san disse, sorrindo.
– Eu não falei com você! – Exclamei indignada, apontando para ele – Como pôde? Você é o chefe dela! Como pôde começar um relacionamento com sua própria funcionária?
Ele abaixou o olhar, envergonhado.
– G-Gomen nasai. Mas...
– Run! – Resmunguei, o interrompendo – Acho bom ser um bom marido pra minha mãe e um bom padrasto pra mim.
Eles me olharam surpresos. Eu os olhei com um sorriso no rosto, querendo rir. O que dois anos e meio com Akashi não fez conosco com aquelas brincadeiras... Bem, mesmo tendo pegado os dois no flagra, depois fiquei feliz por minha mãe não ter estado sozinha esse tempo todo. Pelo menos metade desse tempo, ne.
...
No dia da prova eu fiquei muito tensa. Akashi e eu fomos para Tokyo juntos e cada um foi para sua universidade fazer as provas. Eram muitas pessoas na grande sala onde eu estava e isso me deixou ainda mais nervosa. Quando os papéis estavam a nossa frente e tivemos permissão para começar, eu fiquei olhando para aquelas folhas e pensava se iria conseguir mesmo. Pensava em Akashi, nos meus amigos, na minha mãe, no meu pai... Agora que ela se casaria e teria alguém para ajudar em casa, eu havia perdido meu foco de fazer faculdade para ajudá-la no futuro, dar uma vida melhor a ela. Eu não sabia mais por que estava fazendo aquilo, me sentia perdida. Mas... Mesmo assim eu queria passar, queria muito mesmo! Akashi com certeza passaria na prova dele e em alguns anos ele seria médico. E o que eu seria se não passasse? Se nos casássemos eu seria uma dona de casa? Acho que não quero isso. Queria mudar, nunca havia pensado nessas coisas antes de conhecer Akashi. Respirei fundo e peguei a caneta, começando a escrever.
Quando passei pelo portão, apertei minha blusa na altura do peito, esperava que tivesse me saído bem na prova. Abri meu celular e não vi mensagem de Akashi, ele ainda deveria estar fazendo a prova. Escrevi uma mensagem e a enviei a ele, dizendo que iria de trem para a casa do meu pai. Eu o fiz e quando cheguei, meu pai estava na varanda da frente, tirando fotos. Ele me fitou e posicionou a câmera, tirando uma foto minha. Eu estava na frente do portão, o olhando. Sorri levemente e entrei. Me sentei na mureta na direção da rua e ele continuou a mexer na câmera.
– E a prova? – Ele perguntou tentando não doar ansioso.
– Tudo bem, eu espero. – Disse, tentando sorrir.
– Akashi-kun ainda está fazendo?
– Hai. – Suspirei.
– Nani?
– Não sei o que vou fazer se não passar.
– Faça a prova de novo.
– E fracassar de novo? – Perguntei olhando a vista da rua.
– Você não sabe se vai fracassar. – Ele disse – E não é vergonha alguma tentar outra vez.
Abaixei o olhar, assentindo com a cabeça.
– Nee, minha mãe vai casar.
– É? Não sabia que ela estava namorando.
– Há cinco anos.
– Eh?! – Ele disse surpreso – Sério?
– Hai. – Disse, querendo rir – Há algumas semanas ela pensou que eu tinha saído pra estudar com Seijuro, mas eu ouvi uns barulhos. Fui para o quarto dela e os peguei na cama.
Ele arregalou os olhos.
– Eh...
– Hum. – Disse, rindo levemente – Mas estou feliz por ela. Pelo menos se eu for embora ela não vai ficar sozinha.
– Hai. – Ele disse – Verdade.
Eu suspirei, sorrindo levemente e minutos depois enquanto eu olhava a vista, Akashi chegou. Eu sorri e ele acenou, cumprimentando meu pai. Me despedi dele e fui embora com Akashi. No trem, conversávamos.
– Estava muito difícil? – Perguntei.
– Não. – Ele disse.
– E-Eh... – Disse – Hai.
– E você?
– Não sei, espero que tenha me saído bem.
– Hum. – Ele sorriu e me beijou – Quer ir pra minha casa.
– H-Hai. – Corei levemente.
Quando chegamos, fomos para o quarto dele e, claro, dormimos juntos. Parece estranho e vergonhoso dizer isso, mas com meu nervosismo da prova, dormir com Akashi me relaxou. Fiquei um pouco melhor e acabamos adormecendo na cama dele.
...
Nossa formatura foi bem legal. Os formandos se reuniram no ginásio, sentados nas cadeiras e o presidente de turmas fez um discurso motivador, dizendo que o colégio havia acabado para nós, mas que um grande futuro nos aguardava. Eu estava sentado ao lado de Akashi e ele pegou minha mão, sorrindo gentilmente pra mim. Eu sorri, mas pensava no e-mail que ainda não havia chegado. Na verdade, não chegou para ninguém ainda, mas eu ainda assim fiquei nervosa. Esperava que o futuro fosse mesmo bom para nós. Quando terminou, nosso grupo saiu junto e fomos comemorar. Enquanto conversávamos, todos diziam como estavam ansiosos para saber os resultados. Naoko fez prova para engenharia civil, Yue para moda, Kime já era modelo, mas fez para moda também, Chihiro administração, Reo para engenharia aeronáutica e Kotarou para professor. Fiquei intrigada pelas escolhas deles, não imaginava mesmo e agora torcia para que eles conseguissem.
Alguns dias depois, eu tentava me distrair e fazia uma escultura de Mayu. Até onde eu sabia, apenas faltava Akashi e eu para receber o e-mail das universidades. Nossos amigos receberam e todos passaram para as faculdades que queriam. Enquanto eu fazia a escultura, Mayu me olhava e de repente meu computador apitou. O olhei em dúvida e levantei, indo até ele. Era um e-mail. O abri e li o que estava escrito. “A Universidade das Artes de Tokyo parabeniza você, Yume Mina, por sua admissão em nossa instituição.”. Enquanto eu lia, arregalava os olhos aos poucos. “Sua entrada é aguardada no começo de nosso ano letivo no campus de Ueno.”. Me endireitei e pus as mãos na frente da boca. Finalmente! Meus olhos marejaram e eu levantei rápido. Tirei uma foto daquele e-mail e saí do quarto correndo.
– Mina? – Minha mãe perguntou da cozinha.
– Eu passei! – Exclamei feliz, eufórica.
Minha mãe gaguejou, sorrindo e eu a abracei. Ela começou a chorar emocionada e eu saí correndo porta a fora, dizendo que iria na casa de Akashi. Peguei o ônibus e toquei repetidas vezes o interfone quando cheguei. O mordomo atendeu.
– Hai.
– É Mina! – Exclamei eufórica – Seijuro está?
– Mina-san, hai. Só um momento.
Ele destravou o portão e eu entrei, correndo até a entrada. Quando ele abriu a porta para mim, passei correndo por ele o cumprimentando eufórica e fui para o quarto de Akashi. Bati na porta e ele a abriu, me olhando surpreso ao me ver ali e sorrindo daquele jeito. Eu o abracei, eufórica e ele não compreendeu.
– Eu passei! – Sorri feliz.
Ele me olhou surpreso e sorriu.
– Que ótimo! – Exclamou, me abraçando.
Deixei uma risada escapar e nos sentamos na cama dele. Mostrei a foto do e-mail e ele sorriu pela minha euforia.
– Recebeu hoje?
– Hai! – Sorri.
Ele riu.
– Que bom. – Ele disse – Nós vamos ficar na mesma cidade.
– Eh? – Disse sem entender.
Ele sorriu e me levou até sua mesa, me mostrando a tela do computador. O e-mail dele estava aberto em um dos e-mails. Eu li o que estava escrito e arregalei os olhos. “A Universidade de Tokyo parabeniza você, Akashi Seijuro, por sua admissão em nossa instituição. Sua entrada é aguardada no começo de nosso ano letivo no campus de Hongo.”. Olhei para ele, que sorria e pulei em cima dele, o abraçando e nos fazendo cair no chão.
– E-Etto...! – Ele exclamou ao cair.
Me olhou e eu ri, o que o fez rir também. Nós vamos ficar em Tokyo! Vamos ficar na mesma cidade! Fiquei ainda mais eufórica e ele me pegou no colo, me levando pra cama. Me deitou e eu apenas o olhava, sorrindo. Akashi me beijava, começou a tirar minhas roupas e nós fizemos amor. Acho que nunca dormi com ele daquela forma. Eu estava tão feliz que fiquei mais animada enquanto fazíamos, o beijava mais ofegante do que de costume. E pelo visto ele amou. Quando terminamos, ele estava abraçado comigo e deitado em meu peito. Eu fazia carinho em seu cabelo enquanto ele fazia carinho nas minhas costas.
Agora nós começaríamos nosso futuro. E acho que ninguém poderia descrever o quanto estávamos felizes.
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