Notas iniciais
Falta um só! Buá! :'(

No ensino médio, nós encaramos vários tipos de situações. Nossa vivência com pessoas desconhecidas, começo de amizades, términos de amizades, namoros, amigos e professores, pais, problemas pessoais, problemas dos amigos, provas, trabalhos escolares, beijos, encontros, passeios, viagens, declarações de amor, a primeira vez, a escolha para o futuro e enfim, nossa ida para a universidade. Tudo isso aconteceu comigo e eu na maioria das vezes não sabia o que fazer. Fui obrigada a encarar o que vinha e superei tudo, mas não sozinha. Tive muita ajuda e fico agradecida por isso, mas agora eu teria que enfrentar algo sozinha: a faculdade.

Bem, depois da nossa formatura nós encaramos o fato de que muitos dos nossos amigos iriam para estados diferentes. Como Naoko e Reo-kun, que iriam para bem longe, porém ficariam juntos e dividiriam um apartamento simples em vez de ficarem nos dormitórios de suas respectivas universidades. Kotarou-kun teve a sorte de passar para uma universidade não muito longe de casa e ficaria separado de Yue por duas horas de viagem de trem. Kime e Chihiro pareciam que tinham planejado ir para a mesma universidade e enquanto estudassem, trabalhariam para alugar um apartamento para eles dividirem. E Akashi e eu, que ficaríamos em Tokyo. Pensamos em dividir um apartamento juntos, mas como era uma viagem de trem de quase duas horas para cada um, não houve como levar a ideia adiante.

Passamos o aniversário de Akashi com ele e eu dormi na casa dele. No natal, ele ficou comigo na minha casa e Masaki-san, o noivo da minha mãe, também passou o natal conosco. No começo do ano seguinte, minha mãe e ele se casaram. Foi algo simples e apenas com a família, mas foi bem legal e até meu pai, Mary e Kou foram convidados. Em fevereiro tivemos que encarar as despedidas. Akashi e eu fomos os últimos a ir, então quem estava lá eram apenas minhas duas famílias e o pai de Akashi. Akashi o abraçou e o vi um pouco nervoso por estar indo embora. O pai dele o abraçou forte e devo admitir que foi a primeira vez que vi um gesto de afeição dele. Realmente, se despedir do filho que vai estudar em outro estado deve ser difícil. Quando me despedi dos meus pais e de Kou, chorei. Mary me abraçou em seguida e disse que me esperava logo para voltarmos a pintar juntas. Masaki-san me abraçou também, mas sinceramente eu não o conhecia muito bem para dizer que sentiria saudades dele. Apenas fiquei feliz por saber e presenciar enquanto eu ainda morava lá que ele tratava minha mãe muito bem.

Nós entramos na estação e logo no trem, começando nossa viagem para Tokyo e para nossos futuros. Sentados nas poltronas, eu suspirei e Akashi pegou minha mão. Eu sorri e o olhei.

– Vai ficar tudo bem, ne? – Perguntei.

– Hai. – Ele disse gentilmente.

Sorri.

– Arigatou. – Disse de repente.

– Nande?

– Por dizer do nada que era meu namorado.

Ele sorriu e pôs gentilmente a mão em minha cabeça, me puxando gentilmente e me beijando. Ele cessou gentilmente em seguida e me olhou.

– Eu disse que faria você se apaixonar por mim. – Ele sorriu.

Corei levemente, abrindo um sorriso. Nós viajávamos e eu me lembrava de tudo, tudo que passamos. Quando chegamos em Tokyo, Akashi me levou para minha universidade e nos despedimos. Eu o abracei e chorei muito com ele me abraçando, mas sabia que nos veríamos de novo. Eu tinha esperança que o tempo passasse logo.

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~ Cinco anos depois... ~

Cinco anos e faltava apenas mais um mês para nos formarmos. Eu mantive contato com as meninas e elas estavam bem. Yue se formou no ano anterior e com Kotarou já trabalhando no colégio onde nos formamos, ela voltaria para casa e eles se casariam em breve. Chihiro e Kime fizeram a loucura de se casar na faculdade e logo voltariam para nossa cidade, morar na casa de Chihiro. Naoko e Reo já compraram uma casa para eles e os dois voltariam depois da formatura, estavam noivos.

Nos três primeiros anos da faculdade, eu dividi o dormitório com uma menina chamada Haruki, escultora. Ela legal e bem divertida, me lembrava de Yue. Eu trabalhava meio expediente e dois anos atrás consegui alugar um apartamento simples pra mim. Akashi preferiu ficar nos dormitórios da universidade e como disse pra mim, todos os términos de semanas de provas, feriados, natais e ano novo ele vinha me ver, assim como eu. Eu ficava animada sempre quando chegavam as datas e mais animada ainda quando via Akashi.

Dessa vez, ele viria para minha casa no natal. Estava quase na hora de encontrá-lo na estação e eu terminava de preparar nosso jantar de natal. Fui tomar banho e me arrumei rápido, vestindo meia-calça, saia, botas, uma blusa de alças e outra de mangas compridas. Eu havia crescido um pouco mais, porém Akashi sempre era mais alto que eu, além de acentuar que ele cresceu mais um pouco também. Meu cabelo agora era bem longo e estava na cintura. Eu o penteei e vesti meu casaco longo vermelho. Dei duas voltas no pescoço com o cachecol e saí de casa.

Quando cheguei na estação fui direto para o quadro de horários e olhei para o horário que Akashi vinha. Sorri e fui para onde ele sairia. Estava frio, nevava bastante e eu estava com as mãos dentro dos bolsos do casaco, esperando ansiosa e deixando escapar um sorriso, imaginando-o sair do trem com a mala. Quando o trem chegou, fiquei nervosa e feliz. As portas se abriram e as pessoas começaram a sair, sorrindo e abraçando seus parentes que estavam esperando por elas. Eu olhava para as portas, mas Akashi não saía. Olhei para o relógio da estação, era aquele horário. Estava tudo certo. Mordi o lábio inferior, nervosa e imaginei se ele perdera o trem. Não, ele nunca perdia o trem. Tirei o celular do bolso e o abri, não havia mensagem alguma dele. Digitei e liguei pra ele, pondo o celular próximo da orelha. Uma música começou a tocar atrás de mim e eu arregalei os olhos. Uma risada leve me fez corar e eu afastei o celular da orelha, ficando boquiaberta e fechando o celular.

– Sempre chegando cinco minutos antes, ne?

Me virei rápido e o vi. Akashi sorria pra mim e meus olhos marejaram. O abracei e ele me abraçou gentilmente com o braço, segurando a mala com o outro.

– Por onde você saiu? – Perguntei, cessando lentamente o abraço.

– Cheguei meia hora atrás.

– Eh? – Disse surpresa – Por que não me disse? Eu viria mais cedo.

– Porque você sempre chega antes e eu queria ver sua expressão de surpresa. – Ele disse, pegando gentilmente meu queixo.

Sorri, corando e logo fomos embora. Chegamos no meu apartamento e Akashi pôs a mala na sala. Meu apartamento era bem simples, perfeito para alguém que morava sozinho. Tinha o banheiro pequeno, a cozinha minúscula e a sala, que quando eu fosse dormir era só arrumar minha cama no chão. Era bem menor que minha casa com minha mãe, mas eu conseguir viver bem ali enquanto estava na faculdade. Nós conversamos e colocamos tudo em dia. Akashi disse que logo voltaria para casa quando se formasse e faria a residência médica. Eu disse que tinha mais três exposições para fazer em Tokyo e que voltaria para casa em dois ou três meses. Disse que minha mãe estava ansiosa e que meu mais novo irmãozinho, Kyouta, estava me esperando também. Ele iria fazer dois anos e eu quase nunca o via. Kou por outro lado, sempre falava comigo por videoconferência no computador. Ele havia me mostrado uma foto da namorada dele, que tinha cabelos cor de mel e olhos castanhos. Era linda! Fiquei surpresa por ele ter apenas 15 anos e já estar namorando. Akashi riu e nós jantamos. Ele elogiou minha comida e eu corei levemente, sorrindo.

Quando terminamos, ele me ajudou a lavar a louça e a guardamos. O que foi um pouco difícil, já que muito mal cabiam duas pessoas na minha cozinha. Ele sempre ria quando me apertava e eu exclamava rindo, mandando-o parar. Tomamos banho juntos, rindo, e nos arrumamos para dormir, arrumando minha cama na sala em seguida. Ficamos até tarde assistindo a um filme, deitados na cama e parecíamos duas crianças rindo das partes engraçadas. Quando ele terminou e desligamos a TV, me deitei pra dormir, mas Akashi não deixou. Começou a beijar meu pescoço enquanto colocava a mão na minha barriga por baixo da blusa. Eu ri e o beijei. Óbvio que isso aconteceria, ne. Quando terminamos, Akashi estava deitado de lado e acariciava meu cabelo, sorrindo. Eu sorria e o olhava, deitada.

– Estou pensando em cortar. – Disse.

– Hum. – Ele sorriu – Vai ficar bonito.

– Como no colégio? Quando me conheceu?

– Hai. – Ele deixou uma risada escapar – Só se você me prometer que vai deixar crescer de novo.

– Hai. – Ri – Mas não vou cortar.

Ele riu.

– Ne.

– Hum. – Disse.

– Depois que você terminar as exposições, vai voltar mesmo pra casa, ne?

– Hai. Nande?

– Hum. – Ele balançou a cabeça – É que... Estou planejando algo.

– Nani?

– Nada. – Ele riu.

– Fala. – Sorri, ficando de lado.

– É algo que em relação a um terno.

– Terno?

– Hai. – Ele sorriu.

– Hum. – Pensei – Fala logo, não quero adivinhar. – Ri.

Ele riu.

– Tá.

Akashi pôs a mão debaixo do travesseiro e tirou dali uma caixinha preta. Corei, imaginando o que era e ele me deu com um sorriso no rosto.

– Nani...?

– Abre pra ver.

Eu o olhei. Me lembrei da vez que Kou perguntou se iríamos nos casar e pensava se diria “sim”. Mas claro que diria! Tudo que passamos juntos até aquele momento indicava claramente que eu queria ficar com ele! Quando olhei para a caixinha e a abri, comecei a rir. Era um par de brincos. Ele quis rir da minha risada.

– Pensou que fosse outra coisa? – Ele perguntou.

Assenti com a cabeça, ainda rindo. Akashi pegou a caixinha da minha mão e pareceu ter tirado a pequena almofada que ficavam os brincos.

– Tipo isso? – Ele perguntou.

Parei aos poucos de rir e apoiei um dos cotovelos, vendo o que era. Debaixo daquela pequena almofada, havia um anel prateado com uma pedra brilhante no topo. Fiquei boquiaberta, paralisada. Pensei mesmo que fosse uma brincadeira dele, mas não era. Era real!

– V-Você...

– Mina, quer casar comigo? – Ele perguntou.

O olhei, paralisada. Ele sorria com a caixinha ainda na mão. Me sentei, me cobrindo e pus a mão em frente a boca, o olhando. Meus olhos marejaram e eu comecei a sorrir.

– Baka! – Exclamei, o abraçando e fazendo-o deitar.

– Etto...! – Ele exclamou ao deitar a força.

Eu comecei a chorar de felicidade enquanto o abraçava e ele me abraçou.

– Não imaginei que choraria... – Ele disse, querendo rir.

– Você... Sempre com essas brincadeiras... – Disse, sorrindo feliz enquanto chorava.

Ele sorriu, me abraçando e nos virando, me fazendo deitar. Limpei as lágrimas com o braço e o olhei, sorrindo com a expressão chorosa.

– Arigatou.

– Uhm... Nande? – Ele perguntou, rindo por não entender.

– Por me fazer feliz. – Disse – Por sempre me fazer feliz, mesmo com tudo que acontecia.

Ele acalmou o olhar e sorriu.

– Mina... Obrigada por existir.

Sorri, emocionada. Akashi pegou gentilmente minha mão e pôs o anel em meu dedo. Eu sorri e o abracei, beijando-o em seguida. Pensei que nossas vidas já haviam começado, mas agora que Akashi me pedira em casamento percebi que nossa vida juntos realmente começaria em breve.