Descobertas
33 Você acabou com o "Nós" com sua desconfiança.
Notas iniciais
Miguel assim que chegou do hospital, encontrou Paulina na cozinha. Ela estava descascando uma manga, e parecia completamente concentrada. As Crianças ainda estavam na escola, e a casa estava deserta. Ele, admirando-a com o olhar carregado de carinho, abriu a porta suavemente e a abraçou pelas costas.
–Ai Miguel! Que susto! disse ela largando a faca que usava sobre a bancada.
–O que você esta fazendo? perguntou ele envolvendo-a em seus braços.
–Uma salada de frutas. As crianças adoram. disse ela sorrindo antes dele vira-la, ficando frente a frente.
–Senti Saudades. sussurrou ele antes de aproximar sua boca da dela.
–Espere! Deixe-me lavar as mãos, vou acabar te sujando!
Miguel não deu tempo a ela, e sorrindo abertamente, a puxou em seus braços. Colando suas bocas, Paulina apoiou as mãos sobre o jaleco branco do Doutor, deixando-o que o beijasse. Ele de forma intensa mas delicada, empurrou-a contra a bancada pressionando-a com seu quadril. Sentindo a falta do Ar, Ele afastou sua boca da dela, e com carinho esboçou um sorriso contente.
–Eu disse que iria acabar sujando-te. E acabei sujando-me também. Disse ela dando um tapa no ombro dele.
–Vamos tomar um banho, hum? perguntou ele.
–Desculpe-me querido, mas agora não podemos. Quero terminar logo aqui, e...
O som alto da campainha desconcentrou ambos e Miguel afastou-se dela olhando-a confuso.
–Deixe, eu atendo. disse ela caminhando até a Pia. Miguel seguiu-a e enquanto ela lavava as mãos apressadamente ele depositou um beijo no ombro dela.
–Vou me trocar.
Paulina ficando assustada com o insistente som da campainha, pegou em mãos um pano de prato e caminhou em direção a entrada.
–Estou indo! gritou ela.
Paulina levou a mão a maçaneta, e quando a porta se abriu, quem ela menos esperou apareceu frente seus olhos.
–Paulina, prec...
–O que fazes aqui! disse ela com a voz firme, esboçando a raiva em cada letra.
–Por favor, apenas alguns...
–Nada. Não tens nada que fazer aqui. Amanhã as crianças irão para sua casa. Agora, por favor, vá embora.
Paulina que tremia a cada palavra, segurou o choro quando seu olhar se encontrou com o dele. Carlos Daniel deu um passo a frente e ela esticou a mão impedindo-o que viesse mais adiante.
–Lina, não é sobre as crianças, é sobre nós. Por...
–Não existe mais nós, Carlos Daniel entenda. Há um bom tempo não existe mais nós. Você acabou com o nós com sua desconfiança.
–Por Favor Meu amor...
–Não sou mais teu Amor! Esqueça-me!
–Paulina, pelo amor de Deus, foi tudo uma armação, me escute! Paola jogou sujo conosco, por favor, eu te amo! Gritou ele dando um passo a frente, deixando que as lágrimas descessem por seus olhos.
–Não! Você nunca me amou! Da Paola eu poderia esperar tudo, mas de você, não... Agora, esqueça! Desapareça da minha vida.
–Não! Você sabe como te amo, e sei que mesmo estando ao lado desse pouco homem, você ainda me ama.
–Pouco homem você pode ter certeza que ele não é! Ele é muito mais homem que você! Se é que depois de tudo, ainda possa dizer que você é homem. Você... você... suma daqui! gritou ela com um nó na garganta.
Carlos Daniel mesmo com as facadas das palavras dela, sentia em seu olhar que aquele nós ainda vivia por ali. Ele mirou no fundo da íris de Paulina, e quando ela respirou em busca de ar, ele avançou frente a ela e a puxou nos braços. Com força a mão dele enlaçou os cabelos dela e com certa brutalidade ele puxou as madeixas.
–Não era assim que me definia enquanto estava assim, em meus braços. Esse que agora você chama de Pouco homem, é o mesmo que te fazia mulher todas as noites.
–Solte-me! esbravejou ela entre os dentes cerrados, batendo com os punhos sobre o peito dele.
–Te amo mais que minha vida, e isso não ira mudar. Mesmo dormindo com esse miserável, sou eu que domino teus pensamentos, é por mim que teu corpo implora. Não vou te deixar, e se depender de mim, nunca mais irei permitir teu distanciamento.
Ele pressionou forte o corpo contra o de Paulina. Ela Cerrou os olhos com força, mas ele não deu tempo para que ela agisse. Carlos Daniel puxou os lábios dela para si, e mesmo com os tapas e socos que ela depositara no peito dele, ele não desistiu. Ele seguiu com seu ataque, e Paulina não suportando mais sentir seu gosto, deixou ser beijada. Sua boca abriu-se para ele e como uma fúria sobrenatural, eles se entregaram ao momento. Paulina abriu melhor os lábios para recebê-lo e Carlos Daniel não desperdiçou a oportunidade. Sua mão correu pelas costas de Paulina e os dedos nos cabelos dela a buscavam mais para si. Ele tomado pelas sensações que os dois juntos criavam, pressionou mais forte seus corpos, fazendo-a tremer em seus braços. Paulina caindo em realidade lembrou-se de tudo que houve entre eles e mesmo sofrendo com o que estava por vir, tinha de agir. Paulina depositou outro soco sobre o peito dele, e sem dó, mordeu o lábio do ex amor. Carlos Daniel afastou-se de forma assustada, e antes que ela pudesse olha-lo nos olhos, o som do tapa ecoou pela sala.
–Nunca mais faça isso! Me respeite!
–Paulina, -disse ele tentando explicar algo, foi interrompido pela voz do Marido de Paulina.
–O que se passa! O que queres em minha casa!? Gritou ele descendo as escadas a passos largos.
–Tudo bem Querido, ele não tem nada que fazer aqui, e já está de saída. Disse Paulina enquanto Miguel posicionava-se ao lado dela.
–Paulina, por favor... suplicou Carlos Daniel.
–Vá embora. Se quiseres dizer-me algo em relação as crianças, fale com meu advogado. Adeus.
Paulina, sem olha-lo nos olhos, fechou a porta sem dó algum. O choro que ameaçava sair da Garganta dela foi suprimido com os passos largos dela em direção a cozinha.
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