Descobertas
45 Seja bem vinda Lanna!
Notas iniciais
– Que??
– Aaah!!! – Grito de dor sentindo a contração. – Carlos Daniel faz algo!!! – Grito em desespero.
– Está bem, irei buscar ajuda!
– Não me deixa aqui! – Grito e seguro no braço dele apertando com força sentindo outra contração. – Aaah Meu Deus!
– O que eu faço?
– Nãoooooooo – Não consigo terminar a frase porque vem outra contração. Carlos Daniel deita o banco do carro e logo puxa minha calcinha. Não sei o que pensar nem o que fazer, só sei que não quero ficar só.
– Ai Meus Deus não sei como fazer isso!
– Não me deixa sozinha! – Já estou desesperada e olho nos olhos dele tentando buscar algum conforto e por mais que eu odeie ter que admitir eu encontro.
– Nunca Paulina... – Ele deita todo o banco e me arruma nele e logo fica entre minhas pernas. – Respira! – Murmura olhando em meus olhos o que me deixa mais calma e tento controlar minha respiração. – Na próxima contração faça força tentarei fazer isso! – Sinto o desespero na voz dele.
– Ta ok! – Murmuro e seguro na mão dele. Sinto uma contração e aperto a mão dele com força. – Aaah!!! – Grito e ele grita junto.
– Isso Paulina, faz força já posso ver o bebê! – Ele sorri.
– Meu Deus tira essa criança de mim!!! – Grito de dor e logo que a contração vem faço força. Carlos Daniel!!! – Grito sentindo um alivio enorme ao escutar o choro do bebê.
– Nasceu! – Murmura ele segurando o bebê nos braços. – É uma menina... – Ele segura a bebê, eu não consigo conter e choro emocionada. — Deixe-me segurar ela!
– Claro... É sua...
– Obrigada... – Pego a bebe no colo. – Pegue no porta malas uma manta azul? – Murmuro encarando Carlos Daniel. Ele faz como eu pedi e logo enrolo a bebe na manta. – Minha princesa...
– Ela é linda Paulina... – Ele sorri e pega o casaco dele e cobre minhas pernas. – Esta esfriando! – murmura com a voz mais calma e fica me olhando.
– Obrigada... – Digo um pouco sem jeito.
– Qual será o nome dela?
– Lanna... – Sorri olhando para a bebe. – Minha pequena Lanna...
– Posso? – Ele pede para pegar a bebe no colo. Entrego o bebe e fico observando ele paquerando a bebe. – Ei menina linda... – Ele fica falando com a bebe o que me faz sorri involuntariamente. Enfim o transito começa a andar um pouco Carlos Daniel tira a manta da bebe e abre a camiseta, coloca a bebe sobre seu peito nu e logo fecha a camisa de forma que a bebe fique bem aquecida. Ele da partida no carro.
– Ei não precisa dirigir com a bebe, deixe que eu carrego... – Murmuro exausta.
– Descanse Paulina... Cuidarei da Lanna, até chegar no hospital!
– Carlos Daniel? – Murmuro sonolenta e olho ao meu redor, olho os braços dele e não vejo Lanna. – Cadê minha filha? – Quase entrando em desespero.
– Calma! – Ele sorri e aponta, olho na direção e do meu outro lado está minha pequena princesa em um berço. – Ela está muito bem, tem 47cm e pesa 2700g... Apesar de pequena ela é bem saudável! — Ele murmura de orelha a orelha.
– Faz tempo que chegamos no hospital? – Me sento com dificuldade.
– Me deixe ajuda-la! – Ele se levanta e me ajuda e não estou em condições de recusar.
Minha cabeça está um turbilhão, o nascimento da minha pequena, vovó doente e... Carlos Daniel... Enfim, não quero pensar nele. Peço pra ele pegar Lanna e me entregar e ele o faz e volta a se sentar e fica me observando. Não sei o que ele quer com isso, sei que tenho que agradecer ele por tudo que fez por mim hoje.
– Obrigada por tudo que fez hoje... Mas não precisa ficar aqui, vá ver as crianças... elas sentem sua falta... – Murmuro sem olhar esperando que ele entenda que não quero mais a companhia dele.
– Irei depois! – Ele murmura e pega uma revista e começa a ler. Serio que ele vai querer ficar aqui só para me provocar?
– Carlos Daniel, então vá ficar com a vovó, ela precisa de você mais do que eu.. Bom ela precisa de você e eu não! – Falo séria o encarando.
– Não... – Ele se levanta e caminha até a maca e olha em meus olhos o que faz minha respiração ficar irregular, não sei o que ele causa em mim... Raiva? – Paulina, eu sei que me repudia, e sei que tens toda razão em sentir isso, mas não vou te deixar sozinha aqui, e não adianta falar, brigar ou fazer cara feia... Eu não vou embora! – Ele sorri o que me deixa puta da vida, e depois se senta e volta a ler.
– Se pensa que vai conseguir algo com isso está enganado, o que a vovó falou e pediu não vai acontecer! – Murmuro e começo a fingir que ele não está lá.
– Não quero nada com isso, vou tentar te conquistar de novo, mas não será aqui!
– Tira isso da cabeça Carlos Daniel! – Reviro os olhos. – Preciso de um tempo com minha filha, poderia me deixar sozinha? — Encaro seria. Ele se levanta e coloca a revista na cadeira e caminha e para ao meu lado olhando em meus olhos.
– Não vou tirar isso da cabeça, sei que errei com você, sei que você se reconstruiu sozinha depois disso... Mas algo dentro de mim diz que você todavia me ama, e eu não vou desistir até ter certeza se você me ama ou não... Mas enquanto houver essa dúvida eu irei lutar... Vou lutar para conseguir seu perdão por tudo que te fiz... – Noto ele cabisbaixo mas minha raiva é maior que a dó e me mantenho firme e agora ainda mais puta por ele se fazer de coitado.
– Por mais que eu te amasse, nunca te perdoaria, nunca perdoaria sua desconfiança, aquelas palavras ditas em um momento de fúria sua, e muito menos não perdoarei por ter feito eu... – Me calo para não falar mais do que eu devia e tento não chorar. – Vá embora! – Preciso de ficar sozinha, preciso que ele me deixe, odeio ele!
– Por que ter feito o que? – Ele me encara sem entender,
– Nada, vá embora! – Já não contendo as lagrimas. – Por favor se quer me ajudar então vá embora!
– Paulina... – Ele tenta falar algo mas desiste e sai da sala. Desabo no choro.
Não posso culpar ele por aquilo... ele não sabia e eu também não... Mas não consigo deixar de culpa-lo! O que tem de errado comigo? Ter ele aqui me faz mal, mas ao mesmo tempo me faz bem... O que é isso?
Saio de meus devaneios e volto a atenção na minha pequena Lanna.
– Seja bem vinda Princesa... Minha princesa Lanna...
O que Paulina quis dizer com aquilo? Não posso ir embora... não sou capaz disso. Me sento na recepção do hospital e fico lá pensando no que Paulina acabara de dizer, tentando achar um significado para aquilo... O que eu fiz? Ou... O que eu não fiz!
Fecho meus olhos em um cochilo e logo me vem a mente o dia em que ela perdeu um bebê... Foi isso... Ela me culpa por fazer ela perder o...
– Puta merda! – Murmuro em voz alta ao me tocar do que ocorreu e volto para o quarto onde ela está rapidamente
– Paulina aquele filho que você perdeu era meu! – Disparo em prantos e me aproximo dela. – Eu fui o culpado...
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